A granja Shintaku fica à beira da BR 153, próximo ao rio Tibiriça. Hoje, três dos seis filhos – cinco homens e uma mulher – trabalham na empresa, que tem 130 funcionários e produz uma média de 800 dúzias de ovos por dia.
Mesmo já aposentado, Yoshimi Shintaku ainda mantém a mesa no escritório ao lado do filho Shindi, que atualmente gerência os negócios da granja. Exemplo familiar de que o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.
Com camisa branca, sandália e muito bem disposto, o empresário lembra que um dia já foi candidato a vereador e esteve num palanque político para nunca mais. “Se dá melhor quem fala bem o português”, brinca.

Shintaku atende o telefone em sua mesa no escritório da granja
Atual presidente do Sindicato Rural de Marília, cargo que ocupa há duas décadas, anuncia: “até agosto, depois paro e passo”, afirma. Shintaku também é presidente de honra do Nikkey Clube de Marília e está envolvido com diversas atividades sociais e assistenciais. Veja mais alguns trechos da entrevista.
ML – O senhor é presidente do sindicato. Gosta de política?
YS – Olha política me puseram uma vez para nunca mais. Para descendente nipônico é difícil, são poucos que conseguem começar ali dentro.
ML – O senhor já foi uma vez candidato?
YS – Sim, tive uma experiência, mas nunca mais.
ML – Não seria de novo?
YS – Não, não, e também com a idade que a gente tem só ia da canseira de novo (risos).
ML – O senhor acha importante a colônia ter representante na Câmara?
YS – Dessa vez tem o Yoshio (Yoshio Takaoka, PSB). É bom para a colônia, mas (na política) se dá melhor quem fala um bom português. O problema é que antes da eleição aparecem muitos candidatos, em vez de combinar para serem poucos, mas não. São cinco, seis, divide voto e dai ninguém se elege. A gente fala antes de eles se candidatarem: pensa bem, o voto é limitado, assim você não vai se eleger. Mas tem um pessoal que fica falando você ganha, você ganha e ele acredita e vai. O amigo tem de falar a verdade, mas os outros ficam falando e você acaba acreditando. Tomara que este ano apareçam uns dois, três só, mas pelo o que ouvi falar já são cinco, seis que querem e no final acaba o risco de ninguém ganhar.
ML – O senhor é um empresário de sucesso, Marília é uma cidade rica. O que o senhor acha que falta para a cidade ter uma distribuição de renda melhor, acabar com as favelas por exemplo?
YS – Administração (pública) não é como a gente pensa, você quer fazer isso, aquilo, mas nem sempre dá. Um quer mas outro não deixa. E quando você junta três tem outros dez para atrapalhar, que não querem. Eu como nunca fiquei dentro daquela casa (Câmara Municipal) não sei falar bem nem criticar. Eu acho que o Mario Bulgareli (ex-prefeito que renunciou o cago dia 5 de março passado) administrou, não foi ele que quis deste jeito, as vezes queria fazer mas os colegas não deixam. Por isso é difícil falar se fosse eu fazia isso, assim. As vezes a maioria não deixa.
ML – Já que política não, se o senhor não fosse empresário no setor de hortifrutigranjeiro, o que o gostaria de ser?
YS – Olha eu sempre quando comecei plantar melancia inventei, comprei um pulverizador e coloquei um caxotão grande de dois mil litros na carreta para pulverizar. Na época a melancia não dava nem muito dinheiro, mas com esse negócio que eu fiz para carregar água no encerado as indústrias começaram a fazer com fibra de vidro e foi onde se espalhou por ai. Eu sempre penso: se tivesse um pouquinho de cabeça tinha começado isso na época. Pegou todos que plantavam melancia. Acho que se tivesse entrado na indústria tinha alguma coisa a mais.
ML – Obrigado pela atenção
YS – Obrigado você e desculpa a correria.

Com tradicional quimono japonês durante lançamento do Japan Fest