• 29 ago 2004 /  Fique Ligado

    Esse negócio de ser político, eleger-se, assumir o poder, usar e abusar das benesses e mamatas das gordas tetas da rica Viúva municipal não parece coisa tão ruim assim. Dá friozinho na barriga, leva-se susto, gasta-se muito dinheiro com advogado, mas tudo parece compensar, o que é bom para o político e uma lastima à sociedade.

    rnDe qualquer forma, o ex-prefeito Domingos Alcalde, e seu vice, Herval Rosa Seabra, têm motivos de sobra para estarem mais aliviados depois de tudo que fizeram entre 1.989 e 1.990.

    rnA 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça acaba de anular sentença que havia condenado os dois a quatro anos de prisão (pena convertida em prestação de serviços comunitários) por estelionato e loteamento clandestino.

    rnAlcalde e Herval foram acusados de vários golpes imobiliários, entre eles os notabilizados como casos Cascata e Scarpelli. No Cascata, Alcalde cumpriu até pena de reclusão domiciliar e ficou inelegível por oito anos.

    rnNo caso Scarpelli, em 1989 o então prefeito baixou decreto declarando uma grande área na zona sul de utilidade pública a pretexto de construir casas populares.

    rnEra tudo enganação. Os herdeiros de Felipe Scarpelli, donos da área, acabaram pressionados por Alcalde e Herval e venderam o terreno por preço irrisório a um testa-de-ferro de ambos.

    rnDomingos Alcalde então editou outro decreto, em 1990, revogando o anterior, e, veja só, a área acabou incorporada ao patrimônio pessoal de Alcalde e Herval.

    rnA falcatrua foi descoberta, o negócio desfeito, os dois denunciados pelo Ministério Público, no mais escandaloso caso político-partidário da história de Marília, noticiado à época com exclusividade no Diário, na edição de 26 de maio de 1.990, com reportagens desse colunista.

    rnO escândalo dentre muitos daquela época ficou se arrastando por todo esse tempo na Justiça, foi e voltou em primeira e segunda instâncias. Aqui Alcalde e Herval foram condenados, mas no TJ acabaram livres.

    rnA decisão viabiliza definitivamente a candidatura de Domingos Alcalde a prefeito, hoje oposição a Abelardo Camarinha. Já Herval pode continuar concorrendo a vaga na Câmara e hoje é protegido e protetor do atual prefeito.

    rnComo Alcalde e Herval, todos os outros políticos podem ficar mais tranquilos pois basta confiar na lerdeza da Justiça que literalmente é cega, surda e muda.

    rnDecisão judicial pouca gente questiona, mas que sentença condenatória é mesmo para pobre, preto e puta, isso não precisa duvidar.

    rnFigurão, colarinho branco e outros donos do poder e do dinheiro pagam bons advogados, constroem provas favoráveis e anos depois conseguem se safar das acusações.

    rnBom para quem teve os benefícios no passado, para quem está tendo no presente e para quem quer chegar ao poder e, no caso de Marília, o cofre da Viúva municipal vai ter mais de 750 milhões de reais para manipular.

    rnÉ uma fortuna para dar inveja a qualquer assaltante de banco, a qualquer golpe internacional, a qualquer orçamento de multinacional. Mais ainda, o atual prefeito Abelardo Camarinha, em seus oito anos, terá administrado mais de um bilhão de reais.

    rnCom tanto dinheiro, não é à toa que os políticos brigam tanto pelo poder e ninguém pode esquecer que à parte as verbas vinculadas a pagamento de pessoal, o dinheiro público acaba dando oportunidades de negócios pessoais e compensações quase sempre em gordas comissões.

    rn
    rnPau prá toda obra

    rnrnHá tempos Marília não tinha campanha eleitoral tão desprovida de essência e apelo popular. O quadro deve mudar agora em setembro. Verdade o cidadão não crê mais nessa gente que tanto faz de um lado ou outro há 30 anos têm o mesmo discursinho barato, as mesmas promessinhas dissimuladas, os mesmo charlatanismo quando a eleição passa.

    rnMixurucas são as propostas, vazias são os grupos, individualizadas estão as campanhas majoritárias e minoritárias. Aliás, a propaganda de rua e no horário eleitoral gratuito parece estar produzindo efeito contrário. Não é para menos. Tudo a mesma ladainha, os candidatos realçam virtudes que não têm.

    rnrnOs carros de som só produzem barulho e torram a paciência de quem está trabalhando, em casa ou andando na rua. As musiquinhas irritam e a situação fica insuportável quando vêm as mensagens, destacando qualidades do candidato. A primeira alternativa de voto consciente é rejeitar esses candidatos dissimulados e barulhentos.

    rnrnAliás, rejeição mesmo é o que o eleitor mais expressa. Não é para menos. Se peneirar essa farinha toda disfarçada em situação e oposição, a conclusão é que tudo saiu do mesmo saco e tudo pode ser juntado novamente. Tanto faz um como outro, vai ser difícil o eleitor de Marília escolher um candidato que ao final possa representar seus anseios de uma cidade melhor.

    rnrnA propaganda eleitoral no rádio da situação é quase uma graça se não fosse uma desgraça. O locutor insinua que o eleitor mudou com o ex-prefeito Salomão Aukar e se deu mal ao rejeitar o atual prefeito Abelardo Camarinha, em 92, Diz ainda que o eleitor errou ao eleger Lula presidente. Então, a situação que a continuidade de Camarinha, agora com Mário Bulgareli. Que pretensão.

    rnrnOra, mais engraçado ainda então é refrescar a memória do povo mais uma vez. O que a situação esqueceu de dizer é que Camarinha em 88 dizia a mesma coisa: o que é bom deve continuar e elegeu Domingos Alcalde prefeito de Marília. O povo foi enganado? O povo errou? Camarinha mentiu? O povo não deveria ter acreditado à época, mas agora com Bulgareli é diferente? Tudo enganação.

    rnMais ainda. O povo errou ao rejeitar Camarinha e escolher Salomão em 92. Certo. O povo errou. Mas o candidato Mário Bulgareli estava onde mesmo? Com Salomão. Fiel escudeiro, então opositor a Camarinha, foi presidente da Câmara, defendeu com unhas e dentes Salomão, ajudou enterrar CPI que investigava superfaturamento de poço profundo. Nada de esquecer a realidade.

    rnrnNão existe puritanismo na disputa pelo poder, nas relações partidárias, mas os políticos não podem tratar o eleitor como idiota e cabe à imprensa alertar para fraude de discursos. Justiça seja feita, essa politicagem não é privilégio de Marília, acontece em todos os demais municípios, é bem próprio da prática partidária nacional. Uma nojeira.

    rnrnMais ridícula ainda é a propaganda de Domingos Alcalde, o ex-prefeito amigo de Camarinha que hoje se coloca como oposição e alternativa de governo honesto e empreendedor. Deve ser brincadeira. Ou será que Alcalde acha que o povo esqueceu a indústria da desapropriação, sem contar as dezenas de denúncias de roubalheira contra os cofres municipais em sua administração?

    rnAliás para refrescar a memória desse bando que está aí em lados diferentes e teoricamente opostos, basta fazer uma análise da conduta de quem já governou Marília. São eles, Theobaldo de Oliveira Lyrio, Abelardo Camarinha, Domingos Alcalde e José Salomão Aukar. Todos, claro, tiveram seus méritos, queira ou não foram eleitos pelo voto popular. Mas também em comum, as mesmas mazelas, desmandos, suspeitas…

    rnrnBem, mas daqui para frente pouco deve mudar nesse quadro que está aí, no máximo um ou outro candidato a prefeito deve desistir. Como Marília não tem segundo turno, a teoria dos bastidores é que Camarinha só perde a eleição se houver união dos demais candidatos. Esse também é problema para Bulgareli: desgrudar sua imagem do prefeito que, embora seja seu maior cabo eleitoral é também a maior causa de seu desgaste. O PT de Alonso sem chance. Já os outros, uma incógnita. Ao eleitor, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

    rnO que não dá para entender é como essas contas são feitas. Falta sempre combinar com mais de 140.000 eleitores de Marília, dois quais mais da metade até agora não quem nem ouvir falar desses candidatos que estão aí e estão saturados da mesmice e de quase oito anos de discursinhos repetitivos de Camarinha. Bem da verdade, triste destino o nosso.


    José Ursílio

  • 22 ago 2004 /  Fique Ligado

    Já está circulando novo projeto de lei para anistiar multas aplicadas durante as eleições de 2002, tudo igualzinho ocorreu e foi aprovado em relação aos anos anteriores. Passou a eleição e os políticos vão lá, rasgam e jogam no lixo tudo que é sentença judicial condenando exageros e descumprimento da lei eleitoral.

    rnIsso mesmo. É o cúmulo do absurdo. Essa gente que democraticamente foi escolhida para legislar em causa pública e coletiva, na maioria das vezes, só age e trabalha em causa própria.

    rnTemos sim que defender as instituições, o regime democrático e estado de direito, mas é de indignar o que os políticos fazem na tentativa de auto-proteção, de se safar der qualquer responsabilidade.

    rnEnquanto ao cidadão comum resta cumprir à lei, aos políticos ficam os benefícios dela e quando não estão satisfeitos mudam a legislação ao prazer de suas necessidades e conveniências.

    rnEste ano o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu restaurar a eficácia da lei 9996, de agosto de 2000, que anistiou as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral nas eleições de 1996 e 1998.

    rnA anistia abrange os eleitores que não votaram nessas eleições e os membros de mesas receptoras que não atenderam à convocação, além dos débitos resultantes das multas aplicadas aos candidatos em decorrência de quaisquer infrações.

    rnA decisão foi tomada no julgamento do mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade 2306, ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); contra o Congresso Nacional, autor do projeto de lei.

    rnAs anistias refletem mesmo o clima de faz-de-conta que é instalado em vários setores. Então, os candidatos podem abusar da lei, pois depois basta contratar advogado para ganhar tempo na tramitação de processos e ações de multas para que sejam mais ou menos tempo lei que vai invalidar tudo, repito, jogar tudo na lata do lixo.

    rnFicou achando que como em todas as demais anistias – as de impostos federais, estaduais e municipais, tão comuns de ano em ano – esse país é mesmo do faz-de-conta.

    rnNada mais justo que legislação ser readequada, até exageros serem sanados, os legisladores só não podem continuar defendendo interesses corporativos e próprios. É, mas acho que estamos querendo demais, não?

    rnDe qualquer forma, o importante é ficar atento, discutir questões como essa, protestar, manifestarmos nossa contrariedade.

    rnNo momento de nova campanha eleitoral, o que o leitor-eleitor deve prestar atenção é nos candidatos que além de propostas concretas para qualidade de vida e desenvolvimento de nossa cidade, igualmente sejam cidadão exemplares no cumprimento da lei, na observação de direitos e deveres.

    rnPau prá toda obra

    rnrnVazio, desprovido de bom senso, um quadro bem acabado do nível baixo da atual legislatura. Assim tem sido os debates entre alguns vereadores de Marília. O que Roberto Monteiro (PMDB) e Mário Coraíni (PTB) patrocinaram nas duas últimas sessões mereceria no mínimo suspensão por 30 dias, senão cassação de mandatos. Não fariam falta alguma, pelo contrário. Vergonhoso.

    rnrnNão é à toa que o cidadão comum não suporta esse bando de político que está há anos desfilando pelos poderes. Você leitor-eleitor lembra-se de único projeto realmente de repercussão pública, boa causa que tenha sido produzida pela Câmara de Marília nesse mandato? Não? Não é memória curta, é fato, esse pessoal quase nada produziu. Lastimável.

    rnrnArtimanha saída do calabouço do segundo andar tenta de todas as formas acabar com as sessões camarárias. A ordem é tumultuar e evitar discussões que beneficiariam a oposição, principalmente agora que as sessões estão sendo transmitidas às segundas-feiras pela Rádio Dirceu, que ganhou concorrência pública para prestar o serviço. Indecência.

    rnrnMisto de ridículo e cômico. O vereador Pedro Pavão (PP) foi à Tribuna da Câmara ler dois ou três parágrafos da coluna com críticas ao prefeito Abelardo Camarinha (PMDB). Acrescentou que tenho credibilidade para escrever, que não era ele quem estava fazendo as críticas. Quis usar a coluna indevidamente para propósitos partidários e oportunistas e firmou seu descrédito. Lamentável.

    rnA realidade é única. A pseudo-oposição ficou bradando sem articulação, as bancadas individualizadas, querendo fiscalizar a administração Camarinha de forma sectária. Já a situação foi vaquinha de presépio, marionetes do Executivo, com chapéu na mão, vivendo de apadrinhamentos e algumas migalhas mensais. Resultado, os dois lados só perderam, ignoraram a opinião pública. Descabido.

    rnO leitor-eleitor deve ficar atento, prestar atenção nas campanhas de prefeito e vereadores, verificar o passado de cada candidato, suas propostas, onde e com quem estiveram nos últimos anos. A Câmara precisaser renovada, com pessoas decentes. Não se deixe enganar pela fajutice da propaganda de rua e patifaria das promessinhas e discursinhos baratos de sempre. Vote pelo bem coletivo e contra os enganadores.

    rnrnO que de melhor pode acontecer para uma cidade em último ano de mandato é simples e a gente tem até horário marcado: 12 horas, sexta-feira, dia 31 de dezembro de 2004. Fecham-se as portas e os cofres da mais cobiçada Viúva de um município. Essa Viúva de gordas tetas patrocina mamata descabida em qualquer época, mas em ano eleitoral e apagar das luzes é assustador e ninguém faz nada. Absurdo.

    rnrnO que tem surgido de denúncias, desgraçadamente a maioria anônimas, causa uma sensação de existência de muito mais coisas podres nesse reino da Dinamarca. Agora, essa de acusar de forma apócrifa, como se estivesse na calada da noite, só produz suspeição e acaba no descrédito. Ninguém precisa ser herói, mas é preciso ter coragem e não necessariamente recorrer a este colunista.

    rnrnQuem sabe, tem provas, quer denunciar mazelas em quaisquer instância da administração pública – municipal, estadual e ou federal -, tem mecanismos legais e direitos constitucionais que lhe asseguram proteção e garantias. O colunista pode até dar publicidade, desde que haja fundamentação, documentos formalizados e investigações nas instâncias devidamente constituídas.

    rnEm número bem mais reduzido mas quase identificados com crachá e impressão digital visível, o prefeito Abelardo Camarinha continua mandando alguns lacaios e serviçais de plantão produzirem recados para este colunista e jornal. Azar dele. Está e vai continuar sendo ignorado e passa-se por ridículo. O prefeito deveria estar preocupado com os problemas, deficiências e mazelas de sua administração. Patético.

    rnrnNão é só em balcão de negócios imobiliários e pecuários que o segundo andar da Prefeitura se transformou. Os beija-mãos, charlatões e lacaios ficam de risadinhas nos corredores bajulando o “patrão” que para extravasar seu egocentrismo megalomaníaco estimula o nhem-nhem-nhem e ti-ti-ti. Patifaria.

    rnrnO que os 30 anos de politicagem e politicalha produziram na cidade está bem refletido na obrigatória e descabida propaganda eleitoral gratuita. Nada de novo, nada de nada nos desfile dos candidatos a prefeito e vereador nos programas de rádio essa semana. Não é à toa que o eleitor está descrente e continua a ignorar o processo eleitoral. Para conquistar o eleitor os candidatos vão ter que mudar muito, se é que sejam capazes para tanto.


    José Ursílio

  • 15 ago 2004 /  Fique Ligado

    Políticos estão tomando as liberdades de assalto. Isso mesmo. Há movimentorncrescente e organizado em todas instâncias de poderes Executivo ernLegislativo, federal, estadual e municipal.

    rnrnQuerem calar sociedade, imprensa, Ministério Público e Judiciário. Queremrndevessar pessoas físicas e jurídicas. Querem criar autoproteção.

    rnrnA cambada que manda e desmanda, que mama das tetas das Viúvas, está numarnescalada sem precedentes contra os direitos e liberdades conquistados ernconsagrados na constituição.

    rnrnAcorda sociedade civil, estão usando o poder instituído contra nós. De norterna sul, da União ao Município, a cambada partidária de todos os matizes estárnarrepiada.

    rnrnQuerem até inventar existência de onda de denuncismo, moda nas reclamaçõesrnprincipalmente da PeTezada que tomou conta da Viúva Federal.

    rnrnMesma situação dos sujeitos instalados no poder municipal ou junto aquelesrnque querem encostar nas gordas tetas da Viúva de Marília.

    rnrnOs caras querem nosso silêncio, chegam acreditar que somos cegos e elesrnestariam com um olho, portanto, donos do reinado. Balhofa megalomaníacos.

    rnrnNão aguento o lenga-lenga dos discursinhos. Tá toda estrutura reclamandornprincipalmente da imprensa. Ah, cara-pálida, o presidente Lula-lá estárnincomodado? Seus ministros pensam e expressam-se da mesma forma? Azar deles.

    rnrnHomens públicos devem sempre satisfação de seus atos. No caso da PeTezada,rnesses foram useiros e vezeiros de escarafunchar o comportamento dosrngovernantes anteriores, de forma legítima.

    rnrnAgora, mudaram de lado no balcão. Viraram vidraça e vão tomar estilingadas.rnA mesmíssima coisa deve ser entendida pelo prefeito Abelardo Camarinha querntalvez achasse que iria continuar agindo a bel prazer como um poderosornchefão. Igual à PeTezada. Azar dele.

    rnrnMas o que a sociedade civil precisa ficar atenta e refletir, participar,rnrejeitar, é essa escalada de violência contra os direitos às liberdades.

    rnrnCorremos riscos de retrocesso sem precedentes, com medidas que prevêemrnformas perigosas e obscuras de calar as instituições que com dificuldades ernavanços estão vigiando a coisa pública.

    rnrnPara repetir o que já defendi aqui. A reforma do Judiciário, por exemplo,rnvem com a famigerada súmula vinculante – uma decisão do STF deve serrnobrigatoriamente seguida por todos os juízes do país.

    rnrnQuem entende sabe que esse mecanismo judiciário aniquila direitos derndiscussão em primeira instância, distancia o cidadão de defesa ampla, dernacesso a novas interpretações, às mudanças do dia a dia sempre mais rápidasrnque a reciclagem da legislação.

    rnrnHá ainda a lei da mordaça, uma ameaça em tramitação para frear a divulgaçãornde investigações do Ministério Público. Faz-se aqui observação: culpa tambémrnde alguns promotores que iguais aos políticos agem atrás dos holofotes, serncolocam como intocáveis.

    rnrnAh, também querem impedir que quaisquer servidores públicos possam prestarrninformações à imprensa, através de lei que aliás já disciplina arnmanifestação do funcionalismo.

    rnrnHá ainda pelos lados da imprensa, o malfadado projeto para criar o ConselhornFederal de Jornalismo, disfarce mal-acabado e autoritário para censurarrnveículos e profissionais.

    rnrnQuerem cercear a liberdade de expressão em pleno 2004. O Estado não poderncriar conselho. Isso é direito e necessidade dos jornalistas semrninterferência do Estado.

    rnrnEnquanto tentam aniquilar as liberdades, cercear e limitar ação dornMinistério Público, engessar o Judiciário, os políticos armam esquemas pararnse protegerem, buscam salvo conduto na tentativa de esconder as mazelas.

    rnrnEsse objetivo vem travestido em forma do foro privilegiado pararnex-autoridades, o fim da lei da improbidade para políticos e a defesa préviarnpara ações de improbidade, a tal lei da morosidade.

    rnrnEntão, leitor-eleitor, fique atento, esse é melhor momento de discutirmos,rnrechaçarmos essas propostas indecentes, avançarmos em direitos e valoresrndemocráticos.

    rnrnComece a mudar em casa, no trabalho, no dia a dia, na nossa cidade. Vigie erndefenda direitos individuais e coletivos com a família, amigos, vizinhos.

    rnrnrnVão bisbilhotar suas contas

    rnrnrnHá pouco mais de dois anos descobriram e passaram a utilizar o termornflexibilizar. Coisa neoliberal disseminada pela tucanada agora instrumentornda PeTezada. Isso mesmo. Os políticos querem se proteger mas vigiar de todasrnas maneiras o cidadão comum e as pessoas jurídicas.

    rnrnTá na forma a flexibilização da CLT (Consolidação de Leis do Trabalho); arnlei sindical e assim por diante. Passou do limite a flexibilização do sacorndo Zé Ninguém, isso sim.

    rnrnBem, mas a PeTezada quer também flexibilizar o sigilo fiscal e bancário dernpessoas físicas e jurídicas por meio de decreto, que autorizaria órgãos comorna Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e a Polícia Federal a ter acessorndireto aos dados mediante simples requisição à Receita Federal.

    rnrnIsso, vão bisbilhotar as contas alheias meio que indiscriminadamente. Narnteoria, agora a proposta prevê que o órgão que requisitar as informaçõesrndeve ter instaurado um procedimento investigativo e se responsabilizar pelarnmanutenção do sigilo.

    rnrnÉ assim: vai-se ignorar a necessidade de autorização judicial. O decreto dornLula-lá vai regulamentar lei de 2001, elaborada durante o governo FernandornHenrique Cardoso, que já flexibiliza o sigilo fiscal de empresas, permitindornao Banco Central o conhecimento dos dados.

    rnrnTudo começa assim. Flexibiliza na maioria dos casos poderia ser sinônimo dernbanaliza. Depois inferniza a vida alheia, próprio de medidas de exceção emrnmãos indevidas.

    rnrnContra-senso, no instante que o governo joga tudo para aliviar sua barra nasrninvestigações e até sugere existência de onda de denuncismo, quer abrir osrnsigilos sem passar por indícios e decisão soberana do Judiciário depois dernanálise de cada caso.

    rnrnPior é que a sociedade está parcialmente desarticulada, distante de tantasrnmodificações, ainda que entidades não-governamentais estejam até protestandorne vigiando e com repercussão na imprensa nacional.

    rnrnFique de olho.rn

    rn
    Pau prá toda obrarn

    rnrnO prefeito Camarinha se preocupou em passar a correligionários, serviçais ernlacaios, versão de “acordo” com esse colunista. Sei lá de onde tirou a idéiarne o que quer justificar, assim quais objetivos. Ora, isso não passa de maisrnuma mentira, ladainha própria de alguém cuja megalomania não tem comornsuportar críticas tão naturais em regime democrático.rn

    rnrnRalé, lacaios, serviçais e charlatões aproveitam e ampliam a versão do chefernnuma clara tentativa de embolar assuntos. Ainda bem que a opinião pública, ornleitor-eleitor, está bem distante dos bastidores de fofocas e intrigasrncriadas no segundo andar da prefeitura e multiplicadas no nhem-nhem-nhem dernbutecos e ti-ti-ti de muquifos.

    rnrnrnSociedade civil, cidadão de bem, leitor-eleitor. Tem mostrado reação,rnesboçando defesa mais efetiva de causas públicas, cobrando decência, ética ernmoralização na administração pública. Não canso de repetir, não existernherói, jornalista é apenas mais um na multidão, vamos romper omissões,rnfraquezas e afastar medos.

    rnrnrnLeitor-eleitor, não fique surpreso também se daqui a pouco alguma medidarnimpedir a circulação dessa coluna. Poder e dinheiro mandam no mundo desdernque o homem é homem. Por mais que pensemos viver em um Estado de direito, asrnpressões, o jogo sujo, o uso de métodos escusos, sempre acabam aniquilandornas boas causas, a busca pela discussão isenta e legítima.

    rnrnrnHá uma semana articulação de bastidores envolvendo partidos políticosrnaliados do prefeito Camarinha está tentando acabar com a coluna do jornal,rnimpedir que haja críticas, que sejam discutidas mazelas, problemas ernsoluções de interesse público e coletivo. Um dos mecanismos seria entrar comrnalguma medida judicial, tentando obter liminar ou coisa que o valha. Direitorndeles.

    rnrnrnAliás, como já escrevi acima, parece que há movimento nacional para calarrnjornalista, os políticos não aguentam mais essa raça, essa genternbisbilhoteira. Ora, então o negócio é fingir que tudo está certo, quernninguém rouba, que há denuncismo barato? Façam-me o favor, não é essarnsociedade que quero para geração de meu filho Matheus.rn

    rnrnÉ por isso que a luta nunca pode ser de uma pessoa, um jornalista, umrnveículo, é preciso que a sociedade civil esteja atenta, as entidades nãorngovernamentais façam sua parte. Caso contrário, você eleitor-leitor vai lerrnaqui letras de músicas, poemas de Fernando Pessoa e Pablo Neruda que tantorngosto. Pode até ser que realmente então esse seria um espaço formador dernopinião.

    rnrnrnOu, melhor, vou fazer um trabalho de memória e reproduzir as páginas ernpáginas de todas as denúncias do Ministério Público em ações que tramitam narnJustiça. São aquelas que vão das notas fiscais adulteradas, obrasrnsuperfaturadas – acabas ou abandonadas – e do segundo maior charlatão darncidade, aquele que circula hoje como homem de confiança…

    rnrnrnrnrnVocê que lê, assina, compra, anuncia no jornal pode colaborar. Faça suarnparte, manifeste-se, exerça seus direitos de cidadão, saia do anonimato,rndiscuta com um amigo, mande uma correspondência. Estimule também um vizinhornassinar o jornal, anunciar, ajude o veículo a ter independência para poderrnlutar por suas causas, pelas causas da cidade. Não precisa ser contra ou arnfavor de ninguém, apenas defenda decência, justiça, fraternidade, o bemrncomum…

    rnrnrnVeja a extensão do lixo que é o poder, o dinheiro, os aproveitadores ernoportunistas. Semana passada vagabundo a mando não se sabe de que bandidornameaçou meu filho de seis anos. Ligaram para sua escola, o tiraram da salarnde aula, ludibriando a secretaria e, 45 minutos depois, em outro telefonema,rno covarde mandou me avisar que seria fácil sequestrá-lo. Susto, correria narnescola, mobilização da polícia. Tomei medidas. O custo psicológico à famíliarné inimaginável. Mas vamos resistir…

    rnrnrnDe tempos em tempos é assim. Colocaram fogo em meu carro e minha casa emrnabril de 1997 e o covarde ligou quatro horas da madrugada lamentando que eurntivesse escapado. Ameaçaram-me mostrando revólver à minha secretária.rnTentaram contratar um ex-policial para implantar cocaína no carro da minharnmulher. Mais de 30 ameaças anônimas em minhas estão registradas na políciarnem oito anos.rn

    rnrnJá mudei muito, ganhei equilíbrio, quando posso faço minha parte, mas umrnfato é certo: não é possível tanta barbaridade, tantos comportamentosrndeformados, se é que eles são tantos assim. Tudo isso porque de vez emrnquanto tento ser mais crítico? Ou tem uma meia dúzia que se julga intocável,rnacima do bem e do mal?

    José Ursílio

  • 08 ago 2004 /  Fique Ligado

    O dinheiro sujo não compra, as armadilhas não servem, as pressões são inúteis, as ameaças são desprezíveis, a tortura psicológica será suportada, o último centavo que possa existir será gasto…

    rnCamarinha, sua corja ou qualquer outro aproveitador de situação nesse momento, têm o direito de tentar, mas não vão conseguir me amedrontar, me calar, impedir que eu exerça minha profissão aqui ou qualquer outro lugar.

    rnCumpro minhas obrigações e manifesto minha opinião – e respondo por ela. Não me curvo, o dia em que necessário for, vou embora, tenho postura, cada instante de minha vida tento usar para o bem e me penitenciar dos males que certeza também causo.

    rnrnEstão praticando o mais baixo nível de ameaças que possa existir, a essas não vou responder no jornal, não cabem aqui, não trazem interesse público. Como cidadão tem diversos outros meios, legais e vou usá-los com a mesma determinação. E mais.

    rnNão se trata de um simples jornalista, que passa, de um jeito ou outro vai embora. Tantos outros jornalistas e homens do bem ficam, vão dar continuidade às boas causas.

    rnMinha parte farei até o último segundo, não importa o custo…

    rnPau prá toda obra

    rnAlô puxa-sacos oficiais. Alô gentinha dos recados. Alô charlatões. Alô corja. Alô dono da mala preta. Tirem o cavalinho da chuva. A cobertura da eleição neste ano vai continuar na linha das liberdades de imprensa que sempre defendi. Então, se o prefeito Camarinha, seus lacaios, ou qualquer outro tem algum recado a dar, dê ao eleitor e contribuinte. Não adianta falar com a coluna.

    rnrnAlô sociedade civil. Alô gente de bem. Alô entidades não governamentais. É fácil cobrar o jornalista, achar que um ou outro possa virar herói, o que não existe. Mamãe não quero ser prefeito. Vamos cada um fazer sua parte, lutar pelas causas públicas, pela decência, ética e moralização. Vamos começar por nossa cidade. Romper omissões, fraquezas e afastar medos.

    rnrnDa mesma forma vai ser a análise de todos os candidatos. Aliás, eles sabem disso. Todos os tais “opositores” que estiveram em algum momento dentro do poder, próximo a ele ou em alguma atividade de representação pública conhecem minha linha crítica. Nunca gostaram. Azar de todos. Continuarão sujeitos a essa avaliação.

    rnrnAlô eleitores, se não participarmos da eleição, discutirmos as propostas, ficar atentos à vida e obra de cada candidato, depois será tarde demais. Alô cidadão comum, vamos nos envolver com as causas, cobrar, fiscalizar, exigir posturas, compromissos. É obrigação minha, sua, nossa. Não existe problema público que seja briga de uma pessoa só…

    rnÉ preciso começar a entregar essa cidade aos verdadeiros donos, seus moradores, que em 70 anos de história nunca tiveram realmente o controle da vida em Marília. E isso exige mudanças: mudança na bandalheira, mudança na politiciagem de 30 anos e mudança no cidadão, o que não acontece da noite para o dia.

    rnrnO tal de Camarinha não está acostumado a ter seu mandato e suas mazelas analisadas e criticadas? Azar dele. O resultado é que, de todos os envolvidos na campanha, esse Camarinha acha que é o único não pode ser criticado. Ora, que servicinho, hein?

    rnNão dá para admitir essa história de que nada pode ser dito que contrarie o estado de coisas que ele julgue ser as corretas. O carimbador maluco há 30 anos tenta passar-se por vítima. Enquanto isso, saiu de uma campanha com mobilete, como ele mesmo acostumou-se a dizer, para uma fortuna. Nada mais correto que explicar o que se fez do serviço e do dinheiro público e mostrar esse acúmulo de patrimônio.

    rnrnEmissários de todos os lados, alguns até bem intencionados, outros aqueles de sempre, malfeitores, charlatões, abutres querendo levar vantagem, fizeram uma romaria à procura do colunista para dizer que não é hora de briga. Também acho. Aliás, nunca defendi briga em hora nenhuma. Acho só que cada um deve assumir suas posturas e seu papel na coletividade.

    rnSem essa de acreditar em professor de Deus, sem essa de megalomaníaco, sem essa de medo, de ameaças, de querer endeusamento pessoal, sem essa de extremo culto à própria personalidade. Sem essa de Camarinha não aceitar ser criticado, sem essa de esquecer o passado dos outros. Alô eleitor com mais de 30 anos, você já viu essa gente toda no desmando, abra o olho.

    rnNão deixo de repetir, evito ser extremamente hipócrita, tenho culpa, ajudei a incentivar a megalomania de Camarinha, defendi por anos as causas públicas que ele defendia. Fui defensor de suas causas. Não me identifico mais com elas, assim como não me identifico com sua fortuna, sua corja, seus recados. Fique com tudo. Como podem ficar Alcalde e sua fortuna, Zuza e sua fortuna e assim por diante.

    rnrnCamarinha pode ter milhares de dólares em cofres, pode ter fazenda, apartamentos e casas de luxo em Marília, São Paulo, onde quer que seja. O prefeito tem direito a andar de carrões importados e blindados em São Paulo e preferir não exibir-se em Marília, andando até em carro popular para disfarçar. Mas nem por isso pode evitar de ser cobrado, de ter explicações a dar.

    rnOs ataques sujos serão respondidos. Não fujo do que for preciso fazer. Sempre que Camarinha aparecer aqui criticado, terá dado motivos para isso. Se não aparece, melhor para o leitor. A cidade é muito maior que ser a favor ou contra Camarinha. Ele um dia vai passar. Trabalho pelo compromisso com minha consciência, na medida em que o leitor permitir e sempre para participar da melhor forma na vida de Matheus, ele sim a razão para tudo o mais.

    rnrnDe pais e filhos

    rnrnDia dos pais, nada mais importante que homenagear os filhos, nosso único patrimônio e que Deus possa conservá-los. Das mensagens que recebi na semana, de Jota Erre, uma lição de vida. Que figura maravilhosa, só poderia ser filho de Nilze, neto de Anselmo. Jota Erre, como sua vilha que está chegando já é feliz. Que maravilha vir ao mundo com um pai assim. Jota Erre, meu irmão, que orgulho tenho de você, você vale mais que qualquer exército que eu pudesse dispor. Aos pais, minhas homenagens na figura pura e simples de Jota Erre. Se meu pai fosse vivo, acho teria poucas decepções com seus cinco filhos, mas imenso orgulho de nossas posturas. Que Deus nos proteja e nos guie.


    José Ursílio rnrnrn rn

  • 01 ago 2004 /  Fique Ligado

    Eterno professor do bem, seo Anselmo Scarano, me ensinou várias lições. Duas talvez tenham marcado mais: ninguém nunca pode fazer jornal para o próprio estômago e jornal é como igreja, não tem dono.

    rnTento me guiar na simplicidade e invejável sabedoria do Penaforte. Manteve sua vida pautada pela ética e respeito, sem nunca ter curvado-se a interesses menores, senão os da cidade que há 70 anos ajuda a construir.

    rnTudo que tenho, minha família, minha profissão, minha casa e meu sítio, devo ao seo Anselmo. Esse sim poderia e pode me pedir o que quiser, a ele devo lealdade imensurável. Nada que eu faça retribuirá o que já recebi.

    rnSeo Anselmo me ensinou o que é jornal, desde 1976, quando ganhei meu primeiro emprego: entregador do então Correio de Marília.

    rnMe ensinou a ganhar a vida honestamente. Seo Anselmo teve carreira brilhante, teve bens materiais, dirigiu jornal por 40 anos. A pauta de sua vida, dignidade.

    rnEsse sim é um sujeito de valor. Escolhi o espaço dessa coluna ao lado do Vitral de Penaforte. Ele me empresta seu brilho, sua bondade, seu amor e carinho. Está dando certo. Estou feliz.

    rnSeo Anselmo aos 84 anos tem tudo que um homem pode desejar: família linda, amizades, respeito e credibilidade. Tem tudo isso e muito mais.

    rnBens materiais não os tem. Vive do salário de colaborador do Diário, mora em sua chácara com a pessoa mais humana e doce que conheço, sua filha Nilze.

    rn”Menino Zezinho. Meu menininho”.

    rnAos 42 anos continuo sendo o menino do vô Anselmo. Menino rebelde, fiz retrospecto de minha vida de jornaleiro até hoje.

    rnVida atribulada, irrequieta. Erros, falhas, acertos… Nos tempos que o chefe era o seo Anselmo, o emocionava, o entristecia, às vezes. Sei disso, mas nunca perdi respeito por ele. Ele nunca me tratou sem seu enorme carinho.

    rnOs anos me deram maturidade, alguma vivência, ganhei talvez mais equilíbrio, razão. Seo Anselmo permanece meu conselheiro. Todo sempre o foi. Nunca deixou de recomendar: “Cuidado meu menino”.

    rnDefendo causas, me alio a homens de bem, do bem. Seo Anselmo não deu nesses 28 anos um único motivo para merecer crítica, restrição. Sou seu eterno aliado, morreria – opa, errado, viverei – por qualquer causa que ele defenda.

    rnSabe, seo Anselmo, defendo outras causas, delas tenho orgulho. Convivo com homens iguais ao senhor, conheço outros igualmente importantes, muitos deles sem bens materiais, mas humildes, sábios, fraternos, justos – homens de bem, do bem.

    rnPara que possamos encontrar os homens bons, precisamos conviver, conhecer a todos. Alguns rapidamente se revelam, então cada um segue seu caminho.

    rnÀs vezes outros convivem conosco durante tempos, nos aliamos em causas, sustentamos as consequências, suportamos ônus, dividimos bônus. Tenho comigo que amigo não tem defeito – mesmo sabendo que isso é comprometedor e exagerado, ajo com essa postura.

    rnDe tempos em tempos parece que temos de enfrentar dissabores, frustrações, descobrimos que causas que defendemos já não mais são as corretas, as justas.

    rnDescobrimos que homens com os quais marchamos em lutas pelo bem, pela coletividade, desviaram seu caminho, mudaram por encruzilhadas esquisitas, que não mais são as nossas.

    rnQuando nos deparamos com descaminhos, tentamos reconstruir o que eventualmente surgiu de pedras, de empecilhos e divergências. O tempo nos reserva surpresas, quando nos deparamos com falsidade, traição, enganação de quem de repente deveria ter mínimo de respeito e consideração para com aquilo que convivemos.

    rnMas, o certo é que nunca é tarde para revermos posições, consertarmos exageros na defesa de causas que se há pouco eram as melhores, agora descobrimos que não mais valem a pena, estão distantes do bem coletivo.

    rnSabe, não devemos nos envergonhar daquilo que fazemos, devemos nos penitenciar, podemos nos redimir se não insistirmos em erros, falhas, atos e comportamentos podem ser readequados.

    rnO que não podemos é aceitar falta de respeito, consideração, custe o que custar, doa a quem doer, produza o prejuízo que for. Não podemos admitir que quem quer que seja nos tire o mínimo de dignidade, nem mesmo em troca de um lugar ao sol…

    Pau prá toda obra

    rnrnA curriola do prefeito Camarinha está toda alvoroçada. O endeusamento do chefe é tamanho que barbaridades são ditas aos quatro cantos, sem mínimo de bom senso. Tá cheio de lacaio escondido nos bastidores políticos com ti-ti-ti, com velhas e conhecidas insinuações. O alvo da corja é tentar desmerecer reportagens do Diário e este colunista.

    rnDebilidade pura. Ainda que fosse possível a esse lixo de gente atingir a imagem de alguém, desmerecer o jornal ou o colunista em nada muda a história da cidade ou as mazelas da administração. A repercussão negativa sobre os mandatos e os candidatos em geral não depende do jornal, mas do cansaço do coitado do cidadão, inclusive gente próxima, maltratada pela corja que, a continuar assim, vai ter de arrumar emprego em 2005.

    rnO próprio prefeito Camarinha pra variar andou bradando nos cantos que as críticas publicadas seriam reflexo de propostas financeiras, que eu teria feito acordo com o candidato Zuza e ou que eu estaria querendo dinheiro. Não fiz. E pouco me importa o que pensa ou fala sobre mim, desde que ele comece a explicar suas mazelas, os desmandos, a incoerência da carreira lado-a-lado com a ditadura, ou de como elegeu Domingos e depois Zuza, para citar só dois dos ex-amigos que hoje ele passa dias atacando.

    rnEntão, os ataques tratam-se só de debilidade de quem não tem argumentação, de quem está acostumado a ser ordinário sem um mínimo de reação de quem o cerca. Camarinha está acostumado a falar destemperadamente, sem ser questionado. Chega ao cúmulo de pedir a seus interlocutores que repitam suas opiniões, para que certifique-se se decoraram a versão correta. Opção dele, azar de quem repete. Para o público interessa a moralização dos atos, dos gastos, da postura. Pode ser?

    rnrnSei como tudo funciona porque convivo com eles há tempos, confesso durante cinco anos achava ser um grupo politizado, Camarinha um líder responsável, homem público bem intencionado. Tem virtudes, é carismático, mas o poder transformou-o, mudou seu caráter, virou megalomaníaco, perdeu respeito por tudo e por todos. Minha opinião pessoal sobre a conduta pessoal dele ou de cada candidato vale tanto quanto a dele sobre mim. Vale sim a análise da vida pública. E que cada um explique a sua a quem de interesse.

    rnrnMeu distanciamento de Camarinha já tem mais de dois anos, as frustrações só foram crescendo. Sei que de ambos os lados. Agora, o que Camarinha vai aprender é que o mundo não gira à sua volta. Ele pode bater no jornal e na coluna o carimbo que quiser. A empresa presta contas de sua atuação aos leitores, clientes e órgãos públicos. Camarinha tem de prestar contas à coletividade sobre o que fez com os quase R$ 1 bilhão que geriu em oito anos.


    rnNão temos culpa se Camarinha, Bulgareli, Zuza, Alcalde, e todos os demais se envergonham do que fizeram e fazem. A reação ridícula foi de Camarinha e ele tem seus motivos, acostumado que foi a ser sempre endeusado e, repito, inclusive por esse colunista. Agora, isso não representa que possamos continuar cegos como se não pudéssemos defender outras causas.

    rnrnNão sou contra ou favor dessa ou daquela candidatura, o jornal também não e vai continuar com sua linha independente, seguindo a lei eleitoral, provocando o debate, resgatando a memória. Vamos fazer campanhas pelo voto consciente no jornal e nas rádios. Vamos igualmente comercializar espaços publicitários, dentro do que a lei permite. Inclusive em parcerias comerciais com a prefeitura, como as têm todos os veículos de comunicação da cidade e da região.

    rnrnNossos contratos estão à disposição dos órgãos responsáveis, assim como a prestação de contas pessoal do colunista. A coerência ou incoerência e erros do jornal é julgada todo dia por clientes, pelo público que pode escolher se compra ou não. Nada mais normal que tratar da incoerência e erros de Camarinha, Zuza, Alcalde, Bulgareli e a corja que os cerca. Afinal, quanto a esses o público tem pouco poder de escolha. Vai acabar obrigado a submeter-se a um deles. Natural que todos sejam cobrados a explicar-se.

    rnrnO prefeito mandou charlatões fazerem insinuações sobre a RCC Comunicações, empresa que administrou a Rádio Clube por seis anos. Meus compromissos foram cumpridos, o que não é o caso do prefeito. Anda quase doentio o comportamento de Camarinha na tentativa de carimbar as pessoas. O carimbador maluco notabilizou jocosidades e detratações. Não é sem motivos que caiu em sua armadinha, quando chega é anunciado: “lá vem aula do professor de Deus”. As criaturas parecem estar dando lição no criador, é sempre assim…


    José Ursílio