Esse negócio de ser político, eleger-se, assumir o poder, usar e abusar das benesses e mamatas das gordas tetas da rica Viúva municipal não parece coisa tão ruim assim. Dá friozinho na barriga, leva-se susto, gasta-se muito dinheiro com advogado, mas tudo parece compensar, o que é bom para o político e uma lastima à sociedade.
rnDe qualquer forma, o ex-prefeito Domingos Alcalde, e seu vice, Herval Rosa Seabra, têm motivos de sobra para estarem mais aliviados depois de tudo que fizeram entre 1.989 e 1.990.
rnA 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça acaba de anular sentença que havia condenado os dois a quatro anos de prisão (pena convertida em prestação de serviços comunitários) por estelionato e loteamento clandestino.
rnAlcalde e Herval foram acusados de vários golpes imobiliários, entre eles os notabilizados como casos Cascata e Scarpelli. No Cascata, Alcalde cumpriu até pena de reclusão domiciliar e ficou inelegível por oito anos.
rnNo caso Scarpelli, em 1989 o então prefeito baixou decreto declarando uma grande área na zona sul de utilidade pública a pretexto de construir casas populares.
rnEra tudo enganação. Os herdeiros de Felipe Scarpelli, donos da área, acabaram pressionados por Alcalde e Herval e venderam o terreno por preço irrisório a um testa-de-ferro de ambos.
rnDomingos Alcalde então editou outro decreto, em 1990, revogando o anterior, e, veja só, a área acabou incorporada ao patrimônio pessoal de Alcalde e Herval.
rnA falcatrua foi descoberta, o negócio desfeito, os dois denunciados pelo Ministério Público, no mais escandaloso caso político-partidário da história de Marília, noticiado à época com exclusividade no Diário, na edição de 26 de maio de 1.990, com reportagens desse colunista.
rnO escândalo dentre muitos daquela época ficou se arrastando por todo esse tempo na Justiça, foi e voltou em primeira e segunda instâncias. Aqui Alcalde e Herval foram condenados, mas no TJ acabaram livres.
rnA decisão viabiliza definitivamente a candidatura de Domingos Alcalde a prefeito, hoje oposição a Abelardo Camarinha. Já Herval pode continuar concorrendo a vaga na Câmara e hoje é protegido e protetor do atual prefeito.
rnComo Alcalde e Herval, todos os outros políticos podem ficar mais tranquilos pois basta confiar na lerdeza da Justiça que literalmente é cega, surda e muda.
rnDecisão judicial pouca gente questiona, mas que sentença condenatória é mesmo para pobre, preto e puta, isso não precisa duvidar.
rnFigurão, colarinho branco e outros donos do poder e do dinheiro pagam bons advogados, constroem provas favoráveis e anos depois conseguem se safar das acusações.
rnBom para quem teve os benefícios no passado, para quem está tendo no presente e para quem quer chegar ao poder e, no caso de Marília, o cofre da Viúva municipal vai ter mais de 750 milhões de reais para manipular.
rnÉ uma fortuna para dar inveja a qualquer assaltante de banco, a qualquer golpe internacional, a qualquer orçamento de multinacional. Mais ainda, o atual prefeito Abelardo Camarinha, em seus oito anos, terá administrado mais de um bilhão de reais.
rnCom tanto dinheiro, não é à toa que os políticos brigam tanto pelo poder e ninguém pode esquecer que à parte as verbas vinculadas a pagamento de pessoal, o dinheiro público acaba dando oportunidades de negócios pessoais e compensações quase sempre em gordas comissões.
rn
rnPau prá toda obra
rnrnHá tempos Marília não tinha campanha eleitoral tão desprovida de essência e apelo popular. O quadro deve mudar agora em setembro. Verdade o cidadão não crê mais nessa gente que tanto faz de um lado ou outro há 30 anos têm o mesmo discursinho barato, as mesmas promessinhas dissimuladas, os mesmo charlatanismo quando a eleição passa.
rnMixurucas são as propostas, vazias são os grupos, individualizadas estão as campanhas majoritárias e minoritárias. Aliás, a propaganda de rua e no horário eleitoral gratuito parece estar produzindo efeito contrário. Não é para menos. Tudo a mesma ladainha, os candidatos realçam virtudes que não têm.
rnrnOs carros de som só produzem barulho e torram a paciência de quem está trabalhando, em casa ou andando na rua. As musiquinhas irritam e a situação fica insuportável quando vêm as mensagens, destacando qualidades do candidato. A primeira alternativa de voto consciente é rejeitar esses candidatos dissimulados e barulhentos.
rnrnAliás, rejeição mesmo é o que o eleitor mais expressa. Não é para menos. Se peneirar essa farinha toda disfarçada em situação e oposição, a conclusão é que tudo saiu do mesmo saco e tudo pode ser juntado novamente. Tanto faz um como outro, vai ser difícil o eleitor de Marília escolher um candidato que ao final possa representar seus anseios de uma cidade melhor.
rnrnA propaganda eleitoral no rádio da situação é quase uma graça se não fosse uma desgraça. O locutor insinua que o eleitor mudou com o ex-prefeito Salomão Aukar e se deu mal ao rejeitar o atual prefeito Abelardo Camarinha, em 92, Diz ainda que o eleitor errou ao eleger Lula presidente. Então, a situação que a continuidade de Camarinha, agora com Mário Bulgareli. Que pretensão.
rnrnOra, mais engraçado ainda então é refrescar a memória do povo mais uma vez. O que a situação esqueceu de dizer é que Camarinha em 88 dizia a mesma coisa: o que é bom deve continuar e elegeu Domingos Alcalde prefeito de Marília. O povo foi enganado? O povo errou? Camarinha mentiu? O povo não deveria ter acreditado à época, mas agora com Bulgareli é diferente? Tudo enganação.
rnMais ainda. O povo errou ao rejeitar Camarinha e escolher Salomão em 92. Certo. O povo errou. Mas o candidato Mário Bulgareli estava onde mesmo? Com Salomão. Fiel escudeiro, então opositor a Camarinha, foi presidente da Câmara, defendeu com unhas e dentes Salomão, ajudou enterrar CPI que investigava superfaturamento de poço profundo. Nada de esquecer a realidade.
rnrnNão existe puritanismo na disputa pelo poder, nas relações partidárias, mas os políticos não podem tratar o eleitor como idiota e cabe à imprensa alertar para fraude de discursos. Justiça seja feita, essa politicagem não é privilégio de Marília, acontece em todos os demais municípios, é bem próprio da prática partidária nacional. Uma nojeira.
rnrnMais ridícula ainda é a propaganda de Domingos Alcalde, o ex-prefeito amigo de Camarinha que hoje se coloca como oposição e alternativa de governo honesto e empreendedor. Deve ser brincadeira. Ou será que Alcalde acha que o povo esqueceu a indústria da desapropriação, sem contar as dezenas de denúncias de roubalheira contra os cofres municipais em sua administração?
rnAliás para refrescar a memória desse bando que está aí em lados diferentes e teoricamente opostos, basta fazer uma análise da conduta de quem já governou Marília. São eles, Theobaldo de Oliveira Lyrio, Abelardo Camarinha, Domingos Alcalde e José Salomão Aukar. Todos, claro, tiveram seus méritos, queira ou não foram eleitos pelo voto popular. Mas também em comum, as mesmas mazelas, desmandos, suspeitas…
rnrnBem, mas daqui para frente pouco deve mudar nesse quadro que está aí, no máximo um ou outro candidato a prefeito deve desistir. Como Marília não tem segundo turno, a teoria dos bastidores é que Camarinha só perde a eleição se houver união dos demais candidatos. Esse também é problema para Bulgareli: desgrudar sua imagem do prefeito que, embora seja seu maior cabo eleitoral é também a maior causa de seu desgaste. O PT de Alonso sem chance. Já os outros, uma incógnita. Ao eleitor, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.
rnO que não dá para entender é como essas contas são feitas. Falta sempre combinar com mais de 140.000 eleitores de Marília, dois quais mais da metade até agora não quem nem ouvir falar desses candidatos que estão aí e estão saturados da mesmice e de quase oito anos de discursinhos repetitivos de Camarinha. Bem da verdade, triste destino o nosso.
José Ursílio