• 26 set 2004 /  Fique Ligado

    Tiros, brigas, ameaças, queima de veículos, bombas incendiárias, pancadarias, pauladas, pedradas, destruição de material de propaganda e cartas anônimas…

    rnA calada da noite em Marília evidencia uma disputa eleitoral paralela, sem lei, segurança ou ordem pública.

    rnDesfile de ofensas pessoais, ataques à vida íntima, insinuações sobre as famílias, deram o tom de uma parte dos ataques durante os comícios e serviram de estopim para que os capangas ficassem com ânimos ainda mais estimulados.

    rn Distribuição de cartas anônimas com acusações mútuas também mostra a parte podre e fora do controle em torno das candidaturas.

    rnNos últimos 12 dias o servicinho sujo saiu dos gabinetes e salinhas de malfeitores e ganhou as ruas em ações anônimas e próprias de capangas e gangsters que rondam as candidaturas a prefeito. Os grupos paralelos estão ligados às campanhas de Domingos Alcalde, Joseph Zuza e Mário Bulgareli, que tem a coordenação do prefeito Abelardo Camarinha.

    rnO leitor-eleitor mostra distância do processo eleitoral e não é para menos. Falta entusiasmo, falta candidatura com mínimo de apelo popular e que possa conquistar o cidadão comum.

    rnPior fica o quadro quando a campanha eleitoral em reta final acaba envolvida no velho e conhecido esquema de quebra-quebra e métodos escusos e ilegais.

    rnNo máximo há algumas denúncias à polícia, com ocorrências registradas. Tanto assim que já há partidários que denunciaram espancamento, outro que teve carro incendiado, outro ameaçado de morte com revólver, entre outros tantos quebra-quebra nos bairros mais periféricos.

    rnGravíssimo, só essa semana em pelo menos três situações houve disparo de tiros no corre-corre entre capangas travestidos de correligionários partidários.rnEssa semana foi a mais violenta. Além dos tiros disparados, uma selvageria sem precedentes na guerra para destruir propaganda eleitoral dos candidatos.

    rnLastimável quando em pleno 2004, cidade teoricamente pacata do interior do Estado mais rico da Federação ainda haja campanha paralela, longe daquilo que dita a legalidade e, mais importante, o bom senso, bons costumes e respeito ao ser humano.

    rnÉ certo que no calor das paixões das disputas político-partidárias possam existir exageros de comportamentos, defesas mais enfáticas desta ou daquela candidatura, mas isso não representa admitirmos a desordem desenfreada onde a polícia e a justiça não chegam, seja por omissão ou por incompetência dos agentes e gestores de serviços públicos.

    rnAinda bem que está chegando ao fim essa que em Marília deve ser uma das campanhas eleitorais mais medíocres e vazias da história da cidade, com a bandalheira instalada nas madrugadas sem lei e à mercê das gangues e gangsters.

    rnNão é à toa que não há discussão de projetos e propostas. O eleito seja quem for terá muito pouco compromisso com a coletividade, seus representantes e até as entidades que podem ser representativas.

    rnInexistiram debates, inexistiram posturas mais incisivas e adequadas a fazer dos candidatos, principalmente a prefeito, homens públicos mais compromissados com a coletividade.

    rnLamentável por culpa de todos nós e por isso que a cidade corre o risco de continuar sem avanços, atrasada política e intelectualmente. Corre o risco de alguns até se acharem donos da cidade, mas isso também vai ter fim depois da eleição e principalmente a partir de 2005.

    rnNão é por menos que a cidade está envolvida em duas campanhas, uma que é regida pela Justiça Eleitoral e outra pela cambada que infesta a maior parte dos grupos partidários. Sem contar no uso e abuso do poder econômico, do poder público, que ninguém faz nada, ninguém liga e tudo parece satisfazer aos interesses de todos os poderosos. Lastimável.

    rnDe transparente e limpo mesmo ficará o eleitor no dia três de outubro, em frente à urna eletrônica, escolhendo seu vereador e seu prefeito.

    rnMesmo que o eleitor tenha tido algum benefício, tenha feito alguma troca, ali, na urna indevassável, ninguém poderá desmerecê-lo, enganá-lo, fiscalizá-lo.

    rnMuito pelo contrário. Exercer o voto, mesmo que as candidaturas não entusiasmem e não tenham maior credibilidade, é um dever que deve dar mínimo de satisfação.

    rnExercer o direito de votar, seja ele de qualquer maneira, é um dos exercícios de cidadania fundamentais na vida democrática.

    rnPena que nesse país o lixo do lixo governa na maioria dos municípios. Pouco se tem de saudável na ação dos gestores públicos e Marília não foge à regra.

    rnMesmo assim, vamos votar, vamos evitar os corruptos e corruptores, os poderes corroídos pelo tráfico de influência e poderosos, assim como o banditismo que permeia na calada da noite em campanhas paralelas.

    rn
    Acabou censura, o leitor ganhou

    rnrnNada irreparável, mas peço desculpas a você leitor pela falta de reportagens sobre a administração municipal e a campanha eleitoral durante 13 dias. Restabelecemos o direito de o povo ser informado.

    rnO leitor-eleitor ganhou. Esse é o primeiro registro que faço em decorrência da decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que cassou a censura imposta ao Diário e a este editor.

    rnNa prática, o que houve nesses 13 dias é que o prefeito Abelardo Camarinha e os partidos que apoiam a candidatura de situação de Mário Bulgareli ganharam blindagem, proteção indevida, desmerecida.

    rnO Mandado de Segurança apresentado pelo advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior e atendido pelo TRE contra decisão do juiz Olavo de Oliveira Neto restabeleceu a prática do jornalismo independente, crítico e investigativo, que descontenta aqueles que detêm o poder, mas fundamental para a democracia e a formação da opinião pública.

    rnAlcalde, Zuza, Theobaldo, Pavão, Camarinha e todos os outros tantos que circularam em volta da Viúva rica e do poder passaram pela análise crítica. Não espero que eles gostem do que lêem, o compromisso é com o leitor.

    rnÉ direito de quem quer que seja proteger-se ao recorrer à legislação, mas a censura é descabida em pleno 2004. Continuo respondendo a ação judicial que Camarinha e os partidos impetraram e pedem investigação de crime eleitoral e um pedido de resposta.

    rnO Diário não se nega a publicar qualquer versão dos partidos embora. Discordo das acusações. Camarinha não aceita críticas e acabou usando recurso jurídico com alegações descabidas, para tratar como questão eleitoral o que é discussão sobre gastos de sua administração.

    rnEsconde-se como defensor da campanha para fazer defesa pessoal, de uma forma que balança entre o equívoco e a má fé.

    rn Não estou e nem estarei a serviço de quem quer que seja como alega o prefeito e apenas vamos continuar fazendo jornalismo investigativo e reportagens que revelem ato com suspeição seja agora ou depois da eleição.

    rnVamos continuar mostrando a concorrência que a administração Camarinha fez e enterrou R$ 4 milhões do dinheiro público do Fundef em programas de computador. Muito há suspeito e está sendo investigado e não é por mim, mas por agentes públicos competentes.

    rnCamarinha volta a ter seus atos acompanhados, da mesma forma como o Diário acompanha todos os candidatos e acompanhou todos os prefeitos antes dele.

    rnPosso exagerar, ter que me retratar, pedir desculpas, ser punido por exageros em quaisquer instâncias legais, mas nunca me faltará coragem para defender minha profissão, meus direitos no jornalismo e, acima de tudo, o compromisso que tenho e devo ao leitor.

    rnQuem assina o jornal, compra o jornal, anuncia no jornal, merece respeito e consideração, merece receber um jornal pluralista e tem sido essa nossa postura, firme, seja antes quando havia muito a elogiar nas causas de Camarinha ou seja agora quando há muito mais críticas decorrência de fim de mandato de forma melancólica.

    rnO homem público não pode e não vai se dar ao luxo de esquivar-se da avaliação da comunidade, do jornal, enfim de todos os cidadãos.

    rnReestabelecemos o direito de o cidadão ser informado. Isso sim vamos sempre comemorar.

    rn
    Pau prá toda obra

    rnrnA legislação eleitoral e as modificações e anistias concedidas são produzidos pelos legisladores do Congresso Nacional, claro, protecionistas dos esquemas e seus interesses. Sobra ao Ministério Público fiscalizar tudo, ter como base a parte draconiana e à Justiça Eleitoral decidir muitas vezes sobre aquilo que não passa de entulho, de lixo.

    rnrnAcredito que devemos resistir, de tempos em tempos enfrentar a bandalheira, a roubalheira, a corrupção, o tráfico de influência deslavado, desmistificar a persuasão de quem detém o poder nas mãos e o dinheiro sujo. De tempos em tempos nos desiludimos, mas a coragem nunca faltará, a qualquer custo.

    rnrnLastimável quando no dia a dia ouvimos “tome cuidado, essa gente é suja”, “se cuida, essa gente é perigosa”. Nas décadas de 30, 40, 50, no interior do Nordeste, talvez coubesse bem essa prevenção. Mas em 2004 é deplorável admitir que a bandalheira é tamanha que ainda exista gente acima do mínimo de dignidade e legalidade.

    rnrnTem aqui como em qualquer outra comunidade de 10, 20, 30 canalhas, bandidos de colarinho branco, corruptos e corruptores, que usam, abusam e lambuzam de quase tudo e acabam safando-se e esquivando-se da legalidade, direitos e deveres. Mas continuo acreditando que um dia teremos comunidade mais justa, igualitária, em todos sentidos. Coragem sempre.

    rnrnA atual administração que gosta de vangloriar-se em defesa da educação municipal infantil de Marília – e reconhece-se a rede esta entre as melhores do país ? é escandaloso o descaso com o transporte dos alunos. Inseguro, irregular, sem controle e com superlotação. Lástima tratar assim as crianças.

    rnVergonha maior porque é a mesma administração que está enterrando R$ 4 milhões em programas de computador. Além da óbvia suspeita de que é caro demais, é flagrante o desequilíbrio do gasto. E nem venham fazer discurso como se o transporte de alunos fosse um presente de algum iluminado. É obrigação, já que o poder público não dá escola próxima do aluno. Se o aluno tem que andar muito, que tenha transporte, mas não como carga.

    rnPor fim, mais um lembrete ao prefeito Camarinha, ao charlatão e as aduladores baratos: risíveis e medíocres os recadinhos. Uma pobreza de espírito de dar pena. Nada a temer, nada a aceitar, nada de retroagir. O tempo vai passar e sepultar todas as previsões ridículas…

    José Ursíliorn

  • 24 set 2004 /  Fique Ligado

    Para o advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior, que representou o Diário, a liminar representa mais do que permitir a liberdade de imprensa: restabelece o direito fundamental do povo em receber informações essenciais para que possa formar livremente seu convencimento na hora de votar.

    rn?Isto porque, a liberdade de imprensa, ao contrário do que muitos pensam, não é um direito do veículo de comunicação em informar, mas sim um direito do povo em ser informado. E ser informado, significa saber sobre todos os atos praticados pela administração pública?, disse o advogado.

    rnSegundo Telêmaco Fernandes, notícias envolvendo funcionário ou agentes do Poder Público são de interesse geral. A proteção à honra dessas pessoas sofre atenuação.

    rn?É salutar à ordem pública a discussão e o debate amplo a respeito de questões que envolvem essas pessoas. No caso dos políticos, como diz o Prof. Antônio Jeová dos Santos, estão sujeitos de forma especial às críticas públicas.?

    rnÉ fundamental que se garanta não só ao povo em geral larga margem de fiscalização e censura de suas atividades, mas sobretudo à imprensa, ante a relevante utilidade pública da mesma, analisa o advogado.

    rn?Além disso, como demonstrado no mandado de segurança, em nenhum momento o jornal distorceu a verdade ou foi imparcial, mas tão somente retratou fatos e atos públicos que são de interesse de todos e, portanto, devem ser informados.?

    rnSegundo o advogado, o Tribunal Superior Eleitoral já consagrou entendimento de que legislação eleitoral não impede jornais impressos de defender linhas doutrinárias.

    rn?Daí por que os veículos impressos de comunicação podem assumir posição ou efetuar críticas em relação aos pleitos eleitorais, sem que tal, por si só, caracterize propaganda eleitoral ilícita.?

    rnComo se não bastasse, mesmo a Lei de Imprensa criada em plena ditadura militar diz em seu artigo 27 que a divulgação, a discussão e a crítica de atos e decisões do Poder Executivo e seus agentes, desde que não se trate de matéria de natureza reservada ou sigilosa, não constitui abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação.

    rn?Assim, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral é importante, pois devolveu ao povo o direito de ser informado sobre as questões políticas de seu interesse e, desta forma, receber mais elementos para que possa exercitar o direito ao voto com mais informações sobre os candidatos.?rn

  • 24 set 2004 /  Fique Ligado

    A censura ao Diário provocou repercussão em grandes veículos de comunicação no país e até em um centro de estudos de comunicação nos Estados Unidos.

    rnA decisão do juiz Olavo de Oliveira Neto foi divulgada pela Folha de S.Paulo, pelo site Terra ? o maior provedor de banda larga do país ?, pelo Observador (Rondônia) e em jornais regionais, como o Jornal da Cidade, de Bauru.

    rnA repercussão internacional ficou por conta do Knight Center of Journalism, mantido pela Universidade do Texas. Além de manter um informativo na Internet, o centro é responsável por manter uma lista de quase 600 jornalistas que discutem em nível nacional questões sobre a mídia.

    rnA censura ao Diário provocou em dois dias aproximadamente 20 comunicações entre jornalistas de todo o país para discutir o tema. Não houve nenhum comunicado em defesa da sentença, distribuída através de e-mail.

    rnEm toda a cobertura pela mídia o caso foi sempre tratado como censura, confirmando a interpretação que o Diário e sua defensoria jurídica deram ao caso.

    rnO caso também chegou até à presidência da ABI (Associação Brasileirade Imprensa).

    rn?Temos recebido inúmeros exemplos dedemasiase exorbitâncias de juízes eleitorais, que parecem desatentos àsdisposiçõesda Constituição da República que asseguram a liberdade de imprensa. Este pode ser o caso?, disse o presidente da ABI, Maurício Azedo, em mensagem enviada ao Diário.

    rnO jornal encaminhou também cópias do documento para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e para a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). rn

  • 24 set 2004 /  Fique Ligado

    O juiz relator, Décio Notarangeli, votou pela recepção do mandado e a favor da medida liminar para suspender a censura. ?Do modo como proferida decisão de primeiro grau (juiz de Marília) é sugestiva da existência de ofensa ao artigo 220, parágrafo 2º, da Constituição, dela advindo para os impetrantes fundado e justo receio de dano irreparável ou de difícil reparação?, diz o juiz em sua decisão.

    rnO artigo citado trata da liberdade de imprensa e da proibição constitucional de censura aos veículos de comunicação.

    rn?Por essas razões, dá-se provimento ao recurso para reformar decisão agravada, deferir a liminar para suspender os efeitos do ato do juiz eleitoral, a quem deverão ser requisitadas as informações no prazo legal?, diz o relator em seu voto.

    rnO entendimento de Notarangeli foi acompanhado por cinco dos desembargadores. Apenas a juíza Suzana de Camargo votou contra.

    rnA Justiça de Marília recebeu ontem comunicado do Tribunal com a decisão. A votação provocou uma das mais longas sessões do Tribunal, provocada por um debate técnico sobre a possibilidade de usar mandado de segurança como medida contra a decisão do juiz.

    rn Segundo o entendimento do desembargador Álvaro Lazzarini, presidente do TER, mandado não seria a medida correta para reverter a decisão. O advogado Telêmaco Fernandes protocolou agravo regimental, uma forma de recurso da defesa, para que o Tribunal revisse a decisão.

    rnO caso foi então levado para julgamento do chamado ?pleno?, com análise pelos sete desembargadores do TRE. A discussão técnica sobre a forma de encaminhar o pedido provocou demora na votação. rnrn

  • 24 set 2004 /  Fique Ligado

    Decisão atende defesa do jornal e de jornalista para permitir reportagens que ciotem nome do prefeito e partidos de situação

    rnrnO TRE (Tribunal Regional Eleitoral) derrubou anteontem à noite, por seis votos a um, decisão do juiz eleitoral Olavo de Oliveira Neto que estabelecia censura contra o jornal Diário e o editor José Ursílio.

    rnCom a medida, acaba a proteção que impedia o jornal de citar o prefeito Abelardo Camarinha e os cinco partidos que sustentam a campanha do vice-prefeito, Mário Bulgareli, à prefeitura.

    rnA decisão atende Mandado de Segurança apresentado pelo advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior em nome do jornal.

    rnA censura também calava o jornalista José Ursílio, que em coluna dominical vem revelando bastidores da eleição, com análise crítica de todos os candidatos e das interferências do prefeito, pessoalmente interessado em fazer o sucessor.

    rnDerrubada a censura ainda segue a ação judicial que em Camarinha e os partidos pedem investigação de crime eleitoral do Diário e um pedido de resposta.

    rnO Diário contesta as acusações, mas não se nega a publicar qualquer versão dos partidos, embora critique o fato de o prefeito alegar questão eleitoral para fazer defesa pessoal e de sua administração, quando deveria fazer discussão da campanha eleitoral e dos partidos.

    rnNão há na resposta nenhuma menção aos candidatos ou às notas da coluna de Ursílio. Todo o texto foi usado para falar sobre duas reportagens revelando atos suspeitos do prefeito Camarinha como administrador e não como ?coordenador da campanha?, função que diz ocupar.

    rnUma delas revela que Camarinha enterrou R$ 4 milhões do dinheiro público do Fundef em programas de computador. A outra mostra que o mesmo Camarinha quer enterrar mais R$ 3,7 milhões para desapropriar prédio e silos da Ceagesp e instalar a Fatec, que nem existe, a não ser nas promessas do prefeito.

    rn?Sem a proteção da censura, Camarinha volta a ter seus atos acompanhados, da mesma forma como o Diário acompanha todos os candidatos e acompanhou todos os prefeitos antes dele?, disse José Ursílio.

    rnSegundo o editor, na prática a censura desequilibrou a cobertura das eleições, já que o jornal ficou 13 dias sem poder falar de um dos candidatos.

    rnO editor destacou ainda que o jornal em nenhum momento colocou-se em defesa de qualquer dos candidatos, pelo contrário, adotou postura crítica em relação a todos eles.

    rn?Essa postura será retomada agora com acompanhamento das campanhas e especialmente dos atos administrativos, que já se referem a interesses e recursos públicos e precisam ser fiscalizados.?

  • 19 set 2004 /  Fique Ligado

    O jornal Diário e este editor continuam proibidos judicialmente de divulgarem quaisquer reportagens que citem coligação PSDB-PMDB-PSB-PSD-PL e o prefeito Abelardo Camarinha.

    rnEstamos esperando decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, em agravo de instrumento. Ou esperamos ainda decisão final no feito na Justiça Eleitoral em Marília.

    rn Desde 10 de setembro estamos censurados. A decisão do juiz Olavo de Oliveira Neto é uma liminar em pedido de investigação de crime eleitoral com direito de resposta.

    rn Decisão judicial deve ser cumprida e assim estamos procedendo, mesmo discordando da extensão. Decidimos não divulgar mais reportagens sobre as demais candidaturas ou outros fatos de campanha para não refletirmos parcialidade de forma alguma.

    rnOs advogados do jornal e editor estão trabalhando para reverter a decisão e podermos reestabelecer as reportagens aos mais de 48.000 leitores.

    rnO caso ganhou repercussão nacional com manifestação de dezenas de entidades de classes e espaço em inúmeros veículos de comunicação do país, como vamos mostrar assim que houver decisão final da causa.

    rn
    Lisboa Revisitada

    rnrnComo protesto, espaço para o poema “Lisboa revisitada” deÁlvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, de 1923:

    rnrnNão: não quero nada.
    rnJá disse que não quero nada.

    rnrnNão me venham com conclusões!
    rnA única conclusão é morrer.

    rnrnNão me tragam estéticas!
    rnNão me falem em moral!
    rnTirem-me daqui a metafísica!
    rnNão me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
    rnDas ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) –
    rnDas ciências, das artes, da civilização moderna!


    rnQue mal fiz eu aos deuses todos?

    rnrnSe têm a verdade, guardem-na!

    rnrnSou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
    rnFora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
    rnCom todo o direito a sê-lo, ouviram?


    rnNão me macem, por amor de Deus!

    rnrnQueriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
    rnQueriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
    rnSe eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
    rnAssim, como sou, tenham paciência!
    rnVão para o diabo sem mim,
    rnOu deixem-me ir sozinho para o diabo!
    rnPara que havemos de ir juntos?

    rnrnNão me peguem no braço!
    rnNão gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho,
    rnJá disse que sou só sozinho!
    rnAh, que maçada quererem que eu seja de companhia!


    rnÓ céu azul – o mesmo da minha infância -,
    rnEterna verdade vazia e perfeita!
    rnÓ macio Tejo ancestral e mudo,
    rnPequena verdade onde o céu se reflecte!
    rnÓ mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
    rnNada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.


    rnDeixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
    rnE enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
    rn


    Estão roubando até loterias

    rnrnA esculhambação nacional é de escandalizar até o mais otimista. Coisas e cofres públicos em quase todas repartições são tratados como latrina, pinico.

    rnDeu na Folha domingo passado. Reportagem especial, passa como mais uma denúncia em meio a tantas, parece que ninguém dá bola para aberrações. Estão roubando, isso mesmo, afanando até nas loterias.

    rnGrupo de 200 pessoas ganhou 9.095 vezes em loterias da CEF (Caixa Econômica Federal) entre março de 1996 e fevereiro de 2002. Cada apostador desse grupo teve em média 45 bilhetes premiados – número praticamente impossível de ser alcançado caso os jogadores não se dispusessem a gastar com apostas sempre muito mais do que ganhariam, segundo matemáticos. Ao todo, o grupo ficou com R$ 64,8 milhões.

    rnPolícia Federal abriu em junho último cerca de 20 inquéritos só em São Paulo para investigar os sortudos.

    rnAgora, pior ainda, os casos de número de premiações acima da média têm pelo menos dois casos de parlamentares. Eles não são investigados a respeito.

    rnO deputado federal Francisco Garcia Rodrigues (PP-AM) e seu filho acertaram 43 vezes em 21 jogos diferentes entre os anos de 1996 e 2000 (cinco jogos do deputado, 16 de seu filho). Ganharam R$ 811 mil.

    rnO deputado Fernando Lucio Giacobo (PL-PR); acertou 12 vezes em oito jogos num único e reduzido espaço de tempo: de 5 a 19 de junho de 1997. Levou ao todo R$ 134 mil.

    rnEm São Paulo, um delegado da Polícia Civil venceu 17 vezes em concursos e tipos de jogos diferentes também num único e curto período: de 8 de agosto a 16 de novembro de 2001.

    rnO delegado de Polícia Civil Luiz Ozilak Nunes da Silva, 50, da Decap (Delegacia de Capturas) da Capital teve prêmios com sete bilhetes da Mega Sena, três da Federal, dois da esportiva, dois da instantânea, dois da Lotomania e um da Supersena.

    rnA imensa maioria do grupo de apostadores sorteados relacionados (cerca de 148 mil premiados) só foi premiada uma ou duas vezes (88% e 95,8%, respectivamente).

    rnNo grupo dos 200, o líder em ganhar em loterias é um apostador paulis ano que foi premiado 353 vezes (R$ 2,8 milhões). O comerciante Amauri Gouveia é um fenômeno. Acertou em 96 concursos da Quina, em 33 concursos na Mega Sena, em 25 da Loteria Federal e em 9 da loteria esportiva, além de outras modalidades.

    rnA história de Gouveia é ainda mais misteriosa quando se considera que seus dois irmãos, Alécio Pedro e Adilson, também estão entre os seis maiores vencedores da lista, com 332 e 297 premiações. Ao todo, os irmãos levaram para casa R$ 7 milhões.

    rnVocê que joga, acredita fica desiludido, não? Não é só. Por trás dessa roubalheira – e não tem outra classificação – existe algo de muito podre. E mais gente envolvida.

    rnÉ aquele refrão de samba: se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão…

    rn
    Essa mulher vale ouro

    rnrnIsso mesmo. Ouro pela ética, dignidade, postura, lutas. Essa é vencedora, dá exemplo invejável num país repleto de bandidos, salafrários, gangsters travestidos de políticos.

    rnHeloísa Helena, a senadora de Alagoas. Expulsa do PT, Heloísa está formalizando no partido, o P-SOL. Disputará a presidência da República, em 2006, sem chances de vitória como ela própria diz.

    rnArticulada, preparada, oratória firme, Heloísa Helena diz que vai volta aulas depois de perder a eleição e arremata| “Sabe o que me dará mais prazer? Olhar para trás, ver toda a canalha política e dizer| não chafurdei na lama”.

    rnBrilhante senadora, brilhante mulher, essa sim é uma natureza humana que justifica a existência da política, do poder, da democracia, da grandeza de valores morais.


    Nem tudo perdido

    rnrnÉ sempre salutar destacar quem trabalha com ética, isenção, transparência e literal defesa dos interesses coletivos e públicos.

    rnA interdição do que sobrou da rodovia BR-153 entre Marília e Getulinapode até não ser a solução, não trazer efeitos práticos, mas mostra que o Ministério Público Federal não poderia estar melhor representado em Marília. Mostra que a Justiça Federal na mesma forma reúne magistrados coerentes e isentos.

    rnO procurador da República Jefferson Aparecido Dias há dois anos usa todos recursos jurídicos para obrigar o Ministério dos Transportes recuperar a rodovia.

    rnAliás, se a região tivesse representatividade política e não um bando de picaretas inexpressivos, não só a rodovia federal, mas igualmente a SP-204 entre Marília e Bauru estaria duplicada há muito tempo.

    rnPelo menos em meio a tantos palermas, tem gente interessada e trabalhando duro para garantir não só direitos do cidadão, mas sua própria segurança. É o caso do procurador Jefferson Dias e do juiz federal Flademir Jerônimo Belinati Martins.rn
    José Ursíliorn

  • 12 set 2004 /  Fique Ligado

    Desde sexta-feira, o jornal Diário e este editor, principalmente nessa coluna, estão previamente censurados, impedidos pela Justiça Eleitoral de publicar qualquer reportagem que fale dos partidos políticos da frente Marília no Rumo Certo e do prefeito Abelardo Camarinha, apontado como coordenador político da campanha.


    A decisão do juiz Olavo de Oliveira Neto é uma liminar em pedido de investigação de crime eleitoral com direito de resposta. Para os partidos e o prefeito, esta coluna está fazendo campanha contra a coligação.


    Segundo a petição, os candidatos da frente estão sendo prejudicados pelo colunista e teriam as campanhas afetadas por duas reportagens do Diário sobre atos da administração municipal.


    Foram as reportagens sobre a compra de softwares para a Secretaria de Educação no valor de R$ 4 milhões e decreto que declara de utilidade pública prédio da Ceagesp, avaliado em R$ 3,7 milhões, para instalação da Fatec.


    A ação judicial aponta perseguição ainda na divulgação da reportagem 30 anos de politicagem, que mostrou a história recente da vida pública dos principais candidatos e personagens envolvidos na campanha eleitoral de Marília.


    Por força da decisão, desde ontem o Diário deixa de envolver os partidos na divulgação de informações sobre a campanha.


    Esta coluna, publicada aos domingos, também não fala hoje sobre os candidatos ou sobre a administração municipal.


    Por uma questão de coerência, por enquanto, também não vou escrever sobre as demais candidaturas. Afinal, estaria sendo parcial na visão bizarra do prefeito e sua coligação,


    O Diário já providenciou manifestação judicial para responder às acusações e pedir a suspensão da liminar, de forma a reestabelecer o direito à ampla liberdade de expressão.


    Na linha de defesa do advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior, acho natural e legítimo que os partidos discutam na Justiça a cobertura da campanha, mas considero que a decisão judicial foi muito ampla e impede o jornal de cobrir qualquer ato administrativo do prefeito, o que atinge toda a administração municipal.


    É ato de censura prévia que, no nosso entendimento, fere a Constituição, fere direito do jornal à liberdade de expressão, fere direito do cidadão à informação.


    Há outras formas de atender os candidatos e punir eventuais abusos, se houvessem, coisa que não existe.


    Óbvio, respeito a liminar judicial, vamos cumpri-la enquanto ela for mantida, mas não posso deixar de considerá-la muito superficial e deixa muitas dúvidas.


    Os candidatos a prefeito e vice na chapa nem aparecem na ação, são os candidatos dos partidos. Então não posso falar deles? Então não posso fazer reportagem de candidato algum dos partidos envolvidos? Acredito que a decisão será revista.


    O Diário está aberto a publicar direito de resposta, que não embuta ofensas ao jornal e seus jornalistas, mas repudia censura e pressão política dos partidos.


    A Tabacaria, de Pessoa

    Conforme prometido, como estamos impedidos de tratar de algumas questões fundamentais para a cidade, repito, cumpro decisão judicial, escolho fragmentos do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, sob heterônimo Álvaro de Campos, de 1928. Leia:

    TABACARIA


    NÃO SOU nada.

    Nunca serei nada.

    Não posso querer ser nada.

    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.



    Janelas do meu quarto,

    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

    (e se soubessem quem é, o que saberiam?);

    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

    Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.

    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.



    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.

    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

    E não tivesse mais irmandade com as coisas

    Senão uma despedida, tornado-se esta casa e este lado da rua

    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada

    De dentro da minha cabeça,

    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.


    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.

    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo

    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,

    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.


    Falhei em tudo.

    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

    A aprendizagem que me deram,

    Desci pela janela das traseiras da casa.

    Fui até ao campo com grandes propósitos.

    Mas lá encontrei só ervas e árvores,

    E quando havia gente era igual à outra.

    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?



    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

    Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!

    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!

    Fernando Pessoa

    Pau pra toda obra

    O que os usuários de transporte aéreo entre Marília e São Paulo estão irritados não está escrito em gibi algum. Não por acaso ou capricho. A linha da TAM é operada pela Pantanal e parece que o serviço está sendo feito como as coisas funcionam na casa da sogra. Uma bagunça generalizada.


    No domingo, 22 de agosto, fiquei – junto a quase 45 outros passageiros – 3h35 esperando no aeroporto de Congonhas a boa vontade da companhia em operar o vôo das 17h34. Na sexta-feira, 10 de setembro, ficamos 1h15. Essa semana o tempo foi menor à espera, mas a irritação era generalizada, muita gente com compromissos, cansada da falta de respeito da Pantanal.


    Os passageiros acabam pressionando as atendentes do balcão de embarque, o que não resolve nada. Discutimos a necessidade de todos que puderem, protestarem direto à direção da Pantanal, à Infraero e ao DAC. Verdade é que o cliente só tem obrigações e deveres, direitos são ignorados. A companhia aérea não responde pelos prejuízos e transtornos. Uma vergonha.


    A passagem aérea entre Marília-São Paulo e vice-versa é um roubo se comparado por exemplo ao igual trecho, a ponte aérea SP-Rio. E qualidade do serviço é diferente. É certo que o movimento de passageiros é infinitamente maior no trecho SP-Rio, mas não dá para aceitar que a TAM-Pantanal trate os passageiros do interior como gado, a qualquer horário.

    O mesmo problema de Marília ocorre com Bauru e Presidente Prudente, onde os vôos são exclusividade da Tam operada pela Pantanal. O que realmente está faltando é fiscalização dos órgãos responsáveis da Aeronáutica e concorrência. Atrasos são naturais, desde que não sejam frequentes e tão abusivos como os praticados pela Pantanal.

    Dos gastos da Prefeitura de Marília com informática há cerceamento temporário para divulgação. Vamos aproveitar para tascar a lenha do governo Lula enquanto podemos. Entre as licitações abertas pela Presidência da República, uma vai comprar 800 novos computadores.

    Tudo bem, é necessário avançar na informatização, em Marília e em Brasília. Mas os 800 computadores para o Palácio do Planalto, ao valor unitário de R$ 3.360,00, custo global de R$ 2.688.000,00, serão comprados da empresa Novadata, do petista Mauro Dutra, amigo de Lula. Ah, mas ele venceu a licitação, cara-pálida. Tudo legal, não?

    Pessimista, ácido, críticas de todos os lados, fico pensando às vezes que o melhor mesmo seria apenas ir criar meu filho Matheus, no sítio, bem distante. Não aguento mais tanta roubalheira, tanto desmando, assim como tanta omissão, tanta gente ordinária perambulando enquanto os bons ficam assustados, omitem-se.


    José Ursílio

  • 05 set 2004 /  Fique Ligado

    Não são poucas as coisas esquisitas que acontecem na atual administração nesse apagar das luzes. Com toda crise e tantas e tantas necessidades e deficiências da cidade, decreto do prefeito Abelardo Camarinha declara de utilidade pública para futura desapropriação prédio que vale a fortuna milionária de 3,7 milhões de reais.

    rnDurma com um barulho desse tamanho. Desapropriar um prédio de R$ 3.700.000,00 para instalar uma faculdade de tecnologia, a tal Fatec que até agora não passou de promessa e nem saiu direito do papel?

    rnPior ainda é que o decreto de Camarinha vai melar negócio que poderia desenvolver região valorizada, do lado bem em frente aos bairros Esmeralda, ao lado da nova rodoviária.

    rnIsso mesmo. O decreto surgiu de repente quando a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo) está colocando à venda estrutura de silos instalada em Marília.

    rnSão mais de 87 mil metros quadrados de área avaliados pela Caixa Econômica em R$ 3,7 milhões. A estrutura de 1966 está com 50% da capacidade ocupada, a maior parte destinada à cultura de milho.

    rnOs silos guardam cinco milhões de quilos de grãos ou 88 mil sacas e no armazém cabem até 150 mil sacas estocadas.

    rnA área é do governo federal e o processo de licitação está aberto com prazo até 20 de setembro para propostas.

    rnNem o governo federal pretende manter a área milionária, que mesmo em local hoje inadequado o agronegócio deslancha e há deficiência de armazéns. Mas, esquisito ou suspeito é que com as burras da Viúva Municipal, o prefeito quer embargar o negócio e comprometer dinheiro suficiente para inúmeras outras prioridades.

    rnAh, mas não são apenas os 3,7 milhões de reais da desapropriação. As burras da Viúva também gastariam para demolir a estrutura e reconstruir prédios, ou seja, um absurdo, para não dizer que por trás do negócio há algo de muito podre e ou muito delinquente.

    rnSe os milhões estão sobrando assim nos cofres da Prefeitura, bem que a administração poderia investi-lo melhor. Afinal se a brincadeira fosse consumir,por exemplo, só seis milhões, daria para construir pelo menos quatro prédios, com boas, confortáveis e bem amplas instalações para abrigar pelo dois turnos com 600 a 700 alunos cada.

    rnSó para mais um esclarecimento. Escola municipal construída em oito anos e mais cara custou cerca de R$ 1,1 milhão e olha que aí já estão embutidas todas comissões de praxe e que todo mundo sabe que existe, mas difícil provar por causa do caixa dois das empreiteiras e o servicinho bem feito nos papéis das concorrências e mal fiscalizados por quem de direito.

    rnÉ bom o Ministério Público e a Procuradoria da República ficaram de olho nesse negócio, afinal, dessa Câmara já não se espera nada, pior ainda agora em fim de campanha eleitoral.

    rnCalote da Prefeitura é vergonhoso

    rnParece que a administração Camarinha está só interessada nos contratos e obras milionários. Só essa semana a Prefeitura saiu correndo para saldar dívida de R$ 2.094,10 com o comerciante Álvaro Mendes de Campos, dono de panificadora de Ourinhos.

    rnDurante os jogos regionais de julho conta de alimentação de atletas foi paga e cheque sustado, afinal não tinha fundos. O comerciante foi ignorado nas cobranças por semanas e acabou denunciando calote na polícia.

    rnO prefeito Camarinha adora os holofotes, os flashs, foi a Ourinhos posar ao lado dos atletas, aquela festa de loki embandeirado toda, mas esqueceu de mandar a comissão de esportes honrar os compromissos.

    rnFaço defesa do secretário de esportes Paulo Ramiro, um lutador, mas esbarra na falta de vontade do segundo andar, naquela enrolação, esmolando verba que nunca vem ou que sempre é no último minuto.

    rnMas o tiro saiu pela culatra e bastou o comerciante de Ourinhos botar a boca no trombone para dar aquela correria. Fica o exemplo. Se você está sendo passado para trás, enganado, reaja, não se omita.

    rnÉ obrigação do agente público honrar compromisso, agir na legalidade, nos negócios grandes quando há benefícios polpudos e nas miudezas quando só se faz é aparecer na fotografia fazendo politicagem.

    rnParafraseando Bóris Casoy, “isso é uma vergonha”.

    rnPau prá toda obra

    rnrnOrdinário em último grau, bem próprio de seu comportamento, o cidadão Abelardo Camarinha tem encomendado a charlatões e estelionatários alguns servicinhos contra minha vida pessoal. Azar dele. Perde tempo. Já não é o caso dele, que terá que responder por todos atos delinquentes passados, presentes e futuros, não só publicamente à sociedade. Vai ter muito a explicar na polícia, no Ministério Público e na Justiça.

    rnSeja quem for o próximo prefeito, antes de plano de obras ou controle de custos e gastos, o eleito terá que rever toda estrutura administrativa, mudar a centralização cega e burra criada no segundo andar e que engessou quaisquer decisões, esvaziando secretarias e outros departamentos. Será preciso descentralizar, dar transparência e acabar com a roubalheira.

    rnrnNinguém compra um prego, uma bola, um caderno, um biscoito sem que haja autorização expressa do chefe de gabinete Carlos Umberto Garrossino, o prefeito de fato, enquanto no segundo mandato Abelardo Camarinha foi apenas de direito. O prefeito deveria ter gasto menos tempo viajando e em mesas de baralho em clubes chiques de São Paulo ou muquifos em Marília.

    rnrnNão por acaso se projetos importantes nas áreas de assistência e educação foram bem estruturados, por outro lado, várias promessas não saíram do papel, como guarda municipal, calçadão, ginásio de esportes, desfavelamento … Isso sem contar que para quem administrou quase R$ 1.000.000.000,00, isso mesmo, quase um bilhão de reais, daria para ter uma cidade bem melhor em serviços e obras municipais.

    rnEleito duas vezes e manda a democracia respeitar a vontade popular, Camarinha vai voltar para casa em quatro meses, bem mais rico mas com várias denúncias e processos a responder como obras superfaturadas, desvios, irregularidades e enriquecimento ilícito. Mas está bem longe do endeusamento que acostumou e estimulou durante bom tempo, tudo igual fruto da democracia e liberdades do conjunto da sociedade.

    rnrnO prefeito Abelardo Camarinha não quer desgrudar do poder a qualquer custo. Fica tramando junto aos interlocutores de sempre os esquemas de influir estando aliado ou não ao futuro administrador. Se o vencedor for da situação quer abocanhar quase tudo, se der oposição quer criar governo paralelo. É demasiado o egocentrismo megalomaníaco.

    rnrnPela primeira versão, Mário Bulgareli eleito, quase tão difícil quanto ganhar a eleição será mostrar a Camarinha seu verdadeiro lugar. O prefeito nunca deixa por menos a naquela versão pretensiosa de “professor de Deus” fala atrás das portas que Bulgareli terá que manter o mesmo esquema, os mesmos cargos etc e tal. Pelo contrário, teria é que mudar tudo para dar certo.

    rnMais ainda, no caso de Bulgareli ser eleito, com a caneta na mão, lógico que o quadro deve mudar e muito. Ninguém é marionete por mais aliado que possa ser. Nem na ditadura quando prefeitos eram biônicos (nomeados) nas capitais, havia tamanha influência quanto Camarinha já quer estabelecer. E mais| o mundo não foi criado para girar em torno do prefeito como seu egocentrismo megalomaníaco quer fazer crer.

    rnrnMuito bem. Mas se a oposição vencer com Alonso Carvalho, Joseph Zuza, Domingos Alcalde ou Marcos Rezende, Camarinha sonha criar governo paralelo, naquela de minar o adversário depois do primeiro ano na tentativa de voltar em 2008. Direito dele. Falta combinar com o eleitor, a sociedade, e todas as mazelas, processos e maldades que terá que responder depois de descer as escadas da Prefeitura em 31 de dezembro.rn

    rnCamarinha vai ter que combinar não só com a cidade, mas com muito mais gente de bem e ele está muito enganado quando acredita que o resultado da eleição possa influir no que vem por aí. O que o prefeito ainda não se deu conta é que não tem mais como massacrar as pessoas, achincalhar, dar uma de carimbador maluco e sair ileso.

    rnrnA vida real, o dia a dia, é bem diferente das mesas de barulho e do blefe dos jogos. Na vida real, poder e dinheiro têm sim muita influência, mas têm limites, terminam exatamente onde começam as liberdades, as verdades, a coragem e a união do bem, com equilíbrio e serenidade. Tudo tem sua hora. A estratégia produzir resultados arrasadores.

    rn
    José Ursílio