Tiros, brigas, ameaças, queima de veículos, bombas incendiárias, pancadarias, pauladas, pedradas, destruição de material de propaganda e cartas anônimas…
rnA calada da noite em Marília evidencia uma disputa eleitoral paralela, sem lei, segurança ou ordem pública.
rnDesfile de ofensas pessoais, ataques à vida íntima, insinuações sobre as famílias, deram o tom de uma parte dos ataques durante os comícios e serviram de estopim para que os capangas ficassem com ânimos ainda mais estimulados.
rn Distribuição de cartas anônimas com acusações mútuas também mostra a parte podre e fora do controle em torno das candidaturas.
rnNos últimos 12 dias o servicinho sujo saiu dos gabinetes e salinhas de malfeitores e ganhou as ruas em ações anônimas e próprias de capangas e gangsters que rondam as candidaturas a prefeito. Os grupos paralelos estão ligados às campanhas de Domingos Alcalde, Joseph Zuza e Mário Bulgareli, que tem a coordenação do prefeito Abelardo Camarinha.
rnO leitor-eleitor mostra distância do processo eleitoral e não é para menos. Falta entusiasmo, falta candidatura com mínimo de apelo popular e que possa conquistar o cidadão comum.
rnPior fica o quadro quando a campanha eleitoral em reta final acaba envolvida no velho e conhecido esquema de quebra-quebra e métodos escusos e ilegais.
rnNo máximo há algumas denúncias à polícia, com ocorrências registradas. Tanto assim que já há partidários que denunciaram espancamento, outro que teve carro incendiado, outro ameaçado de morte com revólver, entre outros tantos quebra-quebra nos bairros mais periféricos.
rnGravíssimo, só essa semana em pelo menos três situações houve disparo de tiros no corre-corre entre capangas travestidos de correligionários partidários.rnEssa semana foi a mais violenta. Além dos tiros disparados, uma selvageria sem precedentes na guerra para destruir propaganda eleitoral dos candidatos.
rnLastimável quando em pleno 2004, cidade teoricamente pacata do interior do Estado mais rico da Federação ainda haja campanha paralela, longe daquilo que dita a legalidade e, mais importante, o bom senso, bons costumes e respeito ao ser humano.
rnÉ certo que no calor das paixões das disputas político-partidárias possam existir exageros de comportamentos, defesas mais enfáticas desta ou daquela candidatura, mas isso não representa admitirmos a desordem desenfreada onde a polícia e a justiça não chegam, seja por omissão ou por incompetência dos agentes e gestores de serviços públicos.
rnAinda bem que está chegando ao fim essa que em Marília deve ser uma das campanhas eleitorais mais medíocres e vazias da história da cidade, com a bandalheira instalada nas madrugadas sem lei e à mercê das gangues e gangsters.
rnNão é à toa que não há discussão de projetos e propostas. O eleito seja quem for terá muito pouco compromisso com a coletividade, seus representantes e até as entidades que podem ser representativas.
rnInexistiram debates, inexistiram posturas mais incisivas e adequadas a fazer dos candidatos, principalmente a prefeito, homens públicos mais compromissados com a coletividade.
rnLamentável por culpa de todos nós e por isso que a cidade corre o risco de continuar sem avanços, atrasada política e intelectualmente. Corre o risco de alguns até se acharem donos da cidade, mas isso também vai ter fim depois da eleição e principalmente a partir de 2005.
rnNão é por menos que a cidade está envolvida em duas campanhas, uma que é regida pela Justiça Eleitoral e outra pela cambada que infesta a maior parte dos grupos partidários. Sem contar no uso e abuso do poder econômico, do poder público, que ninguém faz nada, ninguém liga e tudo parece satisfazer aos interesses de todos os poderosos. Lastimável.
rnDe transparente e limpo mesmo ficará o eleitor no dia três de outubro, em frente à urna eletrônica, escolhendo seu vereador e seu prefeito.
rnMesmo que o eleitor tenha tido algum benefício, tenha feito alguma troca, ali, na urna indevassável, ninguém poderá desmerecê-lo, enganá-lo, fiscalizá-lo.
rnMuito pelo contrário. Exercer o voto, mesmo que as candidaturas não entusiasmem e não tenham maior credibilidade, é um dever que deve dar mínimo de satisfação.
rnExercer o direito de votar, seja ele de qualquer maneira, é um dos exercícios de cidadania fundamentais na vida democrática.
rnPena que nesse país o lixo do lixo governa na maioria dos municípios. Pouco se tem de saudável na ação dos gestores públicos e Marília não foge à regra.
rnMesmo assim, vamos votar, vamos evitar os corruptos e corruptores, os poderes corroídos pelo tráfico de influência e poderosos, assim como o banditismo que permeia na calada da noite em campanhas paralelas.
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Acabou censura, o leitor ganhou
rnrnNada irreparável, mas peço desculpas a você leitor pela falta de reportagens sobre a administração municipal e a campanha eleitoral durante 13 dias. Restabelecemos o direito de o povo ser informado.
rnO leitor-eleitor ganhou. Esse é o primeiro registro que faço em decorrência da decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que cassou a censura imposta ao Diário e a este editor.
rnNa prática, o que houve nesses 13 dias é que o prefeito Abelardo Camarinha e os partidos que apoiam a candidatura de situação de Mário Bulgareli ganharam blindagem, proteção indevida, desmerecida.
rnO Mandado de Segurança apresentado pelo advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior e atendido pelo TRE contra decisão do juiz Olavo de Oliveira Neto restabeleceu a prática do jornalismo independente, crítico e investigativo, que descontenta aqueles que detêm o poder, mas fundamental para a democracia e a formação da opinião pública.
rnAlcalde, Zuza, Theobaldo, Pavão, Camarinha e todos os outros tantos que circularam em volta da Viúva rica e do poder passaram pela análise crítica. Não espero que eles gostem do que lêem, o compromisso é com o leitor.
rnÉ direito de quem quer que seja proteger-se ao recorrer à legislação, mas a censura é descabida em pleno 2004. Continuo respondendo a ação judicial que Camarinha e os partidos impetraram e pedem investigação de crime eleitoral e um pedido de resposta.
rnO Diário não se nega a publicar qualquer versão dos partidos embora. Discordo das acusações. Camarinha não aceita críticas e acabou usando recurso jurídico com alegações descabidas, para tratar como questão eleitoral o que é discussão sobre gastos de sua administração.
rnEsconde-se como defensor da campanha para fazer defesa pessoal, de uma forma que balança entre o equívoco e a má fé.
rn Não estou e nem estarei a serviço de quem quer que seja como alega o prefeito e apenas vamos continuar fazendo jornalismo investigativo e reportagens que revelem ato com suspeição seja agora ou depois da eleição.
rnVamos continuar mostrando a concorrência que a administração Camarinha fez e enterrou R$ 4 milhões do dinheiro público do Fundef em programas de computador. Muito há suspeito e está sendo investigado e não é por mim, mas por agentes públicos competentes.
rnCamarinha volta a ter seus atos acompanhados, da mesma forma como o Diário acompanha todos os candidatos e acompanhou todos os prefeitos antes dele.
rnPosso exagerar, ter que me retratar, pedir desculpas, ser punido por exageros em quaisquer instâncias legais, mas nunca me faltará coragem para defender minha profissão, meus direitos no jornalismo e, acima de tudo, o compromisso que tenho e devo ao leitor.
rnQuem assina o jornal, compra o jornal, anuncia no jornal, merece respeito e consideração, merece receber um jornal pluralista e tem sido essa nossa postura, firme, seja antes quando havia muito a elogiar nas causas de Camarinha ou seja agora quando há muito mais críticas decorrência de fim de mandato de forma melancólica.
rnO homem público não pode e não vai se dar ao luxo de esquivar-se da avaliação da comunidade, do jornal, enfim de todos os cidadãos.
rnReestabelecemos o direito de o cidadão ser informado. Isso sim vamos sempre comemorar.
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Pau prá toda obra
rnrnA legislação eleitoral e as modificações e anistias concedidas são produzidos pelos legisladores do Congresso Nacional, claro, protecionistas dos esquemas e seus interesses. Sobra ao Ministério Público fiscalizar tudo, ter como base a parte draconiana e à Justiça Eleitoral decidir muitas vezes sobre aquilo que não passa de entulho, de lixo.
rnrnAcredito que devemos resistir, de tempos em tempos enfrentar a bandalheira, a roubalheira, a corrupção, o tráfico de influência deslavado, desmistificar a persuasão de quem detém o poder nas mãos e o dinheiro sujo. De tempos em tempos nos desiludimos, mas a coragem nunca faltará, a qualquer custo.
rnrnLastimável quando no dia a dia ouvimos “tome cuidado, essa gente é suja”, “se cuida, essa gente é perigosa”. Nas décadas de 30, 40, 50, no interior do Nordeste, talvez coubesse bem essa prevenção. Mas em 2004 é deplorável admitir que a bandalheira é tamanha que ainda exista gente acima do mínimo de dignidade e legalidade.
rnrnTem aqui como em qualquer outra comunidade de 10, 20, 30 canalhas, bandidos de colarinho branco, corruptos e corruptores, que usam, abusam e lambuzam de quase tudo e acabam safando-se e esquivando-se da legalidade, direitos e deveres. Mas continuo acreditando que um dia teremos comunidade mais justa, igualitária, em todos sentidos. Coragem sempre.
rnrnA atual administração que gosta de vangloriar-se em defesa da educação municipal infantil de Marília – e reconhece-se a rede esta entre as melhores do país ? é escandaloso o descaso com o transporte dos alunos. Inseguro, irregular, sem controle e com superlotação. Lástima tratar assim as crianças.
rnVergonha maior porque é a mesma administração que está enterrando R$ 4 milhões em programas de computador. Além da óbvia suspeita de que é caro demais, é flagrante o desequilíbrio do gasto. E nem venham fazer discurso como se o transporte de alunos fosse um presente de algum iluminado. É obrigação, já que o poder público não dá escola próxima do aluno. Se o aluno tem que andar muito, que tenha transporte, mas não como carga.
rnPor fim, mais um lembrete ao prefeito Camarinha, ao charlatão e as aduladores baratos: risíveis e medíocres os recadinhos. Uma pobreza de espírito de dar pena. Nada a temer, nada a aceitar, nada de retroagir. O tempo vai passar e sepultar todas as previsões ridículas…
José Ursíliorn