Fim de feirarn
rnA coisa tá feia, tá pretíssima. Até racionamento de combustível já está em vigor na Prefeitura. São apenas 10 litros por veículo. Pior, parece que falta tanto planejamento que essa semana há risco até de faltar diesel para os caminhões da limpeza pública. Ora, mas nem começou novembro e a situação já é caótica nesse tanto? Parece que o fim é melancólico.rn
rnSabe quem sou eurn
rnO prefeito eleito Mário Bulgareli agiu de forma bem diferente daquela passividade que mostra. Há uma semana foi à garagem da Prefeitura abastecer o carro oficial e levou um susto. Só 10 litros, dentro da cota. Ficou quieto, na hora, mas veio ao segundo andar e deu o maior escândalo. Afinal, como é essa história, ele não é apenas mais um na multidão.
rnrnMulta pesada
rnrnO motorista de Marília pode continuar preparado para bancar a gastança da Emdurb e a comissão da patota da Polícia Militar. O orçamento do ano que vem da Emdurb mostra que a indústria da multa vai caçar qualquer desvio do motorista com o maior rigor possível. PM e Emdurb vão aplicar pelo menos R$ 3.225.000 em multas. É quase R$ 270 mil por mês, R$ 9 mil por dia.
rnrnQue bagatela
rnrnIsso mesmo. A Emdurb terá em 2005 orçamento de R$ 5.000.000,00 e mais de 60% vai ser gerado com a famosa e arrepiante indústra da multa. Ninguém quer aqui defender que os motoristas de Marília são santinhos, não cometem exageros, infrações. Mas falta orientação, conscientização, prestação de serviço e menos poder de polícia indiscriminado.rn
rnMão grande
rnrnEsse ano por causa da eleição a caneta pesada da Emdurb e da PM foi aliviada pelo menos entre julho e setembro e todo mundo sentiu. Sumiram os agentes do GAT e a PM das ruas naquela volúpia desgraçada de cumprir cota. Mas pode ficar atento porque o pessoal da indústria da multa já está de volta. Lamentável para o motorista que banca essa vergonha.rn
rnFique de olho
rnrnVamos ver se a coisa muda no próximo ano já que nessa administração nada foi feito e agora já estão limpando as gavetas e aproveitando os últimos centavos do caixa. Dá para manter as penalidades, multar infratores, mas o contribuinte, o motorista, tem que ter seus direitos, ter orientação, ser parado nas ruas, recorrer e ser bem atendido.
rnrnCom ouvidoria
rnrnTem já aprovada pela Câmara lei que cria ouvidoria com participação popular, de entidades e da própria Emdurb. Não deixa de ser um mecanismo eficiente e democrático para acabar com a indústria da multa e criar um sistema que deixe de apenas ficar pintando faixas nas ruas, mas promova a educação de trânsito e outros investimentos para o bem coletivo.rn
rnMais dinheirorn
rnNem o ano bem vai começar e você já sabe. Quem tem veículos de qualquer natureza pode ir preparando o bolso para pagar o IPVA, o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores. Isso mesmo. É mais dinheiro que vai sair do bolso do motorista e cujo destino deveria ser a educação de trânsito, melhoria de equipamentos e do próprio sistema viário.
rnrnPouco aparece
rnrnO ralo por onde esvai o dinheiro dos impostos que chega à rica Viúva é sempre estranho e de pouco conhecimento do contribuinte. Afinal, em 2004 foram quase R$ 8.000.000,00 que coube a Marília somente de repasse da cota-parte do IPVA. Para 2005, o valor vai pular para quase 10 milhões de reais. É dinheiro que não acaba mais se bem aplicado.rn
rnCausa inveja
rnrnEnquanto Marília chega a 215.000 habitantes, Bauru já tem 370.000. Muito bem. Mas Bauru é uma prima pobre se comparar o orçamento municipal. Marília pode fechar 2004 com mais de R$ 205.000.000,00 enquanto Bauru não vai ter receita superior a R$ 145.000.000,00. Para 2005, a distância aumenta ainda mais: R$ 275 milhões aqui contra R$ 165 milhões de lá.rn
rnTudo mais carorn
rnÉ fato que Bauru passou por período de estagnação política e até sócio-econômica, enquanto Marília por conta dos serviços e indústria (principalmente alimentícia) avançou e é cidade que tem potencial por características regionais e potencialidades de exploração. Mas o certo também é que impostos e taxas avançaram e muito sobre os contribuintes.rn
rnCaneta rica
rnrnQuando o prefeito eleito Mário Bulgareli assumir em primeiro de janeiro de 2005 terá que se preocupar com rastro de dívidas que seguramente serão deixadas e com o cofre vazio de início de ano. Mas em 12 meses sua caneta vai estar a postos de um cofre por onde vão passar quase R$ 275 milhões. É dinheiro que dá para fazer muita coisa.
rnrnProjetos pobres
rnrnO orçamento municipal de 2005 que está na Câmara para ser aprovado é como sempre genérico. Por exemplo, é de uma pobreza sem precedentes quando fixa programas de diretrizes. É preciso muito mais clareza e transparência para aplicar os recursos públicos, preferivelmente de forma bem diferente dos métodos e vontades da administração Camarinha.
rnrnMão de Lula
rnrnMarília como município de porte médio até que não pode reclamar do valor de repasses e transferências de receitas da União. Da caneta do governo Lula virão para os cofres de Marília pelo menos R$ 62 milhões. Saúde é o destaque com quase R$ 39 milhões. Os recursos do FPM (fundos dos municípios) somam quase R$ 18 milhões para Marília.rn
rnMão de Alckmin
rnrnO governo Geraldo Alckmin vai contribuir com repasses para Marília em 2005 no valor de quase R$ 46 milhões. Maior transferência está na cota do ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, com R$ 35 milhões. União e Estado repassam o que manda a legislação em vigor, a volta de recursos que devem beneficiar os cidadãos.rn
rnFoco de fuxicorn
rnBabacas, charlatões, desocupados, aspones de plantão nos corredores da Prefeitura e da Câmara continuam embalando os fuxicos. Tentam fazer intrigas e calúnias como se soubessem de fatos. Pior é que envolvem gente que deveria estar trabalhando, pois recebem dos cofres da Viúva. Isso ocorre em toda administração pública, mas em Marília é o último grau de debilidade mental.rn
rnQuatro patasrn
rnUns parecem micos que tentam copiar gestos, outros papagaios que mal conseguem repetir o que escutaram e outros ainda se assemelham com burros e se caírem num piso verde não levantam mais. Isso mesmo. É o nível da gente que está rodeando os gabinetes da Prefeitura e da Câmara. É preciso botar essa gente prá correr, atrair cidadãos sérios e honestos.
rnrnMais lisura
rnrnLacaios e serviçais, tradicionais eminências pardas, perambulam atrás das migalhas, restos que possam cair da fatia do bolo que é dividido na administração pública. Quem poderia estar contribuindo, fazendo negócios, desenvolvendo projetos, não tem coragem de chegar perto, espantados que ficam pela contaminação de propósitos. É preciso lisura e dignificar as relações.rn
rnSem enrolar
rnrnÉ bom repetir pois trata-se de necessidade e ansiedade dos formadores de opinião e bem intencionados. O primeiro salto de qualidade que a futura administração pode dar será no relacionamento transparente e de compromissos cumpridos. Aliado à exclusão daquele embolamento ou enrolamento quando é preciso decidir e cumprir o que foi assumido. Tão simples e salutar.rn
rnPerfil própriorn
rnO prefeito eleito Mário Bulgareli tem tudo para dar perfil próprio ao futuro governo e isso não significa necessidade de romper politicamente com o prefeito Abelardo Camarinha. Mas não pode esquecer que a partir de primeiro de janeiro quem tem a caneta e a chave do cofre é ele, mas é também aquele que vai responder por tudo, pelo bônus e pelo ônus.rn
rnFaça o que digorn
rnQuem espera que logo no início haja qualquer distanciamento na relação Camarinha-Bulgareli está enganado. O atual prefeito vai ter muito mais influência que todos imaginam. Não é para menos. É a cabeça da cobra. Agora, com o tempo, a tendência é de acomodação e redefinição dos espaços. Fiel da balança mesmo será Luiz Eduardo Nardi, de um e outro lado.rn
rnSó troca-trocarn
rnA própria formação do secretariado já está evidenciando que o loteamento de cargos faz muito mais parte do perfil abelardiano. Mas se até agora Bulgareli vem agindo como conciliador, sabe que alguns cargos chave terá que ter sua cara. E que a lealdade a partir de primeiro de janeiro de 2005 troca de endereço, pelo menos administrativamente.
rnrnNinguém fala
rnrnBulgareli, Nardi e Camarinha passam os dias com no mínimo alguma discussão sobre a formação da assessoria do futuro governo. Mas não falam de jeito algum quais peças devem ser mexidas, para desespero de muita gente. Eles não vêem a hora de aprovar o orçamento municipal na Câmara para que possam agir com maior tranquilidade. rn
rnMuita covardia
rnrnAlgum aproveitador de plantão remeteu correspondência para este Editor essa semana divulgando decisão judicial sobre indisponibilidade de bens de político de Marília. Quer que eu divulgue, escreva, mas não teve a coragem de identificar-se, exceto através de falsificação. Ora, covardia barata, se quer pedir preservação, tudo bem, podemos discutir, mas esse joguinho medíocre não me interessa.rn
rnSem anonimatorn
rnÉ até constitucional a imprensa manter fonte em off, preservá-la em nome da necessidade de divulgar informações de interesse público e coletivo, mas jornalista e jornal não podem estar a serviço de interesses que possam ser escusos, de covardes e mesquinhos. Detesto essa gente que comporta-se como paladino mas apenas acobertado pela omissão.rn
rnLegal e informalrn
rnA sociedade brasileira está a cada dia mais separada em dois mundos bem distintos. Um legal, regido pelo estado de direito. O outro, informal, regido pelas relações populares. O cidadão comum, mais pobre, está cada dia mais marginalizado de processo legalista. O Executivo não o assiste, o Judiciário não o protege, o legislativo o ignora.rn
rnTudo no paralelo
rnrnVocê vai comprar CD, DVD, eletroeletrônico, canetinha, brinquedo e é tudo no paralelo, na informalidade. É quase sempre de qualidade inferior, mas é mais acessível, mais barato. Você precisa resolver uma pendência financeira, é melhor no acordo informal. E assim por diante, fruto do descrédito em relação a todas instituições.
rnrnMuita hipocrisia
rnrnAcho tão hipócrita e deplorável a forma que nós mesmos da mídia, as elites, as instituições, todos enfim, às vezes fingem estarrecer com algumas situações. É o caso daquela velha ou velhaca mulher pega como parteira e que fez sabe-se lá quantos abortos naquela sujeira de sua casa. Não dá para admitir o procedimento, mas a discussão é outra.rn
rnTodo mundo sabern
rnO que falta mesmo é assistência à educação e saúde, orientação, controle de natalidade eficiente, sem contar distribuição de renda, riquezas e direitos e deveres. Todo mundo sabe que meninas, adolescentes, jovens, estão transando a torto e direito sem a devida prevenção e quando escapa, corre-se atrás do aborto, sempre no pior ambiente, na imundice.
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rnVende como Viagrarn
rnBasta fiscalizar (se é que existe como) as farmácias e verificar que o tal Citotec é vendido como aspirina ou Viagra. Esse Citotec é indicado para tratar úlcera, mas ficou famoso como abortivo e qualquer menininha e menininho sabem disso. Esse mundo informal, de cidadãos excluídos, repito, é ignorado pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
rnrnMãos espertas
rnrnEsse cidadão comum, desinformado, desprotegido, excluído, está no mundo que é do andar de baixo. Logo, sobrevive com o pior da miséria cultural, alimentar, educacional, de saúde, de emprego. É presa fácil dos espertalhões, daqueles que sobrevivem de explorar a deficiência dos desassistidos e aproveitar a ineficiência do Estado. Lamentável e repugnante
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rnJosé Ursíliorn