• 31 out 2004 /  Fique Ligado

    Fim de feirarn

    rnA coisa tá feia, tá pretíssima. Até racionamento de combustível já está em vigor na Prefeitura. São apenas 10 litros por veículo. Pior, parece que falta tanto planejamento que essa semana há risco até de faltar diesel para os caminhões da limpeza pública. Ora, mas nem começou novembro e a situação já é caótica nesse tanto? Parece que o fim é melancólico.rn

    rnSabe quem sou eurn

    rnO prefeito eleito Mário Bulgareli agiu de forma bem diferente daquela passividade que mostra. Há uma semana foi à garagem da Prefeitura abastecer o carro oficial e levou um susto. Só 10 litros, dentro da cota. Ficou quieto, na hora, mas veio ao segundo andar e deu o maior escândalo. Afinal, como é essa história, ele não é apenas mais um na multidão.

    rnrnMulta pesada

    rnrnO motorista de Marília pode continuar preparado para bancar a gastança da Emdurb e a comissão da patota da Polícia Militar. O orçamento do ano que vem da Emdurb mostra que a indústria da multa vai caçar qualquer desvio do motorista com o maior rigor possível. PM e Emdurb vão aplicar pelo menos R$ 3.225.000 em multas. É quase R$ 270 mil por mês, R$ 9 mil por dia.

    rnrnQue bagatela

    rnrnIsso mesmo. A Emdurb terá em 2005 orçamento de R$ 5.000.000,00 e mais de 60% vai ser gerado com a famosa e arrepiante indústra da multa. Ninguém quer aqui defender que os motoristas de Marília são santinhos, não cometem exageros, infrações. Mas falta orientação, conscientização, prestação de serviço e menos poder de polícia indiscriminado.rn

    rnMão grande

    rnrnEsse ano por causa da eleição a caneta pesada da Emdurb e da PM foi aliviada pelo menos entre julho e setembro e todo mundo sentiu. Sumiram os agentes do GAT e a PM das ruas naquela volúpia desgraçada de cumprir cota. Mas pode ficar atento porque o pessoal da indústria da multa já está de volta. Lamentável para o motorista que banca essa vergonha.rn

    rnFique de olho

    rnrnVamos ver se a coisa muda no próximo ano já que nessa administração nada foi feito e agora já estão limpando as gavetas e aproveitando os últimos centavos do caixa. Dá para manter as penalidades, multar infratores, mas o contribuinte, o motorista, tem que ter seus direitos, ter orientação, ser parado nas ruas, recorrer e ser bem atendido.

    rnrnCom ouvidoria

    rnrnTem já aprovada pela Câmara lei que cria ouvidoria com participação popular, de entidades e da própria Emdurb. Não deixa de ser um mecanismo eficiente e democrático para acabar com a indústria da multa e criar um sistema que deixe de apenas ficar pintando faixas nas ruas, mas promova a educação de trânsito e outros investimentos para o bem coletivo.rn

    rnMais dinheirorn

    rnNem o ano bem vai começar e você já sabe. Quem tem veículos de qualquer natureza pode ir preparando o bolso para pagar o IPVA, o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores. Isso mesmo. É mais dinheiro que vai sair do bolso do motorista e cujo destino deveria ser a educação de trânsito, melhoria de equipamentos e do próprio sistema viário.

    rnrnPouco aparece

    rnrnO ralo por onde esvai o dinheiro dos impostos que chega à rica Viúva é sempre estranho e de pouco conhecimento do contribuinte. Afinal, em 2004 foram quase R$ 8.000.000,00 que coube a Marília somente de repasse da cota-parte do IPVA. Para 2005, o valor vai pular para quase 10 milhões de reais. É dinheiro que não acaba mais se bem aplicado.rn

    rnCausa inveja

    rnrnEnquanto Marília chega a 215.000 habitantes, Bauru já tem 370.000. Muito bem. Mas Bauru é uma prima pobre se comparar o orçamento municipal. Marília pode fechar 2004 com mais de R$ 205.000.000,00 enquanto Bauru não vai ter receita superior a R$ 145.000.000,00. Para 2005, a distância aumenta ainda mais: R$ 275 milhões aqui contra R$ 165 milhões de lá.rn

    rnTudo mais carorn

    rnÉ fato que Bauru passou por período de estagnação política e até sócio-econômica, enquanto Marília por conta dos serviços e indústria (principalmente alimentícia) avançou e é cidade que tem potencial por características regionais e potencialidades de exploração. Mas o certo também é que impostos e taxas avançaram e muito sobre os contribuintes.rn

    rnCaneta rica

    rnrnQuando o prefeito eleito Mário Bulgareli assumir em primeiro de janeiro de 2005 terá que se preocupar com rastro de dívidas que seguramente serão deixadas e com o cofre vazio de início de ano. Mas em 12 meses sua caneta vai estar a postos de um cofre por onde vão passar quase R$ 275 milhões. É dinheiro que dá para fazer muita coisa.

    rnrnProjetos pobres

    rnrnO orçamento municipal de 2005 que está na Câmara para ser aprovado é como sempre genérico. Por exemplo, é de uma pobreza sem precedentes quando fixa programas de diretrizes. É preciso muito mais clareza e transparência para aplicar os recursos públicos, preferivelmente de forma bem diferente dos métodos e vontades da administração Camarinha.

    rnrnMão de Lula

    rnrnMarília como município de porte médio até que não pode reclamar do valor de repasses e transferências de receitas da União. Da caneta do governo Lula virão para os cofres de Marília pelo menos R$ 62 milhões. Saúde é o destaque com quase R$ 39 milhões. Os recursos do FPM (fundos dos municípios) somam quase R$ 18 milhões para Marília.rn

    rnMão de Alckmin

    rnrnO governo Geraldo Alckmin vai contribuir com repasses para Marília em 2005 no valor de quase R$ 46 milhões. Maior transferência está na cota do ICMS, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, com R$ 35 milhões. União e Estado repassam o que manda a legislação em vigor, a volta de recursos que devem beneficiar os cidadãos.rn

    rnFoco de fuxicorn

    rnBabacas, charlatões, desocupados, aspones de plantão nos corredores da Prefeitura e da Câmara continuam embalando os fuxicos. Tentam fazer intrigas e calúnias como se soubessem de fatos. Pior é que envolvem gente que deveria estar trabalhando, pois recebem dos cofres da Viúva. Isso ocorre em toda administração pública, mas em Marília é o último grau de debilidade mental.rn

    rnQuatro patasrn

    rnUns parecem micos que tentam copiar gestos, outros papagaios que mal conseguem repetir o que escutaram e outros ainda se assemelham com burros e se caírem num piso verde não levantam mais. Isso mesmo. É o nível da gente que está rodeando os gabinetes da Prefeitura e da Câmara. É preciso botar essa gente prá correr, atrair cidadãos sérios e honestos.

    rnrnMais lisura

    rnrnLacaios e serviçais, tradicionais eminências pardas, perambulam atrás das migalhas, restos que possam cair da fatia do bolo que é dividido na administração pública. Quem poderia estar contribuindo, fazendo negócios, desenvolvendo projetos, não tem coragem de chegar perto, espantados que ficam pela contaminação de propósitos. É preciso lisura e dignificar as relações.rn

    rnSem enrolar

    rnrnÉ bom repetir pois trata-se de necessidade e ansiedade dos formadores de opinião e bem intencionados. O primeiro salto de qualidade que a futura administração pode dar será no relacionamento transparente e de compromissos cumpridos. Aliado à exclusão daquele embolamento ou enrolamento quando é preciso decidir e cumprir o que foi assumido. Tão simples e salutar.rn

    rnPerfil própriorn

    rnO prefeito eleito Mário Bulgareli tem tudo para dar perfil próprio ao futuro governo e isso não significa necessidade de romper politicamente com o prefeito Abelardo Camarinha. Mas não pode esquecer que a partir de primeiro de janeiro quem tem a caneta e a chave do cofre é ele, mas é também aquele que vai responder por tudo, pelo bônus e pelo ônus.rn

    rnFaça o que digorn

    rnQuem espera que logo no início haja qualquer distanciamento na relação Camarinha-Bulgareli está enganado. O atual prefeito vai ter muito mais influência que todos imaginam. Não é para menos. É a cabeça da cobra. Agora, com o tempo, a tendência é de acomodação e redefinição dos espaços. Fiel da balança mesmo será Luiz Eduardo Nardi, de um e outro lado.rn

    rnSó troca-trocarn

    rnA própria formação do secretariado já está evidenciando que o loteamento de cargos faz muito mais parte do perfil abelardiano. Mas se até agora Bulgareli vem agindo como conciliador, sabe que alguns cargos chave terá que ter sua cara. E que a lealdade a partir de primeiro de janeiro de 2005 troca de endereço, pelo menos administrativamente.

    rnrnNinguém fala

    rnrnBulgareli, Nardi e Camarinha passam os dias com no mínimo alguma discussão sobre a formação da assessoria do futuro governo. Mas não falam de jeito algum quais peças devem ser mexidas, para desespero de muita gente. Eles não vêem a hora de aprovar o orçamento municipal na Câmara para que possam agir com maior tranquilidade. rn

    rnMuita covardia

    rnrnAlgum aproveitador de plantão remeteu correspondência para este Editor essa semana divulgando decisão judicial sobre indisponibilidade de bens de político de Marília. Quer que eu divulgue, escreva, mas não teve a coragem de identificar-se, exceto através de falsificação. Ora, covardia barata, se quer pedir preservação, tudo bem, podemos discutir, mas esse joguinho medíocre não me interessa.rn

    rnSem anonimatorn

    rnÉ até constitucional a imprensa manter fonte em off, preservá-la em nome da necessidade de divulgar informações de interesse público e coletivo, mas jornalista e jornal não podem estar a serviço de interesses que possam ser escusos, de covardes e mesquinhos. Detesto essa gente que comporta-se como paladino mas apenas acobertado pela omissão.rn

    rnLegal e informalrn

    rnA sociedade brasileira está a cada dia mais separada em dois mundos bem distintos. Um legal, regido pelo estado de direito. O outro, informal, regido pelas relações populares. O cidadão comum, mais pobre, está cada dia mais marginalizado de processo legalista. O Executivo não o assiste, o Judiciário não o protege, o legislativo o ignora.rn

    rnTudo no paralelo

    rnrnVocê vai comprar CD, DVD, eletroeletrônico, canetinha, brinquedo e é tudo no paralelo, na informalidade. É quase sempre de qualidade inferior, mas é mais acessível, mais barato. Você precisa resolver uma pendência financeira, é melhor no acordo informal. E assim por diante, fruto do descrédito em relação a todas instituições.

    rnrnMuita hipocrisia

    rnrnAcho tão hipócrita e deplorável a forma que nós mesmos da mídia, as elites, as instituições, todos enfim, às vezes fingem estarrecer com algumas situações. É o caso daquela velha ou velhaca mulher pega como parteira e que fez sabe-se lá quantos abortos naquela sujeira de sua casa. Não dá para admitir o procedimento, mas a discussão é outra.rn

    rnTodo mundo sabern

    rnO que falta mesmo é assistência à educação e saúde, orientação, controle de natalidade eficiente, sem contar distribuição de renda, riquezas e direitos e deveres. Todo mundo sabe que meninas, adolescentes, jovens, estão transando a torto e direito sem a devida prevenção e quando escapa, corre-se atrás do aborto, sempre no pior ambiente, na imundice.

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    rnVende como Viagrarn

    rnBasta fiscalizar (se é que existe como) as farmácias e verificar que o tal Citotec é vendido como aspirina ou Viagra. Esse Citotec é indicado para tratar úlcera, mas ficou famoso como abortivo e qualquer menininha e menininho sabem disso. Esse mundo informal, de cidadãos excluídos, repito, é ignorado pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

    rnrnMãos espertas

    rnrnEsse cidadão comum, desinformado, desprotegido, excluído, está no mundo que é do andar de baixo. Logo, sobrevive com o pior da miséria cultural, alimentar, educacional, de saúde, de emprego. É presa fácil dos espertalhões, daqueles que sobrevivem de explorar a deficiência dos desassistidos e aproveitar a ineficiência do Estado. Lamentável e repugnante

    rn

    rnJosé Ursíliorn

  • 24 out 2004 /  Fique Ligado

    As fotos do jornalista Vladimir Herzog ou de outro preso político sem identificação, nu e desolado, nas dependências do aparelho repressor e assassino do DOI-Codi em São Paulo revolta por diversos motivos.

    rnPrimeiro está ali retratado homem que iria ser torturado, humilhado e, no caso de Herzog, morto por exprimir pensamentos e levar ao povo apenas informações.

    rnPai de família, homem de bem e do bem, atreveu ser ético e profissional. Pagou com a vida.

    rnA imagem do homem nu cabisbaixo exprime bem quanta debilidade dos agentes repressores julgando-se acima do bem e do mal. Fotografaram suas vítimas, registraram o gangsterismo de Estado.

    rnVladimir Herzog foi um dos muitos assassinados pelos milicos de plantão, gente sem cérebro e desprovida de sentimentos que à época barbarizavam em toda América Latina.

    rnDá nojo revisitar o passado através das fotos expostas pelos meios de comunicação e que desencadearam reações de protesto em todo país.

    rnCausa revolta análise mais detida do que custou para o país os 20 anos de ditadura dos milicos.

    rnTem-se que durante toda data possível deve-se martelar na tecla da repressão comandada por milicos-presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, que já foram embora da vida sem terem pago um centavo do que fizeram de barbaridade.

    rnCabe recontar a história brasileira até agora pouco e quase nada bem escrita com raríssimos e pontuais registros literários.

    rnÉ preciso escrever essa parte da história desmoralizando os milicos pelo que fizeram, descobrindo e exibindo não só os que ocuparam a presidência, mas gente como Newton Cruz e outros tantos gangster de farda e recebendo soldo saído dos nossos impostos.

    rnMas nenhum governo constitucional até agora remexeu nos arquivos do Exército para expor as maldades praticadas e identificar corretamente até onde foram os assassinatos e desaparecimentos de brasileiros durante a ditadura dos milicos.

    rnNinguém sabe ao certo o grau de brutalidade. Resta uma parte da história melhor contada, exposta pelos cidadãos que sobreviveram ao horror das torturas e do cárcere delinquente praticado pelo Estado.

    rnO cárcere, as masmorras da repressão, desapareceram mas ficaram as marcas nas vítimas e na memória da Nação civil.

    rnO terrorismo estatal até agora ficou intocável aos olhos dos governos constitucionais e democráticos e nada fizeram os tais José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso.

    rnApenas fizeram protestos retóricos e semânticos e até defesas das Forças Armadas como se os integrantes que patrocinaram a ditadura pudessem ser perdoados.

    rnCom as fotos do homem nu e desolado felizmente a sociedade volta à carga para recontar e reescrever outra parte da história.

    rnEnquanto isso, ainda dentro do Exército, parece existir ranço autoritário e igualmente delinquente. Basta ter acompanhado a nota emitida e revisada pelo centro de comunicação dos milicos.

    rnOs militares do Exército são subordinados à democracia e a comando formado pela sociedade representada pela União.

    rnA manifestação do Exército mostra claramente que os milicos não podem ir além das casernas. Devem ficar nos quartéis e ou tomando conta das fronteiras, da Amazônia, sem que possam ir além de tamanha tarefa por ser desnecessário e incompatível com os tempos modernos e de liberdades plenas.

    rnO Estado brasileiro de hoje tem o dever de reconstruir a verdade sobre o passado. Não apenas indenizando as vítimas do terror e suas respectivas famílias como vem acontecendo há quatro anos.

    rnEstamos pagando monetariamente pelo horror patrocinado pelos milicos e apesar dos principais responsáveis estarem mortos e enterrados, é preciso que a memória deles fique para a Nação com versões reais.

    rnOs milicos-presidentes não podem ficar com a imagem quase intocável, de homens que serviram a uma causa e uma Nação.

    rnAinda que os militares tenham chegado e permanecido no poder por obra e esforço também das elites carcomidas, reacionários e medíocres da época, os milicos foram muito além.

    rnAcabaram com todos os direitos civis, aniquilaram a possibilidade de expressão quaisquer de liberdades e sairam prendendo, batendo, torturando, assassinando e desaparecendo com dezenas de centenas de brasileiros.

    rnAliás a história brasileira ainda não está devidamente resgatada ao acesso das massas, do ensino público estatal. Não só sobre a época da ditadura.

    rn Até mesmo voltando 500 anos quando os portugueses e outros povos aqui desembarcaram para levar embora as riquezas e tomar as terras dos verdadeiros donos, os índios, esses sim nossos reais ancestrais.

    rnIgualmente a versão simplória de independência ou morte criada por Dom Pedro I se escreve com verdades que pudessem ser debatidas nas salas de aulas. A versão é a mais ridícula possível, como se houvesse ato heróico e não o registro do descontentamento dos nativos com a exploração portuguesa, ela própria que acabou por forjar apenas uma encenação.

    rn Então, mais que a tristeza que nos cause, a foto de Vladimir Herzog dá bem para nos colocarmos em reflexão e nos direcionarmos em busca de mais verdades já registradas, mas cujos conteúdos estão longe das massas, da opinião pública.

    rnÉ importante cada jornalista, cada professsor, cada escritor, cada cidadão com algum acesso à opinião pública dar contribuição para que um dia tenhamos não versões circunstanciais dos fatos, mas só a verdade dos fatos, a história literal.

    rnSó assim teremos horror às fotos, mas elas estarão ao acesso das coisas e causas pelas quais devemos nos envergonhar ou admitir que foram situações que dirigentes acharam certas à época mas que eram abomináveis ou distorcidas.

    rnToda humanidade reconstrói sua história, algumas trágicas como o comunismo stalinista, o holocausto nazista entre outros tantos.

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    Pau pra toda obra

    rnFeirão do voto

    rnA julgar pelos discursinhos de alguns vereadores na tribuna da Câmara semana passada a compra de votos foi mesmo deslavada. Todo mundo sabe que existiu como nunca a barganha de dinheiro pela promessa de voto, que custou em média de R$ 25,00 a R$ 50,00. Pelo menos dez candidatos investiram entre R$ 25.000,00 e R$ 40.000,00 no dia da votação. Abuso desenfreado.

    rnLágrimas derramadas

    rnrnQuem foi reeleito ficou quietinho, fingiu que o assunto não interessava, fez ouvidos moucos. Os inconformados eram aqueles que caíram fora, ficaram sem a reeleição. Foram rejeitados e talvez não tenham conseguido “convencer” número de eleitores necessários. O certo é que se tivesse legitimidade, quem sabe e tem prova deveria recorrer ao Ministério Público, à Justiça Eleitoral.

    rnSem vocação

    rnrnVerdade mesmo é que poucos são os líderes comunitários, as expressões da sociedade que se elegem para cargos públicos como consequência de trabalho ético e honesto. Pouquíssimos são aqueles homens de bem e do bem revelados com naturalidade e que tenham vocação para dedicarem-se às causas públicas e de legítimos interesses coletivos. Falta legitimidade aos homens públicos.

    rnrnForas da lei

    rnrnA maioria está nos cargos por que o processo é democrático, cumpriram legislação. Mais ou menos. A verdade é que basta ter dinheiro e saber manipular o caixa dois e a corrupção para que se faça uma estrutura político-partidária para chegar ao poder Legislativo. Enquanto não houver reforma partidária, algum financiamento de campanha legítimo, será essa bandalheira, essa enganação oficialesca.

    rnrnPisando em ovos

    rnrnA revelação de como nos bastidores da situação trata-se da formação do futuro governo municipal deixou os cardeais um tanto quanto desajeitados. Abelardo Camarinha, Mário Bulgareli e Luiz Eduardo Nardi tem conversado sobre o assunto, mas não querem manter a discussão a quatro chaves. Mas o certo é que nem mesmo entre eles existe muita definição do espaço de cada um.

    rnEsconde-esconde

    rnO mais engraçado desse clima é como o prefeito Camarinha age. Os interlocutores fazem aquele papelzinho de recados daqui e dali em direção a Bulgareli.Mas tudo bem no escurinho da noite e bem ao estilo do que foram os bastidores do segundo andar nos últimos quase oito anos. É aquela versão de saber qual o tamanho da fatura que será cobrada e quanto na realidade deve ser paga.

    rnrnSilêncio da floresta

    rnA administração municipal direta e indireta tem quase 500 cargos de confiança, daqueles que o prefeito escolhe a bel prazer e nolmeia para ganhar salários entre R$ 800 e R$ 4.800,00, fora os diversios benefícios indiretos. É uma montanha significativa de cargos, mas a maioria quer ser secretário e se há 500 disponíveis, há pelo menos 1.500 querendo uma boquinha.

    rnTroca de favores

    rnrnNo apagar das luzes do atual mandato legislativo, os vereadores que não foram reeleitos e que pertencem teoricamente à situação ainda terão utilidade para os interesses da dupla Camarinha-Bulgareli. Falta votar o orçamento de 2005. Logo, ainda cabe negociações e é natural que cada um vai puxar a sardinha para sua brasa ou trocando em miúdos nada vai ficar de graça…

    rnFalando sozinho

    rnO próprio prefeito eleito Mário Bulgareli já disse que quer evitar ao máximo falar em formação de assessoria, mas está cada dia mais difícil evitar o assunto. Sabe que o orçamento é de sua importância para o primeiro ano de mandato. Agora, o difícil mesmo é garantir que os acordos serão cumpridos. Afinal, nos últimos oito anos o que se fez bastante foi passar os outros para trás.

    rnBanho maria

    rnrnMário Bulgareli está corretíssimo. Quanto mais passar o tempo melhor. Afinal, só dia primeiro de janeiro toma posse e dia três, segunda-feira, oito horas, estará sentado na cadeira do gabinete do segundo andar. Dono da caneta e do cofre e por mais humilde que tente parecer, será quem manda, quem decide. Mas será quem vai responder pelos acertos e principalmente pelos erros.

    rnPegando fogo

    rnO tempo esquentou feio terça-feira passada por volta das 19h no segundo andar da prefeitura. Vereador Luiz Carlos Silva e prefeito Camarinha trocaram discussão áspera. Parece que o assunto eram dívidas de campanha e promessas não cumpridas. O pau quebrou e o prefeito bateu a porta quando do gabinete quando o vereador estava saindo. Alguém passou alguém para trás…

    rnImpressão digital

    rnCamarinha não deixa mesmo um minuto de bater carimbo indevido em tudo e todos. Carimbador maluco é assim. Tudo que é bom foi ele quem fez, os problemas foram causados pelos outros. Mais. Dá aula porque Bulgareli ganhou a eleição, porque a oposição perdeu e não contente tenta envolver o jornal e esse colunista com a política partidária. Piada.Só não fala mesmo sobre as mazelas da administração, as pendências judiciais, o desperdício descabido de dinheiro.

    rnProfessor de Deus

    rnNão adianta espernear. A coluna e o jornal estão apenas a serviço do leitor, da opinião pública e do pluralismo. Não sei por que o prefeito está tão incomodado. Divergência de posturas e envolvimento em causas diferentes são naturais. Nem o prefeito ou ninguém de fora foi chamado para ser ombusdman do jornal. Quem dá a linha editorial, gostem ou não, somos nós…

    José Ursíliorn

  • 17 out 2004 /  Fique Ligado

    O cidadão comum está desprotegido, abandonado e até ludibriado. Está faltando transparência nas ações e reações de quem detém poder, das instituições e gestores públicos.

    rnÉ mais fácil culpar a sociedade pelos males coletivos. Ora acusamos omissão, ora lei da vantagem, ora interesses individuais e vaidades.

    rnMas na realidade o cidadão está mesmo é representado e liderado por pessoas de certa forma despreparadas.

    rnOs agentes e gestores dos serviços, negócios e instituições públicas ficaram mais avessos à esclarecimentos, declarações e versões para assuntos que interessam ao domínio público.

    rnQuando dirigentes das coisas públicas se esquivam demais do direito do povo de receber informação é sinal que as coisas não andam nada bem.

    rnEssa é a sensação que se tem. Parece existir a confirmação de retrocesso na transparência e conquistas tão comemoradas desde a promulgação da Constituição de 1988.

    rnA movimentação contra as liberdades supera as vontades da cambada de políticos em âmbito nacional com as modificações em legislação como lei da mordaça, esvaziamento das investigações do Ministério Público, foro privilegiado para autoridades, conselho para censurar a imprensa e outros tantos mecanismos nazistas e ameaçadores à sociedade.

    rnParalelamente a suspeição contra as instituições e os getores públicos cresce e deixa o cidadão atônito e descrente.

    rnCorrupção e extorsão permeiam a maior parte da estrutura e das máquinas administrativas municipais, estaduais e federal. Pior, arraiga-se nos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo.

    rnA improbidade é generalizada? Ainda bem que não. Mas ninguém duvida e todo mundo sabe que o nível de contaminação maléfica dos gestores públicos é assombroso.

    rnNão é então sem motivo que os homens públicos queiram se esquivar dequestionamentos, no máximo gostam de monólogo, de falar sem interrupção e fogem como o diabo da cruz para evitar o comprometimento de perguntas.

    rnOs veículos de comunicação nunca estiveram tão democráticos e em linha com pensamento da opinião pública.

    rnEnquanto pesquisas indicam descrédito de gestores públicos e por consequência das instituições que eles dirigem, a maior parte dos veículos de comunicação e profissionais sérios avança em credibilidade junto à sociedade.

    rnNão que a mídia de um modo geral esteja sem defeitos e problemas. Mas a mídia não está metendo a mão grande no dinheiro público. Pelo contrário, está escrachando os malfeitores da coisa pública, expondo as mazelas entre outros malefícios igualmente perversos como tráfico de influências.


    Pau pra toda obra


    Já avisou

    rnDenis Emanoel de Araújo voltará a diretoria executiva do Daem a partir de primeiro de janeiro. Indicação da cota que caberá ao vice-prefeito eleito Luiz Eduardo Nardi, de quem é amigo pessoal. Não é nomeação dos sonhos de Camarinha, mas enfim o governo muda e com ele pelo menos alguns cargos vão ter indicação ignorando a vontade do atual prefeito.

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    Lugar certo

    rnQuem está confirmado como futuro secretário na próxima administração ainda dentro da cota que caberia a Luiz Nardi é o arquiteto Laerte Rojo Rosseto. Ele vai ficar no Planejamento Urbano, onde passou os últimos quatro anos. É outro amigo pessoal de Nardi e está com prestígio em alta.


    Bem ao lado

    rnLuiz Eduardo Nardi poderia ficar com a secretaria de Governo e Gestão Política. Parece que seria a fórmula que Nardi e o prefeito eleito Mário Bulgareli encontraram para neste início dividirem a administração. O cargo deixaria Nardi dentro do próprio prédio da Prefeitura, ao contrário daquilo que era esperado com possível volta de Nardi ao Daem, o que não ocorrerá.


    Mais peso

    rnOutra alternativa e talvez a melhor para o futuro governo em termos de credibilidade e vigilância das concorrências seria a ida de Luiz Nardi para a estratégica secretaria de Obras. Cobiçada por muitos, é um dos postos onde Bulgareli deveria mais atenção dedicar. Afinal é outro posto onde credibilidade do indicado e transparência vão contar muito.


    Troca de posto

    rnO secretário de Obras, José Luiz Dátilo, está cotado para assumir a pasta de Serviços Urbanos. Engenheiro e de perfil profissional mais atualizado, poderia imprimir novo ritmo na secretaria. Já o engenheiro Roberto Monteiro deve mesmo ganhar uma secretaria, mas quase certo será a de Governo e Gestão, caso Nardi decida não ficar com o cargo.


    Quem indica

    rnrnA secretaria da Cultura pode ter a volta do professor Ivan Fiorini, que ajudou na coordenação da campanha de Bulgareli. Iara Pauli pode até ganhar uma coordenadoria. Já a pasta de Esportes e Lazer ainda está indefinida, mas quem vai mesmo influir seria Luiz Antonio Duarte Ferreira, o Cai-Cai, que foi um dos grandes apoiadores financeiros da campanha.

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    Andar de cima

    rnCamarinha quer de todas as formas a nomeação do todo poderoso chefe de gabinete Carlos Umberto Garrossino para a secretaria da Administração. Cargo estratégico, além cuidar de 4.500 funcionários públicos, redige e dá forma às leis e todos projetos municipais. Quer manter Garrossino pertíssimo do segundo andar. Não é vontade de Bulgareli.


    Está de olho

    rnA indicação de Garrossino é da cota de Camarinha. Além de ser mais que um primeiro ministro na atual administração é o único que toma conta de todos os negócios particulares do prefeito. Na administração, onde Bulgareli mexer em documentos, com certeza Camarinha estará controlando pelos olhos e mãos de Garrossino.


    Fora do prédio

    rnNada contra Carlos Garrossino, mas Bulgareli quer mesmo o atual chefe de Gabinete em outro cargo. Prefere que ele vá para a diretoria da Emdurb ou da Codemar. Ninguém fala abertamente, muito menos o prefeito eleito, mas Bulgareli quer evitar que logo no começo fique de mãos atadas e engessado para administrar com mínimo de liberdade.


    Tudo igual

    rnQuem pensava que a estrutura de cargos fosse mudar pode esquecer. Mais três secretarias praticamente estão definidas com nomes quase certos: Rosani Puia continua na Educação e Anadir Hila no Bem-Estar. Ênio Sevilha está com a Saúde à disposição, mas precisa ser convencido a assumir o cargo.


    Sem atenção

    rnDe quem o prefeito eleito não pode mesmo esquecer é o reitor da Unimar, Márcio Mesquita Serva, que apoiou candidatura, inclusive com aporte financeiro. Mais, é parceiro forte da administração, mas anda achando que só é chamado quando dele precisam. Na hora de dividir o bolo, não é chamado. Qual secretaria que vai mesmo indicar?

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    Bico doce

    rnPelo número de interessados, a futura administração teria que montar uma megaestrutura de secretarias. Todo mundo quer uma. Na lista ainda com bico doce Yoshio Takaoka, Carlos Coércio, Luiz Antonio Rosa Lima, Antônio Carlos Nasrauí, entre outros tantos. Hummm, cara-pálida, mas onde vão acomodar tantos amigos de Camarinha?


    Não negocia

    rnBulgareli tem dito que não abriria mão de forma alguma de pelo menos três cargos: chefe de Gabinete e secretarias de Obras e Fazenda. Não é para menos, afinal os três postos são estratégicos para que o prefeito domine pelo menos metade da administração, o que nesse início devido aos compromissos será muito difícil.

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    Entre beijos

    rnrnQuem já tira o sono e dá coceira na cabeça de Camarinha é a primeira dama Fátima Bulgareli. O prefeito eleito tem relacionamento interativo com a mulher que discute todos os assuntos não só domésticos, mas políticos e administrativos. Quem conhece o casal aposta que Fátima Bulgareli vai ter muita influência na administração.

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    Bolso cheio

    rnrnOs secretários da futura administração, símbolo C-1, não vão poder reclamar tanto dos salários, que dos atuais R$ 2.400,00 vão pular para R$ 4.800,00. Fora as benesses oficiais como carro chapa branca e combustível à vontade, telefone direto, correspondências, diárias para viagens e outros tráfico de influências de resultados indiretos próprio de quem está empregado em qualquer rica Viúva pública.

    rn
    Bem pagos

    rnrnO lado bom do salário decente é inibir falcatruas e vantagens que em algumas áreas chegam a ser extorsão pura e simples. É aquele jeitinho de ludibriar a probidade essencial e obter comissão nos negócios entre o público e o privado tão arraigado nas administrações. Resta esperar o tempo e verificar até onde irá a transparência do futuro governo.

    rn
    Privilegiados

    rnrnAliás bom mesmo vai ficar para os futuros vereadores. Além de toda aquela beleza de benefícios como telefone, diárias para viagens, correspondências, assessores de confiança, ainda vão abocanhar os mesmos R$ 4.800,00 mensais. É dinherama que não acaba mais. Resta saber se valerá a pena ou de novoa maior parte será desperdício. Vamos vigiar.rn


    Língua de aluguel

    rnrnO loteamento de cargos nos bastidores tem até lances no mínimo esquisitos. O caminhoneiro Nildo Leite que fez parte da campanha para prefeito em Marília pelo Prona e era a língua de aluguel de Camarinha contra a oposição quer ser o secretário da Indústria e Comércio. Era só o que faltava…


    Ninho tucano

    rnrnNo tradicional loteamento de cargos da futura administração o que até agora não está bem definido é a parte que caberá ao PSDB. Ninguém parece se incomodar com os tucanos, mas Mário Bulgareli foi eleito pelo PSDB e os dirigentes obrigatoriamente terão seu espaço. Ou será que os tucanos foram apenas usados como legenda de aluguel para servir aos interesses de Camarinha?

    rn
    Mesmo time

    rnrnSe se confirmar o perfil do futuro secretariado segundo as articulações de pressão e barulho de bastidores, o secretariado de Bulgareli praticamente terá mais de 80% de nomes da confiança de Camarinha. Todos já foram secretários do atual prefeito. Único cargo que ninguém aposta é o lugar de chefe de Gabinete. Seja quem for o indicado, o cargo não terá o poder atual pela forma como Bulgareli deve administrar.


    Falta combinar


    rnMário Bulgareli viajou de férias com a família e manteve contatos com Camarinha, Nardi e algumas pessoas de confiança durante a semana. Agora falta combinar direito as indicações dos secretários, mesmo que hajam cotas de Nardi e Camarinha. Quem decide mesmo, quer queiram ou não, atende pelo nome de Mário Bulgareli. É o futuro dono da caneta e do cofre.


    Não é comigo


    rnPode ser que em alguns casos Bulgareli continue fingindo que a conversa não é com ele. Afinal, não se trata de deixar de cumprir compromissos, mas o prefeito eleito tem que desde o início deixar alguma marca pessoal e afastar por completo qualquer possibilidade de ser carimbado como marionete.


    Senhor da razão

    rnPode ser que o prefeito eleito aceito mais influência nesse início para ver quem é quem no andamento da administração. Tanto assim que nos meios políticos a aposta é que não passa de seis meses a um ano reforma do secretariado. Motivo? Início do distanciamento que deve ocorrer entre Camarinha e Bulgareli. No respeito e seriedade, Camarinha e Bulgareli são água e óleo.


    Lealdade a ti

    rnrnO maior problema na relação Camarinha-Bulgareli virá com o tempo e o que vai pesar muito será a tendência que os amigos de ambos devem adotar no dia a dia. Os indicados podem continuar amigos de Camarinha, mas no governo deverão lealdade a Bulgareli. Xiiii, esse negócio nunca acaba do jeito que mandam ética e bons costumes…

    rn
    Parte do leão

    rnrnO tamanho do acordo, o valor da fatura, o que caberá a cada um no latifúndio ninguém sabe direito. O certo é que na divisão do poder a coisa nunca fica no bom senso. Um sempre quer um pouquinho mais e quem conhece Camarinha sabe que ele gosta mesmo é de ter tudo de tudo.

    rnrn
    Briga de foice

    rnrnNesse primeiro instante a disputa é pelas secretarias municipais. Daqui a alguns dias vem a briga pela bela fatia dos demais cargos em comissão. São mais de 500 – isso mesmo, mais de quinhentos – entre admiministração direta e indireta. Agora, é preciso nomear gente com idéias e projetos e evitar aqueles que querem apenas vaga para receber salário.


    Tela quente

    rnrnO clima entre o prefeito Camarinha e o advogado João Simão está pegando fogo como nunca. Eles nunca se bicaram, mas a coisa degringolou. Na campanha, João Simão subiu no palanque do candidato Joseph Zuza e falou gatos e sapatos de Camarinha e até do filho, deputado estadual Vinicius Camarinha. O que está por trás, ninguém sabe…

    rn
    Gigantes no ringue

    rnAcusações mútuas, guerrinha de bastidores com recados entre um e outro, além de um arranca rabo feio na porta da prefeitura mostram que Camarinha e João Simão não podem nem se ver. Ambos quase se pegaram de tapa há alguns dias na rua Bahia e o advogado disse que a partir de janeiro vai dar uma surra no atual prefeito. Sai de baixo…


    José Ursílio

  • 10 out 2004 /  Fique Ligado

    O futuro prefeito Mário Bulgareli terá oportunidade de imprimir na administração pública municipal perfil que pode revolucionar o formato de funcionamento nos últimos oito anos.

    rnNinguém duvida que ele é sério e tem perfil mais conciliador e mais articulado com bons propósitos e costumes.

    rnBulgareli sabe que deve grande parte de sua eleição ao prefeito Abelardo Camarinha. Esse vai cobrar a fatura e deve ser cara. Cabe a Bulgareli cumprir com suas obrigações, mas nada maior do que realmente vale.

    rnA administração de 2005 a 2008 será de Mário Bulgareli. Ele manda, ele tem compromissos, ele vai responder pelos ônus e bônus. É assim em qualquer lugar do mundo.

    rnNo jogo antes da posse o grupo de situação deve ser liderado pelas vontades de Camarinha. É sempre assim, ele manda os outros obedecem. Mas o prefeito eleito é Bulgareli.

    rnPor mais que cada cidadão ligado à administração tenha participado e colaborado com a vitória, o governo é de Bulgareli e do vice Luiz Eduardo Nardi.

    rnPor mais que Camarinha tenha sido o articulador da candidatura, Bulgareli tem seus méritos pessoais.

    rnSaiu de defensor do ex-prefeito Salomão Aukar reeleito vereador em 1996, acabou presidente da Câmara, durante a primeira gestão de Camarinha, articulou-se e silencioso e moderado acabou indicado vice de Camarinha.

    rnBulgareli foi tão comportado politicamente e fez muito bem o dever de casa, entrou no PSDB e garantiu candidatura ao lado de Nardi.

    rnMas daqui para frente, eleito, se transformar em marionete de Camarinha existe muita distância. Repito. Terá compromissos, mas o governo e as decisões serão dele. Não há duas canetas. Não há duas chaves do cofre da Viúva.

    rnÉ histórico. As divergências em disputa pelo poder sempre existiram e vão existir. Não que Bulgareli e Camarinha sem dúvida acabam rompidos.

    rnO que Camarinha terá que entender é que seu mandato termina em 31 de dezembro deste ano e em primeiro de janeiro de 2005 o prefeito é Bulgareli.

    rn Resta agora o futuro prefeito lembrar sempre que seu maior compromisso não é mais com Camarinha ou os 43.698 votos e 141.159 eleitores, mais sim com a cidade, de 215.000 habitantes.

    rn A Bulgareli o que é de Bulgareli.

    rn
    Oposição melancólica

    rnrnA reunião domingo à noite de Joseph Zuza, Domingos Alcalde, Marcos Rezende, Alonso Bezerra e Cecílio Espósito fotografada pelo Diário parecia bem a expressão não da derrota, mas do amadorismo inconteste dos adversários de Camarinha.

    rnTerra de cego. Caolho é rei. O encontro dos frustrados não era para solidarizarem-se, discutir coerência, reconhecer a democracia, mas para uma discussão esdrúxula.

    rnSe essa cambada tivesse perdido a eleição por 5, 6, 10, 20 votos, ótimo, a apuração deve ser questionada, fiscalizada, vamos duvidar da lisura do processo, levantar suspeição da apuração que pudesse ter alterado o resultado.

    rn Aliás, o clima teria sido outro se a Justiça Eleitoral tivesse convocado uma entrevista coletiva, dado explicações, esclarecido a opinião pública de forma mais eficiente. Jornais e rádios ficaram mais com a versão das ruas e oposição, o outro lado falhou na comunicação lamentavelmente.

    rn Como o TRE eficientíssimo na comunicação até com assessoria, a primeira instância precisa interar-se com a sociedade, a opinião pública.

    rn Restrições para atuação de fiscais no Fórum, inexistência de policiamento para coibir boca de urna, bandalheira durante toda a campanha, isso sim a oposição deveria ter gritado antes, feito recursos em primeira instância e principalmente ao Tribunal Regional Eleitoral. Nada fez. Agora é tarde demais.

    rn Interessante também a farra da ressaca orquestrada quarta-feira à tarde em frente ao Cartório Eleitoral. Movimento partidário sem fundamento, o que vale é a parte legal, de recursos aqui e no TRE.

    rn Realidade e bom senso devem caber até para os ignorantes, que nada pensam por absoluta falta de capacidade de neurônios.

    rn A urna eletrônica é mecanismo eficiente, poucas são as falhas comparadas ao processo antigo de votação e apuração manuais. Tem defeitos, mas pontuais, aqui e acolá.

    rn Mário Bulgareli venceu com mais de 21.000 votos em relação ao segundo colocado, tevemais votos que o segundo e terceiro juntos, arrasou Josep Zuza e Domingos Alcalde.

    rn Os outros – Alonso, Marcos Rezende e Cecílio – como diz a ironia, nem apareceram na fotografia.

    rn Se a oposição reclamar que usaram e abusaram da máquina administrativa, que o poder econômico reinou e ninguém quis saber, respeite-se. Se bem que cadê as medidas e provas documentais protocolizadas na Justiça? Balela.

    rn Para combater Camarinha e sua candidatura a dita oposição até ensaiou unir-se, fazer pesquisa, isso e aquilo. Mas no sentido literal e figurado a vaca foi pro brejo.

    rn Gente, sem essa de melancolia, de coisa de ignorante e medíocre. Perderam e pronto.

    rn Cabe agora articulação, ocupar espaços, ter participação na comunidade, fazer política, prestar serviços, fiscalizar com coerência e competência durante toda administração.

    rn O resto é colocar a viola no saco e começar tudo de novo.

    rn
    Maioria votou contra

    rnrn O clima esquisito que criou sensação de conspiração na cidade foi motivado pela divisão do eleitorado em várias expressões. Os números mostram que a maioria votou contra a candidatura de situação e parte ignorou o processo de disputa.

    rn Enquanto Mário Bulgareli foi eleito com 43.698 votos, 61.970 votaram contra, para a oposição.

    rn Isso não é só. Contra toda cambada de situação e oposição estão 35.497, que são aqueles que ignoraram completamente a disputa e estão expressos nos votos brancos e nulos e nas abstenções.

    rn A frieza dos números exibe bem o quadro desolador do eleitorado e até esse falso clima de suspeição e fraude em torno do resultado como se ele tivesse sido roubado.

    rn Realidade, a maioria queria mudança, mas quem mais teve votos foi justamente a candidatura do continuísmo.

    rn Essa era e é a regra do jogo. A oposição pode discordar mas tem de aceitar e cumprir.

    rn Esse quadro é reflexo da forma de disputa, da influência da máquina e do poder econômico de um lado e despolitização do eleitorado e inexistência de líderes populares de outro.

    rn Mudar esse processo requer muito tempo, infelizmente.

    rnrn
    Somos quase unanimidade

    rnrnTenho certeza a linha editorial do Diário e este colunista estão de bem com a maioria da cidade, dos leitores e anunciantes. Em compensação, somos quase unanimidade em rejeição junto aos políticos. A verdade dói. Azar deles.

    rnIsso mesmo. Aceitação do jornal cresce e apesar da crise há maior circulação e leitura. Estamos sob nova direção.

    rn A direção da credibilidade, linha independente, pluralista e corajosa, que definem perfil cada vez mais afinado ao pensamento e expressão dos leitores.

    rn Os políticos não estão gostando. Marília como a maioria das cidades brasileiras preserva o ranço do coronelismo de grupos arraigadas no poder ou a ele querendo chegar.

    rn Basta pouco mais de crítica. Pronto. Lá vem a cambada reclamar, ver calúnia, difamação, injúria. Ou que o jornal está a serviço deste ou daquele. Tudo balela.

    rn Há muito não estava tão satisfeito com resultado do trabalho jornalístico e de liberdades de expressão – direitos inalienáveis do povo, obrigação nossa de bem informá-lo, ajudá-lo para formar opinião.


    DESCONTENTES

    rn A lista dos descontentes contra essa coluna é restrita. Situação e oposição, vencedores e derrotados, parece haver um surto de não me toque não me rele entre os políticos.

    rn Eles estão de saco cheio com o jornal e podem apostar a recíproca é verdadeira.

    rn Todos devem e têm seu espaço. Manda o pluralismo partidário, as instituições, democracia e estado de direito que todos devem defender posições, escolher lado. Respeite-se.

    rn Mas os políticos de Marília não vão ganhar isenção, impunidade, tornar-se intocáveis. Não tem essa de provincianismo desenfreado, já chega ser uma comunidade ainda subdesenvolvida em lideranças com histórico de maior tradição política.

    rn O jornal tem uma folha de serviços com 76 anos. Dividida sim em fases, entre mais e menos combativas, com maior e menor envolvimento com as lideranças.


    DESASTRES

    rn Dependendo das fases o jornal aliou-se até a causas partidárias, teve vínculos fortes com homens do passado como Otávio Barreto Prado, Armando Biava e Pedro Sola num passado pouco distante.

    rn Nesse período havia envolvimento de toda comunidade, os tempos eram outros, havia ideologia e um clima mais poético. E ético.

    rn Já os tempos recentes produziram desastres administrativos. Foi assim com Theobaldo de Oliveira Lyrio, Domingos Alcalde e José Salomão Aukar. Foram prefeitos amadores, de pouco brilho, tanto que sairam de mandatos de forma melancólica e com administrações sob suspeição.

    rn Todos sairam acusando o jornal de persegui-los, caluniá-los, injuriá-los. Falavam em complô, se diziam perseguidos, viam trama nas reportagens, nas críticas que nada mais produziam que a simples verdade, os fatos e suas múltiplas versões.

    rn Todos responderam a incontáveis denúncias de improbidade, obras superfaturadas, entre outras mazelas e nós tratamos de mostrar as notícias, fazer editoriais, colunas opinativas e outros formatos de jornalismo investigativo.

    rn Muito bem. Depois veio Abelardo Camarinha. Carreira vertiginosa, maior liderança em 25 anos. No primeiro mandato, há seis meses de administração, fazia sua primeira entrevista coletiva.

    rn Era agosto de 1983. O que Camarinha iria dizer? Reclamar de jornal e jornalistas. Quem estava em primeiro plano? O jornalista José Ursílio. Do antigo Diário de Marília, que fechou naquele ano depois de ficar 10 anos em crise.


    POPULISTA

    rn As relações de Camarinha com a imprensa e rádio tiveram várias fases, intimamente ligadas a desempenho administrativo, aprovação popular e parcerias.rnMas o prefeito populista sempre foi avesso a críticas.

    rnConstruiu com mérito pessoal e de vocação uma imagem e histórico, mas parece ser inconformado quando trata-se de respeitar as liberdades, o direito à crítica e do povo ter todas as versões – a dele e a dos outros.

    rn Está de volta a reclamar da linha editorial do jornal, das críticas, às vezes mais firmes delineadas nessa coluna.

    rn Mas igual a seus antecessores, tem e terá que dar explicações sobre as denúncias contra seu governo, mazelas, improbidade, ações civis públicas que pipocam aos montes nas diversas varas cíveis e Tribunal de Justiça.

    rn Talvez o prefeito esteja cansado em fim de mandato, apesar dessa beleza que é administrar a rica Viúva.

    rn Talvez esteja padecendo dos mesmos medos e pesadelos de seus antecesssores – Salomão Aukar, Domingos Alcalde, Theobaldo Lyrio.

    rn Como eles, vários políticos – Mário Coraíni, José Menezes, Sérgio Nechar, entre outros tantos -, foram à Justiça, usaram a lei de imprensa contra o jornal e o jornalista.

    rn Como todos os outros políticos, Camarinha está fazendo o mesmo, recorreu à Justiça Eleitoral. Direito deles. Nosso dever defender posição, o jornal, o jornalista e as liberdades.


    PLURALISMO

    rn Agora, direito nosso também permanecer com pluralismo, crítica, polêmica, fiscalizando e investigando. O prefeito passa. A cidade é maior que ele e nós, todos devemos só manter mínimo de dignidade e convivência.

    rn Daqui a três meses o que vai se discutir é o futuro, o que Mário Bulgareli pretende fazer com a administração, compromissos, a transparência, a aplicação do dinheiro público, o envolvimento com a cidade, o jogo político e as relações entre criador e criatura.

    rn Vamos vigiar. Como sempre o fizemos, estamos fazendo e vamos continuar.

    rnA realidade e o mundo dos políticos parece às vezes bem distante do mundo das pessoas normais, do cidadão comum.

    rn Vivem ora no faz-de-conta, ora encastelados, ora como nababos, mas sempre querendo ser intocáveis. Nada disso.

    rn Essa escolinha tem que ter lições diferentes. Nem impune, nem imune. A todos deve ser reservado espaço e direitos, obrigações e deveres, para com a opinião pública.

    rn Jornal e esse colunista vão continuar firmes. Com coragem nos limites de suas conquistas e compromissos com todos.

    José Ursíliorn

  • 04 out 2004 /  Fique Ligado

    A eleição de Mário Bulgareli para a Prefeitura de Marília sem dúvida dá aornprefeito Abelardo Camarinha vitória política e pessoal. Mas as urnas mostraramrnque o resultado 63% dos moradores do lado contrário, um indicativo evidenternde que a cidade quer também mais transparência na gestão da coisa pública.

    rn A democracia e as regras do jogo eleitoral estão cumpridas e Mário Bulgareli é o prefeito a partir de 2005 graças ao profissionalismo de Camarinha em um projeto calculado que começou em 2000, quando o indicou para ser seu vice.

    rn Essa aliás é a diferença gritante entre o prefeito e seus adversários. Camarinha tem estratégia enquanto os outros tentam articulação apenas às vésperas de eleição. Em terra de cego quem tem um olho é rei.

    rn É fato que o pluralismo partidário sempre vai colocar na disputa várias correntes e é muito difícil unificar oposições ou construir frente contra Camarinha. Sem contar que o prefeito domina hoje a maioria dos partidos.

    rn Além disso a oposição passa todo tempo atrás de questões semânticas, sem ter perfil de uma proposta alternativa e formação de lideranças com apelo popular.

    rn É muito pouco apenas querer combater Camarinha mesmo que pese sobre ele tantas denúncias e mazelas administrativas. O prefeito mantém-se no poderrnporque tem vocação, carisma e o populismo firmou sua fama de bom administrador.

    rn A eleição dividiu aqueles que teoricamente seriam de oposição, mas narnrealidade estavam mesmo combatendo Camarinha, numa tentativa de bater emrnBulgareli o carimbo do continuismo. Muito pouco.

    rn Até porque pesquisa de opinião sempre indicaram que Camarinha era umrngrande cabo eleitoral consequência da aprovação administrativa de seurngoverno.

    rn A própria campanha eleitoral mostrou que aliás nenhuma candidatura teve apelo popular, um projeto mais amplo e alternativo para a cidade. Pelo contrário. Foi um vazio generalizado, de todos os lados.

    rn Mas fica ainda mais difícil quando aqueles que são oposição caem no lugarrncomum, sem perspectivas para o eleitor, sem propostas com sustentação.

    rn Ficou fácil para a situação que tem a máquina administrativa e um profissional como Camarinha que soube articular uma candidatura há mais de quatro anos.

    rn Ficou fácil para a situação que contou com a inexistência de novas lideranças que pudessem viabilizar pelo menos uma candidatura que cristalizasse e caracterizasse proposta literal de mudança.

    rn Vai restar para a oposição voltar para casa. O PT foi um fracasso com arncandidatura de Alonso Bezerra. Pior ainda Marcos Rezende com o PFL.

    rn A candidatura de Domingos Alcalde começou desacredita causa de folharncorrida, pois fez um governo cujo destaque foram as denúncias e processos.

    rn Mas Alcalde acabou surpreendendo com sua votação pois passou 12 anosrnlonge de disputas, mas volta para casa sem maiores espaços. Joseph Zuza atérnque tentou, começou bem, mas volta para a Assembléia Legislativa.

    rn Sem equipe, sem ter tido articulação com os próprios partidos que o apoiavam e uma campanha amadora comparada com a de Bulgareli, o deputado também não mostrou ao que veio e nem tinha qualquer projeto com apelo popular.rn Camarinha ao contrário jogou todas as fichas em Mário Bulgareli, articulou para que ele entrasse no PSDB e conseguiu até fazer de Luiz Eduardo Nardi o vice.

    rn Fez o dever de casa.

    rn A partir de agora começa a articulação para dividir o poder, as benesses e,rnprincipalmente, os cargos. Daqui para frente é aquela preocupação de convivência entre criador e criatura, cuja história mostra sempre um final muito triste.

    rn Como só o tempo poderá definir como serão as relações, o que deve ocorrer agora é que Camarinha tentará influir o máximo na formação do secretariado e indicação dos assessores para garantir tendo ascendência sobre o futuro prefeito.

    rnBulgareli, claro, sabe que terá dívida com Camarinha que o bancou politica e financeiramente desde quando o escolheu para a disputa da sucessão. Restarnsaber qual será o tamanho da fatura e até onde Bulgareli estará disposto arnconcordar com o que será cobrado.

    rn Enquanto isso, Camarinha terá que terminar seu governo e se preparar para continuar respondendo às denúncias e investigações do Ministério Público,rnEmbora, claro, bem mais aliviado porque a herança tanto a boa com a maléficarnserá administrada por um aliado e não por adversário ou inimigo.rn


    José Ursíliorn

  • 03 out 2004 /  Fique Ligado

    Eleger com garantias inviolável e secreta os políticos que vão legislar ernadministrar as coisas públicas da cidade, Estado e União, ainda é muitornpouco para o cidadão.

    rn Direito único e igual para todos, o voto popular escolhe governantes, mas depois temos que suportá-los no mínimo quatro anos.

    rn As leis prevêem e permitem fiscalização, investigação e até cassação dorngovernante que descumpri-las, o que é quase utópico.

    rn Sem contar que estaremos nós a escolher hoje prefeito e vereadores cujos eleitos dentro do conceito legal de maioria é de representatividade poucornlegítima.

    rnNo caso específico de Marília, realidade reconhecida, apatia do eleitor do começo ao fim da campanha expõe bem o desânimo generalizado.

    rn Nenhum grupo encantou, provocou emoções, cativou parte significativa de cidadão em defesa de projeto, de programas, de causas comuns e coletivas.

    rn Nenhum candidato chega hoje com aprovação popular da maioria. Muito pelo contrário, o que vai sair do resultado das urnas seguramente será divisão do eleitorado em pelo menos quatro partes.

    rn O prefeito de Marília que vai ficar com poderosa caneta nas mãos, que vai administrar mais de R$ 1.000.000.000,00 (isso mesmo, mais de um bilhão de reais) será produto de campanha medíocre, propostas vagas, jogo de cena, marketing e muito dinheiro investido principalmente para convencer o eleitorrnem forma pouco ortodoxa.

    rn Marília tem tantos problemas, deficiências, necessidades de atuação efetiva dos agentes e gestores públicos e no entanto a cidade continuará à mercê da eventual vontade e concepção do futuro prefeito quase que livre derncompromissos mais efetivos com a coletividade.

    rn Por quê? Porque a campanha eleitoral é quase que um processo oficial,rnlegal, mas fraudulento. Hipócrita para amenizar.


    rn?Não há candidato com vocação e dedicação para causas públicas?rnrn Todos nós sabemos que não existe candidato com essa vocação e interesse de dedicação à causa pública, mas o que está em disputa mesmo é o poder de administrar o dinheiro público, a disputa de poder entre grupos partidários opostos.

    rn É uma minoria de gente que muito mais representa seus próprios interesses, que defensores de causas e coisas públicas e coletivas.

    rn É uma minoria beneficiária direta durante décadas de esquemas e a falsidade que envolve o jogo político não aqui mas em todas cidades brasileiras.

    rn Minoria que chega ao poder, arranja a vida de seus correligionários, faz composições com uma parte de adversários e dividem o bolo, as benesses do rico cofre da Viúva.

    rn Não podemos radicalizar, achar então que tudo é imprestável. Há sim coisas boas, interesses e defesas de causas importantes para o conjunto darnsociedade, mas elas são extremamente pontuais, infinitamente pequenasrnperto do grande que poderiam significar.

    rn Não há tanto a comemorar como se faz sempre em defesas ufanistas derndemocracia, voto secreto e igualdade. A representatividade que sai das urnasrné quase descabida, embora legal, oficial, sacramentada pela ConstituiçãornFederal.

    rn Volto a dizer. Você que vai sair de casa para votar ou já o fez e está lendo a coluna. Sendo o prefeito que você votou eleito e o vereador de sua escolha eleito, acredita com mínimo de segurança em sua dedicação, integridade, honestidade e resultados no desempenho das funções daqui a quatro anos?

    rn Não, certo?

    rn
    ?Cidadão tem todos motivos para estar descrente?
    rnrn O cidadão tem todo motivo para não ter entusiasmo, ser descrente ernincrédulo. As candidaturas de Marília foram um fracasso.

    rn Alonso Bezerra, Cecílio Espósito, Domingos Alcalde, Joseph Zuza, Marcos Rezende e Mário Bulgareli são parte legalizada de um processo que eles não inventaram mas que é fraudulento e hipócrita, todo mundo sabe.

    rnFinanciamento irregular de campanha, uso indevido da máquina administrativa, abuso do poder econômico, baixaria, prepotência, esquemas, enfim, aquilo que se faz de escondido ou que todos nós fingimos que não existe esteve presente na campanha eleitoral que se encerra hoje.

    rn Claro é assim em todos os demais municípios. Foi assim nas campanhas passadas. Mas nem por isso sou obrigado a deixar meu protesto, sou obrigado a grita contra essa sujeira.

    rn E participo dessa sacanagem como você porque vou votar e absolutamente certo vou escolher um deles para prefeito e para vereador.

    rn Ainda não estou naquela lista de 100% incrédulo e revoltado. Acredito que é preciso votar naquele que me possa parecer o menos pior.

    rn Hoje à noite o Brasil vai ter um monte de gente partidária feliz,rncomemorando, e outro tanto de frustrados, chorando, tristes. São aquelesrndireta e indiretamente e intimamente ligados às candidaturas a prefeitos ernvereadores.

    rn Já a imensa maioria dos milhões de brasileiros estará em casa consumida em noticiários sobre o resultado das urnas.

    rn Mas já se preparando para a segunda-feira, dia quatro, quando todos nós temos que voltar ao trabalho, às obrigações familiares, à administração dasrnempresas, ao comércio, à lavoura, à fábrica, à prestação de serviço.

    rn Teremos que voltar às dificuldades, às contas, aos impostos, aorndesemprego, aos problemas de saúde.

    rn Claro, às felicidades, aos filhos, aos estudos, à dignidade, à esperança…

    rnJá os políticos eleitos se envolvem com a correria atrás dos cargos, dosrnpedidos e compromissos com correligionários, às disputas surdas erngrotescas dos bastidores. Mas o bolo é grande, o rico cofre da Viúva érnapetitoso.

    rn Gente, confesso que mesmo realista convicto ou pessimista assumido, ainda acredito que essa bandalheira que na maioria das vezes é administraçãornpública ainda temos que fazer muito mais que simplesmente votar.
    ?Precisamos ser mais articulados e firmes na fiscalização?

    rnrn Precisamos ser mais articulados, mais firmes na fiscalização da coisa pública e seus gestores. Só assim poderemos acelerar a melhoria da qualidade dos homens que se pretendem bem intencionados e aptos a administraremrnnossos coisas comuns e a fazerem leis que regem nossas vidas num estadornde direito.

    rn Balhofa essa de acreditar que as leis, os poderes, os mecanismos legais já nos garantem direitos e bom andamento das coisas públicas e desempenhorndos gestores.

    rn Há toda concepção de desvios de condutas, atos e jeitos de ludibriar a lei, enganar, corromper e extorquir, superfaturar obras, produzir documentosrnfalsos e notas frias e isso é fato real em qualquer lugar dos poderes.

    rn Quanto mais o cidadão comum se interessar pelos direitos, pelas gestões públicas, mais teremos capacidade de inibir ou reduzir a roubalheira, arnmaracutaia, a sacanagem e desvios do dinheiro público, sem contar outrasrntantas mazelas produzidas pelos políticos.

    rn É por isso que repito, votar é muito pouco, temos que avançar, sairmos da omissão, sem essa de dar de ombros para as coisas públicas, nos omitir em relação ao destino do dinheiro público, que sai todinho de nosso bolso.

    rn Os eleitos precisam prestar contas de seus atos e destinação do dinheiro público e os cidadãos precisam cobrá-los e não só na eleição mas durante todo tempo os gestores precisam interagir com seus representados durante todo tempo.

    rn Aqui você pode ter certeza e de minha atribuição e dever não abro mão, seja quem for o prefeito eleito, seja qual for a formação da Câmara de Maríliarnvou reconhecer os méritos quando eles existirem, mas extremamenternvigilante, investigativo, fiscalizador, crítico da administração e dosrngestores públicos.

    rnVamos ter defesa intocável e corajosa da vontade popular,rnda maioria, mas sempre também das minorias, do pluralismo, darnmultiplicidade de necessidades e reivindicações dos marilienses.

    Coragem sempre.

    José Ursílio