Algo de salutar
rnSe há algo de salutar em meio a tanta baboseiras que rondam o processo eleitoral dessa cidade é a denúncia de compra de votos materializadaem investigaçãopela Polícia Federal acompanha pelo Ministério Público e Judiciário. Qualquer cidadão de bem sabe que foi deslavada a compra de votos nessas eleições.
Pena máxima
rnSó Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário podem salvar minimamente a aura de suspeição que tomou conta da cidade em relação à eleição. Até agora há uma nuvem preta até desproporcional em relação a erros pontuais em procedimentos, que não acredito de forma alguma sejam propositais ou fraudulentos como quer fazer crer quem perdeu (a oposição); um direito legitimo de questionar.
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Compraram muitos
rnO que houve nessa eleição foi uma compra e venda de votos nojenta, o poder econômico falou alto, definiu a eleição sim aos olhos de todos. Agora se há um crime de difícil comprovação é esse, mas pelo menos que haja exemplos. Desde já afirmo que sou cético quanto ao resultado. O importante é que a investigação e processo provoquem o debate e afastem esse sentimento de que é uma terra de ninguém e lei só para uns poucos pobres, pretos e prostitutas.
Casos gritantes
rnA denúncia investigada pela Polícia Federala pedido do MP e da Justiça Eleitoral tinge dois daqueles que as ruas têm como maiores suspeitos – Hely Bíscaro e Luiz Coneglian, o Luizão. Foi uma aberração a estrutura e forma de campanha de ambos e são a expressão acabada de que o atual sistema eleitoral precisa ser modificado, sem muita chance de melhorar até porque são os políticos que deveriam mudar esse lixo de legislação.
Passado condena
rnNão por acaso, todo mundo conhece a ficha corrida de Hely Bíscaro. Luizão esteve durante todo tempo ligado à administração Camarinha e construiu uma rede de açougues na cidade, coincidentemente tendo se transformado no maior fornecedor de carnes para a terceirizada cozinha piloto da Prefeitura.
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Terceiro mandato
rnFalta quase nada para definir por completo o secretariado da futura administração. Cores, nomes, vontades e perfil essencialmente da escola abelardiana. No início da administração Mário Bulgareli, Abelardo Camarinha não será um fantasma a rondar o gabinete do segundo andar. Estará com mãos e olhos em todos os cantos em que pese a legaldade parcialmente que os assessores terão que ter para com Bulgareli.
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Tudo definido
rnArticulações de bastidores, mínimo reconhecimento e influência de terceiro, peso prepoderante de Camarinha e a participação de Bulgareli e Luiz Nardi praticamente definiram todos os secretários que devem ser anunciados dentro de 10 dias no máximo. Estão todos com a chuteira na mão embora ninguém queira falar sobre o assunto.
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O triunvirato
rnQue ninguém duvide e quem apostar ganha. 2005 será de administração diferente em Marília e não se trata de quaisquer mudanças radicais. O que muda é que apesar de todo poder e influência abelardiana em tudo. a caneta e o cofre da Viúva estarão nas mãos de Mário Bulgareli. Mesmo assim, será um governo a seis mãos e olhos, do triunvirato Camarinha-Bulgareli-Nardi.
Sem destaques
rnO prefeito eleito Mário Bulgareli reelegeu-se vereador em 1996, depois de ter passado quatro anos como aliado de primeira hora do ex-prefeito José Salomão Aukar. Conquistou espaço, confiança e fez do grupo de Camarinha seu ninho. Tanto assim que exceto o chefe de gabinete que ninguém sabe quem será, principais assessores são todos da atual administração.
Olhos e mãos
rnDe duas maneiras que se interagem Camarinha acaba ficando com quase tudo nas mãos. Além de ter todos seus homens de confiança em postos estratégicos, já tratou de fazer algumas modificações táticas para descentralizar o poder administrativo e de decisões. Até agora o segundo andar dava o tom da administração, numpoder sem precedentes nas mãos de Camarinha e do chefe de gabinete Carlos Garrossino.
Dois gabinetes
rnO desenho da primeira fase da futura administração pode durar de um a um ano e meio no máximo, mas o certo é que nos primeiros meses tudo vai ser decidido bem devagar, bem ao estilo do professor Mário Bulgareli, com a participação e influência direta do vice Luiz Nardi. Mas criador e criatura dividem o bônus até que a criatura começa a sentir que o ônus fica com quem realmente tem a caneta e a chave do cofre.
Rumo incerto
rnQuem ficou oito anos no poder e acabou fazendo o sucessor acaba se acostumando com comportamento arrogante e presunçoso. Logo, Camarinha vai ter dificuldade para arrumar ocupação e pelo seu perfil deve ter dois objetivos inconfessáveis até para o espelho: dominar um gabinete sombra ou espécie de governo paralelo. Hoje já se preocupa em vigiar todos os passos do prefeito eleito.
2 de janeiro
rnA escola abelardiana de maus costumes criou tantos aspones e medíocres que mamam nas tetas da Viúva sem nada produzir, que a cada evento tem-sefalácias descabidas. O que vai acontecer mesmo é que a partir de dois de janeiro 2005a escola não terá mais nada a oferecer, até porque quando tinha só distribuiu desrespeito e ingratidaopara quem tinha lealdade e não media em adesão a causa justa e volta ao bem coletivo.
3 de janeiro
rnO 2 de janeiro de 2005 é domingo, a vida nova começa mesmo no dia seguinte, segunda-feira. Maravilha. Realmente tudo muda para melhor. Vamos nos livrarde boa parte do bando que vegeta nas tetas da Viúva. Agora, azar daqueles incompetentes que não têm para onde ir. Bom da iniciativa privada é que ninguém tem mandato eletivo, com prazos e datas.
Sem atalho
rnA essência do governo municipal passa pela chefia de gabinete e Secretaria da Administração. Hummm. Quem Camarinha escolheu e qual cargo especificou. Carlos Umberto Garrossino para a Administração. Por lá vão passar todas as nomeções, concursos e funcionamento da máquina, além da burocracia de todas as concorrências e licitações públicas.
Perto de você
rnO vice-prefeito eleito Luiz Eduardo Nardi vai ser o secretário de Governo e Desevolvimento e deve ser na futura administração o homem forte de Mário Bulgareli, com poder e influência que Garrossino tem hoje em relação a Camarinha. Logo, no cargo a pretensão é que todas as decisões sejam adotadas em conjunto, tudo muito bem combinado durante a campanha e início do governo. O tempo vai redesenhar as relações.
Mais amigos
rnNa Secretaria da Fazenda quem vai ficar é o bancário aposentado Oswaldo Vilella. No Planejamento Econômico assume Rodrigo Paganini, técnico e funcionário concursado e de carreira. Vilela já tinha ocupado o cargo, e assim como Paganini que hoje ocupa a Fazenda, são integrantes do grupo abelardiano.
Sem novidade
rnOutras duas áreas onde nada vai acontecer de novo e mantém-se fielmente o perfil e vontade de Camarinha são: Rosani Púia continua na Educação, Anadir Hila no Bem-Estar Social e Ênio Servilha Duarte na Saúde, esse dois últimos há oito anos no cargo e entrando no terceiro mandato. Bulgareli já disse que quer influir muito na pasta da Educação.
Mesma escola
rnOutro que não sai da administração é Waldomiro Paes, que continuará em Serviços Ubanos. Antônio Carlos Nasrauí parece que reestabeleceu de vez seus laços com Camarinha ao voltar ao grupo e ficar na Emdurb. Vai ganhar na loteria a partir de 2005 e virar Secretário de Obras Públicas. O engenheiro Luiz Antônio Rosa Lima continua na incipiente e esvaziada Codemar.
Bobo da corte
rnFolclórico e notório bufão das festinhas e encontros da corte abelardiana, Carlos Coércio, o Guru, é outro que Camarinha armou para fazer Bulgareli nomeá-lo secretário. Vai ganhar o Esportes e Lazer. Ah, bom, o negócio é que tem essa do lazer, bem apropriado para manutenção do divertimento dos frequentadores da corte.
Poucos novos
rnPara secretaria da Indústria e Comércio será nomeado o empresário José Reis, com larga experiência no ramo. Na Agricultura e Abastecimento, vai ser nomeado o pecuarista Wanderley Nascimento. Dois nomes de respeito na cidade em suas áreas. A Procuradoria Jurídica, terá Luiz Carlos Pfeifer para reformular a área e melhorar a desgastada imagem dos agentes públicos junto ao Ministério Público e Judiciário.
Só adequações
rnMário César Vieira Marques está na cota é a cor tucana da administração e vai ser o secretáro do Verde e Meio Ambiente. Outro tucano a ser nomeado será o delegado Wilson Damasceno, para a Emdurb. Roberto Monteiro fez de tudo para ser indicado para Obras, não deu, mas ganhou de consolação a pasta de Planejamento Urbano, que seria do arquiteto Laerte Rosseto que só não será nomeado por problemas particulares. Denis Emanoel Araujo vai dirigir o Daem, homem forte de Luiz Nardi.
Cercar Lourenço
rnMário Bulgareli pode manter pelo menos agora esse perfil abelardiana na assessoria, mas o que o prefeito eleito preciso todo cidadão de bem da cidade espera é que ele mude radicalmente a forma de relacionamento com quem tem projetos, parcerias e ou procura a adminstração ou o agente público municipal. Chega dessa onda de “cercar o Lourenço”, essa de fingir que vai mas não vai, talvez sim, talvez não.
Pagando fatura
rnrnO certo é que Mário Bulgareli não poderia ter sido mais elegante e leal com Camarinha, em que pese ter sido ao longo dos anos ter sido espizinhado em algumas situações que poderiam ter restado mágoas. Camarinha foi um responsável importante na eleição de Bulgareli, mas este até agora tem pago a fatura com todas as correções até indevidas. Agora, resta saber se terá tranquilidade e seu mínimo espaço.
Venham a mim
rnO que Bulgareli também terá que deixar claro é que mesmo sendo quase todos os secretários ligados diretamente a Camarinha, é ao futuro prefeito que a assessoria deverá dirigir-se em todas situações. Caso contrário inexistirá governabilidade e o clima tende a deteriorar as relações administrativas, políticos e de negócios. Não há como servir a dois senhores ao mesmo tempo.
Posição difícil
rnO prefeito eleito tem consciência que suceder Camarinha não é tarefa fácil. Não que o prefeito seja um gênio, longe disso, está naquela máxima de terra de cego, caolho vira rei. Bulgareli terá que escolher prioridades, buscar marcas próprias. Repito. Se houver seriedade e cumprir compromissos assumidos, tem tudo para desmestificar sua atual posição, criar identidade própria.
Só onipotência
rnNão é por acaso Camarinha transformou-se no maior líder político da cidade em 30 anos, aniquilou a pouca e burra oposição que surgiu, e está longe de sair da vida pública. Mas não pode esquecer que está desgastado por oito anos de governo, sequelas de mazelas administrativas, dezenas de processos e ações civis e penais e onipotência exacerbada. Terá que lidar e achar mínimo respeito para com todos…
José Ursíliorn