Mais previsões
rnrnDe louco, de médico, de técnico de futebol, todo mundo tem um pouco. Certo? Certo. Mas aqueles que têm algo de louco, têm algo a mais que os outros. Eles dançam quando alguém bate palmas e são exímios futurólogos. As previsões de fim e começo de ano pululam, abundam aos mais recônditos lugares. Boas ou ruins, o certo é que previsões não passam de previsões.
rnrnMundo é assim
rnrnTão antigas quanto a humanidade, as previsões sempre atraíram o interesse geral. Há incontáveis mecanismos concretos e abstratos, transcendentais, que dizem estudar o que o homem às vezes batiza de futurologia. Mas salvo algumas coincidências aqui e acolá é evidente que previsões são um tiro de cego no escuro. Mas no íntimo todos somos atraídos por essa vontade de saber o que o futuro nos reserva assim como aos outros.
rnrnTem promessas
rnTanto quanto as previsões, abundam também promessas. Essas então até possível de serem factíveis dependendo da boa e força de vontade individual. Mas as promessas surgem aos baldes na virada de cada ano. Mas invariavelmente elas se repetem na mesma forma e pontualmente como o passar das horas, dias, meses, anos… Nesse país então somos riquíssimos em promessas feitas, refeitas… E quase sempre nunca cumpridas.
rnNo ano que vem
rnNós, reles mortais, nos conformamos com previsões e promessas menos audaciosas. Vou fazer regime, ingerir menos calorias, cuidar do corpo e ampliar a qualidade de vida, é o que torcemos e planejamos. Outros querem parar de fumar, trabalhar menos, gastar menos, dar mais atenção aos filhos, à família, rezar mais… Mas a classe política, aquela do poder, promete mundos e fundos com a maior cara deslavada. Paraíso, vendem terreno na lua e até marte, juram mudar e melhorar a vida dos pobres. Tudo balela…
rnSó sensação
rnNão quero jogar balde de água fria em você leitor desse dia 31 de dezembro, último de 2004. Mas o que muda mesmo é o calendário, como muda todo dia. Muda o ano fiscal, quanto você vai pagar de imposto pelo exercício anterior, fora a barbaridade que já quitou. A sensação, sentimento que temos é que a virada de ano traz involuntariamente alguma mudança e se Deus quiser para melhor. Mas é bem ilusória essa expectativa. Agora é bom agirmos para que alcancemos tudo de bom.
rnSem pretensão
rnrnComo em todo canto existem previsões, de mãe e pai-de-santo, tarólogos, cartomantes, economistas, políticos, pitonizas entre outros tantos, jornalista também pode dar-se a esse luxo – e como o fazem com maestria idêntica aos demais futurólogos. Ah, tem também aqueles que são mais calculistas e usam a estatística, os dados concretos e a frieza de números para assegurar que previsão não é um simples exercício de loteria.
rnRumo a 2005
rnComo essa coluna é a última de 2004, penso que ela deverá conter assuntos que possam desenhar um perfil do ano que está indo embora e quem sabe fazer alguma previsão do que vai acontecer em 2005. E, aposte, a coluna vai estar aqui em 2005. Bem, mas o que interessa mesmo é que adeus 2004, que 2005 seja melhor para todos e olha que as previsões – elas de novo e sempre – são boas, mais que um ano virando, estamos por exemplo trocando governantes.
rnAlgo de novo
rnrnPode acreditar, 2005 vai dar melhores frutos e não é abacaxi, jaca ou mamão docinho. A maioria das cidades brasileiras vai ganhar novo prefeito. Muitas cidades cujo prefeito foi tão bom nesses últimos quatro anos que está reeleito e o povo vai continuar sendo governado por ele. Outros foram ou se passaram por bons prefeitos e serão sucedidos por políticos de seu grupo, caso de Marília.
rnNovo continua
rnrnNa área político-administrativa de Marília o novo é a continuidade, apoiado que foi por Abelardo Camarinha. O professor Mário Bulgareli a partir de amanhã às 10h será oficialmente o prefeito de Marília. Vai subir as escadas e finalmente sentar na cadeira do gabinete do segundo andar com a caneta na mão e as chaves do cofre de uma Viúva por onde em 2005 vão passar mais de R$ 275 milhões.
rnLição de casa
rnrnCamarinha vive hoje seu último dia de prefeito que servirá apenas para receber alguns cumprimentos, nada mais. Vai voltar para casa e deixar Bulgareli com a faca e o queijo nas mãos. Mas para dividir o bolo estará sempre com a sombra, as mãos e os olhos de Camarinha. As previsões mostram que nesse primeiro instante Bulgareli fez e estará fazendo sua parte, pagando a fatura de obrigações para quem o ajudou a eleger-se.
rnrnBom aluno
rnrnMário Bulgareli talvez por ter profissão de professor comportou-se nos últimos oito anos como excelente aluno. Superou até gente que muito antes rodeava Camarinha e iludia-se com a possibilidade de sucedê-lo, casos específicos de Luiz Eduardo Nardi, Roberto Monteiro e Silvio Guillen Lopes. Mas Bulgareli abocanhou espaço e em parte foi investimento pessoal de Camarinha, que na realidade é quem manda e quase todos obedecem.
rnrnNa cartilha
rnrnO novo prefeito de Marília tem predicados, méritos, mas começa governo dominado por Camarinha, tanto assim que praticamente nada muda na formação da assessoria, principalmente do secretariado. Sobrará nesse início de ano e governo cumprir a cartilha. Mas, nas previsões, a indicação é que criatura se desvencilhe aos poucos do criador. Ninguém consegue ficar sufocado, principalmente quando poder está em jogo.
rnMandato único
rnrnMais ainda, o que vai atrapalhar daqui a pouco é a sensação de que Camarinha pode jurar, negar, que mais uma vez ninguém pode acreditar. Quer voltar à Prefeitura em 2009. Bulgareli será prefeito de mandato único nas contas de Camarinha, isso é óbvio se não houver rompimento nos próximos quatro anos. Quase impossível. Só previsão. Parece que Bulgareli só guardará a cadeira e segurará as chaves do cofre, o que já é ótimo negócio.
rnEles obedecem
rnrnO grupo de situação foi e é beneficiado pela terra de cego, onde Camarinha é rei e os outros incompetentes. Tanto assim que a oposição já era grotesca, agora nem espaço tem. Mas o ainda prefeito terá outros tantos problemas e grandes problemas pela frente. Processos e ações abundam em todas as instâncias e agora ele será cidadão quase comum, e ex, é ex. Vai tentar continuar mandando um pouquinho, resta saber se os outros vão obedecer.
rnSão carimbados
rnNa corte abelardiana de oito anos às vezes estimulados pelo próprio prefeito, os bufões e bobos sorriram, fizeram piadinhas, ironizaram qualquer um que ousasse divergir, discutir, questionar os rumos das determinações de Camarinha. O carimbo mais protagonizado era de traidor. Bem próprio das sombras do poder e da rede medíocre de intrigas. Essa é a parte do poder que deve acabar em caráter de urgência.
rnVelhos métodos
rnrnCamarinha volta para casa hoje aprovado como administrador e líder popular, mas rejeitado pelos velhos métodos agressivos e prepotentes de tratar não só adversários, mas como até correligionários. Não que ele possa mais mudar, mas precisa evoluir se quiser continuar na vida pública. Até porque hoje seu grupo é sustentado por interesses pessoais de cada amigo ou técnico, resta muito pouca confiança e gratidão.
rnrnCargo e poder
rnrnNesse aspecto o problema não é só de Camarinha, mas das pessoas que resmungam nos cantos, às escondidas, mas invariavelmente não passam de palermas oportunistas. Querem manter-se com benesses, cargos e salários patrocinados pelo poder e por consequência pelo líder que é Camarinha e sujeitam-se a tudo, a serem vergonhosamente espezinhado. Bem feito. Alguns fingem que está tudo bem. Outros não entendem nada. O poder e seu entorno é deprimente e desprezível na maioria das vezes.rn
rnDevem trabalhar
rnrnO que pode e deve mudar logo no começo está nas mãos de Mário Bulgareli e do vice Luiz Eduardo Nardi que ao contrário dos outros tantos vices no Brasil parece que não será apenas uma figura decorativa, sem expressão. Eles devem fazer toda assessoria trabalhar, ficar em seus devidos lugares, sem essa de apenas buscar o holerite no fim do mês. Sem essa de ficar empoleirado no segundo e terceiro andares com fofocas, nhem-nhem-nhém e outras baixarias próprias de desocupados.
rnrnEstão enterrados
rnrnCom méritos o grupo de Camarinha vai continuar no poder. Trabalhou para tanto. Foi vencedor. Tudo deu certo. O mais certo de tudo é que a oposição é inexpressiva, individualista e incompetente. Azar deles. Agora, a democracia produz debate, disputa, divergência, e seria salutar que a velharia fosse enterrada e que cidadãos de bem da cidade se preocupassem mais com os destinos político-administrativo da cidade. Não adianta só reclamar, xingar, suspeitar, acusar. É preciso agir, não omitir-se.
rnPegando fogo
rnAs investigações em torno da prostituição infantil em Marília há meses estão fervilhando. Se o caso envolvesse só putas, pretos e pobres, com certeza tudo estaria escandalizado em manchetes de tevê, rádio e jornal, com nomes e sobrenomes, aquelas imagens apagadas de menores. Mas tem gente graúda envolvida, de milhões de reais e dólares na conta corrente e caixa dois. Logo, é não-me-toque-não-me-rele para todo canto. E a dinherama está correndo solta para abrandar as acusações pedofilia.
rnMais de milhão
rnrnPor alto a estimativa é que nos bastidores a correria para desviar a rota das investigações já passa de um milhão de reais. Não há provas de corrupção, extorsão, mas a arapuca foi armada e parece que para cadeia um dia só vão mesmo as putas do esquema que colocava marmanjos endinheirados e frustrados sexualmente para explorar as criancinhas. “Ah, mas ninguém obrigou ninguém a nada e hoje maioria de meninas e meninos estão transando aos 15 e 16 anos?” Ora, que abuso absurdo de argumentação.
rnrnÀ boca pequena
rnrnTodo mundo sabe os nomes dos envolvidos, a gente endinheirada e até políticos e assessores. Ninguém quer jogar o nome de ninguém na lama e até que haja denúncia formal do Ministério Público a partir das conclusões da Polícia Civil, a própria mídia tem acompanhado o caso com discrição e respeito. Mas que no futuro não se haja conclusão que contra os ricos, abastados e políticos ninguém conseguiu provas, mas só contra as putas, os pretos e os pobres.É o dito espanhol: ¿Y la ramera soy yo?
rnNinho de cobra
rnAgora bem feito para essa gente de dinheiro fácil e metida a falar da vida alheia. Estão na mira dos exploradores de plantão aqueles cujos nomes estão em suspeição do escândalo da pedofilia. Além da seriedade e complexidade do caso, advogados, há policiais, políticos e lobistas envolvidos até o pescoço na trama armada agora para tomar dinheiro dos ricos. Estão gastando tufos e numa pressão psicológica sem precedentes. Há até promessas de empregos públicos para parentes, entre outras vantagens para encobrir parte da bandalheira sexual.
rnParte confiável
rnAinda bem que em relação ao Ministério Público parece que há isenção e seriedade, embora nada se possa antecipar até que as investigações sejam definidas em denúncias formais. Ainda bem ainda queboa parte da Polícia Civil hoje está limpa e preparada para investigar sem aquela velhaca extorsão do passado. Agora, resta saber ser as forças ocultas não vão destruir as boas intenções de quem investiga. A arapuca está armada para ludibriar…
rnServiço sujo
rnA nojeira que infesta os bastidores dos poderes e do dinheiro está esparramada por quase todos os cantos. A hipocrisia de alguns segmentos, o faz de conta que nada acontece precisa ser rompido. Escrevo isso porque tem gente pagando caro os servicinhos sujos. Como? Gravações clandestinas, cartas anônimas, fotografias em situações incriminatórias abundam e servem de extorsão, ameaça e até futrica na vida alheia. É o abuso do poder e do dinheiro para detratar adversários e ou desafetos.
rnBarra pesada
rnSobram vídeos, fotos, gravações e outros instrumentos não especificamente com pedofilia, mas com aventuras sexuais. Juiz, promotor, empresário, advogado, médico, e inúmeros políticos são os protagonistas em armações e esquemas escusos de autores desconhecidos mas suspeitos. Um lixo tamanho e não há o que fazer. Pior. O material é sempre usado para calar a boca, evitar denúncias, ameaçar famílias, entre tantas outras maldades…
rnQuem não deve
rnNinguém é hipócrita e quer acreditar que não somos mal-resolvidos. Mas fato é que a vida privada e íntima não pode ser devassada sem limites e por inescrupulosos com desejos insanos. Não é possível admitir que, mais grave ainda, existência de casos de uso de fotos e cartas em correspondência anônima com marido e amante expostos a cônjuges e vice-versa. As vítimas têm que denunciar, exigir investigações, dar nomes de suspeitos sem medos…
José Ursíliorn