Roubalheira
rnVocê, eu, todos nós sabemos e no mínimo o mais desligado suspeita. Se o país tem incontáveis problemas sérios, nada é comparado à bárbara roubalheira contra os cofres das Viúvas ? federal, estaduais e municipais. A cambada que sabemos eleitos democraticamente passa a mão, assaca, assalta, raspa o fundo do tacho. Alguns menos, sim, mas a maioria mais e mais.
rnCadê o dinheiro!
rnA maior parte do dinheiro dos abusivos impostos, taxas, compulsórios e outras picaretagens estão no bolso, nas contas, nos cofres em fazendas e flats dos políticos. É sim. Dinheiro da educação, saúde, infra-estrutura, assistência, enfim, o que falta em obras, serviços, atendimento social, está na ratoeira dos usurpadores dos cofres públicos. Quem sai, quem entra, a voracidade é idêntica.
rnMáquina podre
rnMas além desse câncer social que é a roubalheira desenfreada, descarada e destemida, a máquina administrativa está corrompida em toda essência e métodos. E olha que houve algum avanço, se bem que esse melhor desempenho está intimamente na fiscalização e cobrança do contribuinte, enquanto o retorno em benefícios é a lástima de sempre. Nada funciona com pingo de eficiência.
rnServiços ineficientes
rnOs serviços são ineficientes, as obras desqualificadas, o atendimento ultrajante. Ah, mais isso é muito radical. Radical é pobre zé ninguém, o povão, não ter hospital, médico, remédio, infra-estrutura básica, onde morar, educação acessível e assim por diante. Radical é saber que num país de nona economia mundial, o desenvolvimento humano é pior que na Colômbia. Radical é a desigualdade social.
rnQuadro negro
rnMuito bem. O tema desse domingo é a bandalheira na área do atendimento ao menor infrator no Estado de São Paulo, o tal maior da federação e onde a tucanada está mamando faz 10 anos. Sim, sim, antes a situação era idêntica, e coisa e tal, e tal e coisa, mas quando um bando fica no poder por mais de dois mandatos dá muito bem para arrumar um projeto viável e executá-lo de forma coerente.
rnModelo falido
rnNa verdade até que demorou muito a primeira rebelião na unidade da Febem de Marília. A situação vem explodindo há anos, mais radicalmente nas unidades maiores e mais antigas da Capital, com prejuízos sem precedentes e perdas de dezenas de vidas. Aqui, o quiprocó estourou na noite de quinta-feira e foi até a madrugada de sexta. Na unidade que o governo e a direção dizem que é modelo. Modelo de crime.
rnQuer livrar-se
rnO que o Estado quer mesmo é livrar-se do problema, não tem gente com competência tratando da consequência que é a delinquência de adolescentes e rapazes das camadas excluídas. Os manos e as minas estão cada vez mais prematuros na agressividade, violência, drogas, furtos, roubos, entre outros crimes e infrações e isso é consequência de uma velha e velhaca causa que é desigualdadesócio-econômica da maioria.
rnA investigar
rnA destruição parcial da unidade da Febem de Marília pelos internos mostra que o modelo de instituição não está apenas em prédios bonitos e melhor estruturados. Passa por um projeto de requalificação de métodos no trato dos menores, de treinamento de pessoal. Afinal, os pais na porta da Febem disseram a verdade quando falaram da existência de violência de alguns monitores.
rnGente melhor
rnrnQue haja gente concursada, preparada, bem intencionada na Febem de Marília e em qualquer outra, é fato. Mas o contrário é idêntico. Bando de despreparado, mal educados, aliados a estrutura administrativa medíocre, atrasada e nazista. Tratam o menor como bandido, a sociedade como burra. Não dão satisfação do que fazem por obra e graça dos tecnocratas engomadinhos. Os menores são melhores que essa gente.
rnParte bonita
rnO bando de medíocres e charlatões que administram essas Febems chamam a imprensa em dias específicos para mostrar teatrinho, refeitórios limpinhos, sempre quando tem esses figurões em visita, alguma autoridade posando com aquele sorriso amarelo para os holofotes. Mas o que realmente acaba aparecendo é o que se vê em todas unidades e inaugurou Marília ontem: violência e quebra-quebra.
rnBom interditar
rnNão é só a Febem que precisa ser interditada, mas as políticas de Estado na área de reeducação e recuperação do menor infrator e ou delinquente. É preciso que os engomadinhos programados como robôs para enganar e dizer asneiras respondam pelos desmandos, pela violência, pela falta de solução. Chega dessa cara de pau deslavada.
rnSistema sujo
rnNão tem nenhum santinho, não se justifica a quebradeira, nenhum adolescente pode render os funcionários, mas se eles tivessem capacidade de agir e pensar com coerência não estariam confinados numa entidade desse tipo. A gentalha que faz essas políticas e os despreparados que lá trabalham são os responsáveis pela ação e reação. E essa gente toda é paga por mim, por você, por todo contribuinte.
rnSó aqui é assim
rnBasta ser um pouco informado para saber que seja na Colômbia ou Bolívia, em rnAngola ou Moçambique, Holanda ou Noruega, não se tem esse volume de incompetência para tratar do menor infrator e ou delinquente. Aqui é diferente porque talvez os políticos sejam um pouco piores. Repito, não é possível que essa sociedade esteja fadada a exterminar o futuro, com pedofilia, exploração infantil, violência contra menores….
rnCabe intervenção
rnNos outros municípios, na Capital, essa lástima de Febem é essa criminalidade que nós sabemos. Mas aqui em Marília seria o caso de fazer nossa parte. Desde o primeiro e grave incidente, é bom que as entidades, os cidadãos de bem, as autoridades, façam sua parte. É hora de mostrar a quem quer que seja que na cidade tem gente preocupada e que não aceita mais um feudo desqualificado, um campo de concentração da era moderna.
rnMinistério Público
rnOs promotores de Marília em algumas áreas têm merecido elogios pela atuação firme e coerente. No caso da curadoria de Defesa da Infância e da Juventude, Jurandir Affonso Ferreira, tem tido a felicidade de atuar em causas mais que importantes para a comunidade. Logo, é preciso mostrar à direção daquela espelunca que quer ser modelo, que em Marília ninguém vai admitir campo de concentração.
rnrnPoder Judiciário
rnNa sexta-feira Jurandir Afonso Ferreira e o juiz da Vara da Infância e Juventude, Guilherme Fazzio, estiveram na Febem. Pior é que os incompetentes da unidade não tiveram a capacidade nem de avisar na hora o Ministério Público e o Judiciário. Pior. Não deram qualquer informação depois. Tanto que na sexta-feira mesmo ambas autoridades já se mostravam indignadas e determinaram medidas para investigar o que realmente aconteceu, sem maquiar a verdade, esconder ou camuflar, como é público e acontece na instituição em todo lugar.
rnQuem é pior
rnRepito, o Estado, e até parte da sociedade menos avisada, parece querer livrar-se dos menores infratores e delinquentes. Mas francamente com toda truculência e violência de alguns marmanjos com idade entre 15 e 17 anos, ainda defendo que o problema é meu, seu, desses governos cheios de despreparados e desqualificados e que só pensam mesmo nos interesses individuais e das castas que representam e para as quais direciona a máquina e os cofres com nosso dinheiro.
rnPais sofrendo
rnNão importa o que eles possam ter feito de errado, o certo é que outros sofredores na maioria dos casos são os pais, angustiados por uma situação humilhante que é ter filho-problema e interno de uma merda como a Febem. E alguns denunciaram o que já se suspeitava, a existência de maus tratos contra os menores, camuflados numa mentira chamada disciplina rígida.Devem ser ouvidos pelas autoridades, assim como os menores.
rnAlém da capacidade
rnA tal unidade modelo de Marília finalmente está desmascarada, a casa caiu e não é por menos. A cara lambida de dirigentes, gestores e idealizadores daquela porcaria não poderia ficar mais desqualificada que agora com a primeira e vergonhosa rebelião de internos. Tanto assim que 66 participaram dos 78 internados e cuja capacidade é de 72 adolescentes. Ora, aquele lenga-lenga das autoridades não dizia que a unidade não teria excessos?
rnBatem mesmo
rnSSC, mãe de um menor interno e que correu para a porta da unidade ao ficar sabendo da rebelião, ainda na noite de quinta-feira,fez denúncia gravíssima: ?Eles batem mesmo. Meu filho apanhou na noite de Natal. Nos próximos dias ele vai ser operado, nem sei por quê?. Mas os menores é que são os marginais, ou marginais são aqueles que recebem do Estado e estão agindo como ou pior que os adolescentes?
rnrnTeria revide
rnA denúncia da mãe foi ainda mais profunda e revela o despreparo lamentável daquele castelo de areia que é a Febem, daquela propaganda enganosa. A mãe disse que os pais estavam preocupados porque durante a semana os menores avisaram que ?teria revide? caso houvesse novos espancamentos. Então, mas cadê a direção, cadê os psicólogos, cadê os monitores, cadê a prevenção… É melhor soltar os internos e prender essa gente que não tomou providência preventiva.
rnMais denúncias
rnOs dois pais que o Diário ouviu confirmaram as denúncias e isso é revoltante. V.L., pai de interno, também confirmou que o filho sofria agressões de monitores. ?Ele errou, tem de pagar, mas não é por aí?, disse. Nada é diferente, está provado. A picaretagem e o despreparo são os mesmos das outras unidades. Mas nosso dinheiro não é capim para ser desperdiçado assim. Parte é roubalheira, o restante desperdício. Fim triste dos nossos impostos.
rnOutra rebelião
rnA rebelião que deve ocorrer é sua, minha, nossa. Já passou da hora de nos organizar melhor. Não tem essa de esperar eleição, de processo lento e democrático, até porque maioria eleita é causa do uso do dinheiro sujo e fácil. Temos que estar atentos aos desmandos em nossa comunidade, cobrar entidades representativas, dar voz a nossa indignação. Nossos filhos podem ser vítimas, nós podemos estar a mercê dos infratores e desses incompetentes. Acorda gente…
rnJosé Ursílio