Isso é sério
rnrnAs coisas na Prefeitura neste início de administração podem estar meio devagar, mas para o lado bom, de cuidados, respeito e transparência. Não defendo que esteja tudo às mil maravilhas, que tudo vai ser diferente, porque ainda é muito cedo. Mas algumas medidas simples já mostram perfil e identidade do prefeito Mário Bulgareli.
rnSó comparar
rnrnA administração anterior criou e notabilizou uma escola de enrolação, onde o explorado munícipe foi relevado a último plano, exceto na hora de ser chamado e enganado para bater palmas. No mais, só coisas de interesse pessoal e de retorno financeiro eram resolvidas na correria e com o tradicional e notório drible da vaca e jaguané.
rnDona Elza
rnUma decisão do prefeito Mário Bulgareli na semana passado pôs fim a uma injustiça de quase 17 anos. Dona Elza Borghetti, de família tradicional, ficou brigando com a Prefeitura na esperança de receber indenização. Quase morreu de desgosto e não conseguiu. Mas finalmente vai receber seu dinheiro para ter tranquilidade em sua vida.
rnFim da linha
rnÉ certo que dona Elza ganhou o direito à indenização em todas instâncias judiciais e que não restava agora mais como enrolar. Mas só o fato de Bulgareli chamar sua assessoria jurídica e a parte contrária para sentar e tirar um consenso já vale a boa intenção. Melhor ainda ficou, pois o acordo de pagamento foi selado e até aprovado pela Câmara.
rnSem vantagens
rnTodo cidadão comum sabe que acordos com credores de administração pública na maioria das vezes não sai se não tiver aquela comissão, aquela bola para dois, três. Todo mundo sabe, mas corrupção não tem recibo e os mecanismos de investigação brasileiros são falhos e incompetentes, quando não mal intencionados. Mas no caso de dona Elza, tudo foi insuspeito.
rnTransparente
rnrnQuando pendência é resolvida envolvendo vários integrantes de duas partes é sinal claro de existência de boas intenções. Quer ver alguma suspeição, é quando as coisas são resolvidas às portas fechadas. A Prefeitura vai pagar R$ 220 mil a dona Elza, parcelados durante o ano. Melhor. Não é nenhum valor absurdo e abusivo como cálculos anteriores chegaram a indicar.
rnTudo errado
rnO problema todo é que nós munícipes acabamos pagando a conta da incompetência e má fé dos administradores do passado. Tudo começou errado em 1989 quando o então prefeito Domingos Alcalde desapropriou parte da fazenda de dona Elza, às margens da rodovia SP-294, em Lácio, para lá implantar distrito industrial. Sem planejar.
rnBola fora
rnÁrea desapropriada, projeto lançado, até hoje o local tem ocupação ínfima. Afinal, naquela época o caso de dona Elza acabou sendo mais um notabilizado e conhecido pelo desastre desmascarado de Domingos Alcalde, com a indústria da desapropriação, uma ação coordenada e deliberada para tirar vantagens pessoais usando o cargo de prefeito.
rnJá respondeu
rnrnDomingos Alcalde ficou 12 anos alijado da política, respondeu processos, foi condenado, cumpriu penas envolvido nos escandalosos casos Cascata e Scarpelli. Acabou se safando de tudo e até ensaiou voltar à vida pública, mas era óbvio que com seu currículo até que foi longe demais. Mas, repito, deixou prejuízos à cidade, que não terá ressarcimento.
rnNada cumpriu
rnSaiu Domingos Alcalde, entrou Salomão Aukar, o único político a derrotar Abelardo Camarinha numa eleição. Salomão na campanha de 92 falou do caso de dona Elza, prometeu solução, mas quatro anos depois nada fez. Para variar. À época o valor da dívida do município era absurdo e abusivo, embora isso não fosse justificativa para a enrolação.
rnMesma coisa
rnAí vem Camarinha, oito anos, duas administrações, com aquela enrolação peculiar. Sem vantagens no fim do túnel, era natural que tudo fosse sendo empurrado para sucessor. Não deu outra. Dona Elza passou oito anos protestando, fazendo movimento público, chamando atenção da cidade e imprensa. Nada de conseguir ser ao menos consolada. Só foi espezinhada.
rnFoi injusto
rnrnA desapropriação da área de Elza Borghetti e a falta de pagamento acabam, claro, sensibilizando mais o cidadão comum pelo fato da mulher ser idosa, evidenciar que aquele patrimônio que tinha seria para garantir uma terceira idade com saúde, paz e tranquilidade. Não é justo que tivesse passado pelo que passou com tanto desprezo.
rnOutros casos
rnrnOutros donos de áreas igualmente enfrentam problemas ainda maiores, têm valores mais significativos, como é o caso dos donos e herdeiros do prédio do antigo Hospital Marília, o atual Hospital Materno-Infantil. Essa sim é outra dívida milionária, deixada e enrolada desde a primeira administração de Abelardo Camarinha, em 1983.
rnEra necessário
rnNinguém nega que à época a medida correta era reabrir o hospital que era da iniciativa privada e acabou falindo. Hoje o prédio tem função social e de saúde importante para Marília e região. O problema é que o poder público e seus gestores não têm consciência. Ao invés de enrolar nesses processos que tramitam pela justiça deveriam ter gente competente negociando.
rnBomba relógio
rnA maior bomba de efeito retardado para os cofres públicos de Marília está na desapropriação do prédio do antigo hospital. Hoje seria uma dívida de mais ou menos 15 milhões de reais. Um absurdo o valor, mas Procuradoria Jurídica do Município precisa ter como determinação tentar medidas efetivas não para enrolar, mas para solucionar o precatório a longo prazo.
rnOutros casos
rnrnClaro que o administrador público, o político, não vai ficar pagando dívida de administrações anteriores e que os recursos para tanto nem existem. Mas dá para ter coerência, como ocorre agora no caso de Elza Borghetti. Outros devem seguir o mesmo caminho. É preciso dar solução para todas pendências, é obrigação do gestor público.
rnDeve responder
rnO relaxo, desleixo e suspeição de atos de alguns gestores acaba sendo estimulado pelo sentimento de impunidade. Afinal, os precatórios são dívidas parcialmente corretas, mas se fossem tratadas dentro do bom senso, poderiam ser melhor estruturadas. Os administradores que enrolaram nada respondem, ficam belos e folgosos, geralmente de bolsos cheios.rn
Vão receber
rnOutro caso de desleixo e enrolação, esse sim patrocinado deliberadamente por Camarinha, está no precatório alimentar de 80 ex-funcionários municipais que passaram tanto tempo brigando para receber que 12 deles até faleceram. Bulgareli vai pagar a dívida. O ex-prefeito desprezou qualquer negociação, mesmo com todas determinações judiciais.
rnAposentados
rnOs ex-funcionários são todos aposentados por tempo de serviço, recorreram à justiça porque tiveram redução salarial indevida. Dívida do município era de quase R$ 600 mil e cerca de R$ 280 mil já está liberado. Falta só acabar de acertar o imbróglio em termos judiciais. Uns precisam mais, outros menos, mas realidade é que todos têm direito a receber.
rnNovo horário
rnMedida administrativa simples, mas de resultados importantes para o munícipe que precisa de serviços públicos municipais vai ser adotada a partir de terça-feira, primeiro de março. As repartições públicas vão ficar abertas entre 8h e 17h, sem interrupção das 11h às 13h. Hora do almoço será aproveitado pelo trabalhador, principalmente.
rnEficiente
rnrnO poder público transformou seus órgãos de arrecadação, informatizou, agilizou a cobrança e fiscalização do contribuinte. Quando uma medida de agilidade dos serviços é adotada mostra que a máquina de atendimento igualmente está se tornando eficiente. A ampliação de horário é de importância significativa para o cidadão mais humilde.rn
José Ursíliorn