• 27 fev 2005 /  Fique Ligado

    Isso é sério

    rnrnAs coisas na Prefeitura neste início de administração podem estar meio devagar, mas para o lado bom, de cuidados, respeito e transparência. Não defendo que esteja tudo às mil maravilhas, que tudo vai ser diferente, porque ainda é muito cedo. Mas algumas medidas simples já mostram perfil e identidade do prefeito Mário Bulgareli.

    rnSó comparar

    rnrnA administração anterior criou e notabilizou uma escola de enrolação, onde o explorado munícipe foi relevado a último plano, exceto na hora de ser chamado e enganado para bater palmas. No mais, só coisas de interesse pessoal e de retorno financeiro eram resolvidas na correria e com o tradicional e notório drible da vaca e jaguané.

    rnDona Elza

    rnUma decisão do prefeito Mário Bulgareli na semana passado pôs fim a uma injustiça de quase 17 anos. Dona Elza Borghetti, de família tradicional, ficou brigando com a Prefeitura na esperança de receber indenização. Quase morreu de desgosto e não conseguiu. Mas finalmente vai receber seu dinheiro para ter tranquilidade em sua vida.

    rnFim da linha

    rnÉ certo que dona Elza ganhou o direito à indenização em todas instâncias judiciais e que não restava agora mais como enrolar. Mas só o fato de Bulgareli chamar sua assessoria jurídica e a parte contrária para sentar e tirar um consenso já vale a boa intenção. Melhor ainda ficou, pois o acordo de pagamento foi selado e até aprovado pela Câmara.

    rnSem vantagens

    rnTodo cidadão comum sabe que acordos com credores de administração pública na maioria das vezes não sai se não tiver aquela comissão, aquela bola para dois, três. Todo mundo sabe, mas corrupção não tem recibo e os mecanismos de investigação brasileiros são falhos e incompetentes, quando não mal intencionados. Mas no caso de dona Elza, tudo foi insuspeito.

    rnTransparente

    rnrnQuando pendência é resolvida envolvendo vários integrantes de duas partes é sinal claro de existência de boas intenções. Quer ver alguma suspeição, é quando as coisas são resolvidas às portas fechadas. A Prefeitura vai pagar R$ 220 mil a dona Elza, parcelados durante o ano. Melhor. Não é nenhum valor absurdo e abusivo como cálculos anteriores chegaram a indicar.

    rnTudo errado

    rnO problema todo é que nós munícipes acabamos pagando a conta da incompetência e má fé dos administradores do passado. Tudo começou errado em 1989 quando o então prefeito Domingos Alcalde desapropriou parte da fazenda de dona Elza, às margens da rodovia SP-294, em Lácio, para lá implantar distrito industrial. Sem planejar.

    rnBola fora

    rnÁrea desapropriada, projeto lançado, até hoje o local tem ocupação ínfima. Afinal, naquela época o caso de dona Elza acabou sendo mais um notabilizado e conhecido pelo desastre desmascarado de Domingos Alcalde, com a indústria da desapropriação, uma ação coordenada e deliberada para tirar vantagens pessoais usando o cargo de prefeito.

    rnJá respondeu

    rnrnDomingos Alcalde ficou 12 anos alijado da política, respondeu processos, foi condenado, cumpriu penas envolvido nos escandalosos casos Cascata e Scarpelli. Acabou se safando de tudo e até ensaiou voltar à vida pública, mas era óbvio que com seu currículo até que foi longe demais. Mas, repito, deixou prejuízos à cidade, que não terá ressarcimento.

    rnNada cumpriu

    rnSaiu Domingos Alcalde, entrou Salomão Aukar, o único político a derrotar Abelardo Camarinha numa eleição. Salomão na campanha de 92 falou do caso de dona Elza, prometeu solução, mas quatro anos depois nada fez. Para variar. À época o valor da dívida do município era absurdo e abusivo, embora isso não fosse justificativa para a enrolação.

    rnMesma coisa

    rnAí vem Camarinha, oito anos, duas administrações, com aquela enrolação peculiar. Sem vantagens no fim do túnel, era natural que tudo fosse sendo empurrado para sucessor. Não deu outra. Dona Elza passou oito anos protestando, fazendo movimento público, chamando atenção da cidade e imprensa. Nada de conseguir ser ao menos consolada. Só foi espezinhada.

    rnFoi injusto

    rnrnA desapropriação da área de Elza Borghetti e a falta de pagamento acabam, claro, sensibilizando mais o cidadão comum pelo fato da mulher ser idosa, evidenciar que aquele patrimônio que tinha seria para garantir uma terceira idade com saúde, paz e tranquilidade. Não é justo que tivesse passado pelo que passou com tanto desprezo.

    rnOutros casos

    rnrnOutros donos de áreas igualmente enfrentam problemas ainda maiores, têm valores mais significativos, como é o caso dos donos e herdeiros do prédio do antigo Hospital Marília, o atual Hospital Materno-Infantil. Essa sim é outra dívida milionária, deixada e enrolada desde a primeira administração de Abelardo Camarinha, em 1983.

    rnEra necessário

    rnNinguém nega que à época a medida correta era reabrir o hospital que era da iniciativa privada e acabou falindo. Hoje o prédio tem função social e de saúde importante para Marília e região. O problema é que o poder público e seus gestores não têm consciência. Ao invés de enrolar nesses processos que tramitam pela justiça deveriam ter gente competente negociando.

    rnBomba relógio

    rnA maior bomba de efeito retardado para os cofres públicos de Marília está na desapropriação do prédio do antigo hospital. Hoje seria uma dívida de mais ou menos 15 milhões de reais. Um absurdo o valor, mas Procuradoria Jurídica do Município precisa ter como determinação tentar medidas efetivas não para enrolar, mas para solucionar o precatório a longo prazo.

    rnOutros casos

    rnrnClaro que o administrador público, o político, não vai ficar pagando dívida de administrações anteriores e que os recursos para tanto nem existem. Mas dá para ter coerência, como ocorre agora no caso de Elza Borghetti. Outros devem seguir o mesmo caminho. É preciso dar solução para todas pendências, é obrigação do gestor público.

    rnDeve responder

    rnO relaxo, desleixo e suspeição de atos de alguns gestores acaba sendo estimulado pelo sentimento de impunidade. Afinal, os precatórios são dívidas parcialmente corretas, mas se fossem tratadas dentro do bom senso, poderiam ser melhor estruturadas. Os administradores que enrolaram nada respondem, ficam belos e folgosos, geralmente de bolsos cheios.rn

    Vão receber

    rnOutro caso de desleixo e enrolação, esse sim patrocinado deliberadamente por Camarinha, está no precatório alimentar de 80 ex-funcionários municipais que passaram tanto tempo brigando para receber que 12 deles até faleceram. Bulgareli vai pagar a dívida. O ex-prefeito desprezou qualquer negociação, mesmo com todas determinações judiciais.

    rnAposentados

    rnOs ex-funcionários são todos aposentados por tempo de serviço, recorreram à justiça porque tiveram redução salarial indevida. Dívida do município era de quase R$ 600 mil e cerca de R$ 280 mil já está liberado. Falta só acabar de acertar o imbróglio em termos judiciais. Uns precisam mais, outros menos, mas realidade é que todos têm direito a receber.

    rnNovo horário

    rnMedida administrativa simples, mas de resultados importantes para o munícipe que precisa de serviços públicos municipais vai ser adotada a partir de terça-feira, primeiro de março. As repartições públicas vão ficar abertas entre 8h e 17h, sem interrupção das 11h às 13h. Hora do almoço será aproveitado pelo trabalhador, principalmente.

    rnEficiente

    rnrnO poder público transformou seus órgãos de arrecadação, informatizou, agilizou a cobrança e fiscalização do contribuinte. Quando uma medida de agilidade dos serviços é adotada mostra que a máquina de atendimento igualmente está se tornando eficiente. A ampliação de horário é de importância significativa para o cidadão mais humilde.rn

    José Ursíliorn

  • 13 fev 2005 /  Fique Ligado

    Boa vontade

    rnrnNunca é demais repetir que o jornalismo inserido na comunidade é marca no processo da imprensa do interior. Por mais avanços e liberdades que defendamos, sempre acabamos nos rendendo aos aspectos um tanto quanto provincianos de defesa daquilo que seria coisas da nossa terra. É preciso ter boa vontade na defesa de causas de interesse coletivo mesmo que elas não sejam talvez as mais coerentes e intelectuais.

    rnVoz do povo

    rnNos rendemos às vezes às expectativas da maioria, do leitor. Mas como formadores de opinião temos que, às vezes, romper essa barreira, mesmo que isso custe críticas ao veículo de comunicação. Agora, tem-se também o quadro contrário e verdade é que o brasileiro de forma geral está muito mais cético e impaciente com tudo e todos, principalmente com aqueles que são ou tornam-se gestores públicos.

    rnUma só voz

    rnrnNas ruas, nas conversas em casa, na empresa, nos encontros maiores ou menores, realidade hoje é que ninguém quer ficar esperando mais esse ou aquele se acertar. Afinal quem pretende ser gestor público em Marília, no Estado ou na União deve ser preparado e convocar gente igualmente capaz de tomar decisões de dimensão adequada à necessidade e responsabilidade do cargo.

    rnMais fácil

    rnOs conceitos de administração pública mudaram muito. Parte para bem melhor, parte para ridiculamente pior. A dedicação às causas públicas era mais legítima, os objetivos mais éticos e dignos. Mas eram os coronéis que mandavam, se achavam donos de tudo. Hoje a fiscalização mesmo parcialmente cega e incompetente prevalece em algumas situações. Mesmo assim era mais fácil governar e ser governado.

    rnBem melhor

    rnrnPara voltarmos não mais que 30 anos em administrações públicas de Marília, verdade é que os esquemas após governo de Pedro Sola (72-76) dominaram a mínima alternância no poder. A cidade foi bem graças às tendências sócio-econômicas de desenvolvimento da indústria e serviços. A infra-estrutura registrou avanço, mas se comparado com orçamentos anuais e suspeição e roubalheira, teria tudo sido infinitamente melhor.

    rnDois líderes

    rnrnO que diferencia um pouco a história político-administrativa de Marília numa avaliação de desempenhos de gestores públicos é a liderança só exercida mesmo por Pedro Sola no passado e por Abelardo Camarinha, duas personalidades fortes e extremamente focadas no populismo. Os demais deixaram marcas inexpressivas – Theobaldo de Oliveira Lyrio, Domingos Alcalde e José Salomão Aukar -, hoje relegados ao ostracismo.

    rnTerra de cego

    rnrnNão por menos Abelardo Camarinha é o mandatário maior das articulações políticas e administrativas, muito mais pela inexpressividade e falta de vocação daqueles que pretenderam e pretendem ser políticos que propriamente por méritos do ex-prefeito. É aquela versão de que em terra de cego, caolho é rei. Palmas para ele dançar, os outros loucos são incapazes até de acertar um passo.

    rnTempo passa

    rnrnTodos os administradores tiveram seu tempo para mostrar ao que vieram, alguns gozaram até de muita complacência da comunidade, seus representantes e até dos órgãos de fiscalização e da mídia. Vai ser assim com o prefeito Mário Bulgareli, eleito que foi pelas mãos e vontade de Camarinha, mas que precisa criar identidade própria e mostrar se terá marca diferente daquela de Theobaldo, Alcalde e Salomão.

    rnO criador

    rnrnEm política essa versão de criador e criatura nunca termina como combinado. Pedro Sola criou Theobaldo, acabaram inimigos. Alcalde foi eleito pela vontade de Camarinha, ficaram notabilizados como Batmam e Robin em certo período, tamanha afinidade nas ações e atuação como oposição e hoje nutrem ódio. Essa coisa de repartir o bolo de interesses acaba, às vezes, como nos filmes de ação de roubo a banco. É um querendo matar o outro.

    rnA criatura

    rnrnNinguém pode negar que Mário Bulgareli teve méritos para conquistar vaga e ser eleito prefeito, mas tudo efetivamente porque Camarinha quis e articulou lá atrás seus planos. Bulgareli fez e está pagando a fatura ao ex-prefeito como nenhum outro faria com tanta devoção. Mas o governo precisa ter sua característica própria, desmistificardesde já essa sensação de quem manda ainda é o outro.

    rnMudar perfil

    rnNinguém espera mudança radical nos métodos até porque o grupo que geriu a cidade nos últimos oito anos é o mesmo, com poucas exceções. Só Camarinha perdeu cadeira, gabinete e chave do cofre da Viúva, o resto continua com o bolo na frente. Como o próprio Bulgareli já era da administração e está aí há pelo menos 12 anos, ninguém precisa de tanto tempo para tomar decisões e dar rumo à administração. Mesmo assim a cidade está lhe dando tempo.

    rnEm campanha

    rnTodo mundo sabe que Camarinha não pára um minuto, que dirá um dia de fazer política e ele já está em campanha de novo, agora para deputado federal. Seja só para marcar posição e principalmente para tentar a reeleição do filho Vinícius como deputado estadual. Tanto assim que continuam cacarejando até coisas que podem ser concretizadas, como é o caso da Fatec que mandaram pintar muros em todo canto da cidade e que ninguém faz nada com a propaganda política irregular.

    rnrnNos detalhes

    rnMas na terra de cego, Camarinha continua sendo o melhor e está no direito e seu papel. O que fica estranho, às vezes, são os detalhes. Foi impressionante quanto Mário Bulgareli fez questão de falar e agradecer o ex-prefeito. Ora, essa coisa de reconhecimento e gratidão tem limites e está justamente na responsabilidade de cada um. Não era necessário no carnaval tanta folia com a imagem do ex-prefeito.

    rnCoisa estranha

    rnTanto assim que até coisas estranhas aconteceram. Por exemplo, Mário Bulgareli foi ao baile municipal, ao Panelão como popularmente ficou conhecido. Chegou lá e deu de cara com aquele monte de leques com o tradicional e manjado ?Valeu Camarinha? que deve ter sobrado do ano passado. Foi aquele clima. Não tem nada de normal, pelo contrário. Já é quase grotesca essa enxurrada de viva eu, viva tudo aos quatro cantos.

    rnÔnus e bônus

    rnPassada a folia, nesse país que só começa o ano após o carnaval, a partir dessa semana o que espera-se também é o avanço na configuração do novo governo, esse quer queira ou não pertencente a Mário Bulgareli – seja para colher o bônus, mas absolutamente certo para responder pelo ônus. Nenhum outro vai ser cobrado, pois quem manda e quem tem direito e obrigação de mostrar a cara da administração é o prefeito eleito e empossado.

    rnMultas da PM

    rnO prefeito Mário Bulgareli e sua assessoria viraram, mexeram, foram daqui e dali,e acabaram mesmo restabelecendo convênio que permite ao município arrecadar com multas de trânsito aplicadas por policiais militares. Projeto já foi aprovado pela Câmara naquele estilo de última hora, sem prazos para emendas, pareceres, depois da folia de carnaval, dando a sensação que aquele jeitinho de tentar abafar tudo vai continuar.

    rnrnSem indústria

    rnNove vereadores de situação votaram a favor, enquanto os mínimos três da oposição ficaram esperneando. O problema do convênio na época abelardiana é que criou uma indústria de multas para sustentar as despesas da Emdurb e acabou gerando protestos e campanha de rejeição liderada por incontáveis motoristas como mostrou o Diário, especialmente por essa coluna nos últimos dois anos.

    rnrnFormas e formas

    rnEstranho que não haveria tanta urgência para mandar o projeto à Câmara. Desgraçadamente parece que a coisa ainda não mudou nada nesse aspecto. É preciso discutir com a sociedade as questões que lhe interessam diretamente, repito para ficar bem claro, pois assim se garante transparência e seriedade em um governo.

    rnSem pró-labore

    rnPelo menos a Câmara foi coerente. A bancada de situação votou contra o tal pagamento extra aos PMs. Já a oposição, lamentável, votou a favor. No outro projeto sobre o mesmo assunto, a administração Mário Bulgareli queria recriar o pagamento de pró-labore aos policiais militares. Repito. Lamentável essa comissão cheia de suspeitas que funcionou no passado e que ainda bem vai ser enterrada. Lamentável e se essa vergonha voltar será bom uma campanha pública contra.

    rnrnOutros métodos

    rnrnComo escrevi aqui há três semanas estava até entusiasmado com eventual novo perfil de atuação da Emdurb, do GAT, dos agentes e gestores do trânsito da cidade, mas pela forma que tudo ocorreu, o quadro ficou desolador. Se for assim quase nada vai mudar. A tal indústria da multa foi parcialmente desativada, decorrência de protestos generalizados. Ora gente, é preciso coerência.

    rnCoibir abusos

    rnNatural aplicação de multas, é lei, o infrator deve ser punido, os abusos coibidos, mas diferente da maioria de outras cidades, aqui a multa tinha virado meta para encher os cofres da Emdurb e sustentar sua estrutura inchada. É preciso investir em educação e orientação, o que havia sido prometido e que devemos fiscalizar e cobrar. Não é possível que o discurso foi bonito, mas a prática vai continuar a mesma.

    rnTem estrutura

    rnrnDá muito bem para o GAT e a Polícia Militar desenvolverem fiscalização e organização do trânsito da cidade sem a voracidade descabida da indústria da multa. Tem gente, veículos, equipamentos sobrando, mas o que se vê muito é multas. Em dias de rush e horários de pico essa estrutura precisa estar a serviço da coletividade. O prefeito Bulgareli e o diretor da Emdurb, Wilson Damaceno, precisam colocar novo conceito em prática.

    rnCoisa esquisita

    rnEssa meia semana que passa foi ruim para a nova administração. Além de começar sensação que tudo anda meio parado e ou patinando essa coisa de projeto do convênio de trânsito na última hora e às pressas foi lamentável. Para pior, contratação de serviços temporários pela Prefeitura foi feito ainda mais às escondidas para prejuízos de milhares de desempregados e outros interessados.

    rnOutra desgraça

    rnrnA Prefeitura vai contratar escriturários, motoristas e vigias pelo regime de CLT, em caráter temporário. Escolheu uma empresa de recursos humanos e na calada da noite, sorrateiramente, sem necessidade, publicou edital na sexta-feira, dia 11.Mesmo dia para se inscrever, somente no horário das 9 às 11h e das 13 às 17h. Ora, mas essa não é a transparência prometida pela nova administração. Chega dessa de decidir atrás de quatro paredes e depois bolar esquemas para ninguém ficar sabendo.

    rnDevia cancelar

    rnNo mínimo o prefeito Mário Bulgareli deveria cancelar o tal processo seletivo simplificado para as contratações e dar exemplo que desde já vai dar transparência a todos atos, até porque ninguém fez escândalo com a criação de cargos que ele precisava para acomodar sua administração. Mas a situação é outra e nada está acontecendo que exija tanta urgência. Mais agilidade deveria existir para definir cargos em comissão, da confiança e acomodação pessoal.

    rnCoincidência

    rnrnNão por extrema coincidência, o malfadado processo seletivo no escurinho é de responsabilidade do secretário de administração, Carlos Umberto Garrossino. Não que ele tenha feito de forma deliberada e a bel prazer, pelo contrário, tudo deve ter sido combinado com o prefeito Mário Bulgareli. Mas para que serve mesmo assessoria, senão para defender transparência, se é que eles podem fazê-lo.

    José Ursílio

  • 06 fev 2005 /  Fique Ligado

    rnNa mira de MP

    rnrnJurandir Afonso Ferreira, o promotor da Curadoria de Defesa da Infância e Juventude, já está trabalhando para apurar as responsabilidades de quem quer seja contra menores internos na unidade de Marília da famigerada e ultrapassada Febem. Dez mães estiveram com o promotor e garantiram que as agressões estavam sendo denunciadas há mais de 60 dias.

    rnMas já sabia

    rnO Ministério Público vai apurar tudo em inquérito, mas como essa coluna criticou domingo passado – e vai repetir hoje – tem algumas situações descabidas e irritantes além de todo prejuízo físico, psicológico e material. As mães disseram ao promotor que há dois meses a diretoria da unidade estava sendo avisada e alertada das queixas de agressões e mesmo assim os abusos descarados continuaram.

    rnSem pão-de-ló

    rnrnNinguém quer aqui defender, santificar, os menores internados naquela desvirtuada instituição. Quem está lá sob a tutela do Estado como manda a Constituição Federal e outros códigos e leis o faz por ter cometido delito, infração, crime. Mas daí a cafajestice e despreparo de alguns servidores públicos de agredir a torto e direito vai uma distancia enorme. Mais ainda se a arapuca seria modelo.

    rnVai responder

    rnAs mães disseram ao promotor Jurandir Afonso Ferreira que o diretor da unidade, Luiz Carlos Xavier, chegou a participar de reunião com elas em uma residência e foi alertado para adotar providências. Se fez alguma coisa ainda não se sabe, mas o certo é que, mesmo tendo feito, a violência persistiu. Deu no que deu. Os menores fizeram uma rebelião e acabaram com o prédio da instituição. Descabido, mas eles não podem ser os únicos culpados da rebeldia inaceitável.

    rnSó despreparo

    rnrnQualquer pessoa sabe que não é fácil cuidar de marmanjos desajustados, mas no mundo inteiro e até mesmo nesse país de tantas titicas existem pessoas e projetos sérios. Logo, o meu, o seu, o nosso dinheiro que está com o Estado que gasta para cuidar da assistência do menor não pode e não deve ser desperdiçado com tamanho despreparo. Essa maldita Febem não pode continuar com esses metidos e conceitos não só por causa do caso de Marília, mas principalmente das demais, mais antigas e maiores.

    rnEstava no esquema

    rnrnDos males todos e são muitos, além da omissão e demora para localizar e preveniro problema grave da rebelião, no dia do incidente estavam na cidade corregedores da instituição que iriam averiguar denúncias de maus tratos. Não deu tempo. A casa caiu antes para usar a própria linguagem e gíria dos adolescentes. Ora, mas lá atrás já se sabia da revolta e as medidas não vieram ou então a unidade está sem direção.

    rnLeis e regras

    rnrnPai e mãe, é natural, defendem os filhos. É cria, é instintivo e natural. Mesmo que um filho seja criminoso, nunca os pais podem abandoná-los. Cabem leis e regras e elas mandam o Estado tutelar os problemas. Os governos arrecadam dinheiro em impostos para investirem também nessa área. Aí vêm esses salafrários de plantão em toda parte e além de roubalheira deslavada, o pouco investido é de forma incorreta e descabida.rn

    rnConhecem filhos

    rnrnOs pais sabem também que não estamos falando de nenhum santinho, que os filhos devem ser rigidamente reeducados, mas não vamos entender e admitir que no centro de sistema forte para cuidar de internos possam existir agressões. Nada de pão-de-ló, ninguém pode admitir outro método senão disciplina e regras bem definidas, com hora, minutos e até segundos a serem obedecidos. Basta contratar gente especializada e adotar algum dos tantos e tantos métodos testados e aprovados.

    rnModelo falido

    rnrnO que mais revolta no caso da rebelião na unidade de Marília são aquelas carinhas deslavadas em fotos em arquivo que o jornal tem de gente dando aulas sobre a nova instituição, coisa e lousa e tudo não ter passado de discursinho barato e mentiroso, como é próprio da laia política e alguns seguidores despreparados. Modelo de falência, caso contrário nada teria acontecido.

    rnValeu, obrigado

    rnrnFico pensando naquelas placas, faixas, outdoors, anúncios impressos, cartazes que gostam de pendurar e ou publicar em todo e qualquer canto. Valeu, obrigado, parabéns, como se fossem salvadores da pátria amada e idolatrada. Cada conversinha, cada picaretagem barata só na hora do viva eu, viva tudo. Na hora das responsabilidades antigamente era culpa do mordomo, agora é de algum Zé ninguém.

    rnHora de protesto

    rnrnA sociedade, as entidades de classe, as ONGs, sei lá quem mais de direito e dever deveriam articular uma campanha do lado contrário das explorações baratas. Como e da mesma forma que existem entidades articuladas de defesa de direitos humanos, liberdades, transparência, meio ambiente, precisamos de entidades que n os protejam mais eficiente contra os políticos, no dia a dia.Assim quem sabe poderíamos ter um pouco de melhoria na conduta dessa gente toda.

    rnHomens bons

    rnNa hora de cacarejar algum feito, você fica de saco e cabeça cheios de tanta propaganda, É assim: o presidente Lula fez e aconteceu, o governador Alckmin é o engomadinho maior do mundo, o Abelardo e o Vinicius dupla Camarinha são os predestinados a ajudar o povo, o deputado Zuza é benfeitor invejável e assim por diante, só para citar alguns daqui e distantes. Mas no fundo todos são iguais, só mudam de partido de vez em quando.

    rnOutro lado

    rnrnEntão, só parta voltar à vaca magra que foi para o brejo, seria o caso de começar, em situações como a rebelião da Febem, mandar fazer placas e faixas e outros quesitos e quejandos para cobrar esse pessoal. Não é só incompetência de quem dirige e ou de parte do funcionalismo que toma conta dos internos a culpa pelo acontecido. Afinal, na foto de inauguração daquilo que seria o modelo estão todos os políticos lá, sorrindo, felizes.

    rnPagamos o pato

    rnNada de nada vai acontecer com os políticos que se transformam em gestores da coisa pública. Ah, mas isso é radicalismo. É sim. Não nego. Mas há quanto tempo esse pessoal está aí falando aos quatro cantos dia e noite e passa o tempo e quase tudo fica sempre na mesma desgraça e miséria, exceto é claro a riqueza material daqueles governantes das burras cheias das viúvas.

    rnTudo escondido

    rnEsse país é mesmo do jeitinho, nunca ninguém é punido. A impunidade começa com os grandalhões, desde a invasão do país pelos portugueses, espanhóis, holandeses, quando tomaram as terras dos índios e aqui fizeram essa raça que amídia gosta só de mostrar virtudes, mas que temos tantos problemas que não dá nem para enumerá-los. Nunca nada é apurado, desde quando se matava índios em nome da civilização que seria e estaria vindo do mundo moderno.

    rnNada aconteceu

    rnPara voltar à época mais recente e perdendo o foco da Febem mas ficando no mesmo grau de revolta contra tanta bandalheira, outro destaque é em relação ao regime de gangsters militares que governou essa república de bananas por mais de 20 anos, mandou matar, torturar, desaparecer com gente tudo ficou no esquecimento, no máximo na memória de alguns livros. Nenhum milico foi penalizado, nenhum general ou sei lá que outro sujeito da estirpe ficou um segundo numa cadeia.

    rnSem interesse

    rnTudo sempre é naquela de evitar revanchismo, passar para outro assunto, esquecer a dor e outras besteiras das elites e seus bandos de sustentação. Não existe revanchismo em punir culpados, defender direitos, liberdades, dar legitimidade às leis que não são só brasileiras mas formuladas ao longo da civilização. Não podemos admitir que tudo sempre seja encoberto. Um grão de areia no deserto como essa coluna já faz diferença, que todos façam sua parte, custe o que custar.

    rnEm tempo

    rnrnSexta-feira, 18h. Chega na redação uma ?carta? de quase três dos páginas do que seria uma resposta de funcionários da Febem para a coluna da semana passada. Direito deles. Reconheço e nada contra publicar. Mas sem nomes, sem assinaturas. E anônimo não dá. É preciso dizer e assumir o que se diz, como faz o Ministério Público, como faz essa coluna. Transparência, não só nas posturas, mas também na Febem. Vamos abrir essa Febem que é uma verdadeira caixa preta.

    José Ursílio rn