De boca fechada
rnrnO prefeito Mário Bulgareli não fala uma letra, nem reclama de absolutamente nada. Não fala nada porque essa é sua personalidade, faz estilo conciliador, sem contar que não é nada destemido e quer evitar qualquer rompimento. Tem motivos de sobra e na realidade está prefeito porque Abelardo Camarinha o escolheu. Como já repeti à exaustão, Bulgareli tem predicados que o conduziram ao apoio e à eleição, mas sem Camarinha nem candidato seria.rn
rnRastro de maldadesrn
rnNo entanto, o professor Mário Bulgareli sabe bem o que está passando nesse início de mandato para honrar todos os compromissos que assumiu, está pressionado 24 horas por dia pela Escola Abelardiana de Maus Costumes. O ex-prefeito saiu, fez seu sucessor, mas não deixou por menos e além dos mais de R$ 18 milhões em dívidas, deixou aquilo que poderia ser chamado de diversas armadilhas. Se Bulgareli pisar em falso, cai no calabouço. Cheio de cobras, escorpiões e outros bichos da fauna abelardiana.rn
rnMais números
rnrnOs números do buraco na Viúva Municipal são um alarme, até porque este ano vão passar pelos cofres mais de R$ 270 milhões, mas grande parte comprometida com custeio e área de educação. E até agora Bulgareli tem sido equilibrado, decide com opinião coletiva, chama técnicos e especialistas como da área jurídica. Bem diferente daquele balcão de negócios do segundo andar onde reinava Carlos Umberto Garrossino, desde a compra de um prego até as concorrências milionárias.rn
rnAs armadilhas
rnrnBulgareli não fala nada, mas a cada dia aparece um incêndio para apagar. Tem conseguido avançar com postura digna, de respeito às pessoas e à coisa pública. Estaria melhor se se livrasse de uma parte dos integrantes mais expressivos da escola abelardiana. Mas pelo menos vem conseguindo imunizá-los e aos poucos mostrando que as decisões devem passar pela análise técnica, com todos os interessados e a última palavra é sua, do prefeito Mário Bulgarelirn
rnTom conciliadorrn
rnBulgareli tem agido em tom conciliador, não deixa nada sem resposta mesmo que ela possa demorar um pouco. Baniu más influências, afastou gente que leva e traz, ignora pretendentes a interesses escusos e jogos de influência e checa assuntos direto na fonte. Sem contar o equilíbrio e seriedade do chefe de gabinete Nelson Virgílio Grancieri. Não provoca discórdia, disputas, desagregação, outras marcas que ficaram latentes na administração anterior quando se tratava de bastidores.rn
rnSem mentiras
rnrnNão se trata de tudo agora ser santificado e o antecessor ser graciosamente demonizado. Todos têm defeitos e virtudes. A diferença é que Camarinha ficou oito anos no poder, presunçoso acabou virando um destemido sem precedentes como se nunca fosse responder pelo ônus. Bulgareli tem agido sem ganância e voracidade, o que não acontecia. O jogo de bastidor próprio da política e do poder ficou mais técnico, acabou a era da mentira sem precedentes.rn
rnVai acertando
rnrnAlém das dívidas deixadas até certo ponto naturais de um exercício para outra embora a lei de responsabilidade fiscal seja clara ao definir proibição, a atual administração tem descoberto várias medidas que seguramente prejudicaram o tesouro e os serviços municipais. Pelo menos estão consertando os estragos deixados para trás, claro tudo sempre da medida do possível. O certo era abrir sindicância para descobrir quem prevaricou, mas seria esperar o inimaginável e isso é lastimável.rn
rnFolha engordou
rnrnA folha de pagamentos da Prefeitura engordou muito do fim do ano passado até agora. Pior. Engordou sem que o benefício tivesse sido equânime. Criou-se armadilha com a conta debitada para a atual administração. Somente em referências concedidas para inúmeras categorias e amigos do rei, a conta foi acrescida em pouco mais de R$ 1,5 milhão. No apagar das luzes, mesmo sendo aliado, Camarinha não hesitou em assinar os benefícios, que sempre negou durante seu governo.rn
rnFoi carrascorn
rnO funcionalismo público, todo mundo sabe, detesta o comportamento administrativo de pessoal do ex-prefeito. Não é para menos. Foram oito anos de pessoas vivendo à mingua, com abonos salariais em substituição à reposição de perdas. Política em cima do funcionalismo nunca faltou. No entanto, no apagar das luzes, repito, numa canetada só, vários benefícios foram concedidos, à revelia e sem respeitar o direito da maioria dos mais de 4.000 servidores municipais.rn
rnIlha da fantasia
rnrnAgora, vem à tona, por obra e graça da administração aberlardiana, outra ilha da fantasia, desta vez na área da saúde. Não tem justicativa plausível e aí a fatura pode muito bem ser igualmente debitada ao ex-secretário Ênio Sevilha Duarte e à ex-coordenadora Marilda Siriani. Até porque se ficaram com a fama e os louros da boa administração da área, também devem dividir o ônus desse que é sim um escandaloso e desproporcional privilégio de meia dúzia de médicos e enfermeiros.rn
rnSem justificativarn
rnPrimeiro que a escola abelardiana atuava não só no Executivo, mas igualmente no Legislativo, onde a situação era vaquinha de presépio que votava cegamente enquanto a oposição esperneava sem efeito prático, também por incompetência. Tanto assim que nos salários diferenciados e horas e plantões que criaram os privilegiados, passou sem que ninguém soubesse o que estava ocorrendo. Uma lástima, emburrecimento de dar pena.rn
rnApagar das luzesrn
rnA lista dos privilegiados tem como base profissionais capacitados, alguns especializados, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel Urgente) é eficiente etc e tal. Mas é descabido enfermeiro ganhar seis mil reais e médico 12 mil reais, ou então os outros deveriam ter o mesmo salário e a cidade não poderia estar com a saúde em tamanha calamidade. Não tem justificativa e ainda bem que a atual administração descobriu o escândalo e já tomou medidas para com ele acabar.rn
rnMais suspeitas
rnrnPior de tudo é que ninguém sabe como provar.É tudo muito bem feito, os órgãos como polícia e Ministério Público vão do nada a lugar algum e é bem capaz de eu ter que dizer onde tirei a informação. Mas o fato gritante é que parte das contratações ocorreram no apagar das luzes e foi moeda de troca de apoio político e partidário. Pena que isso vai ficar, como sempre, esquecido, enquanto a maioria do funcionalismo está com salário de fome e sem benefícios.rn
rnNo anonimato
rnrnPior ainda, sem contar os 20 mil, 30 mil desempregados que não tiveram a sorte de ser amigos de Camarinha ou quem quer seja que esteja com a caneta nas mãos para conseguir uma vaguinha ou mesmo um empurrãozinho. E olha que não precisa nem de salário de amigos do rei como esse de cinco ou seis mil reais por mês, poderiam ser só míseros, dois, três, quatro salários mínimos. Assim que o mundo se move, mas aos poucos a verdade vai aparecendo.rn
rnSem medicamentos
rnrnNos últimos seis meses da administração Camarinha as unidades de saúde viveram dias de maior calamidade, falta medicamentos em tudo quanto é canto. Alegação de que não existiam recursos, orçamento, aquela ladainha própria para justificar desleixo. Mas para privilegiar grupinho de profissionais, foi-se dado jeitinho. Sem contar que as filas para atendimento começam de madrugada todo dia, leva-se meses, até ano para obter-se um exame e a maioria dos servidores na saúde têm salário de fome. rn
rnSalários melhores
rnrnNinguém quer defender que os médicos ganhem apenas R$ 1.400,00, mas a maioria não pode ganhar apenas isso enquanto se admita distorções como as que estavam ocorrendo no Samu. Claro, os médicos e enfermeiros poderiam até ter ganho maior pela especialização e riscos, mas nada tão gritante, abusivo, escandaloso. Soa benefício indevido e isso toda vez que descobrirmos vamos colocar em discussão, mostrar à sociedade, buscar o fim do privilégio.rn
rnMais contrataçõesrn
rnAlém de toda essa discussão e isso mostra que os administradores anteriores ? tanto o ex-prefeito, como Ênio Duarte e Marilda Siriani ? deveriam ter constatado o privilégio e adotado providências. Se há recursos, é área especializada e de maiores riscos, que se contrate mais profissionais, sem necessidade de tantos privilégios para poucos. Sem contar que as próprias contratações e convocações devem ser mais transparentes e sob vigilância de órgãos como conselhos, associações e sindicatos.rn
rnMedidas discretas
rnrnBulgareli tem tido sim coragem de enfrentar problemas pontuais sem se comprometer com compromissos e até agora contabiliza adesões importantes para que possa fortalecer sua posição. Construir base independente é fundamental para que possa firmar identidade própria e afastar o carimbo indesejável de ser marionete de Camarinha. Medidas discretas são fundamentais e ele tem conseguido imprimir esse ritmo.rn
rnMais manobras
rnrnAs últimas horas da administração abelardiana foram pródigas em projetos, contratos, conceder benefícios aos montes, alguns que ele fez questão de enrolar quando seria responsável por cumprir. Mas naquela de deixar as bombas para o sucessor e depois quem sabe sair com aquela ladainha de minha parte fiz, acabou gerando outras tantas manobras que Mário Bulgareli tem conseguido desarmar.rn
rnNovos contratosrn
rnSomente com a Universidade de Marília dois contratos grandes (de tratamento e destinação do lixo urbano e de implantação de avenida perimetral paralela à rodovia SP-294 após o campus universitário) foram assinados sem que a Prefeitura tivesse a mínima condição de cumprir. Pelo menos nesse momento. Por sorte Bulgareli conseguiu contornar a situação e se entendeu com o reitor Márcio Mesquita Serva. Até porque o prefeito não pode resolver problemas de 50 anos em cinco meses.rn
rnGente infiltradarn
rnO que a cidade não pode ficar é à mercê não se sabe bem de que interesses e de quantos envolvidos e outros infiltrados forçando daqui e dali projetos que são necessários maior análise e discussão com todos os segmentos envolvidos. No caso da destinação do lixo então, que em quatro anos iria custar R$ 32 milhões, o quadro é ainda mais delicado. Dá muito bem para ampliar o debate e concluir projeto e contrato transparentes.rn
rnLixo tercerizadorn
rnO mais polêmico projeto das administrações municipais nos últimos anos foi a tercerização do lixo (coleta, tratamento e destinação). Polêmico pois sempre envolve fortunas dos cofres públicos e jogo bruto entre as empreiteiras e concessionárias. No caso específico de Marília a proposta ficou pela metade, mas não deixava de ser uma tercerização parcial. Portanto, nada mais salutar que verificar com maiores cuidados o que a cidade tem de problema e suas múltiplas soluções.rn
rnMais tranquilorn
rnPor tudo isso e muito mais que deve e vai aparecer aos poucos é que está certo o prefeito Mário Bulgareli quando opta por soluções consensuais, com tranquilidade, tendo proteger os cofres da Viúva que já foram tão dilapidados e mal cuidados. Está correto o prefeito quando evita intermediários, afasta interesseiros de atuação duvidosa e mostra que quando vai usar a caneta e as chaves do cofre o que manda mesmo é sua responsabilidade e consciência
rnrn
rnJosé Ursíliorn