Só teatralização
rnrnO circo brasileiro de instituições político-partidárias no Executivo e Legislativo está de novo pegando fogo. Pena que depois todos acabam salvos, apenas alguns com algumas queimaduras pouco sérias. É sempre assim na teatralização montada pelos políticos e donos dos poderes da vez. Foi assim desde sempre e não se engane vai continuar dessa forma. O luxo do lixo do lixo que é o Estado brasileiro e seus protagonistas e antagonistas.
rnDesde sempre
rnrnA fogueira está grande e não é aquela do folclore cultural brasileiro pelas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro. O caldeirão pôs para ferver os baluartes éticos (sic) comandado pela máquina petista e o governo Lula. Na outra panela em óleo quente fritam-se os tesoureiros e czares petistas. Ironia mesmo é que toda mistura vem do despreparo de um sujeito desqualificado como Roberto Jefferson, ungido como aliado pelos próprios petistas.
rnNada é maior
rnrnO Brasil desgasta seus cidadãos de forma absurda. Quem tem mínimo de consciência e formação não vê e sente gravidade apenas do momento de tantas e tantas denúncias e acusações mútuas e sempre com o mesmo mesquinho e medíocre fundamento de guerra político-partidária. A corrupção não ficou maior nem menor, é a mesma há décadas. Mas para não voltarmos muito no tempo, fiquemos só no período entre a ditadura dos milicos e o petismo-lulismo.
rnTudo encoberto
rnOs generais e seus asseclas da máquina repressora que comandaram o país entre 64-85 fizeram e desfizeram. Torturaram, prenderam, desapareceram, assassinaram, enfim aniquilaram as liberdades por anos. Gastaram bilhões de dólares em obras faraônicas como a Transamazônica e saíram ilesos. Ninguém respondeu até hoje a uma única acusação, único desaparecimento, único tapa num desses sujeitos que aliás estão mandando no país com o governo petista.
rnDe pijama
rnrnOs principais generais foram embora dessa vida, poucos estão por aí de pijama como Nilton Cruz. Nada, nenhum respondeu e nem vai responder pelas atrocidades. Todo lugar do mundo tem acerto de contas, seja na Europa, Ásia, até em Chile, Argentina, aqui os vizinhos. Mas o Brasil, não. Tudo fica e cai no esquecimento. Aqui tem futebol, praia, churrasquinho, carnaval, celular, o jeitinho, as mulatas, o Silvio Santos… Que povo feliz, não precisa acertar contas?
rnrnPaga a conta
rnNenhum milico inútil teve que responder por torturas, assassinatos, perseguições, roubalheira, corrupção. Aliás, ninguém nem ousava falar e escrever sobre a corrupção dos homens do Exército que por mais de 20 anos desgraçadamente tomaram o país de assalto. Mas as famílias dos desaparecidos e mortos do sistema e milhares de torturados e perseguidos sobreviventes botaram a mão em indenizações e pensões, algumas absurda e abusivamente milionárias.
rnSe locupletando
rnBem ao velho estilo do jeitinho e da vantagem, para acomodar as situações, ninguém responde pelos erros e na outra ponta quem foi prejudicado de alguma forma fica com seu quinhão. Por conta da patuléia desinteressada e desinformada. Todos de alguma forma se locupletam. O país comeu o pão que o Diabo amassou nas mãos dos militares. Hoje gasta milhões para vítimas do sistema. Alguns valores como R$ 2 milhões de atrasados e salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil mensais. Descarado.
rnVira a página
rnOs militares foram mandados de volta aos quartéis, não apitam mais nada. Que bom, aliás deveriam estar vigiando as fronteiras, mas essa é outra discussão e todos sabemos que aqui é a casa da mãe Joana. Mas as elites brasileiras se livraram dos militares e tomaram para si todo poder. Devolveram os militares aos quartéis ? às fronteiras, que aliás continuam a mercê de tudo e de todos, mas essa é outra discussão.
rnHora de mudar?
rnrnO Congresso teatralizava em 85 a eleição indireta para sufocar a voz que vinha das ruas pela volta das liberdades. Elegeram Tancredo Neves, que caiu doente, não assumiu, morreu e deixou presidente José Sarney e toda elite que passou mais de 20 anos dando estrutura, acobertando e sustentando o regime dos militares. Isso mesmo, a única mudança foi esconder nos quartéis os generais, para amainar a patota aqui embaixo.
rnTudo de novo
rnMas é Sarney, do Centrão, da direita conservadora e retrógrada, logo no primeiro momento já estava envolvido na manutenção do poder e seus esquemas. Os mesmos personagens, protagonistas e antagonistas da época da ditadura militares estavam lá contra ou a favor de Sarney, assim como os mesmos permanecem só mudando de posição um pouco agora junto do governo petista de Lula. Os mesmos métodos, as mesmas práticas, atos e costumes.
rnTinha mensalão
rnO mensalão do governo Sarney foi para garantir mais dois anos de governo. As mesmas denúncias, só talvez em formatos diferentes. Os mesmos históricos de autuação corrupta, a compra de votos, as caixinhas, o dinheiro sujo do caixa dois de empresas privadas com interesses em explorar os serviços públicos em concorrências e licitações viciadas. O estelionato do Plano Cruzado, a teatralização para como sempre enganar o povão.
rnSalvador da pátria
rnDe novo a turma do Sarney (que era a turma dos militares e que repete-se à exaustão, é a turma que sempre esteve e está nos poderes) tinha que ser varrida, queria o povo. Mas, as elites já tinham preparado outra alternativa, tinha construído um salvador da pátria, um caçador de marajás das Alagoas. Estava lá engomadinho, passadinho, Fernando Collor de Mello. Um arraso, parecia que finalmente o Brasil iria para frente. Que bom, que teatro.
rnSalvador da pátria?
rnO homem eleito presidente pelo voto direto depois de 30 anos de desmandos e mais desmandos defendia mudanças e mostrou ao que veio. No primeiro dia decretou o Plano Collor e sequestrou todo dinheiro da sociedade, igualou todo mundo com R$ 50 cruzeiros. Mostrou ao que veio como se realmente existisse e fosse um salvador da pátria, quase que com poderes divinos. Mas os mesmos da elite política e financeira que estavam com militares e Zé Sarney, lá estavam com Collor, hoje estão com Lula.
rnMaior marajá
rnNão tardou para que tudo fosse sendo desmascarado, o irmão Pedro Collor mostrou a podridão. Tropa de choque, compra de deputados e apoios, uso do caixa dois produzido por PC Farias. Meses de acusações, mas de nada adiantou e o Congresso foi obrigado a ouvir a voz das ruas e cassar Fernando Collor. Vem o inodoro vice Itamar Franco, com os mesmos aliados, mas acrescenta Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo de coisa alguma. Collor vive hoje gastando o produto que tirou dos cofres federais.
rnNovo estelionato
rnAs elites políticas e econômicas usam o Plano Real de Itamar como se fosse do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Que maravilha. FHC vira presidente. Mas o poder seduz, as elites e a corja (Sarney, ACM, Barbalho, Jefferson, Quércia) comanda o Congresso. FHC quer ficar mais tempo no poder e não é que vem necessidade de reeleição. Quanto vai custar o voto? R$ 200 mil, fora a farra com cargos e dinheiro das estatais.
rnSistema financeiro
rnrnFHC patrocina então além do uso indiscriminado de cargos e concorrências, a privatização de tudo que é possível. Energia, telefonia, Vale do Rio do Doce. Para deleito do sistema financeiro, com o dinheiro do próprio Tesouro (BNDES) a privatização das estatais viram o negócio de ouro. Anônimos sem expressão viram magnatas da noite para o dia e deixam o tucanato de FHC sorrindo. Da desgraça do povo. Como em todos os tempos, até hoje.
rnFalsos moralistas
rnO domínio da mídia, a força do poder econômico supera os demais interesses e instituições brasileiras. O tucanato implanta o limite do sistema capitalista, seu lado mais selvagem. O primeiro poder é o econômico, num abuso sem precedentes, depois ? mas só bem depois ? vêm os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e nessa ordem de importância. Foi assim na era FHC e o petismo-lulista o manteve, intocável. O tucano, falsos moralistas sem precedentes históricos.
rnVirou presidente
rnA plebe descrente, enganada, ludibriada, assaltada, desanimada, mas resistente, trabalha, trabalha, produz, cria, sonha, mantém esperança. A plebe que forma o povaréu, que forma os profissionais liberais, os trabalhadores, os comerciantes, os agropecuaristas, enfim a multidão, a massa de cidadãos de bem e do bem, passa por tudo e por todos. Militares, Sarney, Collor-Itamar, FHC. Vai tentar Lula, o PT.
rnEstá dando isso
rnNão é que FHC mandou que o país esquecesse o que ele escreveu e ele não fez nada de brilhante ? nem enquanto sociólogo, quem dirá como presidente. Tanto assim que o povo insistiu, votou em Lula. Mas não é que Lula nada escreveu, mas mandou todo mundo esquecer o que ele disse durante 20 anos, o que o PT pregou. Aliás, a bem da verdade, já no segundo turno as alianças mostravam que o Lula presidente e o PT governo seria outro, não aquele da oposição, até com trejeitos radicais.
rnAzedou tudo
rnrnLula com a caneta, deslumbrado, viajando. Antônio Palocci o queridinho do sistema financeiro, sem acrescentar uma mudança na cartilha neoliberal dos tucanos. Que beleza. Zé Dirceu o homem da máquina partidária petista comandando a sustentação político-partidária-congressual. Que maravilha. Esqueceram de combinar com parte das elites. Esqueceram que os métodos deveriam mudar e foram engolidos por tudo e todos.
rnEstá tudo escrito
rnrnPara desgraça de todos nós, descrença, como no tempo dos militares, de Sarney, de Collor, de FHC, agora com o Lula e seu PT, o quadro é idêntico, trágico. Nada dos costumes mudaram. O dinheiro público, dos impostos mais caros do mundo, é transformado em corrupção, extorsão. O caixa dois, as concorrências, a roubalheira é a de sempre, os escândalos não são novos, os protagonistas de hoje eram os antagonistas de ontem e vise e versa.
rnNão tem jeito
rnDiante desse quadro ainda temos que resistir, buscar alternativa. Mas vai demorar muito, o sistema brasileiro está podre, as instituições devoradas pela lama. O aparelho estatal está envolto num quadro dramático por mais otimista que possamos ser. Tanto assim que os mesmos mandam no país há décadas, tudo piorou muito nos últimos 40 anos. A voracidade insana por poder e dinheiro fáceis consome todos dirigentes.
rnSem proposta
rnO brasileiro viu e testou todo tipo de governo em 40 anos. Um pior que o outro? Não, todos iguais, com algumas vantagens e propósitos bons pontuais. Os negócios, os cargos, as empresas estatais e as concorrências são direcionadas para a roubalheira, para manter o espectro político e suas mazelas. Pior é que os cidadãos do bem e de bem cada vez mais se distanciam, omitem-se, evitam entrar para esse quadro mudar. O país está sem projetos e sem ninguém querendo fazê-los.
rnPouca esperança
rnVocê não conhece, não sabe e nem pode citar um único corrupto que esteja na cadeia, que tenha devolvido o dinheiro aos cofres públicos. Afinal, tanto as CPIs como outras instituições como Ministério Público, Polícias e similares não tem estrutura para enfrentar o poder econômico dos políticos, dos mandatários. No máximo conseguem fazer escândalos cinematográficos e suspeitos como no caso da Schincariol. Nada mais, seja em Marília, em São Paulo, nas Alagoas, em Brasília.
rnrnNo esquecimento
rnrnAs inúmeras CPIs, as ações civis públicas, os inquéritos, os processos, tudo fica de um lado para o outro, durante, 5, 10, 15 anos, sem que nenhum político seja incomodado. Eles vão e voltam, pulam de um cargo para outro, roubam tudo que é canto. E o que acontece. Nada. Só de vez em quando essa teatralização, essa repercussão na mídia, essa guerra que beneficiam uns hoje, outros amanhã. Mas eles todos continuam usando e abusando dos poderes, do poder econômico. Lastimável país.rn
José Ursíliornrn