• 31 jul 2005 /  Fique Ligado

    Diabo x cruz

    rnrnNinguém pode dizer que o prefeito Mário Bulgareli seja apenas marionete da escola abelardiana de maus costumes, até porque ele é sério, equilibrado e acima de tudo cumpre com seus compromissos. Mas que Bulgareli teme o fantasma Camarinha como o Diabo à cruz, nem criança tem dúvida. Sofrível a postura do prefeito quando fala em qualquer lugar e enfia a família Camarinha no meio de cada frase

    rnSem reação

    rnrnSete meses depois de assumir de direito o cargo de prefeito, Bulgareli já deveria sinalizar com postura mais liberta das armadilhas e pressões da escola abelardiana. Mas, pelo contrário, nos bastidores a situação é dramática. Em público, basta ver qualquer pronunciamento de Bulgareli, lá está venerando o professor de Deus. Tem que ter limite, é preciso mínimo de preservação de espaço e cabeça erguida.

    rnTodo lugar

    rnrnBulgareli tem agido com medo de ser chamado a dar explicação e, verdade seja dita, isso tem ocorrido com freqüência. Bulgareli só descansou três semanas quando Camarinha viajou ao exterior. Mas voltou dando de dedo e mandando recados. Lamentável. Pior ainda quem baixa a cabeça. Essa semana foi festival de subordinação, desde entrevista à TV Tem a reuniões e solenidade pública.

    rnVice-prefeito?

    rnrnBulgareli aliás parece a todo instante querer se justificar a Camarinha e mais lamentável ainda é que insiste a todo instante em dizer que foi vice-prefeito, seu governo é de continuidade. Foi assim de novo na entrevista da TV Tem. Está demorando muito para Bulgareli assumir que agora pelo menos de direito ele está prefeito. Nunca ninguém viu político dizer que era vice como se fosse glória maior que estar prefeito.

    rnNovo governo

    rnrnO prefeito também bate a todo instante que seu governo é de um grupo, de continuidade ao antecessor. Óbvio. A cidade inteira está cansada de saber. Mas como já escrevi e repito, agora está na hora do governo Bulgareli começar.Criar identidade própria, projetos próprios, perfil e costumes diferentes. Repito também que ainda acredito nas diferenças essenciais entre Bulgareli e Camarinha, a começar da honestidade e seriedade.

    rnContinuismo

    rnrnBulgareli obviamente integra o tal grupo de Camarinha, mas tem que afastar o continuismo. A cidade criou rede de educação, solucionou a deficiência no abastecimento de água, construiu rodoviária nova. Ótimo. Mas o ex-prefeito saiu com um rastro de acusações e processos criminais sem precedentes históricos e é notório populista e carimbador maluco de Deus e o mundo. Logo, essas aulas Bulgareli deve esquecer.

    rnPagar a fatura

    rnrnBulgareli não precisa e ainda não teria motivos para rompimento com o ex-prefeito e ninguém pode negar os méritos políticos e populares de Camarinha. Mas a fatura já foi paga, todos os amigos do ex-prefeito foram mantidos nos empregos. Sem contar os benefícios diretos e que não passam obviamente pelo mercado oficial.Mas Bulgareli deve fazer valer sua posição, pelo menos quando fala em público já que nos bastidores tá cheio de amigos zombando.

    rnRindo à toa

    rnReunião terça-feira à noite na Prefeitura só foi cômica mesmo para Camarinha, que não está nem aí com nada exceto, é claro, cuidar de seus interesses políticos e financeiros. O resto quer mais é que pegue fogo. Pior. Arma o circo, dá aula, diz ser visionário, tenta fazer lavagem cerebral e ainda tenta sair por cima. Bulgareli precisa acordar e avaliar que as armadilhas vêm daqueles que o vigiam dia e noite.

    rnCombinou tudo?

    rnrnMas outra questão que também está desprezada é a partidária. O PSDB tem a Prefeitura de Marília, mas vai perdê-la porque Camarinha e Bulgareli têm um acordo? O ex-prefeito é do PMDB. Ou então Bulgareli gostou tanto de ser vice que vai ser o único brasileiro que estando prefeito vai virar vice de novo de Abelardo? Combinaram isso com o PSDB de Marília e a Executiva Estadual? Não gente, é pretensão demais.

    rnO carcereiro

    rnrnPior que vigilância e marcação em cima de Bulgareli, continua a estrutura administrativa. O comando de tudo funciona ao bel prazer das vontades da escola abelardiana de maus costumes, salvo raríssimas exceções. Na terça-feira o ex-prefeito deu uma de carcereiro e foi sentar numa reunião que seria administrativa. Resultado: constrangimento e gente incomodada para todo canto.

    rnO papagaio

    rnrnNinguém dá tanta aula de assunto vencido como Camarinha e querendo mostrar que não haveria nenhum constrangimento, pressão ou intromissão, Bulgareli não poderia ter sido mais infeliz e ter deixado claro que pode estar mesmo apenas esquentando a cadeira e lendo fielmente a cartilha do ex-prefeito. Bulgareli lançou Camarinha como seu sucessor. Mas Bulgareli tem só sete meses de governo?

    rnCoisa esquisita

    rnMas então Bulgareli quer convencer a todos que vai sempre ficar tudo do mesmo jeito, que a população está tão satisfeita, tão feliz, que não adianta ninguém ter a mínima pretensão de mudar a Prefeitura de mãos? Camarinha ficou oito anos, pôs lá Bulgareli para ficar guardando lugar por quatro anos e sob vigilância e depois volta a ser eleito? Como na época militar, então, de repente nem precisa de eleição, poderia ser prefeito biônico, indicado, nomeado.

    rnAreia movediça

    rnO que Bulgareli vai ter que descobrir por sua própria conta, se é que ele quer, é onde está metido e então levar a sério o pântano, a areia movediça. Voltando à semana, especificamente à terça-feira. Camarinha montou um palanque no próprio segundo andar para descer o pau em Geraldo Alckmin, governador, do PSDB, partido que emprestou a legenda para Bulgareli ser eleito. Fica ruim só para Bulgareli.

    rnSem postura

    rnrnAbelardo continua explicando o inexplicável, justificando tudo com a mesma ladainha de anos e anos. Mas o certo mesmo é que, voraz como sempre, queria abocanhar benesses aos montes e o PSDB está deixando-o de escanteio. Afinal, se tem alguém que não é confiável, esse é Camarinha. Basta listar o que fez com dezenas de pessoas ao longo de sua carreira de enganar os outros em benefício próprio.

    rnSalvar a pele

    rnAbelardo levou o filho Vinícius a votar contra o candidato de Alckmin na presidência da Assembléia. Está uma guerra do tucanato paulista contra pai e filho, pela traição. Na região, o clima é pior ainda, Os prefeitos fogem do deputado estadual Vinícius, que sabem estar sem qualquer representação no governo. O pai, é natural, quer salvar a pele do filho, mas se estivesse tão preocupado com o futuro político, ensinaria outros métodos e costumes.

    rnMaior teatro

    rnEspecialista em teatralização, Camarinha deu aula para desespero de algunsouvintes que eram obrigados a ficar calados. Mistura as coisas. Criticou Alckmin, veja só, porque ele não teria vindo à cidade na campanha de Bulgareli, que não liberou servidores estaduais para comporem o governo e, por fim, que as nomeações de regionais estariam atendendo a região em detrimento de Marília ? ora, leia-se do próprio Camarinha. Tudo para desviar o foco.

    rnBico calado

    rnrnMas até 31 de dezembro, enquanto Camarinha estava prefeito de direito e não apenas de fato, ficou quietinho, de bico calado, fazia média, elogiava Alckmin. Só mesmo Bulgareli até agora não enxergou que todo artimanha e jogada do ex-prefeito mistura o fato dele não ter conseguido cargo para si e seus apaniguados em estatais do tucanato e o ciúme pela relação do próprio Bulgareli com o governador.

    rnPrimeiro troco

    rnrnO episódio da solenidade em junho na Santa Casa, quando Alckmin esteve em Marília e ignorou Vinícius Camarinha e elogiou Joseph Zuza, mostra bem que o voto contra o governador não tem perdão. Ora, então nesse caso não vale a baboseira de defender grupo, isso e aquilo? Claro que vale. Bulgareli é quem deve definir melhor sua posição. Afinal, diz que está com Alckmin, é do PSDB, mas quando o professor de Deus fala, abaixa a cabeça?

    rnLegenda de aluguel

    rnBulgareli virou tucano para aproveitar o barco do PSDB e a boa aprovação de Alckmin. Diz que não fez o partido de aluguel, tem tido boa relação com o governador, mas a postura de Camarinha tem desmantelado sua atuação. O ex-prefeito, no entanto, acha que ele é o super herói e menospreza os outros, inclusive qualquer mérito que Bulgareli possa ter. Pior, bate o pé e lá vem cabeça baixa.

    rnE o presidente?

    rnrnNa administração atual, além de Bulgareli estar tucano, o presidente do diretório municipal do PSDB na cidade, Mário César Marques, é secretário municipal do Verde e Meio Ambiente. Ouviu tudo que a escola abelardiana de maus costumes disse contra o governador e o bico ficou calado. Em tempo: na sexta-feira o PSDB acabou fazendo nota repudiando a articulação, que o Diário publica hoje.

    rnTerá candidatos

    rnrnOs tucanos da Executiva e os interlocutores tucanos do governador estão a todo custo querendo que o partido tenha candidatos a deputado estadual e federal na região de Marília, em outro flanco de disputa contra Camarinha filho que disputa reeleição e Camarinha pai que disputa vaga de deputado federal. Aliás, é assim, a salvação da cidade é eleger não um, mas agora dois Camarinhas? Talvez seja pouco?

    rnAdeus Melessaa

    rnNelson Lopes ninguém conhecia, mas o Melessa, era ímpar. Foi uma lenda do meu tempo de menino jornaleiro. Jogava muito futebol, tinha time de cidade pequena e fazenda que vinha buscá-lo em Marília, pagava cachê. Corintiano roxo. Era o artista do carnaval como mestre sala, passista, integrou todas as escolas de samba da cidade.Ganhou vários carnavais.

    rnFoi chefe dos jornaleiros no Correio de Marília de 1978 a 1984, outro daqueles funcionários xodós do patrão Anselmo. Quando comecei a sair à noite, era meu protetor, junto com o Pereira, que ainda hoje trabalha de impressor aqui no Diário. Ele era exímio na dança, dava show na década de 80 no auge da discotecas.

    rnNinguém se atrevia a mexer comigo, pois Melessa estava lá, só olhava feio e pronto. Mas Melessa gostava também de beber, o álcool prejudicou muito seu organismo, mas não sua personalidade, sua bondade, seu jeitão de bom malandro do morro.

    rnMesmo doente vivia querendo trabalhar, era esforçado. Ele passava aqui na empresa praticamente toda semana. Dava minha contribuição para ajudá-lo. O neguinho jeitoso, agora já estava meio torto pela artrite, mas mesmo assim conservava maneira especial e diferente de andar, gingado de boa praça, sempre com um rabinho no cabelo.

    rnEra uma figura ótima, folclórica. Seguramente vai para o céu e permanecer no coração das pessoas com as quais conviveu. Melessa, que Deus cuide bem de você meu amigo.

    rnJosé Ursíliornrn

  • 24 jul 2005 /  Fique Ligado

    Só politicagem

    rnrnDe Marília ao resto do Brasil não se engane: o misto de bandidagem e politicagem se estende e se ramifica nas mais diferentes instituições. Mais desgraçadamente pelos pobres poderes Executivo e Legislativo. Não sem motivo a roubalheira, desvio, improbidade, se alastram e corroem os cofres das Viúvas municipais, estaduais e federais. Enchem os bolsos e acabam sempre quase ilesos e impunes.

    rnNa bandidagem

    rnrnO cidadão-esperança, o brasileiro comum está de saco cheio e não tem para onde correr. O mar de lama da era Sarney, da era Collor, da era FHC e agora da era Lula, repete o ontem no hoje e vai ser o amanhã. Tudo igual nas eras Maluf, Quércia e companhia, assim como nas eras Theobaldo, Salomão e Camarinha. O barco é diferente, mas tripulantes e passageiros são idênticos em propósitos e atuação.

    rnMesma escola

    rnA doutrina falso-moralista tucana, a avidez amadora perniciosa do petismo ou a escola abelardiana de maus costumes não têm diferenças. Apenas uns são mais ?profissionais? que os outros na arte de praticar o crime contra o patrimônio público e desaparecer com as provas. às vezes, as provas estão evidentes mas a medíocre estrutura investigativa é vesga, venal ou incompetente. Lamentável.

    rnPouco reflexo

    rnrnOs esquemas de lavagem de dinheiro, desvios, transações financeiras entre empresas, poder público e apaniguados, que hoje colocam o PT na mira dos escândalos já desmoronaram outros governos nos mais diferentes níveis. Até que é salutar, embora de pouco resultado. O único até agora cassado e desmascarado mesmo foi Collor e um ou outro prefeitinho de plantão por aí.

    rnMuito barulho

    rnrnNo caso de Marília, por exemplo, a escola abelardiana de maus costumes além de ter inimigos espalhados por todo canto e uma folha de processos sem precedentes, se vangloria da impunidade e da incompetência, principalmente agora que a oposição foi posta de vez no lixo. Não é para menos. É a terra de cego. Terra de maioria banana e covarde. Mas mais dia ou menos dia algum acerto de contas virá.

    rnTem origem

    rnrnEm Marília os escândalos dos oitos anos passados foram abafados e hoje formam mais de 145 processos em todas as instâncias judiciais. O que seria o caixa dois e as malas pretas da escola abelardiana de maus costumes tiveram destino por enquanto pouco conhecido, embora existam origens comprovadas. Vão responder o professor de Deus e Carlos Umberto Garrossino, comandante e tesoureiro da escola.rn

    rnAs tramóias

    rnrnO país os Estados, as cidades das tramóias. Palavra de origem portuguesa, aparece no dicionário como ?maquinação secreta com o objetivo de iludir alguém ou prejudicar algo ou alguém; ardil, artifício?. Na prática pública é um acordo para envolver malandros, lobistas, mais os donos de cargos públicos e muitos milhares e milhões de reais dos cofres das Viúvas, das arrecadações coletivas.

    rnTodos parceiros

    rnrnParceria é a reunião de indivíduos para alcançar objetivo comum; companhia, sociedade. Na prática, é a tramóia que além de todos os malandros e lobbistas envolve empresas, pessoas jurídicas, que vão lucrar bastante para o dono ? geralmente um dos malandros ?e ficar com o dinheiro. As parcerias já trazem nos nomes a união do público e privado. São as PPPs, ou situações em que o Povo Paga o Pato.

    rnDinheiro sujo

    rnComo agora na trama petista, antes na era FHC ou na escola abelardiana, aquilo que resulta de um trabalho, de uma ação, é a desculpa para um malandro propor uma parceria, que permite aos lobistas fazer uma tramóia e envolver homens públicos para ganhar dinheiro de forma indevida. Quando a obra torna-se pública, seu custo sobe muito e cresce cada vez e parceria e tramóia viram uma conspiração.

    rnA conspiração

    rnrnO ato ou efeito de conspirar; conluio, maquinação, trama. Acontece quando algum volume de dinheiro atrai tanto os malandros como os lobistas da tramóia. A conspiração une várias espécies de malandros, todo tipo de lobistas, os mesmos ocupantes dos cargos públicos e o dinheiro de sempre, aquele vindo do povo, do cidadão do bem e de bem, depositado em forma de imposto e pago regiamente.

    rnAs prostitutas

    rnO homem público deveria cuidar e gerir a coisa estatal e pertencente à coletividade, mas foi transformado pela prática política na versão masculina da ?mulher pública?, a tradicional prostituta. É o elo final na tramóia, parceria ou conspiração. Tem a caneta e a chave responsáveis pelos cofres públicos onde comem lobistas e malandros. Grande parasita, mas não tem nada de moderno. Descuidado, o homem público pode virar uma rifa. Veja agora Roberto Jefferson, Zé Dirceu, Delúbio Soares…

    rnOs doutores

    rnrnTermo acadêmico para definir quem seja especialista em uma área, doutor era atributo básico de acadêmicos, que estudavam para ser especialistas, mas ficou popular para tratar médicos acabou levado também a juízes, promotores, advogados… No fim, virou também tratamento de autoridades e alguns lobistas, que aparecem também sob a versão de ?dotô? quando usado pela corja em volta dos malandros e homens públicos.

    rnAs vítimas

    rnrnCidadão do bem e de bem. Indivíduo que, como membro de um Estado, deveria usufruir de direitos civis e políticos garantidos pelo mesmo Estado e desempenha os deveres que, nesta condição, lhe são atribuídos. Direitos civis são quase todos lendas, descritos em leis quase todas desrespeitadas, que servem mesmo quando o cidadão é um malandro, lobista ou homem público. Deveres resumem-se em pagar impostos, que alimentam malandros, lobistas e homens públicos.

    rnSó teatralização

    rnrnIsso mesmo. As CPIs, investigações de promotores e procuradores, ações cinematográficas das polícias, quando não contaminadas pela teatralização idêntica ao circo político, tudo acaba em nada. Quando o processo é judicial e trata de tramóia, parceria ou conspiração, a sentença demora muuuito a aparecer. Encerra o processo e na maioria das vezes tem o efeito de um ?vale pizza?, mas apenas para os malandros, os lobbistas e ocupantes e ex-ocupantes de cargos públicos.

    rnSem condenação

    rnNesse país das maravilhas aos políticos e outros agentes públicos, desse paraíso de impunidade que é o Brasil, os Estados, as cidades, condenação de alguém é na verdade uma lenda quando se trata de processo de tramóia, parceria ou conspiração. Embora muita gente do povo e até intelectuais acreditam que ela exista, os relatos indicam raríssimas aparições de condenação e ainda mais raros cumprimentos de penas pelos malandros, lobbistas, ocupantes ou ex-ocupantes de cargos públicos.

    rnPreto pobre e puta

    rnA cadeia surgiu para definir série de elos e argolas. Quando as argolas passaram a ser usadas para prender, o termo foi estendido ao prédio usado para prender pessoas. Mas agora com nova versão, é destinada a quem não é malandro, lobbista ou político. A cadeia atrai só pobre, pretos (sempre pobres) e prostitutas (as mulheres públicas, e sempre pobres). A bandidagem de colarinho branco paga advogados de renome, forja provas e até compra ou traficaINSERT INTO `tbl_noticia` (`noticia`, `noticia_antiga`, `tipo_noticia`, `titulo`, `chamada`, `texto`, `data_cadastro`, `data_liberacao`, `foto`, `foto_credito`, `foto_legenda`, `ultimas_noticias`, `newsletter`, `pessoa`, `ativo`, `base`) VALUES (influências) sentenças.


    rnO esparramo

    rnEsparramo é a dispersão, debandada, esparramação. No dialeto da bandidagem do colarinho branco, esparramo é o que acontece quando algum rifado descobre que foi vendido, quando algum órgão de fiscalização tenta a inovação de por malandros, lobistas e homens públicos na cadeia ou quando a tramóia toda, já transformada em conspiração, acaba aparecendo na mídia. Então, o circo pega fogo como agora junto aos petistas e congressista. Há sempre a hora certa de incendiar

    rnJosé Ursíliorn

  • 17 jul 2005 /  Fique Ligado

    Sem pirotecnia

    rnTem autoridade eletiva e agente público efetivo que ao levantar de madrugada, ir à geladeira, abri-la, a luz já é tida como se fosse holofote de câmera de televisão. Sobra gente aparecida que adora falar aos cotovelos aos microfones e ver-se estampada a fuça na telinha e fotos na mídia impressa. Nesses tempos, a teatralização, o espetáculo, o show, a pirotecnia, está em moda. Faltam bom senso, equilíbrio, essência e conteúdo nas ações e reações. Quem é sério limita-se a acompanhar, a maioria infelizmente sem muito discernimento de tudo.

    rnOs falastrões

    rnOs debates, as tendências, a exposição de opiniões e idéias,as convergências e divergências, formam o conjunto para umEstado democrático e sério. Ótimo. Mas o momento político-partidário-governamental está longe de ter maioria de gente com isenção e ética para tamanho alarido em torno da corrupção e suas conseqüências. Estão sobrando falastrões,despreparados, hienas às gargalhadas, num jogo cuja essência é a disputa pelo poder e suas benesses, para servir aos interesses dos apaniguados de ontem, hoje e amanhã.

    rnrnViva direita

    rnNão morro de amores pelo PT, pelo contrário, sou mais um desiludido com o que deveria ser o governo Lula e deu no que deu. Mas o foco dado à parafernália de corrupção e suas ramificações está distorcido e protegendo a velha e velhaca direita no poder desde quando o império português invadiu essas terras de pau brasil. Como se o PT tivesse inventado o mensalão, as negociatas, como se o regime militar, Sarney, Collor, Itamar, FHC, entre outros não tivessem funcionado no esquema, em alguns casos muito piores do que os atuais.

    rnTudo farinha

    rnO maior problema do PT é sim ter se sujeitado ao mesmo esquema corrupto, de cafajestes, picaretas, ladrões de colarinho branco que formam a esmagadora maioria dos políticos brasileiros. O PT se aliou a essa gentalha para ganhar a eleição, se juntou aos porcos para governar e está atolado no mesmo lamaçal. Bem feito. Os usurpadores das ricas Viúvassão mesmo sempre ensacados nos moldes obscenos e tradicionais. Então, os petistas não podem reclamar e acaba aquela aura de dono da ética que achavam ser detentores.

    rnDois lados

    rnrnSe é salutar a discussão agora como foi nas ocasiões anteriores a denúncias, acusações, apurações e investigações, por outro lado, fica de novo patente que a mídia falha por conduzir os episódios às avessas, sem ligar o hoje com o que já se passou. Tanto assim que o picareta mor, Roberto Jefferson, desfila como mocinho, dá até autógrafos. Mas esse deveria estar preso há muito tempo e não ser deputado. Tem lado positivo, de ter exposto o mensalão, mas só o fez porque foi pego com a mão na butija, no desespero.

    rnMãos sujas

    rnO PT se aliou aos Jefersons, ACMs, Barbalhos, Sarneys, Jucás, não poderia dar em outra coisa. E nesse arco de espécimes das piores possíveis o PT não poderia ter sido tão incompetente. Aliás, se debate de lado a outro e está atônito, desnorteado como biruta em dia de vendaval e tempestade. Quem mete a mão onde tem lama, sai sujo e é isso que os petistas devem se acostumar. Vai ser difícil o partido se recuperar, vai ser mais um entre aqueles lixos de PFL, PMDB, PP, PL, PSDB. Vai ser mais um comum na politicalha brasileira.

    rnPerdeu chance

    rnLamentável ter não o PT especificamente, mas principalmente o presidente Lula, ter sido incapaz de mudar a história do sistema político brasileiro, ter mudado hábitos e costumes de governar. Lula está perdendo a chance de ter identidade e avanço, tinha uma história de vida que indicava que o poder seria usufruído com outros propósitos. Não era necessário aliar-se ao lixo para ter maioria no Congresso. Precisava ter mantido a força e prioridade dos movimentos sociais, base de sua ascensão, de sua chegada à presidência.

    rnO incompetente

    rnDe tudo que apareceu até agora o que vai dar rolo mesmo para o PT e o próprio governo atende pelo nome de Marcos Valério de Souza, o publicitário que é de incompetência sem dimensões ou é um daqueles que acha a impunidade brasileira ser mesmo sem precedentes. Fosse ele dos tempos de Stalin, na Rússia, seria fuzilado. Mas os tempos são outros, assim como os homens. O sujeito parece dono de lavanderia, não de agência publicitária. Pior, achou que conta bancária seria o mesmo que guardar dinheiro debaixo do colchão – é só pôr e tirar a qualquer hora.

    rnVaca é a mãe

    rnMarcos Valério logo que tudo começou há semanas tentava justificar coisa de mais de R$ 20 milhões em saques sem justificativas de suas empresas. Ora, seria comprador de gado para suas fazendas. O sujeito acusa de ser um dos operadores do caixa dois do mensalão da era petista logo foi desmentido. Até agora não apareceu nenhuma vaca, aliás suas fazendas na Bahia parecem que só existem no papel. Se tivesse seriedade e não politicagem, o foco das investigações seria o publicitário, mas a oposição só quer é holofote para hipocrisias.

    rnMais ligações

    rnNão há como correr dos envolvimentos entre o publicitário, suas agências, asconcorrências que ganhou, as influências sobre a cúpula e máquina financeira petista, assim como empréstimos milionários ao partido avalizado por Marcos Valério. De tudo que apareceu até agora, esse sim é o foco e o esquema que lamentavelmente foi usado para tirar dinheiro da Viúva federal e indiretamente financiar a petezada. São todos iguais, mesmos métodos e costumes. Mas muito mais incompetentes, neófitos. Lamentável.

    rnMalas pretas

    rnA turma do Zé Dirceu ferrou mesmo o PT e o manda-chuva ex-todo poderoso está de bico calado (ops, de bico, não, pois não é tucano, mas de ponta de estrela esbugalhada). Delúbio Soares, Sílvio Pereira e Marcos Valério, os homens do dinheiro petista, os donos das malas pretas, estão no centro do escândalo, embora só o publicitário tenha deixado rastro comprovado, pelo menos que tenha aparecido aos olhos da opinião pública. É show das malas que não foram vistas, mas configuradas pelas palavras da secretária Fernanda Karina Somaggio.

    rnVários milhões

    rnNos bolsos de quem está ou foram parar ninguém vai descobrir, mas que elas circularam a partir de Belo Horizonte para vários cantos do país, pode apostar. Tanto assim que em três anos as empresas do publicitário lidaram com mais de um bilhão e meio de reais. Bilhão gente. Tá bom, então contratou serviços e pagou veículos. Mas e os milhões que saíram em saques absurdos e abusivos, sem explicação de origem, destinação e finalidade? E é dinheiro para dar inveja a qualquer xeque árabe para todos os cantos.

    rnCirco armado

    rnO circo armado pela oposição liderada por PSDB e PFL é aquele mesmo que o PT armava quando esses estavam no poder federal. Tucanos e pefelistas de vidraças viraram estilingue e vice-versa como foi no passado. Essa mesma corrupção e mensalão da era lulista é idêntica àquela do mesadão de R$ 200 mil que a tucanada pagou aos deputados para que o príncipe de coisa alguma FHC tivesse a reeleição. As hienas de hoje são as raposas de ontem que querem voltar às mamatas amanhã. Podres poderes com a laia de sempre.

    rnMais dinheiro

    rnAs malas rolam à solta e tem também aquele esquisito caso de José Adalberto Vieira da Silva, preso em São Paulo com valize contendo R$ 200 mil em espécie e, que coisa, 100 mil dólares nas cuecas. Ex-assessordo deputado cearense José Nobre Guimarães,irmão de José Genuíno, Adalberto teria dito que a dinherama era resultado da venda de verduras. O homem foi detido em São Paulo e até agora não se tem muita referência de onde saiu e para onde iria tanto dinheiro. O certo é que é tudo muito suspeito.

    rnÉ engraçado

    rnAgora o que seria engraçado e cômico não fosse trágico é que cada gente flagrada com muito dinheiro vem logo as justificativas esdrúxulas. Marcos Valério disse que saques de mais de R$ 26 milhões seriam para comprar vacas. Ora o dinheiro dá para quase 50.000. Seria vaca para encher a rodovia inteira entre Marília e Bauru. Adalberto Vieira tinha R$ 470 mil e teria vendido verduras. De novo, seria leguminosas suficientes para enchera mesma rodovia. Seria melhor trocar vaca por burros ou jegues e verduras por abacaxi…

    rnReino de Deus

    rnBem, mas parece que a crise não chega e nem passa perto de ninguém que esteja na política. E também está longe daquelesque se auto-propagam representantes das divindades. É o caso também do pastor João Batista Ramos da Silva,flagrado em Brasília em jatinho com várias malas com mais de R$ 10,2 milhões. O homem é deputado federal do PFL e presidente da Igreja Universal do Reino de Deus. A dinherama milionária fruto de dízimo de fiéis do Norte e Nordeste que iriam a São Paulo, cede da igreja. Que bom o caminho dos céus!

    rnQue crise nada

    rnrnMas queria ir embora para o Brasil dessa gente com tanta facilidade de encontrar, carregar e usufruir de tantas malas, com tantos milhões. Que brasileiro não quer? Mas a realidade é que 58 milhões de cidadãos vivem com três reais por dia, dinheiro que em moedas cabe numa caixa de fósforos. Outros mais de 30 milhões vivem com um salário mixaria de R$ 300 que não dá para nada. Estão fazendo o povo perder a paciência. A pena é que somos pacatos, indolentes, demoramos para reagir. Daqui a pouco nem desobediência civil, mas o povo tem que ir às ruas, limpar todas instituições…

    José Ursílio

  • 09 jul 2005 /  Fique Ligado

    Pobre, puta e preto

    rnrnMas será que tem algum cidadão com mínimo de consciência que duvida que cadeia no Brasil só fica superlotada porque lá habitam os pobres, as putas e os pretos? Não. Basta dinheiro e pronto. Os maiores bandidos brasileiros estão à solta. Assim vão continuar. Esse é o país das distorções, das hipocrisias e dissimulações. É fingimento generalizado.rn

    rnEstá arrependidarn

    rnA estudante Suzane von Richthofen, 22, que confessou ter participado do assassinato dos pais em 2002, está arrependida do crime e com saudades da família? Suzane saiu do Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro por decisão do Superior Tribunal de Justiça e aguardará o julgamento em liberdade. Isso mesmo, réu confessa, bons advogados, está solta. Injustiça.rn

    rnPura ladainha

    rnrnMas a menina frágil e meiga que os advogados agora encontraram e o STJ mandou soltar é aquele mesmo monstro que em novembro de 2002 planejou e ajudou a executar pai e mãe. Mentiu, foi ao enterro, chorou e três dias depois acabou confessando ter sido autora ao lado do namorado e irmão dele. Três anos depois o monstro ficou debilitado. Ora, que ladainha medíocre.rn

    rnNinguém entendern

    rnNão é por menos que os cidadãos estão cada vez mais descrentes, frustrados. Não é só com a roubalheira, a corrupção, os políticos, os governantes. Todas instituições brasileiras estão no limbo do poço. O único poder brasileiro que realmente funciona é o poder econômico. Compra-se de tudo e de tudo safa-se quando há dinheiro. Como exigir do cidadão seus deveres se ninguém mais protege seus direitos?rn

    rnOutros exemplos

    rnrnComo Suzane que matou barbaramente seus pais, outros tantos crimes igualmente hediondos têm seus autores confessos soltos. Todos eles com muito dinheiro no bolso. Todos eles integrantes do Brasil dos impunes, dos poderes podres e que não funcionam. No máximo existem ilhas de excelência, uma minoria que tenta dar credibilidade às instituições, sem resultado.rn

    rnOs esquecidosrn

    rnOs mortos, aqueles que tinham uma vida pela frente, que acabaram assassinados, são enterrados. Esquecidos. No máximo têm missa anual. Os culpados dificilmente respondem pelos crimes. Claro, pagam caro se forem pobres, putas ou pretos. Nesse paraíso de impunidade que é o Brasil até bandido de outros lugares aqui vem morar – só são descobertos por investigações internacionais.rn

    rnEm liberdade

    rnrnSuzane é entre outros casos talvez o mais hediondo dos recentes. Não é só ela que foi colocada na rua para gozar os prazeres da vida, da liberdade, ter o gostinho de satisfazer seus desejos. Mesmo tendo planejado e ajudado a matar pai e mãe enquanto dormiam. Que abuso, que absurdo, não só com a sociedade, mas principalmente com a memória dos pais assassinados.rn

    rnOutros à solta

    rnrnComo Suzane, podemos citar outros acusados de homicídios que estão respondendo a processos em liberdade porque têm dinheiro e ou influência. O mais recente, o promotor Tales Ferri Schoedl que matou a sangre frio um rapaz e baleou outro no ano passado em Bertioga. Há também o jornalista Antonio Pimenta Neves que matou a ex-namorada Sandra Gomide em 2000. rn

    rnUma maravilha

    rnrnNesse país dos impunes, na cadeia mesmo só ficam aqueles idiotas, bandidos também, mas que estão de bolsos vazios. Aqueles que não têm dinheiro para pagar advogados renomados, que almoçam com desembargadores, que entram sem bater na porta, que tomam cafezinho com juizes. Enfim, fora aquele ?com licença? e ?por favor? que é a senha da mala preta funcionando.rn

    rnJuiz Lalau

    rnrnComo tudo nesse país tem preço e só depende do poder de quem está comprando e da ganância de quem está se vendendo, para ficar só em apenas dois exemplos públicos e notórios da justiça brasileira, têm-se o desembargador corrupto do trabalho, Nicolau dos Santos Neto. É o Lalau que aliás está preso, mas em sua mansão, depois de roubar mais de R$ 169 milhões.rn

    rnVendia sentençasrn

    rnOutro malandro vestido de toga e que desfilava em festas e dava sentenças como tantos e tantos ainda esparramados pelo Brasil, é o juiz corrupto federal Rocha Matos que vendia sentenças para advogados bandidos e bandidos bandidos como se sua sala fosse uma quitanda. Mas na verdade era um bordel, umprostíbulo. Retrato não de todos, mas de muitos no judiciário em todos os níveis.rn

    rnQuanto vale

    rnrnNão, não só com dinheiro que também se compra sentenças, mas principalmente com tráfico de influências, amizades, ti-ti-ti de corredores do Judiciário, empregos a familiares, festinhas particulares, sem contar aquela velha conhecida mini-saia e batom vermelho… Tudo comum, bem próprio das sociedades contemporâneas e culturalmente subdesenvolvidas.rn

    rnAutos falhos

    rnrnMas, façamos defesa do outro lado. O que não está nos autos não existe no mundo jurídico, não pode ser fundamento e base para que o julgador formule sua sentença. E os processos brasileiros começam com a ineficiência das polícias e dos outros órgãos de investigação. Está cheio de autos que o julgador não tem saída, mesmo quando as evidências mostram clamor social.rn

    rnSoltem os outros

    rnrnMas como a coluna de hoje não é para dar destaque, mas sim apontar algumasmazelas da Justiça brasileira e voltando ao caso de Suzane, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) analisa pedido de liberdade feito pela defesa dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, acusados de envolvimento na morte do casal Richthofen. Então, os irmãos também devem ser soltos?rn

    rnMesmos crimes

    rnrnOs advogados dos irmãos afirmam que eles também devem aguardar o julgamento em liberdade, pois são co-acusados, ou seja, respondem pelos mesmos crimes. Daniel e Christian Cravinhos são primários, possuem residência fixa,não se acha nada que possa indicar, concretamente, perigo à ordem pública ou econômica, risco à instrução criminal

    rnBarra de ferrorn

    rnSuzane é cúmplice da morte dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen. A estudante admitiu que abriu a porta da casa em que morava com a família, no Brooklin (São Paulo); facilitando a entrada de seu então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian, que cometeram a ação. O casal foi morto a golpes de barra de ferro. Com requintes de crueldade.rn

    rnTinha de tudorn

    rnMansão com piscina, carro novo, viagens, escola particular, uma vida que poucos jovens têm no Brasil. Isso mesmo. Nem 10% dos jovens têm o que Suzane tinha em termos materiais. Emocionalmente nada foi descoberto que desabonasse os pais. Então a mocinha tinha de tudo. Mas sua personalidade queria muito mais ao ponto de assassinar os pais. É bárbaro.rn

    rnrnQueria mais?rn

    rnIsso mesmo, a mocinha ajudou a matar papai e mamãe que lhe davam de tudo. Queria mais. Queria os seguros de vida, os imóveis, todo patrimônio, possivelmente para gastar com seu namorado. Horror. Fria. Mas ela agora pediu como diz a Deus e foi atendida para conseguir liberdade. Ora, que Deus a perdoe um dia, mas o que é necessário é ela responder pela justiça dos homens, que deveria valer com isonomia a todos.rn

    rnTem que pagar

    rnrnNão vou defender que ela não tenha mais direito algum, a ampla defesa. Mas tem que pagar pelo que fez. Ficar 15, 20 anos na cadeia, prestar serviços internos, ser tratada. Deve responder como tantos outros que cometem crime. Não só ela, mas o promotor, o jornalista… Não pode ter um centavo do dinheiro dos pais, tudo deve ficar com o irmão, Andreas, o maior prejudicado de todos.rn

    rnAs consequênciasrn

    rnMinistro do STJ, Marco Aurélio Mello, pode ser considerado um desembargador referência no Brasil pela defesa que faz do Judiciário e algumas modificações essenciais para seu funcionamento avançar. Foi a Folha de S. Paulo que publicou opinião do ministro. Na essência, acusa a sobrecarga do aparelho judiciário. Mas então, a sociedade arca com consequências?rn

    rnrnNão julgourn

    rnMarco Aurélio Mello teve toda razão quando diz que o caso de Suzane deveria ser julgado em seis meses e no entanto já se passaram quase três anos. Ora, afinal um crime como esse, em que os aspectos afloraram, era para ter sido julgado rapidamente. Mas não foi porque a legislação no caso é usada a favor da ré, justamente por ter advogados influentes e especializados.rn

    rnMais condições

    rnrn?Precisamos dotar o Judiciário de meios para exercer a atividade. Depois, é preciso um aperfeiçoamento nos códigos dos processos para se ter celeridade e economia processuais, sem prejuízo da defesa?, diz o Ministro do STF. A agilidade passa muito mais pela alteração da operação dos códigos do que pela Constituição. Têm toda razão, mas esse quadro está longe de ser conquistado.rn

    rnDinheiro manda

    rnrnA população acredita que o dinheiro influencia nas decisões e isso é fato. Marco Aurélio Mello reconhece esse sentimento e diz que a leitura é péssima.. Lembra que a Constituição prevê que o Estado tem a obrigação de assistir os que não têm condições.Mas a realidade é pior. A assistência oferecida pelo Estado é precária. Ela é ineficiente, hipócrita, pobre do cidadão que dela precisa.rn

    rnDefensoria públicarn

    rnAinda inexiste estrutura de Defensoria Pública e a assistência é prestada por um segmento da Procuradoria do Estado e por advogados free-lancers. Com arndefensoria, se prestaria uma defesa isonômica, pouco importando a posse do acusado. O Estado precisa rever seu papel, tem de se dedicar aos serviços que são públicos.Toda razão ao Ministro, mas está longe o dia de chegar essa maravilha

    rn

    José Ursíliorn

  • 03 jul 2005 /  Fique Ligado

    Interior pacato

    rnrnPor ser uma cidade nova geográfica e demográfica Marília tem sim inúmeras vantagens e ainda preserva aquele perfil romântico-literário do interior pacato. A partir daí tudo descamba para os velhos e conhecidos problemas de má gestão pública somente escondida graças à parte da propaganda enganosa e nociva patrocinada pelos que administraram pelos últimos 30 anos.

    rnO outro lado

    rnO crescimento geográfico e demográfico das cidades é comemorado pela maioria desinformada dos agentes públicos e boa parte dos privados. Parece que quanto mais gente, mais progresso; mais prédios, mais renda; mais negócios, mais oportunidades. Não é bem assim. Tudo tem outro lado, dos problemas, das mazelas, das deficiências, da deterioração da qualidade de vida.

    rnArte de mentir

    rnA propaganda enganosa tão comum e arraigada nos maiores dissimulados do mundo ? os políticos ? sugere que as cidades bem desenvolvidas são aquelas que crescem com prédios, comércio, indústria, coisas dessa natureza. Até defendem mais escolas e postos de atendimento básico à saúde. Mas qualidade de vida vai muito mais além, incontáveis são outras necessidades.

    rnSem planejar

    rnMarília aos 76 anos de emancipação político-administrativa. Está com seu solo explorado há mais de 80 anos quando aqui chegaram os velhos coronéis para explorar terras produtivas, dizimar índios e invadir terras públicas. De lá para cá como na maioria dos municípios brasileiros, a ocupação do solo e instalações público e privadas seguem interesses de grupos econômicos.

    rnPoucos avanços

    rnrnA produção a partir de 1990 da nova lei orgânica do municípios e suas leis complementares até tentaram fazer algumas intervenções mais equilibradas no uso e ocupação do solo. Mas até hoje pouco ou quase nada foi avançado, o que deixou a cidade relegada aos objetivos de especuladores e exploradores do mercado imobiliário. Pouco respeito aos interesses coletivos.

    rnFalta legislação

    rnrnO principal documento que teoricamente deveria disciplinar, planejar e fiscalizar todos os parâmetros de uso e ocupação do solo urbano seria o planto diretor que as administrações ignoraram. As intervenções foram pontuais e isoladas. Logo, todo mundo deita e rola segundo seus interesses e com pouquíssima iniciativa do poder público. Falta vontade política, investimentos na área.

    rnAinda pior

    rnrnA bem da verdade a situação em Marília como na maioria das cidades brasileiras só não é pior única e exclusivamente por obra e interesse de curadorias específicas do Ministério Público Estadual. Ocupação do solo, meio ambiente e direitos à qualidade de vida são defesas que os promotores têm feito com resultados positivos. Nessa área a cidade está bem representada e com seriedade.

    rnSem sustentação

    rnrnO Ministério Público tem exigido de tudo de loteadores, investidores, mercado imobiliário, assim como na utilização e manutenção do meio ambiente. Tudo com sustentação no que já existe de proteção legal fixado em âmbito federal e estadual. Mas falta melhorar a legislação municipal, adequar questões importantes de interesses coletivos a vocações e necessidades meramente locais.

    rnSó politicalha

    rnO discursinho dos políticos que gerenciaram a cidade nas últimas quase três décadas sugere que vivemos numa das melhores cidades brasileiras. Pura ladainha. Foram seis anos de Theobaldo Lyrio (76-82); seis de Abelardo Camarinha (83-88); quatro de Domingos Alcalde (89-92); quatro de Salomão Aukar (93-96) e mais oito de Camarinha (96-2000 E 2001-2004). Não produziram legislação decente.

    rnNada radical

    rnAh, mas esse fez isso, o outro aquilo, fulano e sicrano avançou. Sim cara-pálida, mas basta andar pela cidade e verificar que a cidade é sim bonitinha, está com as ruas pintadinhas, não é um exagero de lixo e sujeira. E só, gente. Vá verificar a poluição visual, os prédios invadindo calçadas, os riachos e rios poluídos, os loteamentos sem infra-estrutura, a ocupação e uso do solo inadequados.

    rnFalta autoridade

    rnQuando faltam vontade e legislação, sobra espaço para especuladores, aproveitadores de plantão. A falta de legislação ou a legislação mau feita abre caminho para que haja selvageria que traz prejuízos ao presente e deixará sequelas sem precedentes para nossos filhos, netos e bisnetos. Bem próprio de uma cultura capitalista e imediatista, que ignora como o ser humano vai sobreviver no futuro.

    rnCasos escabrosos

    rnOs gestores públicos foram tão incompetentes e tiveram lances de covardia até em situações simples. Ou melhor, apontando como sempre para a suspeição, não resolveram problemas grandes e graves justamente para que pudessem ter margem de negociação com a iniciativa privada. Para esmiuçar: se não há legislação, aprova-se tudo desde que haja a tradicional vantagem ilícita, a comi$$ão.

    rnPressão indevida

    rnrnSe o poder público tem homens sem vontade e que atuam sob suspeição, do outro lado a sociedade civil, os homens do bem e de bem, são omissos, por vezes individualistas e imediatistas. Ninguém quer abrir mão de seu comodismo. Logo, trata-se de uma luta inglória quando há necessidade de bom senso para garantir futuro e qualidade de vida melhores às futuras gerações.

    rnFalta bom senso

    rnrnSão inúmeros os casos de abusos de segmentos sociais. Há três anos, quatro motoristas de táxi impediam que fosse tirado ponto da rua Dom Pedro entre rua Quatro de Abril as avenida Sampaio Vidal. Alegavam que poderia ter prejuízos e o ponto emperrava o fluxo do trânsito. Basta verificar o quanto o trânsito melhorou naquele quarteirão. A teimosia dos taxistas foi uma lástima durante meses de discussão.

    rnVicente Ferreira

    rnCálculos e levantamentos técnicos já indicaram que a rua Vicente Ferreira de trânsito intenso, precisa de uma reformulação, além daquela exagerada e desproporcional colocação de rotatórias. Muito bem. Mas há anos comerciantes impedem a implantação de mão única. Ora, o interesse deve ser coletivo, intervencionismo técnico e não para servir apenas uma classe.

    rnCalçadas invadidas

    rnrnOutra irregularidade gritante e que continua até hoje acontecendo é em relação aos prédios comerciais e residenciais no centro da cidade. As ruas e calçadas de Marília são estreitas e para piorar vão lá os empreendedores, os arquitetos, os gênios da engenharia e projetam prédios com sacadas e até lajes com mais de metro invadindo as calçadas. Ora, será que a baderna vai continuar?

    rnBasta andar

    rnrnVocê leitor, atento, responsável, ao sair hoje ou amanhã de casa, passe na rua São Luiz, na Dom Pedro, na Rio Branco, na Prudente de Moraes, na Paes Leme, verifique o quanto de aberração se produziu até hoje sem que ninguém fizesse uma intervenção. Cadê os prefeitos, cadê os arquitetos, cadê os engenheiros, cadê as secretarias municipais? Fingiram que nada viam ou levam vantagem?

    rnNovo modismo

    rnAgora a cidade está na fase dos loteamentos fechados, condomínios médios e de luxo, prometendo verdadeiro paraíso aqui mesmo na terra e melhor ainda localizado em Marília. É essa cidade é mesmo privilegiada, parece fadada ao sucesso, ao destino de felicidade, mas tudo parece mesmo é falta de bom senso. Basta verificar a legislação, o quanto ela foi se moldando aos interesses de cada grupo.

    rnAvança nos vales

    rnNão é só esgoto e lixo que invadem há sete décadas os vales e riachos de Marília, como Pombo, Palmital, Barbosa, Cascata, entre tantos outros. Agora são alguns loteamentos que na tentativa de venderem qualidade de vida, acabam explorando indevidamente o pouco ou quase nada do que sobra de áreas de preservação. A sorte é que o Ministério Público está em cima e empreendedores estão mais responsáveis.

    rnrnTêm dificuldades

    rnMas os empreendedores sérios acabam prejudicados porque ou não têm legislação que defina o que pode não ser executado e, pior, acabam refém da boa vontade do político. Gente séria fica sendo enrolada pela burocracia, sem contar que só se consegue aprovação depois da caixinha, do pedágio, da comi$$ão. É por isso aliás que quanto mais subjetivo o assunto, melhor para a roubalheira.

    rnRuas estreitas

    rnOutro problema que é greve desde o início da cidade é em relação às ruas e avenidas. O centro da cidade é verdadeiro caos. Muitos dos problemas de trânsito e de arquitetura urbana são proveniente do quanto ridículos e mesquinhos foram as obras e construções desde a década de 30 e 40. A cidade tem ruelas que serviam bem para carroças e pé-de-bode. Hoje com 180.000 veículos é o caos.

    rnPuxando para si

    rnOutro grave deficiência da cidade e principalmente para as futuras gerações é que com a falta de legislação de longo prazo, de plano diretor, de planta genérica, Marília vai ficando a mercê dos interesses de grupos, especuladores e aventureiros de fora. Logo, cada um puxa para si na luta de classes e quem perde é o conjunto da cidade. Já está na hora de acordarmos, provocarmos discussão e debates na área.rn

    Será que vai

    rnO prefeito Mário Bulgareli até parece que está disposto a dar uma contribuição honrosa no setor e na semana determinou que haja contratação de pessoal, liberou recursos e deu prazo para que técnicos apresentem plano diretores e projetos e legislação complementares. Que entidades, profissionais, cidadãos, fiquem atentos. Vamos aproveitar essa que é luz de bom vontade numa área essencial.

    rnrnSociedade civil

    rnNão somente as entidades técnicas de arquitetos, engenheiros, construção civil, mas outras entidades e o conjunto da sociedade devem prestar mínimo de atenção para definir plano diretor. É momento de delinear ocupação planejada do solo, de preservar meio ambiente e qualidade de vida na área urbana. Não adianta omissão pois no futuro não vamos recuperar os prejuízos e perderemos direitos.


    José Ursíliornrn