• 28 ago 2005 /  Fique Ligado

    Tem desvio

    rnrnExclusivo. Dinheiro público, das contas públicas da Câmara Municipal de Marília, foi desviado. Pagamentos com cheques tiveram destinatários alterados de forma fraudulenta e até valores adulterados. O rombo nas contas pode ser o primeiro na história do Legislativo. Não existe estimativa oficial, mas projeções indicam que o desvio pode aproximar-se de R$ 200.000,00 ou chegar a R$ 500.000,00. A caixa preta das contas será devassada.

    rnO suspeito

    rnrnO único controlador das contas da Câmara de Marília é Toshitomo Egashira. É ele o suspeito das eventuais irregularidades nos procedimentos contábeis e outras fraudes em pagamentos feitos pela Câmara. Não há avaliação dos valores nem da extensão e conseqüências dos desvios. Ninguém admite a gravidade e nem mesmo a existência do problema, mas nada pode ser mais desmentido, o fato é real.

    rnMais negócios

    rnrnO volume de desvios e outros negócios esquisitos atingem empresas privadas que até há pouco tempo pertenciam ao próprio diretor geral da Câmara. Empresa de brindes e outros serviços gráficos, por exemplo, teriam servido para dar saídas indevidas de pagamentos às custas dos cofres públicos. Mas não há também extensão dos envolvimentos e como eram os procedimentos de desvios

    rnFoi afastado

    rnrnToshitomo Egashira foi afastado das funções de diretor geral da Câmara, a partir de 19 de agosto, por 30 dias, sob a justificativa de tratamento de saúde. Foi a fórmula encontrada para não crucificá-loantecipadamente, até porque até então ninguém tinha mínimo de avaliação dos problemas, embora todos os indícios estivessem bem claros sobre existência de fraudes nas contas da Câmara.

    rnTodo poderoso

    rnToshitomo Egashira é diretor geral há mais de 12 anos, com salário superior a R$ 10.000,00, mais aposentadoria pela própria Câmara de outros quase R$ 8.000,00. Seu cargo centraliza todas as decisões de pagamentos, era considerado homem de confiança e centralizador de todas as decisões sobre contratos e pagamentos. Pagamentos e contratos são assinados por Toshitomo Egashira e o presidente Herval Rosa Seabra.

    rnMedida imediata

    rnO presidente da Câmara, Herval Rosa Seabra, não quer de forma alguma admitir os problemas, mas não deixa de dizer que se eles forem confirmados, adotará as medidas saneadoras. Tanto assim que mesmo sem qualquer denúncia formalizada apesar da existência de indícios e suspeições, determinou o afastamento de Toshitomo Egashira e nomeou comissão de sindicância para apurar a contabilidade do Legislativo.

    rnTem história

    rnrnA divulgação do afastamento de Toshitomo Egashira e a nomeação da sindicância com comissão liderada por Nelson Fernandes desencadeou uma onda de especulações sem precedentes na cidade. O Diário é o veículo que revelou o problema e que vem mostrando a veracidade e desenrolar do processo. Não há mais como negar a existência e gravidade das fraudes, embora Herval Seabra e a própria comissão se neguem a falar sobre as apurações.

    rnDeu conhecimento

    rnrnHerval Seabra agiu rápido e de forma discreta justamente para evitar pré-julgamentos. Mas informou a todos os vereadores que existem problemas e suspeitas de fraudes e que a comissão de sindicância vai apurar tudo para eventuais medidas. Óbvio, as próprias medidas adotadas já demonstram claramente que a apuração já vai além de simples indícios. Restará apenas identificar até onde os estragos vão.

    rnQuanto tempo

    rnrnA sindicância está sendo chefiada por Nelson Fernandes, funcionário aposentado da Câmara, que volta a ser diretor geral e é figura respeitada e de história no Legislativo. Pelo menos nesse instante foi a alternativa de Herval Seabra. Levantar até onde existiram problemas e principalmente desde quando eles existem é tarefa complexa e demorada. Lamentável que em tempos atuais seja possível encontrar problemas dessa natureza.

    rnTudo devassado

    rnrnA sindicância na Câmara vai levantar contratos, ordem de pagamentos, emissão de cheques e outras movimentações financeiras dos últimos oito meses da atual gestão, mas seguramente terão que retroagir para o mandato anterior. Foram presidentes respectivamente por dois anos cada Herval Seabra e Walter Cavina. Não há dúvida que tudo deve ser devassa, não só pelo interesse da Câmara, mas como de todo contribuinte.

    rnVai sobrar

    rnrnNo primeiro instante as apurações devem ter caráter administrativo e o resultado seria a exoneração de Toshitomo Egashira caso ele seja realmente identificado como o único responsável pelas irregularidades. Mas se mais alguma funcionário ou assessor prevaricou ou foi co-autor também arcará com conseqüências, embora os indícios apontem só para Egashira. Aliás, os atos cometidos podem até ter reflexos para Toshi como funcionário aposentado.

    rnAssina junto

    rnrnHerval Seabra, repito, não fala, evita juízo de valores nesse instante, mas terá que ser eficiente assim que houver resultados da sindicância. Afinal, todos os cheques e contratos da Câmara são assinados pelo diretor e pelo presidente, o que significa que as irregularidades serão respondidas por Herval também e ele terá que mostrar claramente que tudo era feito sem seu conhecimento e depois que assinava tudo, ou seja, o que assinou foi adulterado.

    rnMP e polícia

    rnNão é só no âmbito administrativo. O que de irregular for descoberto terá que ser remetido para apuração de responsabilidade cível e criminal. Prejuízos aos cofres públicos devem ser ressarcidos. Responsável ou responsáveis penalizados criminalmente. Logo, apurações administrativas devem virar logo investigações criminais e cíveis pela Polícia e Ministério Público.

    rnSem abafar

    rnAs medidas de Herval Seabra nesse caso foram corretas e rápidas e para o bem de todos e preservação da coisa e do patrimônio público está tudo sendo apurado e não há clima de abafar, tão usado pelos agentes públicos. É natural que internamente a Câmara evite maiores detalhes, até porque ainda não os tem com segurança nas informações. O certo é que houve fraude e desvio de dinheiro.

    rnComplexidade

    rnNão só os documentos internos da Câmara estão servindo para a sindicância que está instalada. A comissão e a própria diretoria e presidência do Legislativo precisam confrontar os documentos internos com cópias, por exemplo, de microfilmagem de cheques. Serão conferidos valores e destinatários, mas já existem evidentes indicações de adulteração. Todos os pagamentos só passaram por Toshitomo Egashira.

    rnCofres gordos

    rnrnA Câmara de Marília como outra qualquer de cidade média é quase que uma ilha da fantasia, com cofres cheios, cabide de emprego, gastos vultosos com serviços terceirizados e salários de vereadores invejáveis. Pelos cofres da Câmara no ano passado passaram mais de R$ 9 milhões. Esse ano esse valor pôde chegar à mesma cifra, talvez um pouco menos por ter reduzido o número de vereadores de 21 para 13.

    rnGanham mais

    rnO funcionalismo da Câmara já tem vários privilégios porque uma única vez por semana, às segundas-feiras, tem jornada à noite. Qualquer trabalhador seria o mais feliz do Brasil se tivesse tal reconhecimento. Isso não é só. O diretor geral ganha mais de R$ 10.000,00. Os salários dos servidores de carreira variam entre R$ 2.500 e R$ 7000. Um valor muito, mas muito acima, de qualquer outra empresa ou parâmetro brasileiro de mercado de trabalho.

    rnOs benefícios

    rnAo longo dos anos, vereadores com interesse de fazer média com funcionários foram criando benefícios para quem tem o privilégio de ser apadrinhado. Pior, mesmo assim, o atendimento público é sempre deficiente, exceto é claro no período pré-eleitoral. Sem contar que é quase raro verificar projeto coerente e viável para a coletividade. O vereador não passa de um fazer de indicações de congratulações, pedidos de bicos de luz, de conserto de asfalto e capinação de terreno. Lastimável.rn

    Doce ilusão

    rnEmbora seja resistente e sem paciência aos 43 anos (28 anos, sete meses e 22 dias na carreira de jornaleiro a diretor de jornalismo) sou obrigado por profissão e cargos na empresa a atender qualquer cidadão, inclusive os políticos. O faço sempre com lisura, mas não me conformo com aquilo que ouço e não deixo de dar resposta, as mais transparentes possível, justamente para os políticos. Tem gente que não é só cara de bobo que tenho, mas que talvez seja inocente. Doce, muito doce ilusão.

    rnSem rendição

    rnNo ano passado, durante o período pré-eleitoral, a linha crítica do jornal nos últimos anos, aliada aos respeito a leitores e liberdades, gerou protestos, processos, até sentença descabida e derrubada no Tribunal com censura inédita. Pois bem, ficou provado que não estávamos e não estamos a serviço de ninguém, mas do mínimo de coerência que o jornalismo merece. Claro, temos compromissos, parcerias, limitações, adotamos causas, mas nunca nos curvamos ou nos vendemos.

    rnMesma ladainha

    rnRealidade é que os políticos estão alvoroçados novamente, se preparam para readequações partidárias, formam e reformam grupinhos, ensaiam candidaturas, agora para deputados estaduais e federais. Óbvio, todos querem tentar uma boquinha nessa mamata escandalosa que virou ter cargo público no Brasil. Eleito, é garantia de ficar rico, mais que ganhar na loteria pelas benesses inerentes aos cargos ou falcatruas de caixa dois e comi$$ões.

    rnLonge de nós

    rnNinguém nega que jornais, rádios e televisões tenham afinidades comerciais e até editoriais, direito inerente, assim é o direito à crítica. Mas o que os políticos e homens públicos (principalmente quando estão no poder) às vezes querem é atrelamento editorial, pressão financeira ou outros mecanismos escusos e medíocres como falsas e ou fantasiosas promessas de parcerias e cositas mais. Puro ilusionismo.

    rnDois lados

    rnRepetidas vezes somos taxados disso ou daquilo, de estarmos eventualmente a serviço deste ou daquele. Claro, ninguém nega defesa de idéias e projetos comoo fizemos no passado em épocas áureas de Pedro Sola e Abelardo Camarinha, mais recentemente. Agora mesmo tem-se dado a Mário Bulgareli o tempo necessário para que ele mostre ao que veio. Sem claro perder fiscalização e críticas pontuais.

    rnMal maior?

    rnO ex-prefeito Abelardo Camarinha tem sido alvo de mais críticas, afinal ficou oito anos no poder e além de mais de 150 processos em todas as instâncias judiciais, deixou rastro de suspeitas de falcatruas e irregularidades e implantou péssimos hábitos políticos, como atuação e entrega de funções públicas a despreparados e a formação de uma laia da pior espécie de aspones para gerir uma indústria de pressão, mentiras e blá-blá-blá.Nem por isso ele é o mal maior da cidade ou é pior ou melhor que o restante dos políticos da situação ou mesmo oposição.

    rnContas rejeitadas

    rnAgora mesmo o Tribunal de Contas do Estado acaba de rejeitar as contas da administração anterior, cheia de irregularidades e olha que não é nem um por cento do tanto que existe de coisa errada. Pior ainda é que o time da escola abelardiana de maus costumes está instalado na Prefeitura, sempre dando um jeito de apagar os rastros. Se bem que quem investiga também anda mais lento que tartaruga e um exemplo é a compra de milhões em programas de software…

    rnNaufragaram

    rnQuem perde eleição tem direito de espernear, deve procurar instâncias judiciais, enfim, a legislação protege todo e qualquer direito. Mas na realidade o que falta em Marília e, por isso, aqui cada vez mais vai se notabilizando como a terra de cego que acaba tem rei,é mínimo de bom e uma oposição menos medíocre, ignorante e retrógrada. Uns idiotas influenciados por advogados de coisa alguma, sem esperar decisão, falavam sobre cancelamento da eleição, cassação de Bulgareli. Ridículo.

    rnDeu o óbvio

    rnPessoal ligado a Joseph Zuza, Domingos Alcalde, Marcos Rezende e Alonso Carvalho, veja só, sonhava com o ovo antes de a galinha botar. Passaram vergonha, mais uma vez essa semana a coligação de Bulgareli ganhou três processos que acusavam fraudes em urnas e pediam a cassação do diploma do prefeito. Tudo foi rejeitado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A oposição incompetente comeu bronha durante a disputa. Depois que o barco naufragou, fim de festa gente.rn

    José Ursíliorn

  • 21 ago 2005 /  Fique Ligado

    rnA mágica

    rnrnA prova mais evidente da existência generalizada de caixa dois nas campanhas eleitorais está justamente na prestação de contas dos candidatos, sejam eleitos ou não. Quem tem curiosidade e acessa os documentos públicos disponíveis pela internet no site da Justiça Eleitoral fica impressionado com a desfaçatez das informações. Mágica, milagre da multiplicação, pechincha ou então tudo de mentirinha, aquela versão oficialesca apenas para enganar o sistema eleitoral.rn

    rnO milagrern

    rnÉ válido aproveitar o factual das discussões em torno da crise política que envolve os manda-chuva do PT e o governo Lula para repetir que não é de hoje que o processo eleitoral brasileiro não serve mais nem para inglês ver. Não tem milagre algum exceto o expediente do caixa dois, da lavagem de dinheiro – quase sempre escuso – e, muito pior que tudo isso junto, o interesse dos financiamentos eleitorais de quem é candidato e seus patrocinadores. É o interesse da compensação, claramente suspeita e quase sempre desvirtuada.rn

    rnEspecialistas

    rnrnSalva-se uma minoria cada vez menor, é cidadão em extinção aquele que, no poder, mantém-se limpo. O sistema e a estrutura política brasileira parecem piorara cada ano, independente de partidos à esquerda, centro ou direita ? se é que essa distinção ainda existe. Os políticos viraram especialistas, profissionais. Não como gestores públicos éticos, justos, fraternos, mas como quase gangsters. Quem tem conhecimento de como as coisas funcionam fica ainda mais decepcionado e revoltado.rn

    rnVão reformar!rn

    rnBasta uma crise aparentemente mais aguda como a atual e logo os próprios protagonistas e antagonistas de plantão surgem sempre com a mesma ladainha. É preciso reformar! Agora parece que a solução seria a reforma política. É o mesmo que prender à noite no galinheiro as raposas que durante o dia estão comendo as galinhas. Essa gente que está aí vai fazer reforma com qual interesse! É no mínimo gozação, brincar com a inteligência do cidadão de bem e do bem.rn

    rnCosméticasrn

    rnO que os políticos querem mesmo é abafar a crise entre eles a partir de adoção de medidas cosméticas. É gozação essa proposta de reduzir tempo de campanha de 90 para 60 dias, proibir showmício e boca de urna. Primeiro não se trata de limitar o tempo de debates e apresentação de propostas, mas sim a fórmula de estelionato que funciona hoje, com os políticos mentindo descarada e vergonhosamente sem compromisso mínimo com a sociedade e as coisas de Estado. rn

    rnJá não pode

    rnrnO abuso do poder econômico está enraizado na disputa eleitoral, assim como a teatralização medíocre a partir dos famigerados horários gratuitos de rádio e televisão. Esses horários deveriam sim existir para que a população, o eleitor, pudessem apresentar suas reivindicações, cobrar posturas. Não o contrário, com essa que é palhaçada e desfile de baboseiras sem fundamento. Os políticos não podem contratar boca de urna, mas todo cidadão assistiu o que aconteceu nas últimas eleições. Só as Polícias, o Ministério Público e a Justiça Eleitoral, que ainda sofrem com falta de estrutura e pressão indevida, parecem não ter sido avisados.rn

    rnEstá escritorn

    rnA bem da verdade quem lê todos os anos a legislação eleitoral, quem tem conhecimento dos fundamentos jurídicos brasileiros de um modo geral, sabe que tudo poderia ser diferente se de uma forma ampla o sistema não estivesse corrompido e ou esfacelado pela incompetência de um lado e o desaparelhamento proposital de outro. As leis são razoáveis. Só que são aplicadas para benefício de ricos e políticos, enquanto o rigor fica para preto, pobre e puta ? como ficou popularizado e evidente desde há 500 anos.rn

    rnNinguém vê

    rnrnNo Brasil essa coisa de campanha eleitoral está cada vez pior. Nas últimas três disputas a situação ficou caótica. O eleitor não tem avaliação do tamanho da falcatrua que envolve o sistema eleitoral. Se o tivesse votaria maciçamente protestando. Basta verificar o custo das campanhas eleitoras que vão para as ruas, o desperdício de material, a compra indiscriminada de votos e depois a prestação de contas é aquela gozação. Basta entrar no site da Justiça (www.tse.gov.brEleição2004Prestação). Ninguém gastou nada.rn

    rnBasta cumprirrn

    rnÉ por isso que nós jornalistas, que acompanhamos tudo e sabemos como as coisas funcionam quando temos consciência do dever fundamental de formador da opinião, somos obrigados a esmiuçar tudo. Muito embora a sociedade esteja tão apática e incrédula. Não é possível continuarmos sendo ludibriados, enganados pelo sistema. Não é possível que as leis sejam relegadas quando se trata de poderosos ou pretensos. E não me venha com essa que há evolução, o que é desmascarado só ocorre para holofotes hipócritas.rn

    rnOs mesmosrn

    rnToda a crise só foi gerada porque uma turma teve seu interesse contrariado, ia ficar sem uma parte do latifúndio. Roberto Jefferson só denunciou o PT porque foi denunciado e hoje todo mundo se esquece que ele também é investigado. Como tem o dom da oratória, da comunicação moderna, posa de falso paladino e a maioria acredita. Essa gente que está em toda essa arataca são os mesmos protagonistas de outros escândalos. Já o PT e o governo Lula seriam assim novatos, portanto tão amadores no mundo do crime e corrupção.rn

    rnSem conserto

    rnrnO país precisa de muito tempo para depurar os quadros políticos, os gestores públicos, definir com maior eficiência o que e Governo, o que é Estado e o que é partido. Governo deveria ser exercido de forma transitória e com alternância enquanto o Estado deve ser independente e operado pelo técnicos e a serviço da sociedade, da coletividade. Os partidos deveriam ser a divisão entre propostas e idéias, com gente decente. Mas, o que se tem hoje é 90% de lixo do lixo. Dejeto de mente, comportamento e ética.rn

    rnQuanto vale

    rnrnPara não ficar chato, distante e monótono o texto e ficar tratando daquilo que com muito maior competência a imprensa nacional está fazendo, vou lembrar da eleição municipal do ano passado. Longe de analisar aqui quem ganhou ou perdeu, quem estava com quem e porque, qualquer cidadão que mora no Salgado Filho ou no Marajó sabe que nunca se comprou tanto voto, nunca se gastou tanto dinheiro numa campanha na cidade. Mas alguém foi punido, penalizado, ou simplesmente multado? Não. Nem será.rn

    rnA anistiarn

    rnMas a desgraça é tamanha gente, é tão pouca vergonha essa coisa de mentirinha de lei eleitoral, que os políticos descaradamente a cada dois anos aprovam anistia para as multas. Ou seja, é aquela guerra de disputa, o jogo sujo, e mesmo o mínimo dos processos que tramitam na Justiça, com multas, acabam anistiados. É uma barbaridade, uma vergonha. Perdeu-se tempo, discussão, fingiu-se que a coisa era sério, mas depois, que tragam a pizza, estamos no Brasil. Só não tem anistia para preto, pobre e puta…rn

    rnDe braçadasrn

    rnOs espertalhões das ruas, a campanha eleitoral paralela e distante daquela oficialesca nadou de braçadas. Tanto assim que hoje são mínimas as eventuais lideranças populares e comunitárias que entram no jogo, assim como formadores de opinião, empresários, comerciantes e profissionais liberais idealistas, acabam fugindo dessa sujeira, dessa pouca vergonha. Quem é de bem e do bem não entra para não se sujar. Mas é um risco, pois os políticos profissionais ficam lá, se locupletando, mandando, sem punição.rn

    rnBasta comprarrn

    rnO sistema eleitoral nefasto e hipócrita elege quem tem muito dinheiro. Nas campanhas e centros onde há horário eleitoral gratuito de tevê, basta contratar aquelas produtoras de primeiro mundo e criar factóides que acabam enganando o povo, como as novelas e programas de auditório. Nas cidades onde não há televisão, o negócio do momento é juntar dinheiro e comprar os votos pôr R$ 20, R$30 ou R$ 50. Foi esse o valor de um voto para vereador em Marília e foram comprados milhares e milhares. rn

    rnCoisa rararn

    rn100% não presta? Não é assim. Repito. Mas quase 90% é da mesma laia e quando acaba eleito, fica inebriado pelo poder, pela benesses, pelas facilidades. Já começa da nomeação dos cargos de confiança. É tudo apadrinhamento, parentes, amigos do rei. Não existe preocupação de corresponder aos compromissos com o eleitor, de cumprir com ética e justiça mandato em defesa do interesse das causas públicas e coletivas. Uns e outros que sobram acabam imobilizados pelo sistema, rendidos pela falta de espaço.rn

    rnCom apatia

    rnrnVerdade seja dita, esse país de analfabetos funcionais está muito longe de romper o atual sistema. Nenhuma revolução acontece se o povo não sair às ruas e não precisa ser mais daquela maneira antiga de pegar em armas, guerra civil e outros mecanismos. É preciso encontrar mecanismos de protestar, boicotar, mostrar que podemos mais que os políticos e seu sistema mesmo que não tenhamos uma sociedade mais consciente. Mas para tanto é preciso que cada um faça sua parte, por mínima que seja.rn

    rnDo bem e de bem

    rnrnAs entidades de classe e outros segmentos estão igualmente contaminados, geralmente são os mesmos que acabam se perpetuando nas diretorias e presidências. Mas hoje a saída está nas ONGs (Organizações Não-Governamentais)que estão reunindo pessoas de bem e do bem com interesses coletivos e em defesa de causas nobres. Seriam os instrumentos para todos prestarem mais atenção e participação. Tudo que ficar longe do governo já é fundamental. Seria importante que houvesse então reação de cada cidadão.rn

    rnA alternativarn

    rnQuem não pode nem ouvir falar da sujeira que é o mundo político e da mesmice e uso indevido de entidades e outros bichos, que saia de cada, converse com amigos, parentes, estimule a discussão de idéias e propostas dentro de ONGs, quem sabe formando esses grupos. Assim poderíamos avançar na organização, enfrentar os políticos profissionais, marcar posições firmes e independentes, cobrar fiscalização dos agentes públicos, eficiência mínimo nos resultados. Poderíamos defender causas sociais de todos os parâmetros

    rn

    rnJosé Ursíliornrn

  • 14 ago 2005 /  Fique Ligado

    rnMuita pizza

    rnA atual crise política a expõe a velha e velhaca corrupção que corrói as instituições e homens brasileiros. Produz teatralização que serve sim para expor um pingo de realidade do que realmente acontece entre os poderes e seus agentes. Mas evidencia hipocrisia generalizada. Para quem tem inteligência e discernimento mínimos impõe maior descrédito. Acredite. Tudo vai ser varrido para debaixo do tapetão nacional e depois naquela comemoração rotineira regada a muita pizza. Foi assim no passado, será assim agora. Já querem até proteger o tal Lula, o que é uma indecência.

    rnSobra caixa dois

    rnrnO que mais irrita se não fosse tão irônico é a hipocrisia em torno da teatralização dos mentirosos corruptos, dos mentirosos corruptores, dos mentirosos denunciantes, dos mentirosos que investigam, dos mentirosos que testemunham. Enfim, dos mentirosos todos, já que todos só mentem. Para apagar um pouco dos rastros das falcatruas criaram na atualidade o reconhecimento do caixa dois que leva e lava dinheiro de empresas privadas e públicas desaguado sempre para os políticos e seus bandos de usurpadores.

    rnTodos sabem

    rnEsse negócio de legislação nesse país é pura sacanagem para inglês ver. Primeiro são os próprios safados do Congresso, das Assembléias Legislativas, das Câmaras Municipais, aliados aos Executivos, que produzem as leis, muito bem elaboradas, com sustentação, mas que não passam de letra morta ou contém o vício dos interesses comuns e individuais contra os coletivos. Todos são conhecedores de como as coisas funcionam, ou seja, a lei, ora a lei, serve para fundamentar isso ou aquilo mas sempre é usada, abusada e lambuzada por todos.

    rnÉ brincadeira

    rnrnMas vamos ficar somente nessa gozação que é a lei eleitoral. Linda, embora também contenha alguns vícios. Mas de aplicação inócua. Basta ter algum dinheiro, estar no poder e facilmente ela é manipulada e não adiantaPoder Judiciário e Ministério Público espernearem. Para ficar só no factual, os políticos agora querem aliviar o mar de lama da corrupção e correram para admitir existência de caixa dois gerado pelas campanhas eleitorais. Ora, ora, mas e a lei? Mas onde estava o Judiciário? Onde estava o MP? Cadê a polícia? Cadê aquela empáfia toda do sistema?

    rnGrande gozação

    rnrnNão pretendendo acreditar que tudo está perdido e muito menos que tudo não tem jeito. Mas para consertar o Brasil e os brasileiros vai mesmo muito, muito tempo. Já escrevi muito sobre como funcionam as campanhas políticas. Geralmente são duas. Uma real, do mundo fora dos papéis, fora das leis, acima do sistema. E aquele fajutinha, oficial, fiscalizada, só para enganar o sistema. Se tem uma fraude grande no país é campanha, qualquer campanha político-partidária. É tudo de mentirinha: uns fingem que fiscalizam, outros que são fiscalizados.

    rnSó no papel

    rnQuem sabe do funcionamento dos partidos políticos, dos esquemas dos políticos, da forma de ser feita campanha, sabe que o caixa dois é que manda. Um vereador de Marília para ser eleito gastou no mínimo R$ 150.000,00 a R$ 200.000,00. Basta conferir aqueles papelinhos que são documentos para a Justiça Eleitoral e verificar que a conta paga não passou de R$ 20 mil, R$ 30 mil. Um candidato a prefeito gasta no mínimo R$ 3 milhões. A declaração? R$ 550 mil. Um deputado gasta R$ 5 milhões. A declaração não passa de R$ 100 mil, R$ 150 mil.

    rnDinheiro sujo

    rnrnGastam-se milhões em campanhas eleitorais, de vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, senadores, presidente. Pode apostar, não tem um único, por mais ético que seja (e existe felizmente alguma gente ética na política) que não tenha recebido dinheiro sujo, de caixa dois, mesmo que seja mixaria de 500 ou 1000 reais. Mas isso não é nada. Porque gastam tanto para ter o poder de legislar e executar? Por serem homens honestos, dedicados à causa pública? Nada disso. É para se locupletarem mesmo.Que projeto coletivo eles têm exceto aqueles construídos para ludibriar a opinião pública?

    rnSó enganação

    rnrnMas o que agora está sendo patrocinado oficialescamente em torno das novas velhas velhacas denúncias de corrupção expõe bem o quanto é de mentirinha a legislação eleitoral. Descaradamente todos se esforçam em dizer que os milhões e milhões transacionados entre deputados, assessores, empresários, foi fruto de empréstimos para pagamento de dívidas de campanhas. Muito bem. Faz de conta que é meia verdade. Então todos serão cassados, perderão direitos, o abuso do poder econômico foi comprovado, passando pela fuça de todos?

    rnDá nojo

    rnA ladainha da era Sarney, da era Collor, da era FHC é a mesma da era Lula. A ladainha da era Maluf, da era Quércia, da era Fleury, é a mesma da era Alckmin. A ladainha tenta enrolar, uns mais outros menos. Mas verdade única é que o poder serve apenas para locupletar pretensões e pretensos. O que se faz no mundo político é muito diferente daquilo que ocorre na nossa vida real, na vida de quem trabalha, quem produz, quem é gente do bem e de bem. Nosso mundo tem dinheiro limpo, já o dos políticos é 90% sujo. O país é a maior lavanderia do mundo para os políticos.

    rnMilionários

    rnEntão é assim. Um sujeito trabalha o mês inteiro para ganhar R$ 400, R$ 500 ou R$ 2.000, R$ 3000 dependendo da categoria ou do nível profissional. O prestador de serviço, o comerciante, o industrial, o agricultor, para ter rendimento mínimo de seu negócio e ou patrimônio não podem cometer único erro ou deslize de mercado. Já os políticos lidam com milhões, ganham tufos, rios de dinheiro, produto de comi$$ões, mesadas, roubalheira de notas frias, concorrências só de papel. Tudo pelo caixa dois, deixando quem deveria investigar feito barata tonta, daquelas que levam chinelada e saem cambaleando.

    rnAlém dos salários

    rnrnOs políticos dos cargos públicos de caráter eletivo e osnomeados já têm salários polpudos. Sem contarmordomias de carrões, passagens aéreas, diárias em hotéis chiques, telefones celulares, tarifas postais e, em muitos casos, até divertimento com garotas de programas durante viagens. É uma festa só às custas das burras das viúvas. Mas esse negócio meio oficial é sóparte daquilo que eles ganham. O grosso mesmo vem das comi$$ões de obras e serviços contratados e há dois anos o novo esquemão de comprar imóvel e alugar para o poder público sem concorrência. Há ainda a fajutice de compras de hardware (tudo coisa oca) para depois fazer fajutice da compra de software e o que vale mesmo depois é a nota para dividir entre a gatunagem.

    rnNas vantagens

    rnrnEntão os políticos lutam e se degladiam tanto não porque têm o espírito benemérito. As empresas doam dinheiro, fazem caixa dois para ajudá-los não porque acreditam nas boas intenções dos políticos, nos seus projetos coletivos, mas porque têm a expectativa de entrarem no esquema das concorrências, das licitações, daqueles custos que todos sabem acabam aviltados para garantia de comi$$ões indevidas. É um círculo vicioso e virtuoso para a boa saúde dos bolsos dos tais agentes públicos que vivem e sobrevivem desgraçadamente da exploração da nossa paciência que está no limite.

    rnMau exemplo

    rnrnEsse negócio de caixa dois na realidade não é privilégio de políticos. Qualquer quitanda ai da esquina da sua casa ou grande empresa com sede lá na avenida Paulista da Capital tem caixa dois, uma tentativa de fugir da carga tributária ou mesmo por sonegação criminosa ou outras tantas fraudes voluntárias e propositais. Mas o mau exemplo pior acabado é dos políticos. O caixa dois não é produção de nada, exceto corrupção nua e crua, desvios do dinheiro dos nossos impostos. É o que se caracteriza como roubalheira, tamanha que o roubo de R$ 150 milhões à agência do BC em Fortaleza fica parecendo coisinha de batedor de carteira na praça.

    rnPior do Brasil

    rnrnDecididamente o pior do Brasil é o político. Infectou as instituições desde o sempre. Da velha UDN, ao PDS, PMDB, PSDB e agora o PT (que se achava acima de tudo e todos os demais partidos); os homens públicos brasileiros formam o mau exemplo acabado. Pior é que gente do bem e de bem cada dia mais fica enojada. Pior é que essa gentalha está no poder e dá rumo às nossas vidas. Por isso, governo, quem precisa de governo?

    rnO governo só atrapalha, só arrecada sem dar retorno em serviços, obras e outros bens que poderiam estar sendo gerados comnosso dinheiro.

    rnO anarquismo

    rnO anarquismo talvez fosse a melhor forma da sociedade brasileira livrar-se dessa gente. Mas de qualquer forma essa gente que transita pelos poderes há muito tinha que pelo menos estar em celas solitárias, banidos, sem direitos quaisquer. Afinal, a roubalheira dos políticos é causa principal da desgraça da sociedade, dos 45 milhões de excluídos, dos 35 milhões que vivem na miséria e passam fome, sem contar outras tantas mazelas como desemprego, violência…

    rnAdeus

    rnrnEntão fica combinado. Está desculpado, mas,Lula, agora pega a trouxinha e pode ir embora…


    José Ursíliorn

  • 07 ago 2005 /  Fique Ligado

    Caras-de-pau

    rnrnA republiqueta brasileira foi desde sempre adornada por gente da laia dos que estão hoje sob os holofotes da mídia, sejam acusados ou acusadores. Os políticos têm uma cara-de-pau que não cabe em nenhuma sociedade com mínimo de decência. O escândalo de corrupção que envolve o PT auto-rotulado como o último bastião da ética, é o mesmo que até a pouco estavam PSDB, PFL, PMDB, PTB, PL, PP e todos os outros pês. A marca da mentira é a identidade própria e mais bem acabada que um político pode produzir. Aposte nisso.

    rnSó mentiras

    rnLorotas, invencionices, logros, tapeações, falácias, armações, tramas, golpes, fraudes, simulações e dissimulações. Analise um político quando você encontrá-lo na ruas, ouvi-lo no rádio, vê-lo em foto no jornal e assisti-lo e vê-lo na televisão e logo imagine estar diante de um mentiroso. Antes de tudo, de praticar qualquer outra desonestidade, o caráter de quem entra para a política se já não é deformado, depressa, se deforma. É de impressionar a cara-de-pau dos políticos, o quanto são capazes de mentir.

    rnNada, nada…

    rnrnDesde que me conheço como gente, da época em que era analfabeto funcional até agora metido a escrever o que penso, depois de tentar entender e assimilar o que leio, sou incrédulo quanto ao sistema e agentes e homens públicos. Claro, temos fases melhores, até por razões óbvias, constituímos família, queremos acreditar que a sociedade civil um dia possa libertar-se dos maus hábitos e costumes. Quero há muito encontrar algo entusiasta que possa legislar e executar as coisas públicas com justiça e igualdade. Até agora, nada, nada, nada…

    rnTudo igual

    rnAcompanho a atual crise política que escandaliza a sociedade e não vejo um pingo de diferença no passado recente ou distante. Ah, sim. Me engano. A corrupção da época do golpe militar foi bem pior. Além de a roubalheira beneficiar pouquíssimos, a gentalha que hoje está de pijama mas usava farda entre 64 e 85 mandava assassinar, desaparecer e sumir com inocentes que ousavam usufruir do mínimo valor de liberdade de expressão e pensamento. Coisas faraônicas como a Transamazônica engoliram bilhões, em meio à falácia do milagre econômico.

    rnFardas vermelhas

    rnrnCosta e Silva, Castelo Branco, Médici, Figueiredo, Geisel, os generais de fardas verdes que acabaram encharcados não apenas com a lama da corrupção, mas com o sangue de centenas de cidadãos brasileiros, morreram impunes. Os generais, coronéis, arapongas, e outros tantos assassinos e torturadores a serviço dos golpistas de direita extrema ainda vivem por aí, impunes. No país do faz-de-conta, das mentiras, o que sobrou mesmo foram indenizações às famílias de mortos, desaparecidos e torturados, ou seja, sobrou a conta material para pagarmos.

    rnDecepções

    rnO brasileiro tem razões de sobra para a desilusão. Foi às ruas, os militares acabaram banidos da republiqueta. Mesmo pelo Congresso, sem eleições diretas, estava eleito Tancredo Neves, derrotando Paulo Maluf. O que seria oposição, o PMDB, aliou-se à extrema direita, de José Sarney. Tancredo morre, o vice Sarney vira presidente. Fica a expectativa de liberdades, garantias de direitos. A Constituição Federal de 88 com avanços que até hoje não passaram de letras mortas desgradamente descumpridas sem que ninguém e nenhuma instituição faça algo.

    rnOs escândalos

    rnOs caras-de-pau do regime militar, os milicos que sempre mentiras e construíram falácias, voltaram aos quartéis e ou colocaram pijamas. Mas a direita civil que deu sustentação, que ficou enrustida, continuou no poder, com Sarney presidente. Falácias econômicas, corrupção, usou de cargos e verbas públicas para prorrogar mandato. Distribuiu concessões de rádios e tevês. Desastre. Pobre país, pobre sociedade… Mas o povo iria votar, agora direta e democraticamente. O desastre Sarney e a repressão iriam ser sepultados. Agora haveria nova esperança aos brasileiros?

    rnSalvador?

    rnrnAs elites se mobilizaram, a direita tramou, construíram um falsário chamado Fernando Collor de Mello, o caçador de marajás das Alagoas iria virar presidente. Era tudo comemoração, a medíocre elite que só faz ver até onde chega o próprio umbigo e o fundo do bolso, estava eufórica. Bem feito, Collor assumiu roubando oficialmente todo e qualquer centavo, transformou por pelos menos alguns dias todo cidadão dono do que hoje seria R$ 50. Um susto para as elites, os endinheirados. Estava desenhado que Collor iria trair tudo e todos.

    rnMesmas caras

    rnrnNão demorou muito para que Collor e sua tropa de choque começassem a ser desmascarada, vindo a público os esquemas liderados pelo tesoureiro PC Farias. Na defesa política, os mesmos da época dos militares. Os Sarney, ACM, Renam, Barbalho, Roberto Jeferson, esses mesmos que estão aí com a fuça nos holofotes, agora em papéis de acusadores. Todos eles de bolsos e burras cheias de dinheiro, bens patrimoniais, rádios, jornais, televisões. Todos eles com uma ficha corrida de escândalos que tem entre 20, 30 e, pasme, até 40 anos.

    rnCaras-pintadas

    rnrnAs ruas de novo, a sociedade, os estudantes, um movimento nacional civil encurralou a direita carcomida, a elite medíocre e ultrapassada. Os caras-pintadas deram o tom da luta. Acabou. Collor estaria julgado e o Congresso, sempre com maioria indecente, foi obrigado a cassar aquele presidente collorido pelo marrom da roubalheira. Assume Itamar Franco, o político sonso, caidinho a uma farra, que tinha de novo aliados a elite e a direita, que começava a maquiar sua imagem, construindo partidos mais progressistas, mas com as mesmas caras do passado.

    rnTudo armado

    rnrnA elite melhorou seu desempenho, se rearticulou, construiu nova imagem enquanto o PT se caracterizava como radicais que buscavam romper com todo sistemas político, legislativo e executivo. Mas a onda para enganar a sociedade e varrer PMDB, PDS e PFL vinha travestido de PSDB, um espécie de elite mais profissional. Tanto assim que o sociólogo de coisa alguma FHC usou o Plano Real de Itamar e consolidou candidatura que lhe valeu a eleição a presidente. FHC iria mudar as estruturas sem rompimentos…Besteira.

    rnMais falácias

    rnAs elites evoluiram, FHC estava mais forte, mas com o mesmo sistema, e buscando consolidar a performance das elites e do sistema financeiro nacional e internacional. Os escândalos não foram diferentes, do uso de mesadas e mensalões, ao assalto a cofres em estatais. Tanto assim que o custo do projeto de reeleição de FHC custou entre 100 e 200 mil por alguns votos de deputados. Tudo abafado pelo tropa de choque tucano e para desespero dos petistas e restante da oposição. Mentiras, tapeações, logros, invencionices. Uma lastima.

    rnEntreguista

    rnrnPior de tudo é que a política neoliberal adotada pelos tucanos na era FHC acabou de arruinar o Brasil. Quase todos os bens patrimoniais que o país construiu ao longo dos séculos foi vendido por ninharia a grupos internacionais e ou testas-de-ferro brasileiros. As energéticas, as telefönicas, a siderúrgicas, tudo sob suspeição e denúncias que foram de novo abafadas pelo interesse do governo tucano e a elite de sua sustentação. Outro desastre, tanto assim que o povo elegeu Luiz Ignácio Lula da Silva.

    rnA esperança

    rnA elite profissional ficou decepcionada, mas uma parte dela até que poderia ser acusada de não aderir à candidatura tucano do arrogante José Serra. Lula lá, a esperança venceu o medo. Mas o Lulinha paz e amor também era bem diferente daquele dos petistas radicais. Ganhou a eleição coligado com parte daquilo que de pior sempre existiu nos últimos 40 anos de desgraça. Pior, sem maioria no Congresso, se aliou ao lixo do lixo, a gente como Renan, turma de Maluf e Quércia, turma de Roberto Jeferson e outros da mesma laia e vergonha.

    rnO desastre

    rnO petismo baseado no carisma e história de homem simples determinado de Lula foi mostrando que estava realmente modificado. Tudo iria se moldando à vontade das elites, tudo foi ficando na mesma cartilha deixada por FHC. Tudo quase igualzinho. Tanto que internamente o partido ganhou oposição, cassou gente como Luiza Helena. As denúncias de corrupção envolvendo as novas evelhas raposas foram pipocando, até que o maior artista do mundo descarado da política brasileira, Roberto Jeferson, mostrasse as entranhas mais sujas do novo mundo petista.

    rnMundo caiu

    rnEntão, deu no que está dando. E não duvide que muito pouco vai ser apurado e devidamente punido. O que vai acontecer mesmo é elites, governo e Congressos enfornarem daqui a pouco uma mega-pizza, do mesmo jeito que fizeram na época da repressão militar, das roubalheiras, ilegalidades e irregularidades das eras Sarney, Collor e FHC. Não tenha mais dúvida, a era Lula está igualzinha, só protagonistas de hoje são antagonistas de ontem e vise e versa.

    rnAs tapeações

    rnSarney falava que tudo era descabido, Collor via armações dos poderosos, FHC se sentia perseguido pelo radicalismo petista, e Lula aponta trama das elites. Todos absolutamente iguais, dissimulados. Ninguém viu e vê nada, nada, as denúncias são desqualificadas, as investigações enterradas, os culpados inocentados. As tropas de choques dos governos produzem de tudo um pouco e veja só, presidente, ministro, assessores, ninguém soube de nada, ninguém, viu nada, nada teria acontecido. Só mentem muito, inventam e dissimulam, isso sim.

    rnNinguém vê

    rnAliás não é só político que não vê nada não apenas em Brasília, mas em todos estados como São Paulo, em todas cidades como Marília. Ninguém sabe nada, tudo que a sociedade civil vê, que o cidadão do bem e de bem sofre ninguém sente. Os políticos, ora governantes, ora querendo abocanhar as burras das Viúvas, só sabem mesmo contar falácias, tapear. Os próprios políticos é que se comem entre si, não foi nenhuma instituição isenta lá apurar e desmascarar tudo, não foi a mídia, que pegou o bonde andando. Como Marília, é um país de cegos e com caolhos que viram rei….

    rnDando aula

    rnNa pantomima que vira sempre as tais CPIs dá para alguém acreditar em apuração isenta? Não. Na era FHC tudo foi abafado ao custo que todos sabiam, mas já se esqueceram. Os milhões jorraram aos baldes. Na era petista-Lulista o que tem talvez de mais gritante é o amadorismo. Nem os picaretas de plantão de Marília fariam tamanha lambança, poderiam por assim dizer que os trombadinhas daqui são tão espertos que servem de professor para os assaltantes despreparadosdos cofres federais de Brasília. É triste mas é assim….

    rnApenas ninharia

    rnA maior parte da mídia brasileira ora é míope, ora óbvio tem suas limitações por estrutura e envolvimentos, como todos os demais segmentos e instituições. Não adianta tapar o sol com a peneira. Tanto assim que a cobertura por melhorzinha que possa ser, ainda é caótica. Dá destaque só ao factual, não ligar o hoje ao passado, não descobre nada exceto dizer o que alguém está dizendo ou deixou em off. Pior tem tratado dos milhões de Marcos Valério como se fosse dinherama. É ninharia perto das escandalosas privatizações de FHC e da ação petista junto aos fundos de pensões (fique de olho, vai estourar).

    rnNós, cegos

    rnrnPor conta disso e muito mais é que a distorção no grau de instrução e entendimento da sociedade, que acaba apenas ficando incrédulo com o que aparece no dia a dia dos jornais, revistas, rádios, televisões e internet. É por essas distorções que se for feita pesquisa de opinião público um sujeito como Roberto Jeferson é herói nacional. Dá para aceitar. Não. É de dar nojo desse lixo político, dar pena da opinião pública ludibriada pela teatralização dos mentirosos e enganados também por conta da omissão e falta de estrutura da mídia. Triste.

    rnJosé Ursílio