Tem desvio
rnrnExclusivo. Dinheiro público, das contas públicas da Câmara Municipal de Marília, foi desviado. Pagamentos com cheques tiveram destinatários alterados de forma fraudulenta e até valores adulterados. O rombo nas contas pode ser o primeiro na história do Legislativo. Não existe estimativa oficial, mas projeções indicam que o desvio pode aproximar-se de R$ 200.000,00 ou chegar a R$ 500.000,00. A caixa preta das contas será devassada.
rnO suspeito
rnrnO único controlador das contas da Câmara de Marília é Toshitomo Egashira. É ele o suspeito das eventuais irregularidades nos procedimentos contábeis e outras fraudes em pagamentos feitos pela Câmara. Não há avaliação dos valores nem da extensão e conseqüências dos desvios. Ninguém admite a gravidade e nem mesmo a existência do problema, mas nada pode ser mais desmentido, o fato é real.
rnMais negócios
rnrnO volume de desvios e outros negócios esquisitos atingem empresas privadas que até há pouco tempo pertenciam ao próprio diretor geral da Câmara. Empresa de brindes e outros serviços gráficos, por exemplo, teriam servido para dar saídas indevidas de pagamentos às custas dos cofres públicos. Mas não há também extensão dos envolvimentos e como eram os procedimentos de desvios
rnFoi afastado
rnrnToshitomo Egashira foi afastado das funções de diretor geral da Câmara, a partir de 19 de agosto, por 30 dias, sob a justificativa de tratamento de saúde. Foi a fórmula encontrada para não crucificá-loantecipadamente, até porque até então ninguém tinha mínimo de avaliação dos problemas, embora todos os indícios estivessem bem claros sobre existência de fraudes nas contas da Câmara.
rnTodo poderoso
rnToshitomo Egashira é diretor geral há mais de 12 anos, com salário superior a R$ 10.000,00, mais aposentadoria pela própria Câmara de outros quase R$ 8.000,00. Seu cargo centraliza todas as decisões de pagamentos, era considerado homem de confiança e centralizador de todas as decisões sobre contratos e pagamentos. Pagamentos e contratos são assinados por Toshitomo Egashira e o presidente Herval Rosa Seabra.
rnMedida imediata
rnO presidente da Câmara, Herval Rosa Seabra, não quer de forma alguma admitir os problemas, mas não deixa de dizer que se eles forem confirmados, adotará as medidas saneadoras. Tanto assim que mesmo sem qualquer denúncia formalizada apesar da existência de indícios e suspeições, determinou o afastamento de Toshitomo Egashira e nomeou comissão de sindicância para apurar a contabilidade do Legislativo.
rnTem história
rnrnA divulgação do afastamento de Toshitomo Egashira e a nomeação da sindicância com comissão liderada por Nelson Fernandes desencadeou uma onda de especulações sem precedentes na cidade. O Diário é o veículo que revelou o problema e que vem mostrando a veracidade e desenrolar do processo. Não há mais como negar a existência e gravidade das fraudes, embora Herval Seabra e a própria comissão se neguem a falar sobre as apurações.
rnDeu conhecimento
rnrnHerval Seabra agiu rápido e de forma discreta justamente para evitar pré-julgamentos. Mas informou a todos os vereadores que existem problemas e suspeitas de fraudes e que a comissão de sindicância vai apurar tudo para eventuais medidas. Óbvio, as próprias medidas adotadas já demonstram claramente que a apuração já vai além de simples indícios. Restará apenas identificar até onde os estragos vão.
rnQuanto tempo
rnrnA sindicância está sendo chefiada por Nelson Fernandes, funcionário aposentado da Câmara, que volta a ser diretor geral e é figura respeitada e de história no Legislativo. Pelo menos nesse instante foi a alternativa de Herval Seabra. Levantar até onde existiram problemas e principalmente desde quando eles existem é tarefa complexa e demorada. Lamentável que em tempos atuais seja possível encontrar problemas dessa natureza.
rnTudo devassado
rnrnA sindicância na Câmara vai levantar contratos, ordem de pagamentos, emissão de cheques e outras movimentações financeiras dos últimos oito meses da atual gestão, mas seguramente terão que retroagir para o mandato anterior. Foram presidentes respectivamente por dois anos cada Herval Seabra e Walter Cavina. Não há dúvida que tudo deve ser devassa, não só pelo interesse da Câmara, mas como de todo contribuinte.
rnVai sobrar
rnrnNo primeiro instante as apurações devem ter caráter administrativo e o resultado seria a exoneração de Toshitomo Egashira caso ele seja realmente identificado como o único responsável pelas irregularidades. Mas se mais alguma funcionário ou assessor prevaricou ou foi co-autor também arcará com conseqüências, embora os indícios apontem só para Egashira. Aliás, os atos cometidos podem até ter reflexos para Toshi como funcionário aposentado.
rnAssina junto
rnrnHerval Seabra, repito, não fala, evita juízo de valores nesse instante, mas terá que ser eficiente assim que houver resultados da sindicância. Afinal, todos os cheques e contratos da Câmara são assinados pelo diretor e pelo presidente, o que significa que as irregularidades serão respondidas por Herval também e ele terá que mostrar claramente que tudo era feito sem seu conhecimento e depois que assinava tudo, ou seja, o que assinou foi adulterado.
rnMP e polícia
rnNão é só no âmbito administrativo. O que de irregular for descoberto terá que ser remetido para apuração de responsabilidade cível e criminal. Prejuízos aos cofres públicos devem ser ressarcidos. Responsável ou responsáveis penalizados criminalmente. Logo, apurações administrativas devem virar logo investigações criminais e cíveis pela Polícia e Ministério Público.
rnSem abafar
rnAs medidas de Herval Seabra nesse caso foram corretas e rápidas e para o bem de todos e preservação da coisa e do patrimônio público está tudo sendo apurado e não há clima de abafar, tão usado pelos agentes públicos. É natural que internamente a Câmara evite maiores detalhes, até porque ainda não os tem com segurança nas informações. O certo é que houve fraude e desvio de dinheiro.
rnComplexidade
rnNão só os documentos internos da Câmara estão servindo para a sindicância que está instalada. A comissão e a própria diretoria e presidência do Legislativo precisam confrontar os documentos internos com cópias, por exemplo, de microfilmagem de cheques. Serão conferidos valores e destinatários, mas já existem evidentes indicações de adulteração. Todos os pagamentos só passaram por Toshitomo Egashira.
rnCofres gordos
rnrnA Câmara de Marília como outra qualquer de cidade média é quase que uma ilha da fantasia, com cofres cheios, cabide de emprego, gastos vultosos com serviços terceirizados e salários de vereadores invejáveis. Pelos cofres da Câmara no ano passado passaram mais de R$ 9 milhões. Esse ano esse valor pôde chegar à mesma cifra, talvez um pouco menos por ter reduzido o número de vereadores de 21 para 13.
rnGanham mais
rnO funcionalismo da Câmara já tem vários privilégios porque uma única vez por semana, às segundas-feiras, tem jornada à noite. Qualquer trabalhador seria o mais feliz do Brasil se tivesse tal reconhecimento. Isso não é só. O diretor geral ganha mais de R$ 10.000,00. Os salários dos servidores de carreira variam entre R$ 2.500 e R$ 7000. Um valor muito, mas muito acima, de qualquer outra empresa ou parâmetro brasileiro de mercado de trabalho.
rnOs benefícios
rnAo longo dos anos, vereadores com interesse de fazer média com funcionários foram criando benefícios para quem tem o privilégio de ser apadrinhado. Pior, mesmo assim, o atendimento público é sempre deficiente, exceto é claro no período pré-eleitoral. Sem contar que é quase raro verificar projeto coerente e viável para a coletividade. O vereador não passa de um fazer de indicações de congratulações, pedidos de bicos de luz, de conserto de asfalto e capinação de terreno. Lastimável.rn
Doce ilusão
rnEmbora seja resistente e sem paciência aos 43 anos (28 anos, sete meses e 22 dias na carreira de jornaleiro a diretor de jornalismo) sou obrigado por profissão e cargos na empresa a atender qualquer cidadão, inclusive os políticos. O faço sempre com lisura, mas não me conformo com aquilo que ouço e não deixo de dar resposta, as mais transparentes possível, justamente para os políticos. Tem gente que não é só cara de bobo que tenho, mas que talvez seja inocente. Doce, muito doce ilusão.
rnSem rendição
rnNo ano passado, durante o período pré-eleitoral, a linha crítica do jornal nos últimos anos, aliada aos respeito a leitores e liberdades, gerou protestos, processos, até sentença descabida e derrubada no Tribunal com censura inédita. Pois bem, ficou provado que não estávamos e não estamos a serviço de ninguém, mas do mínimo de coerência que o jornalismo merece. Claro, temos compromissos, parcerias, limitações, adotamos causas, mas nunca nos curvamos ou nos vendemos.
rnMesma ladainha
rnRealidade é que os políticos estão alvoroçados novamente, se preparam para readequações partidárias, formam e reformam grupinhos, ensaiam candidaturas, agora para deputados estaduais e federais. Óbvio, todos querem tentar uma boquinha nessa mamata escandalosa que virou ter cargo público no Brasil. Eleito, é garantia de ficar rico, mais que ganhar na loteria pelas benesses inerentes aos cargos ou falcatruas de caixa dois e comi$$ões.
rnLonge de nós
rnNinguém nega que jornais, rádios e televisões tenham afinidades comerciais e até editoriais, direito inerente, assim é o direito à crítica. Mas o que os políticos e homens públicos (principalmente quando estão no poder) às vezes querem é atrelamento editorial, pressão financeira ou outros mecanismos escusos e medíocres como falsas e ou fantasiosas promessas de parcerias e cositas mais. Puro ilusionismo.
rnDois lados
rnRepetidas vezes somos taxados disso ou daquilo, de estarmos eventualmente a serviço deste ou daquele. Claro, ninguém nega defesa de idéias e projetos comoo fizemos no passado em épocas áureas de Pedro Sola e Abelardo Camarinha, mais recentemente. Agora mesmo tem-se dado a Mário Bulgareli o tempo necessário para que ele mostre ao que veio. Sem claro perder fiscalização e críticas pontuais.
rnMal maior?
rnO ex-prefeito Abelardo Camarinha tem sido alvo de mais críticas, afinal ficou oito anos no poder e além de mais de 150 processos em todas as instâncias judiciais, deixou rastro de suspeitas de falcatruas e irregularidades e implantou péssimos hábitos políticos, como atuação e entrega de funções públicas a despreparados e a formação de uma laia da pior espécie de aspones para gerir uma indústria de pressão, mentiras e blá-blá-blá.Nem por isso ele é o mal maior da cidade ou é pior ou melhor que o restante dos políticos da situação ou mesmo oposição.
rnContas rejeitadas
rnAgora mesmo o Tribunal de Contas do Estado acaba de rejeitar as contas da administração anterior, cheia de irregularidades e olha que não é nem um por cento do tanto que existe de coisa errada. Pior ainda é que o time da escola abelardiana de maus costumes está instalado na Prefeitura, sempre dando um jeito de apagar os rastros. Se bem que quem investiga também anda mais lento que tartaruga e um exemplo é a compra de milhões em programas de software…
rnNaufragaram
rnQuem perde eleição tem direito de espernear, deve procurar instâncias judiciais, enfim, a legislação protege todo e qualquer direito. Mas na realidade o que falta em Marília e, por isso, aqui cada vez mais vai se notabilizando como a terra de cego que acaba tem rei,é mínimo de bom e uma oposição menos medíocre, ignorante e retrógrada. Uns idiotas influenciados por advogados de coisa alguma, sem esperar decisão, falavam sobre cancelamento da eleição, cassação de Bulgareli. Ridículo.
rnDeu o óbvio
rnPessoal ligado a Joseph Zuza, Domingos Alcalde, Marcos Rezende e Alonso Carvalho, veja só, sonhava com o ovo antes de a galinha botar. Passaram vergonha, mais uma vez essa semana a coligação de Bulgareli ganhou três processos que acusavam fraudes em urnas e pediam a cassação do diploma do prefeito. Tudo foi rejeitado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A oposição incompetente comeu bronha durante a disputa. Depois que o barco naufragou, fim de festa gente.rn
José Ursíliorn