• 30 set 2005 /  Atentado

    Uma senhora, moradora próxima ao prédio do jornal Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM. Ocupantes de uma casa na sobreloja de um prédio comercial na rua São Luiz. Pelo menos quatro prédios comerciais. Nenhum deles têm qualquer vínculo com as empresas, mas todos podem figurar como vítimas na investigação do atentado.



    São as pessoas e estruturas físicas que entraram na área de risco quando a quadrilha queimou o prédio do jornal e rádios. O incêndio criminoso já atingiu a todos com a fumaça, o susto, o risco a que foi submetido patrimônio.


    Para as pessoas que estavam nesses prédios houve risco de vida, inclusive com pelo menos um caso de atendimento médico.


    Todas essas vítimas do atentado devem figurar em uma lista que a Polícia Civil começa a elaborar para montar o quadro da gravidade do ataque. Para entender esse risco, é preciso compreender a disposição do prédio.


    A sede do jornal e duas rádios, um prédio alugado que já funcionou como sede de empresa do grupo Iguatemy, é uma construção de três andares e comprida, que passa ao lado e aos fundos de pelo menos seis outros prédios.


    Em todos eles o fogo poderia atingir. A fumaça preta, o cheiro e resíduos do incêndio chegaram a boa parte dessas áreas, inclusive um prédio ocupado por uma família.


    O fogo atingiu o terceiro e segundo andares. Por falha da quadrilha, agilidade dos bombeiros e estrutura da empresa o incêndio não chegou ao térreo. É o piso onde há divisa de parede com outros prédios e havia mais material inflamável, como produtos químicos e carga de papel.


    E se o atentado tivesse o sucesso que os bandidos pretendiam, com certeza outros prédios seriam queimados.

    A falha do incêndio também preservou a vida do porteiro Sérgio Araújo, 39. Ele foi deixado amarrado e deitado com uma cadeira sobre o pescoço enquanto o prédio queimava. Estava em uma sala anexa à linha de produção, onde bandidos despejaram retalhos embebidos em combustível e deixaram galão de gasolina.

  • 29 set 2005 /  Atentado

    Procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho, recebeu ontem em seu gabinete o diretor de Jornalismo e Marketing da CMN, José Ursílio



    O procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho, recebeu ontem um dossiê sobre o atentado contra o jornal e as rádios Diário FM e Dirceu AM. Pinho atendeu o diretor de Jornalismo e Marketing das empresas, José Ursílio, em seu gabinete, na sede do Ministério Público em São Paulo.


    Além do dossiê, o diretor pediu que o procurador mantenha toda a estrutura de técnicos, especialistas e peritos que atuam com o Ministério Público à disposição da investigação na cidade.


    A Procuradoria-Geral de Justiça é responsável pela organização do trabalho e coordenação do Ministério Público em todo o Estado.


    Rodrigo Pinho afirmou que o promotor José Bento Campos Guimarães, nomeado por ele para acompanhar as investigações, pode requisitar a estrutura que precisar a qualquer hora e terá respaldo.


    Ainda não está definido qual o promotor que vai promover ação judicial do caso, o que depende de distribuição do processo, mas não há impedimento para que o próprio José Bento receba o inquérito diretamente da polícia ou encaminhado por um dos promotores da cidade.


    Ursílio pediu ainda que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) fique à disposição para acompanhar a investigação e tramitação. O procurador mais uma vez afirmou que os promotores de Marília terão o apoio à disposição, desde que requisitem a ajuda.


    O objetivo da audiência foi apresentar ao procurador todos os envolvimentos políticos e criminosos do caso, além de pedir apoio no empenho para punição exemplar a todos os envolvidos.


    ”Estamos atentos ao caso e pode ter certeza que o Ministério Público vai atuar até o final”, disse Rodrigo Pinho.


    No encontro, o diretor do jornal apresentou também informações sobre o trabalho policial e as preocupações da empresa em relação às pressões contra a investigação.


    Além do procurador, as empresas já protocolaram um dossiê na Delegacia-Geral da Polícia, que comanda as atividades da Polícia Civil em todo o Estado.

    Objetivo é permitir que as principais autoridades ligadas à investigação e punição do atentado conheçam as implicações do crime e possam atuar no acompanhamento e suporte do trabalho policial e judicial para impedir que o atentado fique impune.

  • 28 set 2005 /  Atentado

    Polícia fecha roteiro de atuação da quadrilha e recebe mais informações sobre suspeitos



    O quebra-cabeças do atentado montado pela Polícia Civil já indica atuação de pelo menos nove quadrilheiros no ataque contra o Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM, todos com funções e participação definidas na organização e execução do crime.


    O trabalho agora é direcionado para identificar o nome de todos e fazer a apresentação das ligações entre todos os envolvidos.


    A investigação até agora já mostra que o grupo trabalhou de forma planejada e premeditada na organização do crime, com pelo menos cinco ou seis envolvidos nos dias antes do crime e os outros atuantes na contratação e pagamento, como representantes dos bandidos.


    ENVOLVIDOS


    Começa com Amauri Campoy, que fez visita de reconhecimento ao prédio. Passa por Amarildo Barbosa, que além de passar pelo prédio dois dias antes cedeu carro e estrutura para o ataque.


    Envolve ainda Bruno Coércio, delatado por Amauri e reconhecido depois de comprar, alguns dias antes, o combustível usado para o ataque. Chega aos dois encapuzados contratados e orientados de forma antecipada sob a forma de render o vigia. Termina na moça chamada e instruída para ir até a portaria, não entrar no prédio para evitar o sistema de vídeo. Ela faz toda a conversa do lado do fora.


    Esse é o núcleo do trabalho braçal na execução e atividades de planejamento do crime. Um grupo que acabou cometendo violência excessiva contra o vigia, teve parte de seu trabalho e conversas flagrados no sistema de áudio.


    COVARDES


    Há agora investigação para determinar o envolvimento na quadrilha de pelo menos mais três pessoas. Ainda não está definida a relação de todos os suspeitos com o grupo político do ex-prefeito Abelardo Camarinha, de onde saíram Campoy, Bruno e Amarildo.


    Mas a identificação dos três acusados restantes deve fechar esse cerco e colocar nos vários inquéritos e processos as formas como o grupo de Camarinha atuou no planejamento e execução do atentado.


    Um dos acusados chegou à porta e teria entrado na empresa. Outros dois, já envolvidas no crime pelas circunstâncias e comportamento no dia do atentado, são quadrilheiros envolvidos na articulação e pagamento do bando.


    É para esses dois – um articulador e seu protetor e acompanhante – que os bandidos deveriam ter ligado depois de consumada a invasão do prédio.


    EVIDÊNCIAS


    O sistema de segurança flagra o momento em que a quadrilha discute por ter sido esquecido celular que seria usado nesse contato.


    A prova produzida pelos depoimentos de testemunhas indica que esses dois nem deveriam mostrar a cara no prédio, mas acabaram obrigados a transitar pela frente do jornal para garantir que o crime seria consumado sem prejuízos.


    A preocupação desses quadrilheiros em não mostrar a cara indica duas coisas: proximidade com o mandante e possibilidade de reconhecimento fácil por quaisquer testemunhas.

    Contra eles, pesam no inquérito depoimentos que ligam seu comportamento ao crime: celebração do ataque, roteiros de movimentação, envolvimento e encontros com os suspeitos.

  • 25 set 2005 /  Atentado

    A sala é apertada. Tem uma mesa e uma poltrona. Nela movimentam-se três homens, dois deles armados. A vítima está deitada de bruços, mãos amarradas nas costas. Uma mochila jogada sobre a cabeça impede a visão e uma cadeira sobre o pescoço reduz os movimentos, piora a respiração. Sofre agressões e ameaças desconexas.


    O tormento dura quase meia hora. A vítima é o porteiro Sérgio Silva Araújo, 39, pelo menos 20 deles em portaria e segurança. O funcionário mais experiente do setor não resiste a tantas agressões e chora. È um choro gemido, de dor, impossível controlar.


    Os bandidos são três dos pelo menos cinco quadrilheiros que invadiram o prédio do jornal Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM. As cenas de violência contra o vigia deixaram policiais e funcionários da empresa chocados com o trabalho da quadrilha.


    As imagens do sistema interno de segurança mostram o ataque até a entrada de dois bandidos armados com pistolas, que empurraram o porteiro até a sala ao lado para a barbárie.


    Depois, o sistema pega os ruídos, os gritos, as ameaças, sinais da violência e o choro de Sérgio, revelado até no laudo de de gravação da Polícia Civil. Boa parte das ofensas nada tem a ver com o crime. Cumprem apenas o papel de agredir Sérgio, causar mal a ele.


    Os sons passam pelas ofensas em busca de uma chave de cofre que não existe. O bando nem procurou o cofre depois. Os ruídos passam pelas agressões, pelo golpe com o cano da pistola no rosto do vigia, provocando corte, sangramento e inchaço ao lado do olho.


    Os pedidos de chaves viram ameaças de morte, de tiros por trás, promessas de mais sofrimento. O áudio registra quando o vigia, após um forte estalo, que provavelmente foi mais uma agressão, começa a chorar.


    As ameaças crescem, começam palavrões repetidos e participação de três bandidos gritando, prometendo fazer mal a ele. As ofensas não acabam mesmo depois de as chaves serem todas localizadas.


    Foi um excesso totalmente desnecessário. A quadrilha conhecia as empresas, já tinha as chaves das salas e controle do prédio enquanto Sérgio apanhava e era ameaçado.


    A brutalidade desnecessária extrapolou a simulação de assalto como ação principal na invasão. O vigia agredido ainda seria roubado mesmo, mas as repetidas agressões foram desmedidas para o crime que a quadrilha foi cometer.


    O vídeo com o áudio vai estar à disposição da Justiça assim que o inquérito contra os três primeiros acusados seguir para a Justiça, no mês que vem.


    Os bandidos identificados ainda não deram informações que levem aos outros quadrilheiros, mas pelo menos um deles, Amauri Delábio Campoy, viu o vigia amarrado e ameaçado, sem qualquer palavra contra a violência.

    Crime cometido, o grupo saiu. O vigia foi deixado ali, amarrado e de rosto coberto, enquanto o prédio queimava.

  • 25 set 2005 /  Atentado, Fique Ligado

    Já fiz aqui reconhecimento público de erros – não temo assumí-los. Outra vez a escola abelardiana de maus costumes me despertou a necessidade e vontade de fazer reparos em algumas condutas. Afinal, pautei minha vida pela defesa de causas coletivas e sempre acreditei – e acredito – nas pessoas até que elas provem falta de escrúpulos, injustiça e corrupção.

    rnVou fazer aqui alguns reparos para assumir sempre que realmente o pior da cidade é Abelardo Camarinha, que felizmente está apenas ex-prefeito, mas julga-se e acredita mesmo estar acima das leis dos homens e que poderia ficar impune para sempre, assim como enganando a maioria eternamente.

    rnJulga-se e comporta-se também como iluminado, tanto assim que foi carimbado irônica e jocosamente como falsário professor de Deus.

    rnrnO preço alto que temos de pagar e continuar pagando para desmascarar o império do mal e do crime não importa. Temos equilíbrio e determinação, apoio irrestrito da empresa e solidariedade inconteste da sociedade e integração da parte isenta das instituições públicas.

    rnO atentado terrorista que destruiu quase 80% das instalações, equipamentos, arquivos e burocracia das empresas servirá de marco histórico à sociedade.

    rnOs bandidos que planejaram, premeditaram e executaram o atentado vão ser sim todos identificados, responsabilizados e incriminados. O bando armado e incendiário vai pagar penal e civilmente, sem contar a execração pública para que sejam colocados como exemplos de combate à impunidade.

    rnO braço criminoso ainda não está totalmente identificado, os covardes vão tentar jogar toda culpa na parte pé-de-chinelo do bando formada até agora por figuras grotescas e inexpressivas como o réu confesso e bandido preso Amaury Delábio Campoy e os foragidos mas caçados Bruno Gaudênio Coércio e Amarildo Barbosa.

    rnrnO bando ainda tem pelo menos mais quatro bandidos (dois dos quais violentos, armados e torturadores) que vão aparecer dentro de pouco tempo e que igualmente serão denunciados, processados e encarcerados para a segurança de todos.

    rnrnMas nesse instante o que me importa mesmo é deixar alguns pontos bem claros ao comandante da escola de maus costumes e outros tantos defeitos, infrações e desvios, que é Abelardo Camarinha, o único e maior suspeito de ser interessado e mandante do atentado.

    rnrnMesmo o pessoal do banditismo sendo conduzido para isentar contratantes e mandantes verdadeiros, a situação de Camarinha nesse hediondo atentado e em dezenas e dezenas de ações e processos será mais cedo ou mais tarde devidamente identificada e responsabilizada. Não haverá como escapar do rigor das investigações, da efetiva transparência dos processos e legitimidade das sentenças que virão.

    rnHá convergência de interesses de justiça, ética e do bem em todos os segmentos da sociedade, das instâncias civis e públicas. E minha parte será feita com estratégia, determinação e coragem. Por isso repito que meu telefone (9784-1305) e meus endereços rua Coronel Galdino de Almeida 55 e e-maildiario@diariodemarilia.com.br estão disponíveis para informações e denúncias, para reação de testemunhas e outras vítimas.

    rnO desespero do ex-prefeito está esboçado em suas já manjadas e mentirosas formas de expressar-se. Afinal, tenta passar-se por bom mocinho, vítima, quando a realidade é bem o contrário e todo cidadão de bem sabe disso.

    rnO bando que tramou e executou o incêndio criminoso no jornal e rádios estava – até ser desmascarado – na folha de pagamentos pessoal e pública de Camarinha e do filho deputado estadual Vinícius. Tanto a Prefeitura como o deputado correram demitir os acusados – tanto aquele que está preso quanto aqueles foragidos.

    rnrnMesmo assim Camarinha teve a cara de pau de continuar repetindo que teria sido eu o mandante, estaria interessado no seguro. Idiota e ridículo. As provas que já apareceram e que ainda estão sendo formadas e vão surgir vão desmascarar e surpreender a sociedade. Basta esperar.

    rnrnMas o patrão Camarinha e a parte de negócios e serviços de esquemas suspeitos e escusos continuam tentando produzir factóides e desvios, mas estão sendo vigiados e igualmente serão desmascarados, não apenas agora, mas como e principalmente nos próximos meses.

    rnMas minha opinião hoje tem como fundamento essencial de novo fazer mea culpa e pedir desculpas, pedir perdão. Sem, claro, deixar de sempre reafirmar que tenho erros e defeitos, posso até cometer exageros, mas quem já critiquei e critico são quase sempre figuras públicas e acessíveis às análises e opiniões mais polêmicas e contundentes.

    rnÉ uma situação típica de estado de direito, valores de justiça, liberdade de expressão, pensamento e pluralismo perfeitamente sustentado no jornalismo investigativo e de colunista que sou com 29 anos de trabalho na jornada de jornaleiro a jornalista que está diretor de Redação.

    rnQuando analiso a reação tresloucada e inconseqüente de Camarinha entendo que não retrato uma única vírgula do muito que já escrevi nos últimos anos sobre diversas figuras da expressão, política, partidária, administrativa, econômica, e outras tantas.

    rnMas, garanto e tenho certeza, peço desculpas, peço perdão se eventualmente cometi exageros. Mas desculpas e perdão principalmente quando as críticas vieram acompanhadas de elogios e defesas de Camarinha, o comandante e chefão da escola de maus costumes.

    rnNão tenho uma única dúvida que o mal maior foi e é Camarinha e os métodos das várias tendências e braços do grupo político que ele construiu ao longo dos últimos 30 anos.

    rnSim, haverá um espólio a ser herdado agora que a escola do mau será devidamente destruída, as pessoas do bem e de bem, os técnicos, partidários, deverão encontrar e se aglutinarem em outras tendências partidárias, de gestão pública e de propósitos de lisura.

    rnMas a parte do mal, do banditismo, da roubalheira, da corrupção, dos desvios e obras superfaturadas terá que ser incriminada e punida.

    rnA parte da truculência, do ódio, da pressão, do medo e do destemor de tudo e do mais alto sentimento de impunidade terá que ser exemplarmente desmascarada – e tenha certeza será, basta um pouco mais de tempo para tudo ser identificado e transformado em conteúdo para os mais diversos segmentos de investigação das polícias Civil e Federal e Ministério Público Estadual e Federal. A Justiça será feita.

    rnEnquanto isso, vou continuar trabalhando pela dignidade e resgate do bem ao lado de cada um dos 235 companheiros de trabalho e aliados das empresas, assim como contando com o respaldo das instituições governamentais e não governamentais e de você, anônimo leitor.

    rnrnNo legítimo direito de espernear, Camarinha assinou manifestos que fez publicar pela cidade com aquela ladainha de sempre, mas sem explicar como saíram de dentro de sua casa, dentro de seus negócios, dentro dos cargos públicos de confiança, dentro de sua folha de pagamento, todos, absolutamente todos os envolvidos no terrorismo que destruiu nossas empresas de forma violenta, covarde e ameaçadora aos direitos inalienáveis de liberdades.

    rnMas não há só desorientação e mentiras na manifestação de Camarinha. Há ironias quase que descabidas, mesmo nessa hora triste é risível tamanha palhaçada.

    rnrnCamarinha, veja só, está vendo seu império ruir de forma melancólica como todo poderoso um dia cai em desgraça. Apelou para elencar lista de pessoas que covardemente insinua poderiam estar como possíveis suspeitos, afinal, eu os teria criticado ao longo de minha carreira de jornalista investigativo e colunista.

    rnrnPor isso o título da coluna de hoje. Eu peço desculpas, Eu peço perdão.

    rnSabe leitor, realmente há 29 anos estou nessa luta, há 20 ganhei espaço e fiz sim carreira polêmica e combativa. Mas nunca desviei meu caráter para a covardia, para a corrupção, para a roubalheira, para a impunidade.

    rnVou citar parte das pessoas que Camarinha está citando. Todas elas com defeitos, erros, como eu os tenho. Mas todas elas infinitamente melhores que Camarinha, disso eu tenho certeza, isso vou provar nas instâncias necessárias.

    rnComeço por citar os ex-prefeitos. Sim,Theobaldo de Oliveira Lírio, Domingos Alcalde, José Salomão Aukar, eu os critiquei, fui duro, cobrei, posso até ter exagerado, eles recorreram à Justiça, mas não tive qualquer condenação.

    rnNão mudo uma linha daquilo que escrevi, só peço desculpas e perdão porque em certas situações defendi como a maioria da população dessa cidade o desempenho de Camarinha como administrador público.

    rnEle teve lá seus méritos, mas se transformou num sujeito deplorável e tanto assim que responde há dezenas e dezenas de ações e processos cíveis e criminais. Considero Camarinha hoje bem pior que qualquer um dos ex-prefeitos.

    rnSim, tenho outros nomes a citar. Professor Mário Coraíni, ex-vereadores José Menezes e Clóvis Mello. Não mudo nada que publiquei, somente não me conformo de ver que aquele que defendi, o Camarinha, é infinitamente mais pernicioso à sociedade.

    rnrnCoraíni, Zé Menezes e Clóvis cumprem papéis de oposição, têm suas razões para me evitar, talvez até tenham raiva, mas tenho certeza, ainda que em posturas públicas reprováveis, são na vida como cidadãos pessoas honradas, não têm um por cento do desvio de conduta quando comparados a Camarinha.

    rnSim, JosephZuza, Pedro Pavão, Eduardo Pavão, Marcos Rezende, Nadir de Campos, Benjamim Soares de Azevedo, Avamor Berlanga Barbosa, Sérgio Antônio Nechar, não mudo uma única linha daquilo que um dia escrevi sobre desempenho político-partidário e administrativo e vou continuar nessa linha.

    rnMas, todos esses também, tenho absoluta certeza, são bem melhores que Camarinha, não têm desvios de comportamento quando comparados ao ex-prefeito.

    rnUm capítulo à parte ao criminalista e jornalista brilhante José Cláudio Bravos, presidente da Executiva Municipal da OAB. Sim, fomos companheiros de lutas e lutas, abraçamos causas polêmicas, desviamos nossos caminhos, ele impetrou ação contra as empresas, contra nossos jornalistas. Nos distanciamos, várias divergências.

    rnMas já resgatamos nosso relacionamento pois nossos objetivos nunca foram desvirtuados, cada um no seu espaço. Estamos reconstruindo nossos laços. José Cláudio Bravos foi citado por Camarinha, envolveu de forma esquisita até mesmo o PCC, mas o ex-prefeito não convence mais ninguém de seus propósitos maléficos.

    rnO próprio José Cláudio Bravos, repito criminalista e jornalista brilhante, já deixou claro não ter dúvida que o mandante do atentado teria sido mesmo Camarinha. Bravos sabe o que fala, sinto tristeza que nós tenhamos ficado em caminhos opostos, mas nunca é tarde para livrar dos maus e resgatar a integração dos bons e do bem.

    rnSim, por falar em José Cláudio Bravos, ele e eu na qualidade de editor, fizemos reportagem especial há nove anos sobre o caso Spila e colocamos o que a investigação policial suspeitava, de envolvimento como hipotético mandante o empresário Antônio César Martins.

    rnrnCésar Martins impetrou ação milionária contra o jornal, felizmente sentença em primeira instância foi favorável à empresa. Felizmente César Martins é bem sucedido empresário, ainda que tenha figurado por muito tempo como suspeito não está formalmente acusado ou relacionado com os crimes, mas reafirmamos que à época cumpríamos nosso papel de jornalismo investigativo.

    rnCésar é igualmente um cidadão que mostra ser honrado e bom, voltado para seu crescimento pessoal sem envolvimento em intrigas e perseguições, o que já faz de qualquer pessoa quase um santo se comparado a Abelardo Camarinha.

    rnDoutor João Simão Neto igualmente foi alvo de nossas reportagens, trocamos sim acusações, tivemos posições divergentes, não mudo uma linha daquilo que escrevi, assim como João Simão mantém, sua posição.

    rnFiz acordo judicial, alinhamos posições mais equilibrados, todos os lados têm cumprido com sua parte.

    rnTanto assim que mesmo nesse instante, quando João Simão por força e desempenho está contratado para defender acusados de participação no atentado terrorista contra as empresas, temos nos mantido em posições de respeito ao desempenho profissional e pessoal. Bom para ambos em minha humilde opinião.

    rnO destempero de Camarinha cita outros nomes, mas nem preciso de desculpas, nunca os destratei, apenas o jornal fez reportagens mais ou menos polêmicas, como envolvendo Wilson Passador, Artur Pagliusi.

    rnrnIsso é jornalismo pluralista, todos foram ouvidos em suas versões, coisa que Camarinha não entende, não admite, por se achar melhor que qualquer outro, mas nunca foi e nunca será, definitivamente.

    rnE a lista tem ainda alguns alunos e desqualificados que ainda vivem sob o manto da escola Abelardiana. Falar desses é chover no molhado sobre a mediocridade dos puxa-sacos.

    rnrnComo jogador de carteado, adepto e seguidor da doutrina de Maquiavel, Camarinha tenta embaralhar o foco, mas desta vez está enganado e não terá como fugir, escapar de tudo que está acusado.

    rnrnAgora vamos entrar num capítulo especial, que é justamente a parte que trata do espólio do grupo político que já não é mais de Camarinha. As pessoas que têm mínimo de conduta ética e discordam dos métodos ultrapassados terão que iniciar a busca de novos caminhos.

    rnÉ o caso do prefeito Mário Bulgareli e do vice Luiz Eduardo Nardi, gestores da cidade e que embora tenham sim sido eleitos com apoio de Camarinha não podem continuar sendo tratados como empregados e tendo suas posições usadas como marionetes aos propósitos nada recomendados de Camarinha.

    rnAté agora Bulgareli tem sido de lisura, equilíbrio, postura indicada para quem deve se comportar como magistrado das situações. Mas o atual prefeito aos poucos terá que desgrudar sua imagem de Camarinha, criar identidade própria, dar rumo diferente e divergente da metodologia e execução da escola abelardiana de maus costumes.

    rnCamarinha tenta a todo instante dizer que fui contra candidatura de Bulgareli, que estive a serviço da oposição, aquela ladainha de sempre para tentar aliciar aliados. Não mudo uma linha daquilo que escrevi, como toda população faz, estamos esperando e dando tempo para Bulgareli trabalhar e mostrar ao que veio.

    rnSim, Bulgareli, tenho certeza é o conheço, pode dar novo rumo à coisa pública em Marília, desvencilhar-se da parte podre da estrutura abelardiana.

    rnTenho absoluta certeza, Bulgareli como eu e qualquer outro homeminvestido de funções públicas tem defeitos e comete erros, mas também não tem um milímetro de malfeitor quando comparado a Camarinha.

    rnEssa coluna, esse jornal, as rádios, todos os veículos de comunicação isentos de Marília, região e agora de âmbito nacional têm papel e deveres a cumprir em relação ao poder público e todos entendemos essa necessidade, menos Camarinha que deve julgar-se acima de tudo e de todos. Está enganado.

    rnrnNão trata-se então de apenas investigar o atentado, apontar culpados, incriminá-los e colocá-los na cadeia, mas o evento será um marco histórico para acabar com o banditismo, a roubalheira, a corrupção, o aliciamento, as ameaças, as agressões, os achaques, os desvios do dinheiro público, os milhões de dólares escondidos e as empresas de lavagemde dinheiro e blindagem de patrimônio em holdings e incorporadoras de milionários imóveis. rnBasta. O bem vai derrotar o mal, como sempre.


    José Ursílio

  • 23 set 2005 /  Atentado

    O atentado contra o jornal Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM deve render inquéritos diversificados para acusar todos os envolvidos. O motivo inicial é o prazo. Como há um acusado preso, a tramitação deve ser mais rápida para impedir danos aos suspeitos.


    Assim, vai mais cedo para a Justiça a acusação contra os primeiros acusados: Amauri Delábio Campoy, Bruno Coércio e Amarildo Barbosa.


    Campoy cumpre prisão temporária decretada pela Justiça para garantir a apuração do crime e impedir eventual fuga do suspeito.


    É uma medida temporária, com prazo certo para acabar: o período em que é importante para a investigação. Porém, com as provas reunidas contra Campoy – incluindo sua confissão – a justiça deve decretar sua prisão preventiva, sem prazo para revogação.


    Há mandados com o mesmo objetivo contra Amarildo Barbosa e Bruno Coércio, este acusado por Campoy de ser intermediário entre os quadrilheiros e o contratante do crime.


    Assim que o inquérito seguir para a Promotoria, o que deve acontecer em outubro, os três devem ser indiciados e denunciados.


    A polícia não revela quais os enquadramentos legais projetados, mas é possível imaginar em condutas criminosas na invasão do prédio, ataque e agressões desnecessárias ao vigia, inclusive com lesões e roubo de dinheiro, risco para o porteiro e para vizinhos e o atentado contra o prédio.


    Restariam depois novas investigações contra os outros acusados: os bandidos armados que invadiram o prédio, renderam o vigia e participaram nas agressões contra ele, além de deixarem Sérgio Araújo amarrado enquanto o prédio queimava.


    Há ainda investigações sobre o contratante, que organizou a quadrilha e faria os pagamentos, e o mandante, o chefe da quadrilha, por trás de toda a organização para financiar e ser beneficiado, sem aparecer no crime.


    Campoy, confesso e bandido revelado pelo sistema de vídeo, será acusado pelos crimes assim como Bruno Coércio – que aos 22 anos pode ser o quadrilheiro mais jovem envolvido na denúncia e eventuais condenações – e Amarildo Barbosa, todos relacionados com a organização e execução do crime.


    Bruno Coércio está envolvido até o pescoço. Documentos, o depoimento de Campoy e a confirmação de uma testemunha ligam o menino à organização do crime, inclusive comprando a gasolina.


    A polícia acredita que a prisão do rapaz pode levar ao contratante e ao mandante do crime, apesar de uma onda de boatos de que ele seria orientado a assumir toda a culpa pelo atentado.


    Contra Amarildo Barbosa pesam a propriedade do carro flagrado no local do crime, apreendido depois na garagem de seu apartamento. Além disso há o galão apreendido em sua casa, igual aos galões usados no crime, além de documentos e depoimentos colhidos.

  • 22 set 2005 /  Atentado

    Secretaria de Segurança Pública do Estado tem requisitado relatórios do trabalho policial e acompanha em detalhes todas as informações



    A Secretaria de Segurança Pública do Estado recebeu anteontem um dossiê com as principais informações sobre o atentado contra o Diário e as rádios, entregue pessoalmente pelo diretor de jornalismo das empresas, José Ursílio.


    Ele teve encontro com o delegado Euclides Batista, assessor direto do delegado-geral de Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo.


    O dossiê apresenta informações sobre o crime, o andamento das investigações, o perfil dos suspeitos e um histórico da atuação crítica do jornal e das rádios. Com o dossiê, Ursílio oficializou pedido para que a Secretaria forneça toda a estrutura necessária para investigação da Polícia Civil e nomeie um assessor do secretário Saulo de Castro Abreu Ramos para acompanhar pessoalmente o trabalho da polícia, elogiado pelas empresas.


    “O objetivo é dar à polícia civil o respaldo de equipamentos e sustentação política para levar a investigação até o fim, doa a quem doer”, disse José Ursílio.


    O delegado Euclides Batista responde interinamente pela Agência Policial de comunicação, cargo ligado diretamente ao delegado-geral. Ele deixou claro durante o encontro que o poder público vai levar a apuração a fundo. A Secretaria tem requisitado relatórios do trabalho policial na cidade e acompanha em detalhes todas as informações.


    Agora, as empresas esperam que a indicação de uma autoridade para assumir permanentemente esse acompanhamento não só dá mais força como aumenta a credibilidade do trabalho.

    “A intenção é a formação de um grande comitê de acompanhamento do caso, que extrapola os interesses e limites das empresas e atinge toda a coletividade”, disse José Ursílio.

  • 21 set 2005 /  Atentado

    Caro amigo de velhos tempos, de bons tempos de Pinguim, que Deus te ilumine, sempre. Estou seguindo, pelo site e por edições do Diário que minhas filhas que ainda residem aí,me mandam, a trajetória das investigações policiais em torno do terrorismo promovido contra a empresa mantenedora das rádios Dirceu e Diário, além do jornal.


    Confesso que estou perplexo. Nem me identifico com o repórter policial que sou, habituado a fatos fora de série, como esse. Mas, pelo andar da carruagem, a policia desmoronou e a casa caiu.


    O cheiro que pizza que sempre se sentiu pelos lados palacianos de Marília, parece que não vai se sentir mais. A escola do terrorismo, ao que tudo indica, fechou as portas.


    Embora trágico, é um desfecho animador para quem duvidava que um dia o todo poderoso e seus asseclas chapas brancas, pudessem ser desmascarados. O trabalho puramente jornalístico, e o tino policial de quem trabalha nas investigações, mostram que a trilha chegou ao fim.


    No começo, tudo parecia que terminaria em pizza. Cheguei a comentar em roda de jornalistas: ” Infelizmente, a luta do Zé Ursílio é um caminho sem fim. Não atingirá seus objetivos. Ele luta contra poderosos”.


    Confesso que errei. E como todo jornalista, tenho o direito de errar ao fazer presunções. Repito. Estou perplexo com a suprema forma de agir dos todo poderosos de Marília, que ainda se utilizam de meios brutais para tentar calar quem expõe a público as verdades das ruas.


    Voce, Zé, cumpriu e continuará, com certeza, cumprindo seu papél de jornalista, ainda que tenha se se sentar em um caixão de tomate e apoiar, ainda que seja uma velha máquina de escrever, em uma pilha de carvão, para continuar denunciando as barbáries, que na grande maioria ficam impunes neste País. De parabéns a Polícia Civil, que trabalhou ligeiro e já tem na cadeia, os primeiros suspeitos.


    É um bom começo. E estou na torcida para que seja o começo do fim. Mas fique esperto. Os poderosos continuarão agindo no silêncio da noite, nas esquinas da vida, traçando planos diabólicos nos cantos secretos. Com certeza, depois de apurado o crime, os envolvidos serão atirados na vala comum dos criminosos e toda a corja, à execração pública. Continue assim. Que Deus te ilumine. Um grande abraço e conte com o amigo, caso precise dele.

    Luiz Monteiro,
    jornalista e radialista

  • 20 set 2005 /  Atentado

    O atentado contra o jornal Diário e as duas rádios será o tema centro do programa “Observatório da Imprensa”, hoje a partir de 22h30 na TV Cultura, em São Paulo. O jornalista José Ursílio, diretor de jornalismo do jornal e das rádios, participa.


    Apresentado pelo jornalista Alberto Dines, que na década de 70 inovou ao criar o “Jornal dos Jornais”, a primeira publicação a discutir erros e acertos da mídia, e que nos últimos anos consagrou-se pela credibilidade e equilíbrio na cobertura de questões que envolvem relação de jornais com a comunidade e com o poder.


    Dines conversou pessoalmente com o editor do Diário para apresentar o debate, que terá ainda uma entrevista com o presidente da Adjori (Associação de Jornais do Interior do Estado), além de outros convidados para o debate.


    Além de discutir o crime e suas implicações, o programa vai avaliar o tratamento da mídia ao caso.


    Em artigo divulgado no site do Observatório (www.observatorioda imprensa.com.br), Dines já havia alertado sobre os riscos de a mídia não dedicar a devida atenção ao caso. O jornalista mostrou que o caso é uma agressão sem precedentes.


    José Ursílio elogiou a iniciativa do programa, que tem sido pioneiro em discutir não só a liberdade de expressão como o direito do cidadão à informação de qualidade com responsabilidade.


    Além de participar do programa Ursílio deve entregar informações sobre o caso para instituições de defesa dos jornalistas, jornais e da liberdade de expressão.

    “Já recebemos manifestações de apoio de grandes instituições, o que só tem confirmado a idéia de que o atentado impressiona e provoca indignação. Agora queremos o apoio dessas instituições à apuração e reconstrução das empresas”, disse Ursílio.

  • 18 set 2005 /  Atentado

    A OEA (Organização dos Estados Americanos), uma das principais organizações de países da América, emitiu na semana passada nota em que recrimina o atentado contra o jornal Diário e as duas rádios. O comunicado também foi noticiado pela agência de notícias norte americana EFE.


    A OEA condena o ato criminoso e solicitou ao Governo brasileiro que continue as investigações para punir os responsáveis. Também expressou séria preocupação pelos ataques contra as rádios Diário FM, Dirceu AM e Jornal Diário.


    “Estes atos estariam vinculados à linha editorial destes meios, os quais vinham denunciando, entre outras coisas, supostas irregularidades na Prefeitura de Marília. O nono parágrafo da Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da CIDH (Comissão Internacional de Direitos Humanos) declara que a destruição material dos meios de comunicação viola os direitos fundamentais das pessoas e restringe severamente a liberdade de expressão”, diz a nota.


    A OEA é o principal fórum para o diálogo multilateral e a ação concertada dos países do Hemisfério Sul. Tem como ponto central de sua missão o compromisso inquestionável com a democracia, assim expressado na Carta Democrática Interamericana: “Os povos das Américas têm direito à democracia e seus governos têm a obrigação de promovê-la e defendê-la.”


    A atuação da OEA tem sido marcante na defesa da democracia, proteção dos direitos humanos, fortalecimento da segurança, promoção do livre comércio, combate ao narcotráfico e combate à corrupção.


    Com base nesse princípio, a ação da OEA destina-se a promover a boa governabilidade, fortalecer os direitos humanos, incentivar a paz e a segurança, expandir o comércio e tratar dos complexos problemas causados pela pobreza, pelas drogas e pela corrupção.


    Por meio das decisões de seus órgãos políticos e dos programas executados por sua Secretaria-Geral, a OEA promove a maior cooperação e o entendimento no âmbito interamericano.


    Os Estados membros da OEA vêm intensificando seus esforços de cooperação desde o fim da Guerra Fria ao assumir novos e importantes desafios. Em 1994, os 34 chefes de Governo da região eleitos democraticamente reuniram-se em Miami na Primeira Cúpula das Américas, ocasião em que estabeleceram amplas metas políticas, econômicas e de desenvolvimento social.