Abelardo Camarinha transformou uma tragédia familiar em palanque. Uma dor que é dele, mas também de sua família, vem sendo usada de forma política na busca de uma sobrevida eleitoral.
rnÉ um palanque no qual seria impensável que ele pudesse subir. E é obrigatório, pelo bem da decência e do respeito, que ele desça deste palanque.
rnPor dez dias venho sendo atacado, ofendido, espezinhado na mais repugnante tentativa de intimidação de Camarinha. Mas é um discurso tão mal feito, tão inapropriado, tão agressivo que a própria coletividade já rejeitou.
rnPor respeito a essa coletividade e por respeito ao equilíbrio indispensável que as relações coletivas devem ter, resisto em dar a Camarinha as respostas que ele deveria ouvir. Mas elas virão no momento certo.
rnO discurso político que Camarinha vem fazendo sobre a tragédia é carregado de grandes e pequenas mentiras. E nenhuma delas tem objetivo de ajudar na apuração, de trazer luz ou moralidade ao caso.
rnAs grandes mentiras tentam me atingir, atingir a Carlos Francisco Cardoso e ao delegado Roberto Terraz, um homem acima de qualquer suspeita, como responsáveis (sic) de uma execução que ninguém sabe se houve. Grandes mentiras para produzir um grande engodo: salvar um político carreirista desmoralizado e que vai ser perpetuado na história como a maior fraude já desmascarada.
rnAs pequenas mentiras tentam confundir a opinião pública. Abelardo tenta reconquistar o espaço político que perdeu após o atentado de oito de setembro contra o jornal e as rádios e após os repetidos escândalos judiciais e políticos e tantos e tantos desmandos e mazelas que produziu.
rnO falecimento prematuro, impensável e injustificável de Rafael Camarinha é uma tragédia. Mas não serve e nem pode ser palanque para redenção do pai.
rnOs escândalos investigados, o mal que Camarinha fez, as infrações, ilícitos e truculência e intimidação que sempre espalhou não acabam e nem deixam de produzir seus efeitos nefastos com a morte violenta e inadmissível de seu filho.
rnE é por isso que o palanque de Camarinha agride à coletividade.
rnA cidade que ficou chocada com a morte também não aceita que Abelardo faça do caso o discurso político que jogou fora com tantas mazelas e tantas mentiras.rnO luto da família foi respeitado. Menos pelo próprio Abelardo.
rnA memória de Rafael deve ser respeitada e a será sempre. A dor e o sofrimento eterno da mãe Maria Paula Almeida será sempre comovente. Paula não merecia que seu filho fosse embora, logo ela que sempre foi uma mulher discreta, dedicada e a tudo superou com eqüidistância da política.
rnA dor da família e o choque coletivo foram respeitados. Menos pelo próprio Abelardo.
rnMas é uma questão de coerência, de justiça e de respeito à coletividade que o palanque seja desmontado.
rnÉ uma questão de coerência, confiança nas instituições e fé na legalidade que se deixe as Polícias, o Ministério Público, a Justiça, o trabalho isento e ético na elucidação do bárbaro crime.
rnÉ uma questão essencial afastar a truculência, a intimidação, as ameaças e a arrogância de Abelardo como se pudesse subjugar as autoridades para que atendam suas pretensões repugnantes e traiçoeiras.
rnVamos voltar à realidade. Vamos retomar a atenção sobre os mais de 140 procedimentos processuais que existem para investigar desmandos de Camarinha, todos eles envolvendo desvios e ilegalidades contra o patrimônio e interesses coletivos.
rnVamos voltar à realidade para o trabalho policial que investiga o atentado e tem milhares de horas de gravações envolvendo o grupo de Camarinha em um crime que ameaçou três empresas, seus 230 funcionários, seus vizinhos e foi uma intolerância sem precedentes contra uma garantia constitucional.
rnVamos voltar à realidade dos graves problemas que a cidade enfrenta porque Camarinha deixou cofres quebrados, dívidas impagáveis, o maior cabide de emprego da história, o IPTU mais caro do Estado e um pacote de problemas sociais graves.
rnDentro da legalidade, em defesa da cidadania, em respeito aos homens e mulheres de bem, vamos voltar a cuidar da cidade, organizar o crescimento de Marília e libertar seus moradores desse jogo político sujo e imoral.
rnUm jogo ao qual Camarinha dedica 24 horas do dia. Ao qual ele dedicou seus últimos 30 anos e no meio do qual, infelizmente, Rafael Almeida Camarinha foi morto tão covarde e tragicamente.
rnCamarinha não pode voltar no tempo para desfazer o mal que produziu com esse jogo. Mas não resta dúvida. É hora de parar.
rnÉ hora de sair desse palanque.
Menos propaganda, mais fiscalização
rnEscadas sem corrimão. Extintores de incêndio em locais inadequados, falta de sinalização para eventuais emergências.
rnEssas são algumas das irregularidades que um laudo de segurança dos Bombeiros aponta no prédio de uma escola estadual com 20 anos de atuação e quase 600 alunos que passam o dia todo dentro do prédio.
rnAs conclusões deste caso provavelmente seriam parecidas em quase todas as 30 escolas da rede estadual e até em alguns dos prédios particulares.
rnMas o caso da escola Oracina está revelado e investigado por uma situação diferente: pais de alunos que se mobilizaram e pediram a fiscalização. O ideal é que todas as escolas fossem atingidas.
rnMais que isso.
rnA educação movimenta uma das maiores fortunas em recursos públicos no país hoje.
rnAs licitações para transporte, merenda, uniformes, material, construções de prédios resultam sempre em contratos e serviços suspeitos, sobre os quais se sabe muito pouco e em volta dos quais surgem muitas fortunas.
rnExigir que os prédios atendam mínimo de segurança, higiene e condições técnicas é básico no meio desse mar de gastos. Não é investigar direção da escola, mas os órgãos públicos e políticos.
rnJá disse aqui. O que se gasta com a merenda em Marília seria suficiente para dar congestão nos alunos. Basta levantar a quantidade de carnes e embutidos que foi comprada em dez anos e o valor das compras comparado com o consumo per capta de alunos vai ser uma aberração não encontrada na história.
rnNo caso da Oracina houve uma salutar parceria: a preocupação da coletividade e a atuação do Ministério Público. Houvesse mais envolvimento e as associações de pais e mestres em todas as escolas estariam pedindo investigação semelhante.
rnÉ direito básico dos pais saber quais as irregularidades, quais os riscos e as garantias a que os filhos estão submetidos. Especialmente se vão ficar o dia todo dentro da escola.
rnParceria semelhante rendeu representação e investigações sobre o transporte escolar promovido por empresas privadas e no transporte escolar promovido pela prefeitura.
rnA atuação do Ministério Público já provocou fiscalização, multas e no caso da prefeitura um mutirão que entrou na madrugada para reparar ônibus e peruas do transporte escolar horas antes de uma investigação.
rnBom que tenha sido assim.
rnTodas as manhãs centenas de pais ficam nas portas de suas casas só esperando o filho sair para a escola para poder trabalhar. Sem o mutirão, os pais estariam ali, em pé, até agora.
Mar de dinheiro na eleição
rnNão é à toa que tantos setores da economia vêem na eleição a chance de movimentação, vendas e negócios que não existiram em 2005. Vai correr um rio de dinheiro este ano e, tenha certeza, quase todo ele no Caixa 2.rnÉ, o mesmo Caixa 2 que o país ?descobriu? no escândalo do mensalão sem qualquer punição. Há uma festa de impunidade e pizza no Congresso, que só repete o que já vem acontecendo há anos e anos.
rnEntão para entender como funciona o Caixa 2 você já pode ficar de olho. A cada atividade eleitoral, a cada encontro político a cidade vai estar cheia de paus mandados, carros circulando, faixas, muitos panfletos, muitas camisetas, o transporte de todos esses cabos, os custos das viagens, os brindes todos são pagos com dinheiro do Caixa 2. O que os candidatos declaram de gastos é uma vergonha.
rnMas o que ninguém está explicando ou comentando é: de onde sai essa dinheirama toda. E é até fácil descobrir.
rnO poder público é uma máquina de produzir esse dinheiro.
rnPagamentos até R$ 9.000 nem precisam de concorrência pública. Imagine quantos órgãos – todos os ministérios, a Petrobrás, Dnit e todas as empresas públicas que você conseguir imaginar – fazem registros de gastos assim todos os dias.
rnOs comprovantes são notas fiscais e fornecedores repetidos, conhecidos nos órgãos públicos. Para quem não acompanha, fácil lembrar o recente escândalo de notas de compra de material escolar na cidade: há pelo menos três anos são os mesmos fornecedores recebendo pequenas notas repetidas vezes. O material? Vai saber…
rnE as empresas são máquinas de produzir esse dinheiro.
rnHá as licitações. A fraude na licitação começa no edital. Cada vez maior, mais detalhista, mais complicado. Assim, o edital deixa cada vez menos empresas capacitadas a participar.
rnQuais as empresas? Sempre as mesmas, as que já atuavam no tempo da ditadura, do Sarney, Collor, Itamar e por aí a fora.
rnMas só em Brasília?
rnClaro que não. Veja as empresas que vivem em torno das obras públicas no Estado, na cidade.
rnHá ainda os pagamentos, as contribuições de campanha, as doações na defesa dos interesses de cada grupo. Há a estrutura dos sindicatos – que não podem dar um tostão a candidato nenhum -, as associações, os fundos de pensão.
rnTodos movimentam um exército de gente, uma megaestrutura, uma fortuna.
rnO interesse? O bem-estar. Bem-estar dos banqueiros, das contas no exterior, da família em mansões…
José Ursílio