• 28 mai 2006 /  Fique Ligado

    Prepare-se, vem aí um novo jeito de fazer campanha eleitoral. Nada de bonés, camisetas, faixas e canetinhas. Nada de bolas e uniformes de times com grandes nomes atrás. Nada de pentes, lixas de unhas, canequinhas, perfumaria e quinquilharias.

    rnA bandalheira da campanha eleitoral vai sofrer um golpe parcial com as novas regras e vai atingir diretamente essa bobagem que era a distribuição de brindes para enganar e ludibriar o eleitor das camadas sociais mais simples, mais pobres, mais periféricas e portanto mais susceptível às quinquilharias.

    rnQuem trabalha de sol a sol acabava usando o boné sempre muito mais por necessidade que propriamente por opção ao nome expresso como propaganda escrachada e esculachada do político. O mesmo ocorre com camisetas e outros brindes de alguma utilidade aos pobres.

    rnAlém de evitar esse comprometimento da inocência ou oportunismo do eleitor menos esclarecido, as novas regras também vão deixar as ruas e postes mais limpos.

    rnJá o tal do candidato vai ser obrigado a conversar com o eleitor de uma forma diferente e vai ter de usar material informativo com mais qualidade, mais conteúdo, sem ladainha, sem dissimulação.

    rnO tal do candidato, esse sujeito interessado quase sempre apenas nos muitos cargos, privilégios e mamatas públicas, sem contar a roubalheira descarada em grande parte dos casos,vai ter que rodar mais, conversar com mais gente, organizar melhor estrutura de lideranças comunitárias em torno de seu nome.

    rnE se isso não vai ajudar muito no controle da corrupção, vai ser uma nova forma de fazer política, como era no passado mais distante, quando os recursos de mídia eram infinitamente menores e havia paixão pela política partidária.

    rnAfinal não havia tanta mentira, tanta corrupção, tanta sede de poder e de dinheiro dos homens que entravam para a política e tinham interesse em prestar serviços dignos à comunidade como agentes públicos.

    rnOs comícios estão mantidos. Candidato pode montar seu palco e subir e falar aquele monte de mentirinhas que você já cansou de ouvir. Mas nada de artistas ? pagos ou não -, nada de megashows, nada de dançarinas com o bumbum de fora.rnAquela grande maioria de caras lambidas, discursinhos enfadonhos, mentirinhas, não vai enganar mais ninguém.

    rnE quantas pessoas vão deixar suas casas, televisores, novela das oito, futebol das 21h30 e encontros de família para ficar em pé nessas noites de inverno ouvindo o blá-blá-blá dessa gente?

    rnJá eram ridículos aqueles caras lambidas de candidatos a vereador, prefeito, deputados estaduais e federais, governadores batendo palmas para modinhas de viola, imagine agora essa gente toda pendurada em palanque, sem ter o que dizer, exceto aquele vazio de sempre.

    rnOs comícios eram salvos às vezes por artistas, aqueles megashows milionários enquanto os aproveitadores e oportunistasfalavam, falavam, discursavam antes dos shows e se achavam. Mas, e agora, vai ficar exposto como a população presta atenção nos políticos e como eventualmente eles possam ter algum poder de convencimento.

    rnMas a lei não atinge a bandalheira das doações ilegais, feitas debaixo do pano. A lei não atinge a contratação ilegal dos cabos eleitorais e nem a compra de votos, uma prática comum que apesar de todos os exageros e denúncias raramente é comprovada.

    rnE como não inibe essas práticas, a lei também não vai impedir um outro crime: a extorsão junto a empresários, a pressão para receber doações, ainda que, verdade seja dita, não haveria tanta pressão e ganhos se não houvessem também tantos empresários de objetivos suspeitos e ou escusos e ou tão interessados em ficar amigos do poder.

    rnTanto que a cada nova campanha os custos para atingir o maior número de moradores e comprar mais votos vai subindo. E não se vê nenhum candidato sair da campanha quebrado, endividado.

    rnA lei proíbe o candidato de dar bonés e camisetas com seu nome. Mas não tem como impedir a doação de telhas, bolas, uniformes para times, churrascadas. Mas ainda assim pode-se ver avanços.

    rnEnquanto o candidato chegava até o eleitor gastando R$ 5, R$ 6 ou R$ 15 e R$ 20 em camisetas e bonés, agora vai ter que gastar muito mais nos prêmios ilegais. E correr mais riscos de jogar dinheiro fora.

    rnAtenção empresários, investidores e diretores de órgãos públicos: vocês vão sofrer mais pressão para ajudar a pagar essa conta.

    rnA minirreforma não acaba com a contratação dos ?cabos eleitorais?, na verdade muita gente comprada para votar e conseguir votos da família. Mas tira a campanha da rua no último dia: nada de panfleto, santinho, cartaz, papel em poste. Vai ficar mais difícil controlar e pressionar esses eleitores comprados. A chance de comprar e não levar é maior.

    rnOs candidatos devem arrumar suas formas de burlar tudo isso. Nenhuma lei contra o caixa 2, a corrupção ou bandalheira vai resolver se o eleitor e os doadores de dinheiro não ajudarem. Mas a lei dá uma boa chance de fiscalizar.

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    Novo risco para cofres públicos

    rnNão tenha dúvida de que se há risco de fechar bandalheira nas ruas e no jogo aberto da campanha, vão aumentar a pressão e as chances de uso indevido dos espaços públicos.

    rnUso de inaugurações, uso de servidores, uso da máquina, de carros, obras, serviços, atendimento público, fiscalização, capinação, limpeza de terrenos, operação tapa-buracos, só para ficar em exemplos municipais são situações em que o poder público acaba na campanha.

    rnEsse tipo de abuso já acontece, inclusive em Marília com campanha antecipada. Entrega de agasalhos, doações de uniformes e inaugurações estão sendo usadas criminosamente como palanque para nhé-nhé-nhé político.

    rnO prefeito Mário Bulgareli não está nem dando bola para a legislação eleitoral, parece também que continua há um ano e meio em campanha política, com aqueles discursinhos enfadonhos e servindo de fantoche de Abelardo Camarinha e lambe botas da candidatura de reeleição de Vinícius Camarinha.

    rnAs denúncias no Tribunal Regional Eleitoral contra essa bandalheira começaram essa semana e ao contrário dos anos anteriores e das eleições passadas onde a cidade ficou parcialmente nas mãos indevidas da escola abelardiana de maus costumes, esse ano uma operação ampla está sendo montada para proteger um pouco os cofres já depredados da Prefeitura Municipal de Marília.

    rnHá alguns focos fáceis de identificar esse uso indevido, como a pressão sobre a atuação dos agentes de saúde e do programa Saúde da Família.

    rnSão centenas de servidores nas ruas todos os dias, em contato com eleitores, pacientes e pessoas dependentes de serviços públicos.

    rnHá também os contratos, as compras direcionadas, as inaugurações vazias, como a da sala de exames da unidade de saúde da zona norte: quase 50 dias depois de inaugurada ela nunca funcionou.

    rnFoi o que acabou de acontecer também com a distribuição de uniformes de inverno das crianças onde Bulgareli aparece todo risonho, mão no ombro de Vinícius, desfilando e malversando o dinheiro do povo com politicalha.

    rnMisto de conivência, conveniência e comportamento como se quisesse ser o primeiro da turma da associação dos empregadinhos abelardianos.

    rnSem contar as propagandas ilegais, indevidas e desprovidas de mínimo de ética e dignidade.

    rnAs caras lambidas dos últimos 20 anos sempre sorrindo, sempre com aqueles discursinhos, aquela ladainha, como se estivessem abafando. Mas será que o desconfiômetro não vai ser ligado nunca?

    rnAinda bem que o cidadão de bem, as entidades, as instituições finalmente estão se articulando e aquela que era uma luta isolada está agora com adesão dos mais diversos segmentos.

    rnMarília vai virar exemplo de combate à ilegalidade, à truculência, à intimidação, à corrupção, à roubalheira e, muito mais importante, criar o eixo de novos e bem intencionados homens e agentes públicos.

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    A gente aprende rápido aqui

    rnO advogado Sérgio Weslei da Cunha, apontado como defensor e garoto de recados do PCC, foi prestar depoimento à CPI do Tráfico de Armas e deu um show ao estilo de Brasília.

    rnNão disse nada do que os deputados queriam ouvir, mais ou menos como fizeram Delúbio Soares, Duda Mendonça, Marcos Valério e outros acusados do mensalão.

    rnOs deputados fizeram também seu show. Acusações sem qualquer prova, abuso de poder, ofensas para aparecer com pose de destemidos na eleição. Tudo como fizeram com os mensaleiros, que continuam soltos, continuam ricos e rindo do cidadão comum.

    rnTudo seguia o roteiro, até Sérgio Cunha dizer o que qualquer cidadão comum gostaria. Acusado de ?aprender bem com a malandragem?, respondeu ao deputado: ?a gente aprende rápido aqui?. Foi preso.

    rnNão que Sérgio Cunha não mereça ser preso, até porque em que pese a necessidade de ampla defesa de qualquer cidadão, ninguém admite defesa de uma facção com o perfil de brutalidade do PCC.

    rnMas enquanto o tal advogado era só acusado de comprar um servidor terceirizado, de levar recados para uma facção criminosa já denunciada como quadrilha e de proteger bandidos que mataram 47 policiais, ele circulou à vontade.

    rnFoi só dizer que malandragem se aprende rápido no Congresso e ele foi preso. De tudo que o advogado falou a única expressão real foi a que definiu o perfil dos congressistas como profissionais.

    rnOs mensaleiros,os ministros, a oposição, os deputados em cima do muro fizeram e disseram o que quiseram no país nos últimos três anos. Nenhum está preso.

    rnArmaram uma bandalheira e uma roubalheira que o país nunca viu igual. Tudo terminou em pizza, não vai haver um só político na cadeia, não vai voltar um tostão aos cofres públicos. Aliás não só agora nessa era petista, mas como no passado recente, na era tucano-FHC e mais distante nos tempos de Collor, Sarney e militares.

    rnEnquanto a ladroeira era armada e ninguém se preocupava de forma séria com segurança, o PCC cresceu nos presídios e fora deles, tomou conta de periferias, armou uma estrutura de poder e tem até advogado no jogo de corrupção barata do congresso.

    rnE até aí, ninguém foi preso.

    rnMas foi só o garoto de recado do PCC dizer o que qualquer cidadão diria que ele foi preso: a gente aprende rápido sobre malandragem vendo o que esses políticos fazem todo dia.

    rnE não é só aprender malandragem. O crescimento do PCC mostra que aparece mais espaço para surgirem os malandros e que entrar para a bandidagem compensou também.

    rnO PCC movimenta milhões, influencia advogada, amigos, pessoas próximas e condenados perigosos e ao mesmo tempo vêm conseguindo privilégios, movimentando fortunas, comandando grandes golpes e esparramando sofrimento em meio a um festival de corrupção, incapacidade e mentiras oficiais. O PCC aprendeu rápido também.

    rnQuem não aprende mesmo é o cidadão, vítima permanente dos bandidos no PCC, na defesa do PCC, no Congresso e no governo.

    rnEsse cidadão está há 500 anos sendo roubado, enganado e iludido por jogos políticos como o blá-blá-blá das CPIs, como as votações que inocentam os mensaleiros e ainda rendem dança de comemorações.

    rnE o cidadão não aprende a votar, a participar, a fiscalizar e a ir para as ruas contra esses bandidos todos.

    rnQuando esteve ameaçado, o PCC foi pras ruas e deixou polícia e cidadãos sitiados. Agora que estão em campanha, os políticos vão pras ruas fazer uma festa de gastos milionários e comprar votos.

    rnE o cidadão fica em casa. Chega de acomodação, chega de omissão, chega de medo, chega de exploração. Gente, passou da hora de dar um basta, é hora de ver, viver e aprender.

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    José Ursílio

  • 21 mai 2006 /  Fique Ligado

    Esse país tão rico e bonito foi mesmo transformado em desgraça bem acabada e poucos estão preocupados e sensíveis ao caos. Nenhuma nação na história tinha registrado uma guerra civil tão insólita: saída de dentro da cadeia, lugar onde geralmente o ser humano ficaria recluso e desarticulado, teoricamente segregado para não causar mais danos e riscos aos homens de bem.

    rnDo país mais rico ao mais pobre, preso é preso, não causa mais danos à sociedade. Mas aqui é tudo sempre diferente e revolucionário para o pior. O Estado mais rico, mais desenvolvido, mais culto, mais isso e aquilo como se fosse uma das maravilhas do mundo contemporâneo, São Paulo, virou refém do crime organizado e poder paralelo.

    rnQue PSDB, PT, PMDB, PFL nada. O maior partido da atualidade, mais estruturado, mais desafiador é simplesmente o tal PCC (Primeiro Comando da Capital) de telefone celular e armas em punho à revelia de qualquer sentido de legalidade e ordenamento jurídico.

    rnMas o PCC é a conseqüência de uma causa das décadas de 70, 80 e 90 ? para delinear apenas essa geração de políticos picaretas e mal intencionados que desde a falácia do golpe militar estão extorquindo a população com impostos absurdos, saqueando o produto dessa arrecadação com a roubalheira generalizada e oferecendo nada, quase nada, em troca de tanto sacrifício, suor e lágrimas.

    rnEm uma semana ficou exposto à opinião pública de forma reveladora o que muita gente melhor informada já sabia iria explodir como bomba de efeito devastador. A guerra civil detonada pelo PCC contra São Paulo resultou em 339 ataques contra o estado de direito e as mortes passam de 169 até sexta-feira, com possibilidades de chegar a quantidade assustadora.

    rnEstado e bandidagem ignoraram tudo e todos e decretaram a adoção da pena de morte indiscriminada, sem nenhum pré-julgamento exceto o juízo de quem estiver com a arma nas mãos e sacar primeiro. Horrível.

    rnDessa vez o governo e os comandantes das polícias não podem usar o discursinho fácil e frágil de que a culpa também seria do Judiciário lento e das leis obsoletas, afinal toda brutalidade foi planejada e orquestrada por gente condenada e trancafiada.

    rnA sociedade está apenas estarrecida, amedrontada, estática e perplexa com o resultado. Mas as versões dos fatos estão distantes da discussão dos reais fundamentos e são essencialmente apresentadas com uma plástica de espetacular e sensacionalismo misturado ao despreparo das pseudo autoridades municipais, estadual e federais que desfilam misto de hipocrisia e imbecilidade. Falam, falam, sem nada dizerem ou acrescentarem de coerente.

    rnMuito pior que o ataque absurdo do crime organizado foi o formato como o governo de São Paulo tratou da questão tanto em termos de debates e discuss

    ão como de ação e reação.

    rnFicou patente que a segurança pública e o sistema penitenciário apodreceram e estão dirigidos por incompetentes, oportunistas, desleixadas – gente sem compromisso com o Estado, com a sociedade e principalmente com os riscos dos próprios agentes públicos (no caso especial os policiais civis, militares e outros da área).

    rnComo pode o Estado teoricamente mais desenvolvido da Federação não ter serviço de inteligência que pudesse ter feito operação efetiva e orquestrada para impedir que os bandidos chegassem a tamanha ousadia?

    rnSimples. O comando escondeu as informações, traiu a confiança dos subordinados, tratou com descaso a necessidade de informar toda hierarquia das instituições e achou que poderia ter controle da situação. Minimizou o poder de organização do PCC e foi derrotado.

    rnO sistema de segurança está falido, o sistema carcerário é essa festa de desmando, corrupção e boa vida de detentos que está posta com a assinatura daprepotência e arrogânciados secretários Saulo de Abreu e Nagashi Furukawa.

    rnPara fechar o quadro bem acabado de gente que não tem nada a dizer está à mostra a fragilidade dos comandos centrais e políticosdas polícias, enquanto capitães, tenentes, sargentos, cabos e soldados e delegados e investigadores pagam com a própria vida, nas ruas, baleados, sem estrutura, sem reconhecimento.

    rnUma vergonha que não pode ser tolerada. Há que se ter a responsabilização o mais rápido possível.


    PCC manda, governo obedece!

    rnA lei do mais forte, do mais violento, do mais prepotente, do mais organizado. A liberação geral, o olho por olho, o dente por dente, a justiça pelas próprias mãos. Uma facção criminosa colocou São Paulo de joelhos no ?salve geral? (expressão cunhada para ordenar decisões dentro das penitenciárias); uma represália por eventuais transferências de presos e pedidos de regalias que não estaria atendidas.

    rnNinguém quer aqui defender masmorras para presos, há que se ter regimes diferenciados, direitos, ressocialização e coisa e lousa, mas os bandidos presos não podem ficar sem punição severa e exemplar depois de usaremdessa forma ultrajante e sem o mínimo de legalidade, respeito à vida e aos próprios ensinamentos e orientações divinos.

    rnComo pode tanta articulação criminosa dentro do sistema sem que as autoridades tenham até agora medidas para coibir esse desmando? Há anos é do conhecimento de todos no governo e fora dele que a bandidagem brasileira está se estruturando. Enquanto isso, as medidas são sempre paliativas, o governo político de plantão para não ter dissabores e problemas mais graves vai cedendo às pressões, ficando cada vez mais encurralado. Os políticos de plantão acabam como os vendilhões da segurança da sociedade.

    rnNão poderia ter chegado a tamanha calamidade como chegou. Para piorar o PCC montou sua guerra civil, com tempo de planejamento, estruturação e executou sem maiores problemas. Descalabro, inaceitável e repugnante. Determinaram ataques para dizimar vidas.

    rnSem contar que o monstro cresceu tanto que nenhum outro movimento, facção, entidade chega a tal organização e estrutura, o que não deixa de ser uma lição à própria sociedade omissa e acomodada, que parece só servir mesmo para pagar impostos e encher cofres públicos com a roubalheira.

    rnA reação das cúpulas foi um desastre, medíocre e demorou. Os policiais civis e militares que formam a linha de frente acabou pagando a conta com a vida e outros riscos e ameaças. Sem contar é claro com o abalo psicológico a motivar sem justificar os abusos na reação policiale tudo vai parecendo e confirmando um quadro à revelia da legalidade, do ordenamento jurídico, dos princípios humanitários e de Justiça.

    rnComo se pudesse agora tudo ficar sob o manto e proteção das armas a esparramar tiros de ambos os lados, enquanto os prédios públicos vão ficando sitiados, atacados, assim como viaturas e os próprios policiais.

    rnSem contar os ataques ao patrimônio privado, como ônibus, bancos e à vida dos próprios civis até agora atingidos tragicamente. A população de São Paulo está assustada, rendida, ameaçada, horrorizada e não é por menos enquanto os dias evidenciam uma guerra que oscila entre ações efetivas de barbárie e boateira sem precedentes a desestruturar ainda mais a frágil e debilitada segurança pública.

    rnO conteúdo e fundamento do acordo entre governo do Estado e PCC não foi mantido em segredo como as duas partes queriam porque a mídia é uma das poucas instituições brasileiras que vem cumprindo seu papel em que pese algumas distorções de enfoque, interesse e alienação.

    rnMas como pode um governo deixar o Estado em pânico, ter sido incompetente para prever e prevenir o evento da guerra civil, rejeitar corporações federais ? seja do Exército e da Força Nacional ? e ao final aceitar regras do crime organizado?

    rnSimples. O sistema legal corrupto e incompetente não consegue tomar conta de uma figura como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e sua turmadentro das cadeias e que há muito aterrorizam não apenas o sistema mas as instituições que cuidam da segurança e ordenamento jurídico.

    rnO mesmo comando mostra megaestrutura, ataca coordenadamente e mobiliza milhares e milhares de integrantes e aliados da facção por todo Estado e tem êxito. Sem contar que Marcola é chefão com mão de ferro, ganhou tanta notoriedade e como os políticos, ele e seus interlocutores dão entrevistas, criticam, aparecem sob holofotes e bastidores e confundem a opinião pública como se estivessem defendendo uma causa justa. Indecente, abusivo e absurdo.

    rnEnquanto isso, ao invés da reação do Estado, dos comandos da Segurança Pública e Sistema Penitenciário, fortalecerem as tropas, darem respostas efetivas e de inteligência, o governo fica acuado e assustado e tenta na surdina, minimizar o problema literalmente rendendo-se ao banditismo.

    rnÉ a prova que os representantes políticos e partidáriosda sociedade que estão tomando conta do Estado desprezam o mínimo de bom senso ou são essencialmente incompetentes.

    rnMas há outra vertente definida. Na realidade esse governo PSDB-PFL quis de todas as formas mas não conseguiuminimizar rapidamente o problema por causa do ano eleitoral.

    rnFicou exposta a falência da segurança e o poder do crime organizado no sistema penitenciário e a culpa maior não é de ninguém senão da dupla Geraldo Alckmin-Cláudio Lembo que está no governo há quase 12 anos.

    rnE foi justamente nesse período que cresceu, recrudesceu e se tornou esse monstro o banditismo organizado.

    rnA culpa é deles sim, como é de toda essa mediocridade que governa o Brasil, São Paulo, Marília principalmente nessas últimas duas décadas.

    rnSem educação, saúde, infra-estrutura, qualidade de vida, atendimento social, mas sobrando superfaturamento, extorsão, corrupção e enriquecimento ilícito, a elite política foi ficando ilhada por um mar de pobreza cuja falta de alternativa fez aumentar a criminalidade e criar um ambiente propício para que o crime se organize.

    Somos todos culpados

    rnHá de justificarmos a manipulação das massas, a deficiência intelecto e cultural brasileira, mas a realidade é que todos somos culpados. Quanto mais informados e de maior estrutura patrimonial e financeira, maior a culpa nossa de o país estar nesse caos.

    rnO brasileiro é sim sujeito brilhante, pacato, singular em comportamento amistoso, vive em uma parte do planeta que é uma maravilha, cheio de riquezas naturais e como todo mundo se ufana de dizer é protegido por Deus -, aqui não se tem nem mesmo calamidades naturais como tufões, vulcões e daí por diante.

    rnMas esse macunaíma brasileiro precisa acordar desse berço esplendido. É essencial que todos deixem essa indolência e conformismo com tudo e todos.

    rnPara ser bem simplista com as classes sociais e fugir daqueles chavões de A, B, C e D, a situação do brasileiro pode ser dividida em quatro classes, assim distribuídas:

    rn1 ? Os ricos que formam as elites industriais, banqueiras, governamentais e outrosque não estão muito preocupados senão com o patrimônio e crescimento de suas riquezas. Moram com toda segurança em condomínios fechados como se estivessem isolados da violência, têm guarda costas, carros blindados, fingem que estão preocupados com os excluídos em algumas ações assistencialistas que buscam como se estivessem pedindo perdão envergonhado pelo muito que possuem em detrimento à miserabilidade da maioria.

    rn2 ? Os novos ricos, esses com médios negócios, gente que descobre nichos e se dá bem, que têm a mesma estrutura dos ricos, mas se expõem muito mais por necessidade de auto-afirmação ou sabe-se lá que outra explicação. Adoram esses clubes de serviços, vivemde jantares e almoços pseudo beneficentes, se derretem com holofotes de uma coluna social do interior ou a plástica bem acabada de uma revista Caras e coisas do gênero. Não estão nem aí senão aproveitar a descoberta de como é bom ter dinheiro para luxurias como chácaras de fim de semana, viagens, happy hour, e hobies excêntricos…

    rn3 ? Os pobres de sempre que estão empregados, têm o carnê da Casas Bahia, cartão de crédito e cheque especial estourados e ficam negativos no SPC e no Serasa a maior parte do ano. Alguns podem fazer churrasco de fim de semana com roda de amigos, na perdem o botequim, enquanto outros apenas têm condições da macarronada, frango, tubaína e pileque de cachaça para esquecer as amarguras.

    rn4 ? Os miseráveis excluídos que não têm crédito, não têm conta em banco, não têm salários, vivem à margem e quando muito consegue os cartões de vale cestas básicas dos governos de plantão. Uns estão no conformismo que um dia Deus vai tirá-los de tanto sofrimento com recompensa mínima aqui ou no céu. Outros partem logo para o crime ou infração. A maioria mal sabe escrever o próprio nome e nunca teve consulta médica, só curade chá de raízes.

    rnNo mais, esse PCC está estruturado, arrecada mais de R$ 750 mil por mês, investe em cursos de Direito e até em simpatizantes para concursos na área da segurança, os líderes já leram mais de 2.000 livros cada dos maiores filósofos e pensadores da humanidade.

    rnNós, na outra ponta, quase não saímos do antigo mobral, lemos Contigo e Caras, estamos satisfeitos com a tubaína e macarronada ou com um refinado pato com laranja, mas todos sem poder sair de casa sem o risco de ser alvejado por uma bala, ou ameaçado de seqüestro ou assalto.

    rnEsse é o quadro numa análise bem brega para todo mundo entender e pensar um pouco, mas que todos nós temos que lembrar: o sinal amarelo da bandalheira passou décadas sem que servisse de alerta, o sinal vermelho da desgraça estava ligado havia anos e ninguém, mas ninguém mesmo, quis acreditar numa situação de caos maior. Deu no que deu, vai ficar ainda muito pior, mas muito mesmo.

    rnO crime organizado derrota o Estado e a sociedade nas mais diferentes vertentes. O crime organizado do colarinho branco, das elites políticas e dos excluídos da periferia vai saqueando os direitos dos cidadãos de forma arrasadora.

    rnMas já passou da hora de cada um dedicar pelo menos meia hora do dia para ajudar a tirar esse país desse caos. O PCC e a bandidagem política dedicam 24 horas do dia em defesa de seus interesses e causas.

    rnChega de omissão.

    José Ursílio

  • 14 mai 2006 /  Atentado, Fique Ligado

    A Polícia Civil investigou e apurou, o Ministério Público denunciou, a Justiça aceitou e agora em 80 dias o processo criminal terá sentença e encerrará o caso de latrocínio na morte de Rafael Almeida Camarinha.

    rnAceitar ou não, existir dúvidas e talvez até possibilidade de modificação do enquadramento penal na fase processual é perfeitamente cabível.

    rnA Polícia Civil já tem fortes indícios e o Ministério Público está na expectativa de diligências reveladoras e surpreendentes à maior parte da opinião pública: outra versão da motivação está circulando nos meios policiais e forenses há mais de duas semanas.

    rnInfeliz, triste e lamentável seja qual for a motivação que tirou a vida de Rafael. O que é concluso nesse instante como bem demonstram investigações e denúncia processual é evidente: os organizadores e autores do bárbaro crime estão todos presos preventivamente e são todos confessos.

    rnA motivação confessada pelos acusados ou aquela que possa eventualmentemudar no rito processual está bem longe da desgraça produzida pela língua de trapo de Abelardo que tenta de todas as formas até hoje continuar fazendo palanque.

    rnNão é possível que ele não tenha compaixão mínima, que não respeite a memória do próprio filho.

    rnO que Camarinha tentou fazer mas não conseguiu em torno do inquérito policial que apurou a morte de Rafaelexibe bem o quanto ele é indecente.

    rnTudo que fez para tentar enganar a opinião pública sobre os envolvidos na morte de Rafael ele fez também ao tentar infiltrar testemunhas e fatos falsos no inquérito.

    rnMas tudo falhou.

    rnMas tudo foi desmascarado.

    rnMas as mentiras foram desmontadas.

    rnMas as farsas foram desqualificadas.

    rnQuem ler o inquérito policial tem o retrato fiel da mente abelardiana.

    rnMas todas as acusações falsas, levianas, hipócritas, truculentas e injustas que fez a esse jornalista, ao empresário Carlos Francisco Cardoso e ao digno e competente delegado Roberto Terraz serão devidamente respondidas, ao seu tempo, na legalidade.

    rnComo sou a parte atingida que escreve e fala, me cabe expor a face verdadeira de Abelardo e ao mesmo tempo explicitar à opinião pública e aos leitores em geral do Diário e aos ouvintes das rádios Diário FM e Dirceu AM como fomos vítimas de uma trama macabra e corrupta.

    rnO depoimento de Abelardo no inquérito é uma vergonha do começo ao fim. Nem poderia ser diferente porque no dia em que Renan dos Santos foi preso, Camarinha estava na porta da delegacia e já dizia que perdoava o bandido.

    rnMas como? Renan foi exatamente o sujeito que puxou o gatilho que matou Rafael.

    rnAbelardo nunca esteve a fim de apurar como pode um filho de 24 anos ser assassinado tão bárbara e tragicamente. Ele só quis até agora usar a morte com objetivos políticos, eleitorais, meios para que possa atender a ganância pelo poder e dinheiro.

    rnTriste e lamentável.

    rnMas o que quis Abelardo fazer nas declarações? Só mentiu, só contou lorotas, só ficou dizendo em sua mediocridade e imbecilidade para nos acusar.

    rnNada pegou, nada produziu que pudesse ter ajudado a polícia nas investigações, muito pelo contrário durante todo tempo só tem feito tumultuar, falsear, bem próprio de seu caráter e comportamento.

    rnA verdade apareceu mas fomos espezinhados, torpedeados, nossas famílias passaram por dor, medo e abalo psicológico sem recuperação, que atormenta nossas crianças até hoje. Isso não pode e não vai ficar impune – repito à exaustão, dentro do ordenamento jurídico.

    rnMas não apenas Abelardo. No inquérito também está o subchefão Carlos Umberto Garrossino, comandante do crime organizado para roubar os cofres públicos, principalmente da Prefeitura Municipal de Marília (tanto no passado como agora na administração do prefeito de direito Mário Bulgareli).

    rnGarrossino chegou a insinuar que eu teria ameaçado Rafael na Prefeitura, na sua presença. Mas é a galinha correndo atrás da raposa. Um gangster falando do mocinho.

    rnQuem vai acertar contas com a Justiça por banditismo e não por ameaça é o próprio Carlos Garrossino, até porque são suas as digitais e rastros em violência e falcatruas cometidas ao longo dos últimos 20 anos.

    rnO charlatão está com o burro na sombra, conseguiu ficar tão milionário quanto Abelardo ao ser o controlador da caneta, das negociatas e caixa dois da roubalheira de 1996 a 2004 e não poderia deixar de atender ao patrão para mentir tão descaradamente no inquérito.

    rnMas as declarações de ambos serão devidamente tratadas. Assim como as testemunhas de aluguel que eles encontraram para tentar desvirtuar as investigações. Bando de boçais a dizer incongruências.

    rnTudo caiu por terra. Uma única letra do que todos eles disseram serviu para desviar o trabalho eficiente da Polícia Civil e que deve ser reconhecido no robusto e bem acabado relatório do delegado Tadeu Rossi durante 45 dias de investigações competentes.

    rnIntocável na postura, Tadeu Rossi mostrou que vai ser policial de destaque na carreira, apesar de já ser especialista dentro do DHPP.

    rnMas o que Abelardo fez quando percebeu que havia isenção, transparência e competência. Passou a detratar o delegado de São Paulo. De novo, a língua de trapo nada produziu, senão cair no descrédito e continuar desmascarado.

    rnA voz e expressão de Abelardo foram do nada a lugar algum, o mesmo que aconteceu quando atacou covardemente Roberto Terraz, um dos melhores delegados de polícia que já passaram por Marília e que está no topo da lista do exemplo da corporação no Estado.

    rnDessa gente honesta Abelardo não gosta e ele tem motivos de sobra, porque são os éticos que nunca vão se vender, se corromper, aceitar a truculência e a intimidação, custe o que custar.

    rnSão poucos os que podem e têm coragem de enfrentar o banditismo do colarinho branco, mas dessa vez aos poucos Camarinha vai aprendendo que o ódio, a vingança, a truculência, a intimidação, a corrupção, também um dia encontram a linha do limite.

    rnMas se Abelardo e Garrossino vão responder por todas as denúncias caluniosas e farsas que produziram no inquérito sobre a morte de Rafael, igualmente vão responder as demais testemunhas compradas.

    rnAliás, teve gente que Camarinha comprou, pagou parcialmente e acabou nem aparecendo no inquérito com as informações forjadas.

    rnFoi o caso do pai de Renan, tal de José Aparecido dos Santos, que falou na TV Tem que iria apresentar uma carta na polícia, iria me acusar, mas desapareceu. O debilóide tem ficha corrida policial sem precedentes e não conseguiu nem mesmo decorar meu nome nas aulas de Abelardo.

    rnNinguém pode se conformar com um pai que mesmo com a morte bárbara do filho não deixa de fazer politicalha e campanha eleitoral.

    rnNinguém pode se conformar com um pai que mesmo com a morte bárbara do filho não reflita sobre os limites da ganância pelo poder e dinheiro.

    rnNinguém pode se conformar com um pai que usa a morte bárbara de um filho para caracterizar seu caráter diabólico, para atacar cruelmente cidadãos que não têm e nunca teriam um único ato para pensar, quem dirá participar de crime dessa natureza.

    rnFosse ele um homem com mínimo de sentimento de bondade, tivesse ele mostrado dor e expressões humanitárias, teríamos nos silenciado, pedido que ele fosse poupado até de outras dezenas e dezenas de crimes, teria ele tido o reconhecimento popular, apoio e solidariedade.

    rnMas desperdiçou, mostrou que não é merecedor de perdão, porque não tem humildade ou compaixão.

    rnMas ninguém acreditaria na existência de um homem tão indecente, só se ele fosse criação de ficção, literatura, estória. No caso ele é real, está mais vivo, rico e sujo que nunca e atende pelo nome de Abelardo Camarinha.


    Legalidade derrota impunidade

    rnNão há mal que perdure, farsa que fique encoberta, mentira que subsista à verdade, impunidade que não seja derrotada pela legalidade e não há bandido que escape da lei.

    rnÉ certo que às vezes o bem demora a livrar o homem das amarguras, impiedade, dor, tortura, truculência e violência.

    rnJosé Abelardo Guimarães Camarinha aos 54 anos é hoje o retrato acabado e definido de um cidadão que teve quase tudo que quis na vida e ao invés de saber aproveitar tudo para o bem fez exatamente o caminho contrário.

    rnMas ele não poderia ter escolhido esse caminho. Fosse ele cidadão comum só teria a dar satisfação à Justiça, dentro da democracia e ordenamento jurídico brasileiro.

    rnEle não responde por tudo que fez e continua fazendo o que bem entende como cidadão comum, mas muito pior, como político carreirista, de exatos 30 anos de uso e abuso dos cargos públicos que ocupou.

    rnAbelardo Camarinha é infeliz e lamentavelmente indecente tanto quanto político quanto cidadão.

    rnAtos e comportamentos desmontaram a farsa política que subsistiu até que por muito tempo – se bem que no Brasil de gente tão passiva é sempre comum que os politiqueiros enganem àmaioria por muito tempo.

    rnAfora a fraude política que se transformou, Abelardo Camarinha provou à sociedade que não tem limites na falta de escrúpulos quando se trata de defender suas verdadeiras e conhecidas intenções gananciosas pelo poder e dinheiro.

    rnQuando deveria chorar, sofrer,se consternar, ele novamente mostrou que a pedra substituiu o coração, a água gelada o sangue e o pacto que tem é única e exclusivamente com sua intimidade diabólica.

    rnMas ninguém se engane, mesmo comtoda mentira, farsa e fraude que constrói e vai sendo desmascarada, mesmo com todos os desígnios das leis dos homens e acima de tudo do destino ditado por Deus, Abelardo não pára.

    José Ursílio

  • 12 mai 2006 /  Atentado

    Escutas telefônicas autorizadas pela justiça na comunicação de possíveis envolvidos no atentado contra o jornal Diário e as rádios Dirceu AM e Diário FM chegaram ontem para o Ministério Público Estadual, que vai analisar as degravações.



    As gravações foram autorizadas dias após o atentado, ocorrido na madrugada de 8 de setembro do ano passado.


    São aproximadamente 30 páginas de conversas transcritas em diálogos captados pela Polícia Federal de telefones na apuração de suspeitos de envolvimento, seja na execução, planejamento ou financiamento do crime.


    O Diário não teve acesso às degravações, que foram entregues ontem pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), responsável pelas investigações.


    O Ministério Público informou que vai analisar o conteúdo antes de decidir se pede mais investigações sobre o caso ou apresentar denúncia contra os envolvidos.


    As gravações vão ser anexadas ao inquérito, que foi entregue na terça-feira para a justiça. As escutas não constam no relatório final apresentado pelo delegado José Carlos Costa.


    Promotores informaram que vão analisar todo caso e não deram prazo para apresentar o parecer. Pela lei, eles têm 15 dias a partir da conclusão e entrega do inquérito.


    Até agora, o caso tem como único acusado o réu confesso Anderson Ricardo Lopes, o Ricardinho. Ele chegou a delatar envolvimento de Rafael Almeida Camarinha, filho do ex-prefeito Abelardo Camarinha, principal suspeito de ser mandante do crime. A morte de Rafael encerrou investigação sobre envolvimento do estudante.

  • 11 mai 2006 /  Atentado

    O Ministério Público de Marília pode pedir mais investigações no segundo inquérito sobre o atentado contra o jornal Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM para apurar os dados das escutas telefônicas gravadas com autorização judicial após o crime.



    Encerrado anteontem pela Polícia Civil, o inquérito está em análise pelos promotores. No primeiro caso o Ministério Público já levou à condenação dos três primeiros acusados: Bruno Gaudêncio Coércio, Amarildo Barbosa e Amauri Campoy.


    Mas o inquérito chegou para o Ministério Público sem nenhuma informação das dezenas de horas de gravações registradas pela Polícia Federal. O relatório do inquérito não dedica uma linha sequer para o conteúdo das gravações.


    O relatório é omisso quanto a indicação do mandante do atentado. O inquérito policial tem 678 páginas, em três volumes.


    O Diário apurou que os documentos das degravações só teriam chegado ontem à DIG (Delegacia de Investigações Gerais), responsável pelo inquérito. Assim, os promotores só devem receber os dados hoje e a partir do recebimento analisar se vai ser preciso investigar mais alguma informação.


    O relatório mostra que a investigação praticamente parou na morte do estudante Rafael Camarinha, filho do ex-prefeito Abelardo Camarinha, delatado por Ricardinho como um dos organizadores do atentado.


    No relatório, José Carlos Costa cita formalmente por três vezes o nome de Rafael Camarinha.


    Na primeira dá ênfase a carta apresentada por Ricardinho, que aponta o filho do ex-prefeito Abelardo Camarinha como mandante do crime, mas não o denuncia formalmente.


    A segunda vez que Rafael é citado é sobre pedido de prisão temporária, que teve parecer favorável do Ministério Público mas acabou sendo negado pela justiça.


    A terceira vez aparece no relatório o nome de Rafael é usado apenas para comunicar oficialmente sua morte, informando que a certidão de óbito foi anexada ao inquérito.


    Após o assassinato, a polícia ouviu apenas mais um suspeito, que negou participação no crime.


    O relatório apenas pede a prisão preventiva de Anderson Ricardo Lopes, o Ricardinho, acusado de participar da invasão e roubo às empresas.


    Ricardinho já esteve preso por envolvimento no caso, foi liberado durante a apuração e está na cadeia de novo, agora acusado em outro crime.


    Logo em seguida, o delegado escreve que Rodrigo Tiago Lopes, primo de Ricardinho, conhecido como Macalé – até então não localizado pela polícia para prestar depoimento sobre o caso – fora ouvido mas negou participação no atentado.

  • 10 mai 2006 /  Atentado

    O inquérito em que Anderson Ricardo Lopes figura como indiciado por envolvimento no atentado contra o Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM foi encaminhado ontem para o promotor Celso Belinetti Júnior, da 1ª Vara Criminal.



    Não há informações sobre a conclusão do caso. Procurado ontem, o promotor disse que não leu detalhes do documento e não poderia falar sobre o caso.


    Além de Ricardinho, o caso tinha como investigado o estudante Rafael Camarinha e poderia chegar a outros nomes em função da perícia e escuta de quase 20 cds com gravações telefônicas autorizadas pela Justiça. Não há informações sobre o resultado dessa perícia.


    Segundo inquérito do caso, o documento vinha sendo tratado como a apuração dos mandantes para o crime, que já teve três pessoas condenadas no primeiro caso: Bruno Gaudêncio Coércio, Amarildo Barbosa e Amauri Delábio Campoy.


    Todos são amigos pessoais e ex-assessores do ex-prefeito Abelardo Camarinha e foram condenados a 12 anos de prisão por incêndio qualificado e roubo qualificado.

    Ricardinho confessou ser o homem que invadiu o prédio para render o porteiro Sérgio Araújo e permitir a entrada do resto do bando.

  • 07 mai 2006 /  Atentado

    A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) lançou dia 3, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o relatório “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil”, produzido a partir de um levantamento feito pela Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa da entidade.



    Foram registrados 67 casos de violência contra jornalistas. O relatório destaca o incêndio criminoso no Diário como um dos atentados contra a liberdade de expressão. O relatório completo pode ser acessado no site da entidade (www.fenaj.or.gbr) “Atentados a bomba, incêndios, tiros, situações de risco profissional, intimidações nos locais de trabalho, apreensão de equipamentos, entre outros foram os casos registrados no levantamento da Fenaj”, diz a apresentação do material.


    Além de informar o caso como um dos crimes contra a liberdade, a Fenaj reproduziu informações produzidas pelo jornal sobre o crime a condenação de três envolvidos: Bruno Gaudêncio Coércio, Amarildo Barbosa e Amauri Delábio Campoy.


    “Na madrugada de 8 de setembro um grupo de desconhecidos rendeu pessoal da segurança da CMN (Central Marília Notícias) para, em seguida, espalhar gasolina e provocar um incêndio no local, causando sérios danos matérias. O ataque atingiu o Diário de Marília e as estações de rádio Dirceu AM e Diário FM”, diz relatório da Fenaj.


    “O juiz acompanhou as acusações feitas pelo Ministério Público e pelos advogados Telêmaco Luiz Fernandes Júnior e José Cláudio Bravos na avaliação sobre o motivo para o crime: os bandidos queriam calar o jornal e as rádios”, destaca o documento.


    O relatório traz informações detalhadas sobre os diversos tipos de violência: “A maioria dos 67 casos de violência contra a imprensa registrados em 2005 teve como autores pessoas eleitas pelo povo ou contratadas pelos poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário”, diz o relatório.


    “Quem lidera o “ranking” são os políticos com 21 casos de agressões, ameaças, assédio judicial e outras formas de pressionar ou controlar a imprensa”, destaca a Fenaj.


    No caso do Diário o atentado segue investigado pela Polícia Civil, está em seu segundo inquérito e o principal acusado, como na maioria dos crimes, é um político: o ex-prefeito Abelardo Camarinha, que vem revelando repetidas demonstração de inconformismo com a linha crítica do jornal.


    Uma das conclusões do relatório é que “apurar e divulgar informações no Brasil é um trabalho de risco, principalmente se envolver detentores de poder econômico ou político”.


    Segundo a Fenaj, o relatório encaminhado ao ministro da Justiça, à presidente do Conselho Nacional de Justiça, órgãos de comunicação e entidades.

  • 07 mai 2006 /  Atentado, Fique Ligado

    São 40 os ladrões do dinheiro público encastelados no governo… Essa semana a maior revista brasileira, a Veja, trouxe reportagem que é rombo ao governo petista. Justo e perfeito.

    rnNo caso de Marília a cidade também está em fase igualmente privilegiada de investigar e denunciar os agentes públicos corruptos para salvar as instituições, especialmente a Prefeitura Municipal de Marília.

    rnAqui já está sacramentado e provado que o chefão da quadrilha é Abelardo Camarinha e que os 40 ladrões são comandados pelo subchefão Carlos Umberto Garrossino, responsável pela sofisticação na organização criminosa que assalta os cofres públicos desde 1983.

    rnAbelardo Mentirinha pode ir se preparando para seu inferno astral político e eleitoral e para algumas surpresas que ainda terá pela frente. Vai engolir todas as baboseiras feitas com sua bem acabada língua de trapo maldosa, truculenta e corrupta.

    rnO dinheiro sujo que esconde não vai servir para mudar mais uma única letra das provas que evidenciam as mazelas de sua vida política e criminosa.

    rnEle comandou terrorismo durante anos, calou a tudo e todos com esquema de negócios escusos e terror baseados em bravatas e uso da força e do poder quando ninguém ousava desmascará-lo e enfrentá-lo dentro da legalidade.

    rnCamarinha ainda não respondeu por nada do muito que fez contra a administração pública de Marília, contra cidadãos indefesos, contra a democracia e contra os cidadãos de bem e do bem.

    rnEle teve adesão, usou como ninguém o populismo e a máquina administrativa para ludibriar a opinião pública, explorou e tirou proveito da Prefeituracom mão de ferro e justiça com as próprias mãos enquanto as instituições e agentes públicos se omitiram ou se rendendo à truculência.

    rnMas os escândalos acabaram entrando em rota de colisão com a verdade e nos últimos três anos seu poder foi virando pó e suas mãos e rastros atolados no mar de lama fétida do que ele mesmo produziu de maldade.

    rnA escola abelardiana de maus costumes teve sua verdadeira fachada conhecida. A cortina de proteção foi arrancada e os escombros diabólicos evidenciam à sociedade o quanto há de podridão para ser investigada, denunciada e transformada em processos cíveis e criminais.

    rnO marco histórico e emblemático produzido pela gangue abelardiana em oito de setembro de 2005 foi trágico ao desestruturar com incêndio as rádios e o jornal e definiu de vez a necessidade de acabar com o império do crime montado por Camarinha.

    rnAbelardo Mentirinha já responde a mais de 140 procedimentos que o apontou como um dos maiores corruptos do interior do país, líder de uma quadrilha que há mais de 20 anos assalta os cofres da Prefeitura, como muito bem e claramente demonstram milhares e milhares de laudas em diversas acusações montadas com clareza e eficiência pelo Ministério Público Estadual.

    rnSão apenas quatro as condenações judiciais do Mentirinha. Mas o pior do banditismo ainda não foi pego pela ação dos agentes públicos que cuidam dos interesses do cidadão e, óbvio, por uma adesão sem precedentes de investigações isentas que estão em andamento.

    rnNão se trata mais de banir Camarinha da vida política e administrativa, pois isso é conseqüência natural quando há o exercício das liberdades e valores democráticos.

    rnNecessário é manter a permanente e eficaz prática de efetivar todas as medidas que o façam pagar e arcar com as devidas e exemplares punições previstas no estado de direito e ordenamento jurídico.

    rnOs cofres públicos precisam ser ressarcidos da bandalheira que provocou roubalheira e rombo sem precedentes históricos contra a Prefeitura Municipal de Marília até os dias atuais.

    rnQuem assinou tudo não vai ficar impune e podem se preparar Abelardo Mentirinha e o comandante dos serviços escusos e caixa dois Carlos Umberto Garrossino, subchefão mor da bandalheira.

    rnO que já está nas mãos do Ministério Público Estadual, da Procuradoria Geral de Justiça e da Justiça Estadual já evidencia escândalo sem precedentes e esse jornalista já tem quase tudo devidamente levantado e vai servir para uma série de colunas e reportagens para os próximos meses e que já faz parte da estrutura de um livro que vai mostrar a história política da cidade, suas causas e conseqüências.

    rnA essa ficha corrida que continua em investigação e diligências dos promotores deve-se se juntar outros dossiês que eu pessoalmente e com apoio de infindáveis denúncias e investigações já levantei e que continuo elaborando.

    rnHá uma coordenação ampla de esforços que também está mobilizando outras investigações de caráter estritamente sigiloso e essas igualmente devem provocar repercussão que pode tirar Marília do clima de terror e capital nacional do banditismo do colarinho branco para transformá-la em exemplo de combate ao crime organizado e fim da impunidade contra a corrupção e roubalheira dos cofres públicos.

    rnO Brasil está sendo passado a limpo por boa parte da sociedade, a corrupção está exposta assim como suas ramificações e Marília feliz e finalmente está embalada nessa causa e conseqüência a partir de investigações demolidoras de promotores e procuradores de Justiça e de Tribunais.

    rnNinguém vai escapar e mesmo que haja alguns sacrifícios de gente de escalões bem inferiores que foram apenas inocentes úteis, tudo vai chegar ao fim para que o mal maior seja combatido e Abelardo Mentirinha e o charlatão Carlos Umberto Garrossino possam responder por cada triz que cometeram.

    rnDe minha parte não vou me amedrontar, me render, me omitir. Podem eles continuarem usando todas as armas oficiais e de banditismo como o fazem agora em todas as horas do dia em todos os dias da semana.

    rnNão me vendo sob qualquer condição. Não tenho medo das agressões morais e físicas que Camarinha e Garrossino pagam para que capangas executem e que agora estão oferecendo recompensa para quem conseguir me atacar fisicamente o mais rápido possível.

    rnNão temo a contratação de pistoleiro para me eliminar como eles aberta e descaradamente tramam em suas rodinhas de asseclas. Só Deus sabe quando e como vou partir.

    rnNão me intimida a arataca armada pelo Mentirinha que faz de Mário Bulgareli e Luiz Nardi reféns da maracutaia, roubalheira e da tentativa de inviabilizar qualquer contratação pela Prefeitura de serviços que as empresas de comunicação prestam.

    rnNão vão calar a mídia, pelo contrário, no país inteiro as liberdades estão sendo defendidas como nunca, não será em Marília que a gangue de Camarinha se não conseguiu destruir jornal e rádios com incêndio de forma idiota e medíocre acham que vão inviabilizar as empresas. Justiça será feita aqui e nos Tribunais.

    rnEles podem continuar zombando do estado de direito, do funcionamento das instituições, como se fossem não apenas os donos do mundo, da cidade, mas que a justiça estivesse em suas próprias mãos.

    rnEstão enganados como nunca. Não apenas me fortalecem e me fazem ainda mais determinado para que continue na luta e missão que abracei com determinação.

    rnAo contrário do desejo da dupla Mentirinha-Charlatão, quero e rezo para que eles vivam no mínimo até cem anos, para que possam responder e pagar por tudo que já fizeram de maldade para pessoas e cidade e que depois quem sabe aprendam a lição e possam viver em paz com suas consciências e se desculpem com suas famílias e seus herdeiros.

    rnEles se acham poderosos por conta do dinheiro que amealharam em mais de 20 anos de roubalheira, parecem acreditar que são preferidos ou enviados especiais à terra com poderes extraterrenos.

    rnMas não podem se esquecer que terão que fazer acerto de contas não só sob a lei dos homens mas igualmente quando forem se ajustar com Deus.

    rnTodos nós seremos, todos nós temos fatura irrecorrível e por isso não tenho nenhum desejo doentio e de ódio contra Mentirinha ou quem quer que seja, mas nem por isso deixo de fazer minha parte para me penitenciar de meus defeitos e pecados e para que eu possa continuar com a consciência tranqüila e vendo meu filho Matheus de apenas oito anos todos os dias me fazendo bilhetes e cartinhas de confiança, amor e desejo de sorte.

    rnQuero que quando ele entender melhor o mundo, tenha todas as informações minhas enquanto pai, mas igualmente enquanto homem, cidadão, o que fiz de incorreto e que ele tenha como exemplo para evitar cometê-los, mas que tenha como princípio e comportamento tudo aquilo que for de virtude, do bem e para o bem.

    José Ursílio