Prepare-se, vem aí um novo jeito de fazer campanha eleitoral. Nada de bonés, camisetas, faixas e canetinhas. Nada de bolas e uniformes de times com grandes nomes atrás. Nada de pentes, lixas de unhas, canequinhas, perfumaria e quinquilharias.
rnA bandalheira da campanha eleitoral vai sofrer um golpe parcial com as novas regras e vai atingir diretamente essa bobagem que era a distribuição de brindes para enganar e ludibriar o eleitor das camadas sociais mais simples, mais pobres, mais periféricas e portanto mais susceptível às quinquilharias.
rnQuem trabalha de sol a sol acabava usando o boné sempre muito mais por necessidade que propriamente por opção ao nome expresso como propaganda escrachada e esculachada do político. O mesmo ocorre com camisetas e outros brindes de alguma utilidade aos pobres.
rnAlém de evitar esse comprometimento da inocência ou oportunismo do eleitor menos esclarecido, as novas regras também vão deixar as ruas e postes mais limpos.
rnJá o tal do candidato vai ser obrigado a conversar com o eleitor de uma forma diferente e vai ter de usar material informativo com mais qualidade, mais conteúdo, sem ladainha, sem dissimulação.
rnO tal do candidato, esse sujeito interessado quase sempre apenas nos muitos cargos, privilégios e mamatas públicas, sem contar a roubalheira descarada em grande parte dos casos,vai ter que rodar mais, conversar com mais gente, organizar melhor estrutura de lideranças comunitárias em torno de seu nome.
rnE se isso não vai ajudar muito no controle da corrupção, vai ser uma nova forma de fazer política, como era no passado mais distante, quando os recursos de mídia eram infinitamente menores e havia paixão pela política partidária.
rnAfinal não havia tanta mentira, tanta corrupção, tanta sede de poder e de dinheiro dos homens que entravam para a política e tinham interesse em prestar serviços dignos à comunidade como agentes públicos.
rnOs comícios estão mantidos. Candidato pode montar seu palco e subir e falar aquele monte de mentirinhas que você já cansou de ouvir. Mas nada de artistas ? pagos ou não -, nada de megashows, nada de dançarinas com o bumbum de fora.rnAquela grande maioria de caras lambidas, discursinhos enfadonhos, mentirinhas, não vai enganar mais ninguém.
rnE quantas pessoas vão deixar suas casas, televisores, novela das oito, futebol das 21h30 e encontros de família para ficar em pé nessas noites de inverno ouvindo o blá-blá-blá dessa gente?
rnJá eram ridículos aqueles caras lambidas de candidatos a vereador, prefeito, deputados estaduais e federais, governadores batendo palmas para modinhas de viola, imagine agora essa gente toda pendurada em palanque, sem ter o que dizer, exceto aquele vazio de sempre.
rnOs comícios eram salvos às vezes por artistas, aqueles megashows milionários enquanto os aproveitadores e oportunistasfalavam, falavam, discursavam antes dos shows e se achavam. Mas, e agora, vai ficar exposto como a população presta atenção nos políticos e como eventualmente eles possam ter algum poder de convencimento.
rnMas a lei não atinge a bandalheira das doações ilegais, feitas debaixo do pano. A lei não atinge a contratação ilegal dos cabos eleitorais e nem a compra de votos, uma prática comum que apesar de todos os exageros e denúncias raramente é comprovada.
rnE como não inibe essas práticas, a lei também não vai impedir um outro crime: a extorsão junto a empresários, a pressão para receber doações, ainda que, verdade seja dita, não haveria tanta pressão e ganhos se não houvessem também tantos empresários de objetivos suspeitos e ou escusos e ou tão interessados em ficar amigos do poder.
rnTanto que a cada nova campanha os custos para atingir o maior número de moradores e comprar mais votos vai subindo. E não se vê nenhum candidato sair da campanha quebrado, endividado.
rnA lei proíbe o candidato de dar bonés e camisetas com seu nome. Mas não tem como impedir a doação de telhas, bolas, uniformes para times, churrascadas. Mas ainda assim pode-se ver avanços.
rnEnquanto o candidato chegava até o eleitor gastando R$ 5, R$ 6 ou R$ 15 e R$ 20 em camisetas e bonés, agora vai ter que gastar muito mais nos prêmios ilegais. E correr mais riscos de jogar dinheiro fora.
rnAtenção empresários, investidores e diretores de órgãos públicos: vocês vão sofrer mais pressão para ajudar a pagar essa conta.
rnA minirreforma não acaba com a contratação dos ?cabos eleitorais?, na verdade muita gente comprada para votar e conseguir votos da família. Mas tira a campanha da rua no último dia: nada de panfleto, santinho, cartaz, papel em poste. Vai ficar mais difícil controlar e pressionar esses eleitores comprados. A chance de comprar e não levar é maior.
rnOs candidatos devem arrumar suas formas de burlar tudo isso. Nenhuma lei contra o caixa 2, a corrupção ou bandalheira vai resolver se o eleitor e os doadores de dinheiro não ajudarem. Mas a lei dá uma boa chance de fiscalizar.
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Novo risco para cofres públicos
rnNão tenha dúvida de que se há risco de fechar bandalheira nas ruas e no jogo aberto da campanha, vão aumentar a pressão e as chances de uso indevido dos espaços públicos.
rnUso de inaugurações, uso de servidores, uso da máquina, de carros, obras, serviços, atendimento público, fiscalização, capinação, limpeza de terrenos, operação tapa-buracos, só para ficar em exemplos municipais são situações em que o poder público acaba na campanha.
rnEsse tipo de abuso já acontece, inclusive em Marília com campanha antecipada. Entrega de agasalhos, doações de uniformes e inaugurações estão sendo usadas criminosamente como palanque para nhé-nhé-nhé político.
rnO prefeito Mário Bulgareli não está nem dando bola para a legislação eleitoral, parece também que continua há um ano e meio em campanha política, com aqueles discursinhos enfadonhos e servindo de fantoche de Abelardo Camarinha e lambe botas da candidatura de reeleição de Vinícius Camarinha.
rnAs denúncias no Tribunal Regional Eleitoral contra essa bandalheira começaram essa semana e ao contrário dos anos anteriores e das eleições passadas onde a cidade ficou parcialmente nas mãos indevidas da escola abelardiana de maus costumes, esse ano uma operação ampla está sendo montada para proteger um pouco os cofres já depredados da Prefeitura Municipal de Marília.
rnHá alguns focos fáceis de identificar esse uso indevido, como a pressão sobre a atuação dos agentes de saúde e do programa Saúde da Família.
rnSão centenas de servidores nas ruas todos os dias, em contato com eleitores, pacientes e pessoas dependentes de serviços públicos.
rnHá também os contratos, as compras direcionadas, as inaugurações vazias, como a da sala de exames da unidade de saúde da zona norte: quase 50 dias depois de inaugurada ela nunca funcionou.
rnFoi o que acabou de acontecer também com a distribuição de uniformes de inverno das crianças onde Bulgareli aparece todo risonho, mão no ombro de Vinícius, desfilando e malversando o dinheiro do povo com politicalha.
rnMisto de conivência, conveniência e comportamento como se quisesse ser o primeiro da turma da associação dos empregadinhos abelardianos.
rnSem contar as propagandas ilegais, indevidas e desprovidas de mínimo de ética e dignidade.
rnAs caras lambidas dos últimos 20 anos sempre sorrindo, sempre com aqueles discursinhos, aquela ladainha, como se estivessem abafando. Mas será que o desconfiômetro não vai ser ligado nunca?
rnAinda bem que o cidadão de bem, as entidades, as instituições finalmente estão se articulando e aquela que era uma luta isolada está agora com adesão dos mais diversos segmentos.
rnMarília vai virar exemplo de combate à ilegalidade, à truculência, à intimidação, à corrupção, à roubalheira e, muito mais importante, criar o eixo de novos e bem intencionados homens e agentes públicos.
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A gente aprende rápido aqui
rnO advogado Sérgio Weslei da Cunha, apontado como defensor e garoto de recados do PCC, foi prestar depoimento à CPI do Tráfico de Armas e deu um show ao estilo de Brasília.
rnNão disse nada do que os deputados queriam ouvir, mais ou menos como fizeram Delúbio Soares, Duda Mendonça, Marcos Valério e outros acusados do mensalão.
rnOs deputados fizeram também seu show. Acusações sem qualquer prova, abuso de poder, ofensas para aparecer com pose de destemidos na eleição. Tudo como fizeram com os mensaleiros, que continuam soltos, continuam ricos e rindo do cidadão comum.
rnTudo seguia o roteiro, até Sérgio Cunha dizer o que qualquer cidadão comum gostaria. Acusado de ?aprender bem com a malandragem?, respondeu ao deputado: ?a gente aprende rápido aqui?. Foi preso.
rnNão que Sérgio Cunha não mereça ser preso, até porque em que pese a necessidade de ampla defesa de qualquer cidadão, ninguém admite defesa de uma facção com o perfil de brutalidade do PCC.
rnMas enquanto o tal advogado era só acusado de comprar um servidor terceirizado, de levar recados para uma facção criminosa já denunciada como quadrilha e de proteger bandidos que mataram 47 policiais, ele circulou à vontade.
rnFoi só dizer que malandragem se aprende rápido no Congresso e ele foi preso. De tudo que o advogado falou a única expressão real foi a que definiu o perfil dos congressistas como profissionais.
rnOs mensaleiros,os ministros, a oposição, os deputados em cima do muro fizeram e disseram o que quiseram no país nos últimos três anos. Nenhum está preso.
rnArmaram uma bandalheira e uma roubalheira que o país nunca viu igual. Tudo terminou em pizza, não vai haver um só político na cadeia, não vai voltar um tostão aos cofres públicos. Aliás não só agora nessa era petista, mas como no passado recente, na era tucano-FHC e mais distante nos tempos de Collor, Sarney e militares.
rnEnquanto a ladroeira era armada e ninguém se preocupava de forma séria com segurança, o PCC cresceu nos presídios e fora deles, tomou conta de periferias, armou uma estrutura de poder e tem até advogado no jogo de corrupção barata do congresso.
rnE até aí, ninguém foi preso.
rnMas foi só o garoto de recado do PCC dizer o que qualquer cidadão diria que ele foi preso: a gente aprende rápido sobre malandragem vendo o que esses políticos fazem todo dia.
rnE não é só aprender malandragem. O crescimento do PCC mostra que aparece mais espaço para surgirem os malandros e que entrar para a bandidagem compensou também.
rnO PCC movimenta milhões, influencia advogada, amigos, pessoas próximas e condenados perigosos e ao mesmo tempo vêm conseguindo privilégios, movimentando fortunas, comandando grandes golpes e esparramando sofrimento em meio a um festival de corrupção, incapacidade e mentiras oficiais. O PCC aprendeu rápido também.
rnQuem não aprende mesmo é o cidadão, vítima permanente dos bandidos no PCC, na defesa do PCC, no Congresso e no governo.
rnEsse cidadão está há 500 anos sendo roubado, enganado e iludido por jogos políticos como o blá-blá-blá das CPIs, como as votações que inocentam os mensaleiros e ainda rendem dança de comemorações.
rnE o cidadão não aprende a votar, a participar, a fiscalizar e a ir para as ruas contra esses bandidos todos.
rnQuando esteve ameaçado, o PCC foi pras ruas e deixou polícia e cidadãos sitiados. Agora que estão em campanha, os políticos vão pras ruas fazer uma festa de gastos milionários e comprar votos.
rnE o cidadão fica em casa. Chega de acomodação, chega de omissão, chega de medo, chega de exploração. Gente, passou da hora de dar um basta, é hora de ver, viver e aprender.
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José Ursílio