• 24 set 2006 /  Fique Ligado

    A menina Suzane Manoela da Silva Souza, de 10 anos, deve estar agora brincando com anjos e muito cuidada por Deus, infinitamente melhor que sua passagem pela vida. Pena que a tristeza de seus pais e familiares não vai ter fim, tamanha falta que ela já está fazendo.

    rnDistantes da dor da família, pensando assim, talvez possamos nos confortar e conformar com tamanha tragédia que é assistir a morte de mais uma menininha simples da periferia.

    rnTemos que aprender a dar repercussão, discussão e sentir mais indignação e não preferir omissão como se fosse quase normal, um incidente, a morte de uma menina num córrego onde escorre dejetos de esgoto, a merda de parte da cidade.

    rnÀs vezes somos hipócritas e estúpidos e parece que sentimos mais a morte de uma pessoa mais abastada material e financeiramente – aliás, por culpa também nossa, da mídia, que dá mais destaque como se hierarquizássemos o ser humano até na hora da morte por importância e medição sócio-econômica.

    rnSomos quase todos os dias hipócritas e tudo está tão banalizado que no quesito corrupção e escândalo quase acreditamos ser natural ou, conformistas, acreditamos que não tem jeito.

    rnMas à parte tudo isso e mais alguns detalhes, vou ficar na morte de Suzane na semana que passou e nas lições que devem ficar para o conjunto da sociedade de Marília, principalmente à administração pública municipal e demais autoridades que lidam com a fiscalização dos direitos individuais e coletivos do cidadão.

    rnA tragédia de Suzane é o caso mais recente. Tem também o absurdo que a Rádio Dirceu AM e o jornal Diário divulgaram em agosto, do desleixo e abandono na rua Bento de Abreu Filho, no Jardim Santa Antonieta.

    rnPara refrescar nossa curta memória: em outubro de 2004, o marido de dona Fraudísia Rocha Ferreira Barbosa morreu vítima de atropelamento por ciclista.

    rnQual a culpa do poder público? O ciclista desviou de buraco na rua Bento de Abreu Filho, que na época, como denunciava a associação de moradores, tinha absurdos 512 buracos. Pasme, quase todos os buracos continuam lá, fazendo vítimas de trânsito e causando estragos em veículos.

    rnMas são tantos e tantos casos que por conta da deficiência de banco de dados do jornal e do próprio poder público e por falha de minha memória, nem dá para listar os demais descalabros. Mas são muitos e vou ficar então só na tragédia do momento e evitar algum exagero.

    rnSó nesse ano poderia relacionar as mortes de pelo menos três pessoas em Marília por quase comprovada falta de atendimento do sistema de saúde pública – outro desleixo, desmando, descaminho, enfim, ?des? de tudo que é mazela de quem é agente público.

    rnÉ muito pouco apenas chorarmos a morte de uma menina de 10 anos. Não podemos mais ficar omissos e de braços cruzados como se fosse impossível evitar tragédias. Elas podem ser evitadas. Só não há prevenção lógica contra a força da natureza e olha que assim mesmo basta respeitar o meio ambiente que ele não vai castigar o homem.

    rnSensibilize-se nesse domingo ao ler de novo essa coluna. Você, pai, pense em seu filho, avô em seu neto, tio em seu sobrinho, adolescente e jovem em seus irmãos ou amigos e ao pensar em seres tão importantes em sua vida, faça um segundo que seja de oração e reflexão pela menina Suzane.

    rnA morte da menina revolta e mostra decepção contra a administração pública pela Comunidade Mãe da Divina Providência, batismo até emblemático para afastar o estigma popular de ser taxada de favela.

    rnÉ simples. Famílias menos favorecidas ou excluídas socialmente, vão sendo empurradas para as periferias de todas as cidades e Marília não é diferente, mas se é aqui que moramos, temos que nos defender e gritar contra a falta de opção e políticas públicas em defesa dessas comunidades.

    rnA cambada da politicalha não perde a oportunidade de se aproveitar do menos informado como as famílias de baixa e quase nenhuma renda, mas na hora de dar o retorno, resgatar a dignidade, é aquela ladainha, aquele fingimento.

    rnA comunidade que deveria a partir de agora eleger a menina Suzane como marco de uma reviravolta não pode continuar tão abandonada e esquecida por Marília e seus agentes públicos, como ocorre há mais de 12 anos.

    rnO que mais irrita é que mesmo depois da tragédia, um único setor, secretaria, assessor, ou sabe-se lá que outra boa alma da administração Mário Bulgareli foi até o local fazer inspeção, levantamento, verificar necessidade de adoção de alguma medida emergencial. Lamentável, mas bem o perfil de como Marília anda sendo tratada há muitos anos.

    rnAquele fim de cidade à beira do que sobrou do bosteiro que é o antigo Córrego do Pombo (canalizado entre a avenida Santo Antonio e a rodovia SP-294) tem uma comunidade simples e humilde, mas que obrigatoriamente não pode continuar esquecida e ignorada.

    rnO bairro ganhou maior notoriedade a custo muito alto, que é a morte de Suzane, mas o certo é que a Rádio Dirceu AM e o Jornal Diário estão na vanguarda em defesa da cidadania há muito tempo e denunciando o desmazelo mais gritante em algumas regiões da cidade mais sensíveis pela inexistência de toda e qualquer infra-estrutura e condições mínimas de ocupação.

    rnO que o poder público tem feito? Não preciso nem responder. Basta verificar o atoleiro que a cidade anda em algumas áreas não só nesses um ano e oito meses de governo Mário Bulgareli, até agora o puro e simples continuismo da malfadada administração de oito anos de Abelardo Camarinha.

    rnNão são eles culpados também da morte da menina Suzane? São sim. Não exclusivos, mas quando o homem público não cumpre com suas responsabilidades, com planos e projetos é sinal que ele concorre para que ocorram tragédias, mesmo de forma indireta.

    rnAgora, muito pior para a cidade é quando faltam recursos para atender toda a crescente demanda de serviços públicos e ao mesmo tempo o minguado cofre público é fruto de desvios, superfaturamento, corrupção, enriquecimento ilícito, como ocorreu nos oito anos de Camarinha e como muito bem demonstram hoje a enxurrada catastrófica de mais de 160 processos cíveis e criminais que tramitam contra ele e boa parte de sua patotaem todos os tribunais de Justiça, assim como nas garras de promotores e procuradores de Justiça – estaduais e federais.

    rnPassada mais essa bandalheira e mentira que virou o debate político partidário nessas eleições, espera-se que o prefeito Mário Bulgareli adote postura mínima de governante e passe a dar atenção a Marília.

    rnBulgareli ainda tem mais de dois anos de governo se nenhum desastre político e jurídico acontecer e não interessa que compromissos políticos ele tenha, ele tem é a responsabilidade, dever e obrigação de administrar Marília. E sua caneta tem cofres por onde passam mais de R$ 300 milhões.

    rnIsso mesmo, mais de trezentos milhões de reais de nossos impostos, nosso suor, nosso trabalho, nossa riqueza, nossos esforços, às vezes, ao custo de nossas lágrimas e até sangue.

    rnAgora, o que irrita e decepciona é a inoperância e ineficiência. Não vou nem culpar Bulgareli, que pode dizer não sabe de nada. Ou que talvez não manda nada, ou então a assessoria que herdou quer vê-lo no fundo do poço. Ou está sendo sabotado e traído.

    rnDos mais de 700 cargos em comissão no mar de mordomia e festival de gente sem concurso, Bulgareli parece que tem de confiança mesmo meia dúzia de gatos pingados que não conseguem se desvencilhar das amarras e garras da malfadada escola abelardiana de maus costumes.

    rnNinguém se prestou a mínima tarefa de dar atenção àquela comunidade. Vivo repetindo. Pelo menos respeito e transparência é essencial. Dar atenção e atendimento ao cidadão, munícipe e contribuinte é obrigação básica.

    rnQuem trabalha estava tão ocupado que não teve tempo de fazer mínima visita que fosse? Sim. Mais de 500 agentes públicos comissionados nem poderiam fazer nada, pois não seria sua área de atuação.

    rnMas, e a parte da cambada, lambe botas, cupinchada, que quase nada produz, que nada assessora, que apenas perambula meia horinha pelos corredores da Prefeitura e depois vai cuidar da vida ou fazer politicagem naquela mamata descarada e deslavada?

    rnO pessoal da boquinha, que vive da mamata das gordas tetas dessa Viúva municipal, há quase dez anos faz da Prefeitura e da politicalha uma maneira indecente de ganhar a vida numa boa.

    rnEssa parte podre herdada por Bulgareli teria que ser expurgada, desinfetada da Prefeitura antes que seja tarde e o prefeito vai sentir o peso da responsabilidade pois é ele quem deve tomar providência. Se tivesse mais gente de qualidade ao lado, seguramente poderia ter identidade própria, em que pese não ter condições sabe-se lá porque de livrar-se do maquiavelismo.

    rnNa outra ponta, o que desilude mesmo é o fato dos instrumentos de mobilização da comunidade estarem tão ignorados pelo poder público e sem estrutura de reagir.

    rnTanto assim que no caso do bairro onde estava morando a menina Suzane, uma das líderes comunitárias, Vera Lúcia Novaes, de sua simplicidade, mas aguerrida, ainda tentava articular moradores e teve o apoio da Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

    rnEla está cansada de ir de um lado para o outro atrás dos Camarinha, dos Bulgareli, dos vereadores, de secretários, uma e outra eminência parda, sem que nada aconteça, sabe a quanto tempo? Mais de 10 anos. Dez longos anos. Lastimável.

    rnAgora é esperar a outra parte do poder público, que seria o Poder Judiciário, que no entanto precisa da ação do Ministério Público. Os promotores ainda que estejam consumidos em tantas investigações por conta e causa de tantos e tantos desmandos, precisa fazer mais um esforço epegar de jeito em cima dessa Prefeitura para que não seja necessária outra tragédia naquela ou em qualquer outra região da cidade.

    rnAfinal, naquele fim de mundo para nós, existe um pedacinho de terra importante para centenas de famílias. Lá estão pelo menos 400 crianças e adolescentes com idade máxima de 15 anos que vivem na comunidade em situação de alto risco não só pela contaminação do córrego pelo dejeto de esgoto que correa céu aberto, mas pela falta de ligações de água, de asfalto ou áreas de lazer, entre outras mínimas condições de vida.

  • 17 set 2006 /  Fique Ligado

    Desmanche

    rnrnNão foi apenas dívida de R$ 57 milhões que Mário Bulgareli herdou do desastre administrativo Abelardo Camarinha. A estrutura de equipamentos, máquinas e implementos em alguns casos não serve nem para sucata ou desmanche. Pior de tudo é que os serviços públicos estão cada dia mais deteriorados e a população perdendo a paciência. Sobrou para Bulgareli ficar de bico calado e de orelha quente.

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    Cambada

    rnrnA parte séria da administração – em cargos de comissão e portanto sem concurso público – se esforça para trabalhar embora não existam metas e coordenação, nem mesmo projetos que provoquem motivação. Já a parte de cambada formada por puxa-sacos, paus mandados e lambe botas, como nada produz mesmo, está num mar de rosas desfilando desocupada por corredores do prédio da Prefeitura e em alguns casos fazendo campanha eleitoral indevida.

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    Boca da botija

    rnrnNão é apenas a pasmaceira que toma conta da atual administração que vai prejudicar Mário Bulgareli, mas sim o que está por trás das investidas das fiscalizações silenciosas e sigilosas nesses tempos de amadurecimento de parte das instituições. O que vai ter de gente sendo pego com a boca na botija vai deixar o prefeito de orelha quente e cabelo em pé e amarelo um bom tempo.

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    Só risadinha

    rnrnPior de tudo é que além da inoperância da maior parte da estrutura administrativa, tudo vai ficando cada dia mais nas mãos indevidas da escola abelardiana de maus costumes. Bulgareli não faz nada para se desvencilhar dos caprichos, ordens e até ironias de bastidores. As risadinhas de corredores e bastidores chegam a provocar vergonha até em gente que se isenta dos malfadados serviçais.

    É caótica

    rnrnPor conta da falta de identidade própria e amarras de compromissos cada dia mais esquisitos, Mário Bulgareli parece mesmo fadado a fazer uma administração sem qualquer marca. Pior, nem mesmo a manutenção do que já existia está andando e o caos em setores essenciais como saúde, abastecimento de água e infra-estrutura básica vai indicando que agora já há desmazelo com as coisas e causas populares e públicas.

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    Abra o olho

    rnrnAs eventuais e poucas pessoas de confiança de Mário Bulgareli na administração municipal estão cada dia mais vencidas e derrotadas pela escola abelardiana de maus costumes arraigada em toda estrutura da Prefeitura. Mas o que anda acontecendo é retrocesso no mínimo de postura de independência do prefeito. Já parece que tudo é figurativo e que vai ser difícil Bulgareli abrir o olho em alguns casos e se desvencilhar das algemas em outros.

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    Barbaridade

    rnrnHá duas semanas foi uma vergonha a Prefeitura ter deixado sem limpar a avenida Tancredo Neves domingo após a tradicional feira. O cidadão debem que passou por lá não poupou ironias, reclamações e xingação. Não foi por menos, um descaso descabido, injustificado e próprio de gente despreparada, sem contar que foi outra prova evidente da ineficiência e irresponsabilidade de parte da cambada que ?açeçora? (assim mesmo) Mário Bulgareli.

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    Uma vergonha

    rnrnO desastre parece que vai se repetindo nessa área de serviços urbanos, que quem responde há nove anos e oito meses é Waldomiro Paes. Sobrou reclamação para todos os cantos da cidade por causa da falta de coleta de lixo urbano. Mas nem as coisas triviais, simples, mas essenciais de manutenção a Prefeitura de Marília está fazendo? Lamentável, inaceitável e indicação de que Bulgareli não tem mínima rédea administrativa.

    EncostadosrnrnPior de tudo é que virou e mexeu e a semana da Prefeitura foi de fim de feira e não meio de administração. Faltou combustível para veículos (ambulâncias e caminhões) e parte da frota sucateada estava encostada. Prova cada dia mais evidente que Camarinha deixou um rastro de atraso que Bulgareli não sabe mais o que fazer e nem pode falar nada. Mas a população pode e ainda bem, está gritando como nunca.

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    Sobra lixo

    rnrnMas é o lixo do lixo em todos os sentidos. Da frota de 20 caminhões da limpeza pública, nove ou 45% estavam encostados por defeitos diversos. Mas cadê a manutenção? Nove caminhões quebrados na mesma semana? Mas que estado de conservação é esse? Essa Prefeitura realmente está retratada na frota de caminhões, ou seja, parece que quase nada funciona.

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    Um vexame

    rnrnO retrato do desastre e não vou debitar a Mário Bulgareli a conta. Pelo contrário. Vou defendê-lo. Ele está abandonado, isolado, sem assessoria e agora está até passando-se por ridículo. Abri um convite na sexta-feira, papel couchê, colorido, impresso oficial da Prefeitura, porte pago, parte destacável para preenchimento do cerimonial. Convite para? Para abertura da Campanha de Vacinação Anti-Rábica.

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    Latindo

    rnrnEntão a Prefeitura de Marília em pleno 2006, debate político, problemas em todas as áreas administrativas, serviços imprestáveis, população irritada, e o máximo que a assessoria e o prefeito conseguem produzir é convidar autoridades para a abertura da campanha anti-rábica? Com todo respeito à cachorrada, a necessidade da vacinação para proteger animais e homens, mas como diz o povo, dá licença, né?

    Cão bravo

    rnrnAntigamente por obra justamente da vacinação de animais, dizia-se que agosto era mês do cachorro louco. Pois é, parece que alguns cãezinhos podem ter mordido o pessoal que assessora o prefeito. O que não estão avisando ao prefeito é que o povo está também, como diziam nossos avós, soltando os cachorros, ou seja, gritando que não agüenta mais tanta lenga-lenga, nhe-nhe-nhém e ladainha.

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    Conscientização

    rnrnUsar mídia, conscientizar a população para a necessidade da vacinação, orientar e prevenir é papel fundamental da administração que quer ser séria, mas cerimônia, convite em papel couchê, é o cúmulo. Só faltava perfilar cães e discursar, falar dos avanços e melhoria da qualidade de suas vidas. Ou será que o povo acordou ontem cedinho e foi lá bater palma para realização tão inovadora?

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    Um centavo?

    rnrnCaixa dois de político parece ser coisa normal, assim como acobertar patrimônio, comprar dólar e ter laranjas e ou testas de ferro em negócios. Mas a declaração de bens de Vinícius Camarinha é simplesmente abusiva e trata a Receita Federal e outros agentes de fiscalização com deboche. Está na declaração de renda um lote no bairro Santa Antonieta, na Zona Norte de Marília, pelo valor de R$ 0,01, isso mesmo não está errado, é um centavo. Barbaridade.

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    Mau exemplo

    rnrnMas isso não é só. Barbaridade idêntica é de Abelardo Camarinha, cujo patrimônio não passa R$ 104 mil. Isso mesmo, pela sua declaração de renda ele não passa de um pobretão, um sujeito que não conseguiu nada na vida pública e que o dinheiro desviado como está denunciado em mais de 165 processos criminais e cíveis desapareceu do mapa. Ou estaria enterrado em alguma fazenda ou escondido em algum flat em São Paulo. Ou então tem o maior pomar de laranjas do país.

  • 17 set 2006 /  Fique Ligado

    ?Marília é uma cidade importante, mas é um absurdo. Não é assim nem em grandes centros como Campinas… Não podemos conceber que a irracionalidade política fique acima da lei…?

    rnSe esse jornalista escreve essa avaliação é eventualmente exagerado e pode soar como falta de conhecimento de outras realidades para exercitar tal opinião. Tanto assim que omissos, interesseiros e gente satisfeita por aproveitar-se da situação ainda insiste em ignorar o tamanho do desmando, corrupção e sentimento de impunidade que reina na cidade.

    rnMuito bem. Mas o que está entre aspas foi falado em alto e bom som e claramente dessa forma e com algumas variações por nada mais nada menos que três das principais autoridades de investigação no Estado de São Paulo, de carreiras brilhantes, éticas e que podem com absoluta certeza serem enquadrados naquele rol de intocáveis, isso mesmo, como nos bons filmes de mocinhos e bandidos, esses são os destemidos:

    rnMário Bonságlia e Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, procuradores federais, e João Francisco Moreira Viegas, procurador estadual, que neste instante estão atuando como os guardiões e fiscais da lei eleitoral em defesa da sociedade.

    rnClaro, outros tantos procuradores reúnem os mesmos predicados, lisura, competência e vontade de fazer que é muito importante, mas no caso foram eles que na semana que passou estiveram em Marília num outro marco histórico, em audiência pública da Procuradoria Regional Eleitoral, na proposta louvável de combate a abusos do poder econômico, corrupção e outras irregularidades na campanha política.

    rnMas estavam na audiência perfilados os procuradores federais e estaduais que atuam na Comarca de Marília, não menos destemidos e intocáveis e que aliás há anos trabalham justamente para reverter esse quadro grotesco e de sentimento de impunidade da parte podre não só na política e poderes públicos Executivo e Legislativo, mas nos demais segmentos e instituições.

    rnBravo Marília, estamos saindo das trevas da capital nacional do banditismo, truculência, corrupção e roubalheira para entrar em novos e promissores tempos de lisura, legalidade, igualdade e Justiça.

    rnQueremos crer, vamos trabalhar, para que dentro de pouco ou médio tempo a cidade de Marília seja o exemplo do êxito do combate às mazelas, à bandalheira, à corrupção, à impunidade.

    rnA inédita audiência da semana que passou mostrou que as pessoas do bem e de bem estão agindo, ainda que nós às vezes possamos desanimar e ficarmos ansiosos à espera de conquistas mais rápidas de Justiça.

    rnMuito importante na atuação das Procuradorias Federal e Estadual foi a experiência de abrir espaço livre, democrático e igualitário a todos os segmentos sociais e ideológicos, do mais simples ao mais abastado tanto material quanto intelectual.

    rnOs procuradores e promotores investigam várias denúncias e desvios passados e atuais e durante o encontro emMarília deixaram claro quefatos novos ocorridos sejam encaminhados ao MP para eventuais apurações e que todos prestem atenção para aprodução de provas, importante para a condenação dos culpados.

    rnProcuradores que participaram da audiência afirmaram que Marília vive uma situação diferenciada, com número exagerado de denúncias por desrespeito a legislação eleitoral.

    rn?A situação de Marília é bastante conhecida, justamente por isso estamos aqui.

    É uma situação bastante antiga, mas que como pessoas de bem temos de reagir?, definiu o procurador João Francisco Moreira Viegas. É mais que uma autoridade simplesmente mostrando a realidade, é uma lição e estímulo para que possamos continuar na luta que é árdua e difícil, mas legítima e digna.

    rnE se cada um de nós fizer sua parte, por menor e minimamente importante que possa parecer, com certeza Marília vai ser transformada num marco de combate a tudo que é desmando e impunidade.

  • 10 set 2006 /  Fique Ligado

    Rezam lenda e adágio popular que lobisomem se mata com bala de prata, vampiro com estaca no coração e raio de sol e que nos tempos da idade da pedra e até por volta de 1700 o homem de alguma forma fazia Justiça com as mãos e vontades próprias.

    rnPós revolução francesa e antes dela o surgimento da primeira carta de direitos e deveres num estado de direito adotado pelos norte-americanos, o homem teoricamente evoluiu em conceitos de democracia e ordenamento jurídico que funciona na maior parte do mundo ocidental, tido como mais civilizado, com influência cada vez maior no resto do mundo.

    rnMas, onde está o homem nunca existirá um mundo perfeito – perfeita mesmo só a natureza segundo as leis e criação de Deus e naturalmente a parte boa das ciências.

    rnComo não é meu forte conhecimento histórico, fundamentos existenciais e lendas e folclore, vou delinear minha coluna deste domingo ignorando vampiros e lobisomens, mas defendendo a Justiça e a legalidade sem tráfico de influências, aliadas a valores éticos como instrumentos para acabar nos dias de hoje com quem pensa poder fazer valer suas vontades à base das mãos alheias, usando truculência e intimidação sob a base da corrupção e roubalheira contra os cofres públicos, no caso específico, o bando que está disfarçado de grupo político chefiado por Abelardo Camarinha.

    rnA campanha eleitoral deste ano traz à sociedade o que há de melhor acabado no mundo do marketing, da propaganda, mas a realidade toda é de uma enganação sem precedentes.

    rnTanto assim que logo na primeira semana de horário eleitoral gratuito, nada mais ou menos que sua excelência o ministro Marco Aurélio de Mello, presidente do STE (Supremo Tribunal Eleitoral); sugeriu que o eleitor fique de olhos e ouvidos bem abertos pois o pouco que já tinha assistido indicaria necessidade de acionar o código de defesa do consumidor, por uso depropaganda enganosa.

    rnMas como todo debate e discussão com valores de liberdades de expressão e pensamentos estimulando a evolução de idéias e posturas, o período eleitoral também expõe bem algumas excrescências.

    rnNo caso de Marília, farsas, fraudes e dissimulações de outrora finalmente estão desmascaradas e deixando evidente que não existe império que dure para sempre e muito menos mal que um dia não seja derrotado. E olha que a luta ainda será longa, árdua e difícil, mas não impossível de ser vencida.

    rnNão cabe a este jornalista ou a quem quer que seja pré-julgar ninguém, mas é do dever, obrigação e direito à luz do ordenamento jurídico e democracia fiscalizar tudo e todos, principalmente aqueles homens que se dispõem e se autoproclamam públicos.

    rnNão é obrigação, mas direito disputar cargo público eletivo e, a partir de então, eleito ou não, cabe à sociedade avaliar carreira, obra e vida desses ditos homens públicos. Quem ocupou, ocupa ou ocupará qualquer cargo então, terá sempre sua vida devassada e vigiada.

    rnÉ nesse contexto que está o sujeito Abelardo Camarinha, que como todos nós e outros sempre terá que responder à luz da legalidade e Justiça por tudo que já produziu nesses quase 30 anos de vida pública aos poucos desmascarada.

    rnO primeiro julgamento de um homem público é o popular e nesse item Abelardo não tem do que reclamar, independente, é claro, dos métodos e enganação que usou até aqui e a formação da opinião pública se debate no campo das idéias e legalidade, com o passar do tempo.

    rnComo todos nós ao fim teremos individualmente uma conta a acertar, sem nenhuma influência ou nada a influir, que será com Deus.

    rnMas a terceira versão de acerto de contas é aquela à luz da lei dos homens e nessa Abelardo Camarinha finalmente vai experimentando como é ser cidadão comum, independente de vontades próprias, todo dinheiro e armas e mecanismos vis que possa continuar usando como sempre o fez.

    rnAo contrário das lendas que caçam vampiros para cravar estacas no peito ou lobisomem que possa ser abatido com bala de prata, o sentimento e comportamento de impunidade de Abelardo Camarinha está sendo encurralado pela legalidade, lenta, mas gradual.

    rnAcostumado a usar a força, truculência e intimidação contra quem ousou divergir ou discordar dele nos anos em que comandava a política como se fosse dono da cidade, hoje enfrenta tempos diferentes e vai sendo engolido e atropelado pelos próprios sentimentos de impunidade descabidos, Camarinha vai esperneando e aos poucos desmascarado.

    rnAquela figura que provocava temor e prevenção não cabe mais nos dias atuais seja na lenda de vampiro e lobisomem ou na vida real de uma cidade como Marília.

    rnMas o tempo passa, o quadro vai mudando para melhor e o grupo político e a parte podre e de bandidagem não se emenda e a culpa quase exclusiva é de quem lidera a cambada.

    rnTanto assim que, longe, mas bem distante mesmo de sua mitificada e descabida jocosidade que a tudo podia, Abelardo Camarinha sofreu derrota em série no Tribunal Regional Eleitoral: os desembargadores rejeitaram sete representações judiciais movidas por Camarinha e Vinícius, para tentar calar o jornalismo da rádio Dirceu AM, especialmente no horário de minha participação, todos os dias, a partir das 11h30, no Jornal da Cidade.

    rnAcostumado a anunciar medidas, decisões, sentenças, a manipular e corromper os escalões diversos das instituições, agora em todas as representações Camarinha pediu liminares para calar e censurar a rádio mesmo antes do julgamento.

    rnNão colou. As liminares foram todas negadas.

    rnAs teses da defesa acatadas pelos desembargadores destacaram o trabalho do advogado Telêmaco Luiz Fernandes, defensor da emissora e deste jornalista. Um banho de legalidade, legitimidade, democracia e lição de ordenamento jurídico.

    rnCamarinha esperneou, não gosta do que está ouvindo e lendo, detesta ter a verdade exposta, mas ele vai continuar obrigado a respeitar o pluralismo, as liberdades de expressão, pensamento e crítica. Não só ele, mas onde existir a necessidade de ser desenvolvido e levado o jornalismo das rádios e do jornal, com minhas participações.

    rnMas como pode um homem público negar-se a conviver com a democracia e o direito às informação, à formação da opinião pública e querer que veículos de comunicação deixem de mostrar desmandos cometidos pelo ex-prefeito na prefeitura, que provocaram desde rombo nos cofres até a rejeição das contas de 2003 e 2004 pelo Tribunal de Contas do Estado (basta consultar site www.tce.gov.br)?

    rnCamarinha tentou mas não conseguiu impedir que a verdade venha à tona seja nessa coluna e na Rádio Dirceu, nesse período em que o Tribunal de Justiça de São Paulo mandou extinguir as taxas ilegais do IPTU, que ele criou em 1997 para cobrar mais dos contribuintes e mesmo com toda dinheirama que passou pelos cofres da Prefeitura, ainda deixou rombo nas contas, superiores a R$ 57 milhões.

    rnNão é a primeira vez que Camarinha tenta censurar a imprensa, me calar com métodos legais, mas avessos à crítica e que acaba sempre derrotado em tribunais.

    rnEm 2004 ele conseguiu até liminar em Marília para calar o Diário por 13 dias e foi derrotado também no Tribunal, que mudou a decisão de primeira instância e restabeleceu a liberdade de expressão.

    rnA primeira derrota de Camarinha no Tribunal foi em relação ao debate que a rádio fez sobre nova legislação que regulamentará a concessão do transporte coletivo urbano e entre os convidados estava o vereador Sidney Gobeti de Souza.

    rnOra, em nenhum momento da entrevista o vereador falou como candidato a qualquer cargo, tanto assim que o Tribunal anotou:

    rn?A emissora bem demonstrou que não está divulgando opinião favorável e nem privilegiando nenhum candidato, posto que o programa se referiu exclusivamente à polêmica criada pela edição de lei referente ao transporte público do referido município?, diz o juiz Percival Nogueira na sentença da representação 15.999 (clicar www.tre.gov.rnbr.).

    rnAs decisões do Tribunal Regional Eleitoral em rejeitar as representações deCamarinhaseguem tendência das principais cortes do país em proteger a liberdade de expressão e as relações democráticas contra jogo de interesses e poder econômico.

    rnQuem dá essa lição jurídica é o advogado Telêmaco Luiz Fernandes Júnior, nosso defensor agora e que foi o responsável em 2004 por acabar com a censura contra o Diário.

    rnEspecializado em Direito Constitucional, o advogado destaca que a liberdade de expressão é muito mais que um direito do jornalista: é uma garantia para o cidadão:

    rn?Não é só o jornalista que tem o direito de se manifestar. É a coletividade, o cidadão comum que tem direito a receber informação livre, sem censura. É o cidadão que tem direito a ouvir opiniões e críticas, especialmente sobre questões de interesse coletivo, como vêm tratando a rádio Dirceu, sem qualquer interesse eleitoral?.

    rnÉ surpreendente que políticos ainda usem a tentativa de censura e intimidação contra a liberdade de expressão.

    rnMas há explicação para essa tentativa tresloucada de Camarinha para calar o jornal: é o desespero de políticos desmascarados, de maus administradores que tentam esconder a todo custo as mazelas e os escândalos de suas gestões que formam agora mais de 150 procedimentos entre processos cíveis e criminais (clicar o nome do acusado Camarinha nos ícones cíveis e criminais no site www.tj-sp.gov.br). As decisões do Tribunal reforçam a confiança na Justiça como proteção aos direitos do cidadão.

    rnMas o que o Tribunal decidiu através de diferentes desembargadores nos últimos 10 dias na sanha de Camarinha para me calar e impedir o jornalismo sério e independente é aula que deveria calar de vez o provincianismo e jogo de interesses que dominam a cidade e que aos poucos vai mostrando que é mesmo necessária e essencial uma força tarefa para dar um basta no estado de truculência que vigora sem as devidas respostas das instituições.

    rn Outra representação, de número 16.000, igualmente rejeitada pelo Tribunal sentenciou:

    rn?Os comentários críticos do jornalista referem-se à administração e à atuação política do representante, fato este que afasta, em princípio, a providência liminar ora requerida?,escreveu o juiz, o jurista James Siano.

    rnO julgamento final do caso teve avaliação ainda mais grave contra Camarinha e a pretensão de censuracaiu mais uma vez: ?A representação está precariamente instruída?.

    rnO que esse jornalista, a própria linha editorial do jornal Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM, vêm defendendo em Marília está estritamente dentro da legalidade e da verdade e para garantir essa defesa intransigente dessa postura, de novo, outra anotação e lição de democracia e direitos fundamentais anotada em decisão do Tribunal.

    rnNão indo além da livre manifestação do pensamento e exercício regular do direito de crítica política, aliás, como é próprio do regime democrático e plenamente compatível com o embate eleitoral.

    rnÉ assim, um primor de posição de jurista, reproduzindo relatório do desembargador Décio Notarangeli, que o juizda propaganda eleitoral James Siano, do Tribunal Regional Eleitoral, rejeitou outra descabida, desastrada e armação furada em tentativa de censurar a rádio Dirceu AM.

    rnO jornal mostrou em várias publicações as decisões da Justiça em segunda instância com objetivo de bem explicar à população de Marília que todo jornalismo desenvolvido está baseado em valores e direitos defendidos hoje em todo país.

    rnO jurista James Siano foi ainda mais além ao reproduzir mais decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral); com a proteção da liberdade de expressão:rn?A propósito, o Colendo TSE já firmou entendimento no sentido de que ?a crítica, ainda que pesada, podendo ser entendida no contexto do exame de temas político-comunitários, não atrai aplicação da penalidade prevista em lei??.

    rnA sentença frisou ainda que o fato de a crítica ser incisiva não representa irregularidade, conforme entendimento do STJ: ?observações críticas, ainda que irritantes, nos limites da divulgação da situação fática, não configuram, per se, crime de imprensa.?

    rnEssa liberdade não pode ser tolhida.

    rnO único ato salutar é a escolha do fórum de debates, a Justiça, que Camarinha não está acostumado a usar e os exemplos mais evidentes e claros estão na enxurrada de atos de truculência e violência ao longo da carreira, desgraçadamente tendo chegado a absurdos inconcebíveis como os atentados criminosos de oito de setembro de 2005 contra jornal e rádios e a tentativa de homicídio de 18 de julho deste ano.

    rnPortanto, por essa postura e tantas e tantas outras que já expus aqui, em reportagens no própriojornal e rádios, que Camarinha está fadado a ter seu nome escrito na história da cidade e na memória dessa comunidade como exemplo deprimente e deplorável.

  • 07 set 2006 /  Atentado

    Na manhã de 18 de julho, 310 dias depois do atentado contra os prédios, o desempregado Evandro Quini perseguiu um motorista que deixava o prédio da rádio Diário, na praça Saturnino de Brito. Pensava seguir o jornalista José Ursílio, a quem pretendia matar.



    Sem calar o jornal, o segundo atentado foi um crime contra a vida do jornalista, que escapou pelas trapalhadas do “pistoleiro” contratado. Ele nem sabia usar a arma.


    Esperou que o motorista tomasse café, seguiu por mais uma quadra e meia e anunciou: “toma o que vc queria”, antes de tentar atirar com uma pistola Glock, de fabricação austríaca.


    O tiro não saiu, o motorista Almir Adauto tentou fugir, foi seguido. Sai o primeiro tiro: errou. Os dois começam a lutar e a pistola dispara mais uma vez. A bala atinge o chão, os estilhaços ferem o matador e ele corre.


    Foi preso pouco depois e disse “matei o José Ursílio”. Não matou ninguém e errou de alvo. Em depoimento após prisão disse que o atentado foi tramado durante conversa em um bingo no centro da cidade dias antes de o crime.


    O contato começou depois que Evandro Quini, o bandido preso por tentar consumar o crime, confessou em conversa com amigos que precisava muito de dinheiro.


    A oferta partiu de um homem moreno, cabelo curto, alto, em torno de 40 anos.


    Esse homem está na mira da polícia. Foi identificado por ele como Luma.


    O jornalista José Ursílio ofereceu uma recompensa por informações que levem ao mandante do crime.


    Aponta o policial rodoviário federal Edmilson Domingos de Lima, o Lima, como provável suspeito de ser o contratante e o ex-fazendeiro Arnaldo Mendes de Oliveira Neto, o Arnaldinho, como provável suspeito de participar na organização, planejamento e estrutura de fuga.

    Arnaldinho foi testemunha de aluguel no processo do atentado, mentiu e acabou o caso acusado de falso testemunho.

  • 07 set 2006 /  Atentado

    Amigos e envolvidos na defesa dos acusados do atentado além dos assessores e pessoas próximas ao ex-prefeito Abelardo Camarinha, reagiram com violência e truculência após o fracasso do atentado.



    Um pacote de falsas denúncias, diversas representações judiciais para tentar calar a rádio Dirceu, agressões, ameaças e ofensas nas ruas, inclusive dentro do Fórum. A última foi agressão e roubo ao fotógrafo Hygor Haritov, do Diário.


    Todas as representações foram negadas pelo Tribunal Regional Eleitoral, que deixou diversas lições de liberdade de imprensa e de expressão. Pelo menos sete representações de Camarinha e seu filho, Vinícius Camarinha, foram protocoladas e negadas.


    “A emissora bem demonstrou que não está divulgando opinião favorável e nem privilegiando nenhum candidato, posto que o programa se referiu exclusivamente à polêmica criada pela edição de lei referente ao transporte público do referido município”, diz o juiz Percival Nogueira na sentença da representação 15.999 (www.tre.gov.br).


    As teses da defesa acatadas pelos desembargadores destacaram o trabalho do advogado Telêmaco Luiz Fernandes, defensor da emissora, do dono da empresa Carlos Francisco Cardoso e do jornalista. Um banho de legalidade, legitimidade, democracia e lição de ordenamento jurídico.


    Além das defesas contra os ataques, a empresa e o jornalista José Ursílio vêm protocolando série de representações e pedidos de investigações do crime organizado, tanto na Polícia Civil como junto à Polícia Federal e ao Ministério Público estadual e federal.


    Em todos os pedidos o jornalista manifesta a necessidade de formação de uma força-tarefa para investigar não só os ataques, mas série de fraudes e contratos suspeitos na administração municipal.

    “É preciso resgatar a legalidade, o respeito pelo Estado Democrático de Direitos. Hoje não há esse respeito na cidade. Embora dura, incisiva, desprestigiosa, a propaganda veiculada não chega a ser ofensiva, não se baseia em afirmação sabidamente inverídica, nem se situa fora do contexto do debate político, não indo além da livre manifestação do pensamento e exercício regular do direito de crítica política, aliás, como é próprio do regime democrático e plenamente compatível com o embate eleitoral”, diz o Tribunal Regional Eleitoral.

  • 07 set 2006 /  Atentado

    O processo que condenou Bruno Coércio, Amauri Campoy e Amarildo Barbosa a 12 anos de prisão está em fase de recurso no Tribunal de Justiça. O último despacho é de 31 de agosto, quando o caso foi encaminhado para a Procuradoria de Justiça, para apresentar as informações sobre os recursos.



    A defesa tenta anular a pena de 12 anos. A acusação quer incluir condenação por formação de quadrilha, que foi denunciada pelo Ministério Público mas rejeitada pela Justiça na cidade.


    Além do recurso tramita um habeas corpus movido por Bruno Coércio, que tenta sua libertação mas já foi derrotado no Tribunal de Justiça.

    O pedido de tramitação está no STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília, e pode seguir ainda para o STF (Supremo Tribunal Federal).

  • 07 set 2006 /  Atentado





    O juiz José Roberto Nogueira Nascimento, da 1ª Vara Criminal de Marília, condenou no dia 23 de janeiro a 12 anos de prisão Amauri Delábio Campoy, Bruno Gaudêncio Coércio e Amarildo Barbosa por envolvimento no atentado contra o prédio do jornal Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM.



    A sentença ocupou 38 páginas e detalhou a avaliação do juiz sobre todas as acusações, até a de que o incêndio teve pequenas proporções. “O volume d´água necessário para combatê-lo foi substancial e segundo entendimento dos bombeiros o incêndio foi considerado de “grande monta”.


    “Entendo que o laudo elaborado pela Polícia Científica e as observações do Corpo de Bombeiros revelam que a destruição provocada pelo fogo ultrapassou os limites restritos do patrimônio da Empresa, traduzindo-se em risco para prédios vizinhos e seus moradores, bem como para saúde e vida do vigia Sérgio da Silva Araújo, abandonado pelos réus com as mãos atadas no interior do prédio já tomado pelas chamas.”


    “Fixo a pena do crime de incêndio acima do mínimo legal, qual seja, cinco (5) anos de reclusão e pagamento de trinta (30) dias multa no valor unitário de um trigésimo do salário mínimo em vigor na data do fato.”


    Sobre o roubo, mais uma vez foi enfático. “Das imputações contidas na denúncia esta é a mais gravosa e certamente mais polêmica no tocante à sua tipificação”.


    “Como observou a defesa o roubo não ultrapassou, no início, a tentativa dos réus de convencerem o vigia Sérgio de que invadiram a empresa com o propósito de roubá-la..”


    “Ocorre que embora se tenha por evidente a preocupação dos réus de conseguir as chaves apenas para terem acesso aos locais aonde pretendiam provocar o incêndio, o fato é que dois dos envolvidos no crime, um deles aquele que portava a arma, permaneceram ao lado da vítima Sérgio insistindo que desejavam dinheiro, ameaçando a vítima com arma de fogo, inclusive ferindo o rosto desta com o cano do revólver, conforme ilustrado na fotografia juntada ao Inquérito constatado no exame de corpo de delito.”


    “A violência contra a vítima Sérgio foi desnecessária, desde o início verifica-se pelo teor das gravações que ela não resistiu de forma alguma, pelo contrário, pedia por sua vida, lembrava que tinha filhos e também chorava.”


    “Na dosagem da pena para o crime de roubo parto do mínimo legal, quatro (04) anos de reclusão e pagamento de dez (10) dias multa no valor unitário de um trigésimo do salário mínimo em vigor na data do fato. Presentes as majorantes especiais do emprego de pelo menos uma arma de fogo e concurso de mais de duas pessoas, elevo de um terço as penas acima cominadas, o que resulta no cumprimento de cinco (05) anos e quatro (04) meses de reclusão em regime fechado, e pagamento de treze (13) dias multa na base mínima.”


  • 07 set 2006 /  Atentado

    Uma unidade prisional com sobra de vagas: há 207 presos para 225 acomodações.



    Trabalho interno em faxina ou manutenção do prédio. Equipe multidisciplinar de atendimento em orientação jurídica, de saúde e até terapia ocupacional.


    É assim que Bruno Gaudêncio Coércio, Amauri Delábio Campoy e Amarildo Barbosa cumprem pena no Centro de Ressocialização de Lins, a 70 km de Marília, condenados pelo atentado ao Diário.


    Os três estão no Centro desde o dia 14 de novembro, transferidos do Centro de Detenção Provisória de Bauru, onde aguardavam julgamento com outros mil acusados.


    Segundo a diretora do Centro de Ressocialização, a psicóloga Zoe Jardim Aoki, 60, a unidade oferece condição diferenciada da imagem popularizada das cadeias.


    Bruno Coércio, filho do secretário de Esportes Carlos Coércio, o Guru, aproveitou o tempo na unidade para concluir os estudos e terminar o ensino médio. Amarildo e Amauri não quiseram estudar.


    Eles ocupam alojamentos diferentes e segundo a diretora não registraram nenhum caso de disciplina nem de qualquer problema.


    Até a semana passada a equipe multidisciplinar de atendimento incluía dois advogados, assistentes sociais, psicólogos, dentista, médico, enfermeiro padrão e auxiliar de enfermagem, terapeuta ocupacional, cozinheiros e nutricionista.


    Eram funcionários contratados por uma ONG (Organização Não Governamental) de suporte ao atendimento na unidade. O convênio com a ONG terminou na semana passada e o Centro já iniciou a substituição dos profissionais.


    “Já temos advogada atendendo e estamos recebendo suporte de suprimentos de outras duas unidades. Depois da eleição deve ser feito trâmite da contratação definitiva”, explicou a diretora.

  • 07 set 2006 /  Atentado

    Um ano depois de chocar a cidade e ganhar repercussão internacional, o atentado cometido contra o jornal Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM caminha para o segundo processo contra acusados de executar o crime e sem identificar ou punir os contratantes e mandantes do crime, o mais grave ataque à liberdade de expressão na história da cidade.



    Bruno Gaudêncio Coércio, Amauri Delábio Campoy e Amarildo Barbosa, condenados a 12 anos de prisão por incêndio criminoso e assalto ao porteiro Sérgio Araújo, cumprem pena no Centro de Ressocialização de Lins.


    Apontado como principal suspeito de ser o mentor intelectual do atentado, o ex-prefeito Abelardo Camarinha ainda não foi sequer ouvido nos inquéritos sobre o caso.


    Seu filho, Rafael Almeida Camarinha, chegou a ser indiciado por envolvimento no crime, mas sua morte em 14 de março deste ano eliminou a investigação e afastou o caso do ex-prefeito.


    O jornal e as rádios funcionam de forma precária em um prédio alugado na praça Saturnino de Brito, ao lado da sede tradicional da rua Coronel Galdino.


    A reforma e reocupação da antiga sede ainda dependem de negociação e pagamentos pela companhia seguradora, de São Paulo.


    Um ano depois o caso está relacionado em pelo menos dois relatórios de alerta sobre ataques contra à liberdade de expressão: um balanço anual da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e um levantamento em parceria da ANJ e Unesco, que lista 190 ataques em todo o país.


    O editor do Diário, o jornalista José Ursílio, disse que a apuração do caso até agora foi mais que suficiente para provar a motivação política e a truculência de um bando criminoso escondido como se fosse uma força política.


    “São bandidos do colarinho branco, uma forma de crime organizado que tenta controlar a cidade contra as leis, contra a vontade dos moradores, contra o Estado de direito.”


    Apesar dos avanços, o jornalista lamenta a impunidade para os mandantes do crime, que ele considera um estímulo a outros atos de truculência, como a tentativa de homicídio contra ele, a agressão a fotógrafos, ameaças a jornalistas e funcionários, pressão ilegal e acusações mentirosas.

    “Além das dificuldades operacionais e financeiras que o atentado provocou, vivemos uma situação de pressão constante, de banditismo, de tentativa de intimidação que são ameaças contra as instituições do Estado de Direito.”