• 29 out 2006 /  Fique Ligado

    Se as pesquisas estiverem corretas, e nelas confio em que pesem distorções pontuais em formato de perguntas quando se quer direcionar o resultado de alguma maneira, Luiz Inácio Lula da Silva é o retirante que virou metalúrgico,virou sindicalista, virou político, virou presidente da República e vai virar o ano outra vez homem da caneta, decisões e cofresmais poderosos e influentes do Brasil.

    rnConsidero existir saturação natural para práticas e teorias partidárias, conseqüência do festival nacional de besteiras edição 2006 de eleições, mas vamos todos acordar patriotas e cidadãos a exercer um dos direitos maiores e menos valorizados no país: votar e escolher o governante de plantão para quatro anos.

    rnSaturada está a questão por absoluta incompetência, vazio e dissimulação dos políticos profissionalizados e a produzir e reproduzir esse descrédito generalizado.

    rnA lengalenga da disputa eleitoral foi transformada para desespero de otimistas em passado recente. A festa da democracia virou festival nacional de besteiras.

    rnProgramas, projetos e planos de futuro e currículo de homens que querem virar públicos e assumir mandatos quase inexistiram e o festival de besteiras foi mais concurso para eleger aquele que possa mentir e dissimular mais de forma mais cativante e é assim que infelizmente significativa parte do eleitorado tem se manifestado e votado.

    rnO segundo turno da disputa nem se fala. O suflê de abobrinha e o picolé de chuchu formaram prato e sobremesa servidos no almoço e jantar todos os dias de graça ao ouvinte e telespectador.

    rnMas não foi só. Teve também aquele corre-corre das televisões em formato de debates que na realidade não passou da prova mais cabal do quanto há despreparo entre os candidatos.

    rnA repetição à exaustão de perguntas sempre apresentadas e nunca respondidas, a ausência de autenticidade dos postulantes engessados pelos marqueteiros e aprisionados por regras que mais pareciam estar definindo uma luta livre ou de boxe que propriamente espaço para discussão, checagem e comparação de projetos e propostas.

    rnO eleitor parece que não via a hora de acabar logo com o horário eleitoral gratuito e com essa enxurrada de debatédios como classificou o José Simão na Folha de S. Paulo.

    rnMas por que o cidadão está tão descrente, incrédulo e decepcionado de uma forma geral? Simples. A maioria sabe e se conformou, o que é pior, com essa dissimulação do mundo político.

    rnLula vai acordar hoje e no final da tarde vai ser informado que seu presente de aniversário de 61 anos como ele queria é nada mais nada menos que ser presidente de uma República rica, no caso a brasileira.

    rnMas não se trata de presente e talvez seja essa disposição e busca infindável pelo poder um dos maiores problemas do homem e nesse quesito o apego afeta igualmente o cidadão em qualquer parte do mundo, seja país pobre médio ou riquíssimo como EUA e Japão.

    rnAqui só é lamentável esse nível de gente que vegeta e se apropria da coisa pública seja municipal, estadual ou federal. Ninguém espera milagres, grandes feitos ou descobertas fenomenais, mas não dá para continuar sendo enganado nesse tanto e não é apenas por causa e conseqüência da roubalheira e corrupção.

    rnO político brasileiro vive crise de identidade ao ponto de não se ter hoje nomes que se possa lembrar e referenciar como exemplos de ética e responsabilidade. E olha que isso não é virtude de ninguém mas obrigação e sentimento que deveria ser inerente a qualquer ser humano.

    rnPior que roubar e corromper quando se trata de analisar a apropriação de recursos de forma direta e ou indireta do dinheiro público, a roubalheira e corrupção aniquilam a esperança, expectativas e perspectivas de vida do brasileiro.

    rnA ladainha da campanha eleitoral de 2006 produziu que compromissos concretos com você cidadão que está lendo essa coluna nesse instante?

    rnPensou e votou. Ótimo. O deputado estadual que você escolheu, tem que compromisso com você e suas necessidades e expectativas e até que ponto ele vai corresponder?

    rnO mesmo em relação ao deputado federal de sua escolha (e faça de conta que se o escolhido não foi eleito, pense nos demais que vão tomar posse). Que compromissos eles têm e qual o nível de resultados vão apresentar nos próximos quatro anos?

    rnAnalise o mesmo em relação ao senador de sua escolha e no conjunto do Senado.

    O que eles vão corresponder à sociedade?

    rnE os governadores, no caso de São Paulo, o José Serra, o que ele vai conseguir contribuir que possa ao final deixá-lo com a sensação que se ele não fez muito, pelo menos deixou avanços em algumas áreas, será que daqui a quatro anos você vai estar satisfeito?

    rnTem hoje você, como eu e todo brasileiro a responsabilidade e direito de escolher o próximo presidente da República. Independente da minha, sua e a opinião de qualquer cidadão, Lula será presidente. O que ele vai conseguir produzir de diferente que possa melhorar sua vida?

    rnNo caso de Lula, apesar dos pesares, segundo de novo as pesquisas, seu apoio popular é histórico, assim como avaliação de seu governo. E outro dado concreto é que a população o escolhendo hoje indica de uma maneira ou de outra que ele deve ser o melhor entre o que foi apresentado no segundo e obviamente no primeiro turno.

    rnAgora, problema todo não é que ele seja tudo isso de ruim que a mídia explorou ou de bom que ele tenha tanta aprovação, mas isso não significa no caso dele ou qualquer outro eleito, amplo, geral e irrestrito poderes. Afinal, a população não está dando nenhuma carta de alforria ou passando cheque em branco para gastar à vontade, sem dar satisfação.

    rnA análise é mais complexa, cabe fundamentação maiorde sociólogos, filósofos e outros pensadores, mas como jornalista ligado na realidade nua e crua, dá para avaliar que a sociedade precisa ser mais participativa, integrada, interessada em relação às coisas e causas públicas.

    rnÉ muito fácil e muito cômodo toda essa propaganda para conscientizar o eleitor do seu direito e dever de votar.

    rnO essencial agora será despertar cada cidadão: como ele poderá cobrar, exigir, fiscalizar, responsabilizar e acima de tudo denunciar aqueles que não cumprem com suas obrigações e compromissos inerentes às suas funções e cargos e muitas vezes para piorar ainda roubam um pouco de tudo e cometem outros tantos desmandos e mazelas como fisiologismo, empreguismo, truculência, perseguição e discriminações.

    rnMas não apenas em relação à turma que saiu das urnas eleita nesse ano, o mesmo comportamento de fiscalização e exigência como no município, na sua cidade, no nosso caso nessa grande e bela Marília.

    rnPrecisamos estar mais atentos e com devoção à cidade e isso se faz e se cria a partir da cobrança e participação sobre toda e qualquer decisão que os homens públicos possam tomar, seja ele o prefeito Mário Bulgareli e todos os demais gestores que formam o quadro de administração e são nomeados como de confiança e sem concurso público como é o caso dos secretários municipais.

    rnIsso sem contar em relação aos 13 vereadores de Marília que dormem em berços esplêndidos na maioria dos casos e vivem num mar de rosas e passam o tempo todo eqüidistantes do mundo real do cidadão. A maioria acha que para dar certo é só aparecer em 2008, cheio de dinheiro no bolso, propaganda e aquela dissimulação manjada.

    rnSem contar que no caso de Marília, quase dois anos já se passaram e a Câmara até agora o que você sabe que produziu mesmo que tenha sido e merecido aquela necessária citação como exemplo de legislar? Continua aquela de pedir bico de luz, reparo em asfalto ou coisas megalomaníacas só para gastar tempo e papel com dinheiro público e depois sair distribuindo cartinhas para todo mundo, com mensagens que nunca se concretizam.

    rnJá pelo lado do Executivo, Mário Bulgareli tenta se debater em crises após crises deixadaspela escola abelardiana de maus costumes e o mar de mazelas e rombos financeiros.

    rnSem contar que pegou a administração com vícios e teve que engolir 85 por cento da cambada de assessoria direta e indireta e que boa parte durante todo tempo parece que não está nem preocupada com nada.

    rnComo não dá para esperar muito da iniciativa seja dos governantes de Marília, São Paulo ou Brasil, nosso dever não pode ficar restrito a mais um dia de levantar cedo no domingo para votar e escolher o presidente da República.

    rnÉ preciso que durante todos os dias, líderes, entidades, rotary, maçonaria, igrejas, associações, sindicatos e cada cidadão dê um pouco mais de atenção às coisas e causas públicas, principalmente vigiando o destino de nosso dinheiro e a formulação das leis que vão reger nossas vidas.

    rnEssa é uma fórmula de dar fim em tanta lengalenga e dissimulação nessa politicalha que sai do festival nacional de besteiras.

  • 29 out 2006 /  Fique Ligado

    Mário Bulgareli, Herval Rosa Seabra, Valter Cavina, Eduardo Nascimento, Luiz Coneglian, José Carlos Albuquerque, Júnior da Farmácia, Capacete, César da ML e Marcos Camarinha.

    rnPode acontecer qualquer coisa, desde que eles não percam a paz que eles julgam ser a necessária nesse reino da Dinamarca onde há muito mais algo de podre do que se acredita.

    rnOs políticos que estão prefeito e vereadores da situação não mexeram uma palha para que o novo e descabido escândalo de desvio e superfaturamento da merenda escolar de Marília pudesse ser apurado.

    rnPior e mais lamentável. Eles continuam agindo de forma irresponsável e como se essa calamidade que é a roubalheira descarada contra o leite, o pão, as refeições das mais de 23 mil crianças que estudam na rede municipal fosse invenção minha, do jornal e agora graças a Deus dos promotores e procuradores estaduais e federais que de uma vez por todas querem acabar com mais essa bandalheira.

    rnAté o Tribunal de Contas do Estado rejeitou concorrência e contrato da SP Alimentar que há quatro anos ganha a licitação para fornecer a merenda escolar de Marília, um negócio engendrado e adotado por Abelardo Camarinha.

    rnComo se não bastasse toda suspeição de superfaturamento da merenda que pode ultrapassar a um milhão de reais por ano, agora aparece outro foco de suposto desvio, dentro da própria escola municipal.

    rnAliás, diretores, assistentes, pessoal da rede municipal pode ir se preparando para esmiuçar tudo que foi assinado nos últimos anos na questão da merenda e não adianta querer esconder pois a emenda vai ficar pior que o soneto.

    rnO cruzamento de dados nos próximos meses vai mostrar de uma forma ou outra o que realmente está por trás de todas as concorrências em torno de fornecimento de merenda e outras compras co-relacionadas e que envolvem a repartição da Cozinha Piloto.

    rnMas a omissão do prefeito e dos vereadores neste instante está localizada e direcionada às investigações na Emef Geralda César Vilardi.

    rnOs vereadores da situação deixaram de cumprir mais uma vez uma das principais obrigações que é fiscalizar as coisas e causas públicas. Mas é aquela relação de compadrio e não de independência de poderes.

    rnMas se os vereadores não querem nem saber de cuidar das coisas públicas, o Ministério Público tem agido firme e determinado.

    rnTanto assim que as investigações e diligências avançaram essa semana e os promotores criminais conseguiram até ordem judicial para que a polícia fizesse uma devassa surpresa na Emef para buscar provas e outros documentos que demonstram como estava sendo controlada a merenda escolar.

    rnÉ o fio da meada de medidas que obrigatoriamente terão que acabar com todo esquema que há anos envolve a compra, fornecimento e distribuição de merenda escolar.

    rnEssa semana a Polícia Civil deve fechar o relatório da devassa e os promotores criminais vão pedir abertura de inquérito para investigar o novo escândalo.

    rnOs vereadores fecham os olhos, calam o bico, estão fingindo não escutar nada e o prefeito nem afastar a diretoria da escola afastou.

    rnOra, qual interesse? Será que a ola estava desviando merenda para o compadrio?

    Será que a merenda foi usada na campanha política?

    rnMas faz de conta que vai ser investigado e nada ficará provado. Faça-se um desagravo, reconduza a direção, o que não pode é toda vez que se descobre um escândalo, é aquela tentativa de apagar rastros e digitais e encontrar um mordomo. No caso nem mordomo se busca mais.

    rnO mais interessante é que quanto mais simples, mais dedicado e ético, se é. Os funcionários da Emef sob suspeição deram exemplo sem precedentes ao prefeito e seus vereadores aliados e compadres: foram na Secretaria da Educação pedir o afastamento da diretora da escola.

    rnOutra turma de cidadãos que foi frustrada e decepcionada, mas que cumpriu comsua obrigação, está no caminho certo, agiu com respeito e transparência. Pena que não são eles que têm a caneta na mão, é gente com essa sensibilidade que Marília precisa para deixar de ser a capital nacional do banditismo, intimidação e truculência na maioria das coisas e causas públicas.

  • 22 out 2006 /  Fique Ligado

    Medida pontual do prefeito Mário Bulgareli pode e deve ser elogiada. Mesmo que posição tímida para administrador de cidade média como Marília, a parcial legalização do comércio popular chamado de camelódromo é avanço para todos.rnNão é fácil mexer em situações sensíveis e travadas por interesses informais e politiqueiros. Essa questão de camelôs é polêmica em quaisquer cidades – umas mais outras menos infestadas desse tipo de informalidade.

    rnParte decorrência da crise econômica que motiva desemprego e saída é encontrar alternativas de rendas, parte pelo descambado contrabando e deslavada pirataria que invadiu o Brasil em uma década.

    rnO que eram vendedores ambulantes, sacoleiros ou camelôs do passado e que tinham nas quinquilharias e bugigangas paraguaias o sustento e a forma de ganhar algum dinheiro na realidade virou um negócio próspero para bastante gente a partir da chineização de quase tudo que é produto – sempre piratas, repita-se.rnO que a administração municipal fez há 15 anos foi na realidade uma forma de minimamente organizar essa febre que era instalar barracas e bancas pelas calçadas do centro da cidade e que deixava comerciantes revoltados e irritados.

    rnMas como sempre o poder público nunca faz o serviço completo e direito e acaba refém das categorias que têm maior mobilização e saem às ruas – vide o que aconteceu com os mototaxistas na semana passada que conseguiram acabar com a cobrança do imposto sobre serviços (ISS) e a movimentação dos próprios ex-camelôs e hoje comerciantes de coisas populares.

    rnSe de um lado a construção do tal camelódromo melhorou e organizou as ruas estreitas e mal projetadas do centro dando alívio ao urbanismo e sossego aos comerciantes, de outro lado estimulou ainda mais ritmo desenfreado de venda de produtos contrabandeados e pirateados.

    rnNão há dúvida que esses comerciantes têm direitos e devem e podem trabalhar, mas a informalidade precisa ser evitada e daí o poder público e seus agentes municipais, estaduais e federais devem agir para que os deveres e legalidade sejam identicamente instituídos.

    rnNo Terminal Rodoviário Urbano Dom Hugo Bressane de Araújo está a antiga estação ferroviária de Marília e o calçadão que abriga o camelódromo com 132 boxes e naturalmente apinhado de outras bancas e barracas mais clandestinas ainda.

    rnQuem transita pelo local e passa pela rua 9 de Julho pode claramente observar: tanto no começo do dia como no final quando o camelódromo abre e fecha, a condição financeira de 80% daqueles donos de boxes é razoável e ninguém mais ali pode ser chamado de camelô ou vendedor ambulante a pé e sob sol forte.

    rnMuito pelo contrário a maioria é formada de mercadores, comerciantes que têm negócios viçosos e longe do pagamento de tributos, aluguéis, estruturas diversas contábeis e de vínculos empregatícios.

    rnÉ condição de comércio que dá inveja a muita gente, imagina então para os comerciantes de Marília e as redes de lojas que vivem penalizados pelos aluguéis e impostos de prédios supervalorizados na região central e encurralados pela carga tributária aviltante.

    rnNinguém pretende ou quer tirar negócio e oportunidade de ninguém, mas a igualdade de condições deve ser defesa numa sociedade justa e fraterna, assim como funcionamento de forma democrática e dentro do ordenamento jurídico.

    rnÉ por isso que a iniciativa de Mário Bulgareli nesse campo deve ser elogiada e contar com apoio essencialmente de todos que defendem a legalização das relações, nesse caso das comerciais.

    rnAlém de contar com apoio, se os comerciantes do tal camelódromo têm mobilização tão rápida como mostraram na sexta-feira, ficam as perguntas para os milhares de comerciantes de Marília e seus representantes, como Acim, sindicato dos varejistas e outros aglomerados: cadê a mobilização? Cadê a defesa dos interesses da categoria?

    rnRepito à exaustão nessa coluna, na rádio Dirceu AM todos os dias e na linha editorial do jornal e das rádios: há necessidade da sociedade civil, suas classes e categorias e entidades de uma forma geral se mobilizarem, se articularem, fiscalizarem e vigiarem mais o poder público, seus agentes e o equilíbrio entre direitos e deveres e igualdades de condições e oportunidades.

    rnNo país onde a lei da vantagem ficou arraigada na cultura popular e política não poderia resultar em conseqüências danosas como a corrupção deslavada e descarada entre políticos e no âmbito social essa leniência e acomodação em relação a quem insiste em deixar de lado, desleixar as normas, regras e leis em geral.

    rnEsse negócio popular chamado camelódromo perdeu muito de sua essência de anos atrás e infelizmente aquelas pessoas mais necessitadas não estão mais instaladas naquele local e a iniciativa da administração Mário Bulgarelié elogiável a partir de concorrência pública com prazo médio que deve impor legalização parcial e condições mais aceitáveis para atender essa categoria.

    rnAo longo dos anos, esse comércio na sombra do poder público, em área nobre e privilegiada foi colocado à disposição por indicações políticas e até ilegalidades dedespreparados e picaretas que usaram cargos da Prefeitura em extorsões contra donos de boxes.

    rnHoje isso já não existe mais. Quando foi construído e abrigou gente pobre e verdadeiros ambulantes, o camelódromo tinha uma função social. Mas hoje serve para privilégio de muita gente em detrimento a comerciantes devidamente estabelecidos.

    rnHá no camelódromo gente que tem três boxes, outro com quatro e assim por diante. Não pagam ou pagam quase nada de alguns impostos, não tiram notas fiscais, enfim, é um centro de compras de produtos contrabandeados e pirateados.

    rnMas quem sabe, o funcionamento será mesmo regulamentado. Prefeitura e Emdurb deram o primeiro passo há alguns meses ao fazer concorrência pública para alguns boxes e agora notificou os comerciantes populares que o procedimento será estendido para o restante daquele espaço público.

    rnNada mais salutar e justo. Além de tudo haverá até benefícios para todos, pois nessa concorrência não poderá ocorrer oportunidade para mais de um boxe para a mesma pessoa e para participar da concorrência todos deverão abrir firmas, tirar seus negócios da informalidade.

    rnÉ a melhoria de condições para todos e que naturalmente nesse começo causa divergência e quem está com o burro na sombra não quer ser lembrado e muito menos se submeter às regras.

    rnMas não é assim que a convivência e os negócios devem ser, pelo contrário, a cidade deve resolver seus problemas urbanos e defender a organização de comércio, serviços e outras relações.

    rnJá para os comerciantes principalmente da região central como Nove de Julho, São Luiz, Prudente de Moraes, Quatro de Abril, Paes Leme, Coronel Galdino, entre outras tantas, assim como para a direção da ACIMe outras entidades fica o recado claro: vamos nos mexer gente, porque o poder público, os agentes públicos, os políticos, só entendem uma linguagem, que é justamente a da mobilização, da união de propósitos como instrumento de pressão.

    rnNão deveria ser assim porque teoricamente quem é eleito prefeito e vereador deveria ter projetos e planos definidos e aprovados pelo conjunto da população e dentro da legalidade.

    rnMas infelizmente nossas vidas são governadas e submetidas a regras e leis que dependem dos homens e gestores públicos, muitas vezes longe e ignorando nossos próprios anseios e necessidades.

    rnQuem continuar de braços cruzados, olhos vendados e ouvidos moucos, pode ter certeza continuará como simples pagador de impostos, cidadão sem conhecer e exercer seus direitos e oportunidades.

    rnOs tradicionais comerciantes de Marília, os gerentes das redes de lojas, enfim, todos os estabelecidos com tantas e tantas obrigações, devem cobrar de seus representantes em primeiro lugar e depois rumar em direção à Prefeitura e Câmara e outros segmentos estaduais e federais responsáveis pela legalidade das práticas milenares que formam o comércio.

    rnEnfim, gente, hoje o alerta é para os comerciantes: vamos acordar, descruzar os braços, abrir os olhos, botar a boca no trombone com medidas equilibradas e consensuais.

  • 22 out 2006 /  Fique Ligado

    A relação de parceria e institucional entre administração municipal e direção da Associação Comercial e Industrial de Marília felizmente produziu ao longo dos últimos anos alguns avanços. Mas na outra ponta todo mundo sabe houve alguma confusão entre discussão de interesses e politicalha barata para cultuar a figura de políticos de plantão.

    rnAcredito no trabalho razoável da diretoria da Acim nos últimos anos. No entanto, envolvimento direto de Sérgio Lopes Sobrinho em questões partidárias ao ovacionar políticos como o manjado Abelardo Camarinha em todo canto acaba que impedindo isenção e valorização da própria entidade.

    rnEntre discurso e prática de defesa dos interesses do comércio existiu sempre alguma promiscuidade e não é à toa que se rasgou seda todo tempo e a realidade é que a estrutura pública de Marília ignorou reivindicações históricas da sociedade junto às áreas de concentração comercial no centro e em bairros.

    rnSó para citar algumas metas, destaca-se a revitalização do centro, disciplina de trânsito e sinalização em alguns pontos de estrangulamento, eventual formato de calçadão e a guarda municipal que ajudaria na orientação e segurança.

    rnSem contar na eterna desarrumação das infra-estruturas e da crescente informalidade de vendedores ambulantes, um problema social, mas que nesse quesito a reclamação de comerciantes e da Acim tem sido generalizada. Mas só isso.

    rnNinguém pode pichar o presidente da Acim, mas a realidade é que está muito confusa a relação entre a entidade e o poder público e è fato que a parte fraca è a associação e quem perde é a maioria de seus filiados.

    rnParece que passada as eleições e multiplicadas as promessas ainda não colocadas nem no papel (execuçãonem se diga); Sérgio Lopes Sobrinho começa a enxergar que está quase ignorado pelo poder público e olha que Mário Bulgareli tem até se esforçado em algumas metas, como é o caso agora da organização e legalização do tal camelódromo.

    rnO problema todo sempre é aquele mesmo dos políticos que não querem desgarrar do poder, se acham donos dos cargos, gostariam da reeleição a todo tempo. Como em diversas entidades, a Acim é caso evidente de saturação das mesmas figuras.

    rnNada contra, mas a alternância impede vícios, cria isenção e transparência e dá oportunidade a novas idéias e poder de reação quando se faz necessário.

    Sérgio Sobrinho está no terceiro mandato, vai ficar nove anos na Acim.

    rnÉ lógico que há desgaste e pior ainda quando há o vínculo demasiado com este ou aquele grupo político. Tanto assim que, aliás, há divisão entre comerciantes que se somam e se posicionam democraticamente em várias tendências ideológicas e partidárias.

    rnDe qualquer forma, a Acim precisa resgatar posição mais firme e se cabe à diretoria analisar melhor sua postura, redefinir posições e ter relações mais institucionais com o poder público.

    rnSérgio Sobrinho até ensaiou um discurso mais firme e melhor direcionado porque os comerciantes estão revoltados e insatisfeitos com alguns problemas crônicos como ruas e avenidas abandonadas, esburacadas, redes de esgoto com vazamentos e no centro alguns abusos isolados de gente que não sabe conviver com os direitos alheios, embora cobrem respeito por ser minorias, como é o caso dos travestis.

    rnTudo bem, direito de ir e vir, o pessoal entendido ficar fazendo pontos em esquinas, acontece no mundo inteiro, mas daí até usar calçadas e portas de comércio para necessidades fisiológicas, aí é agressão e vandalismo e isso tem que ser fiscalizado e coibido.

    rnEntão, repito, a cidade tem que aproveitar esse momento emblemático de discussões mais firmes e maduras de seus problemas em várias áreas e todos indistintamente devem rever posições, melhorar posturas e garantir maior transparência, respeito, justiça e independência.

    rnÉ assim que se faz uma comunidade avançar, evoluir, melhorar para hoje e nosso futuro, mirando no passado para que desacertos e erros não sejam repetidos.

  • 15 out 2006 /  Fique Ligado

    É da democracia, do ordenamento jurídico e da reação natural das coisas e até razão e emoção quando há divergências, enfrentamentos, disputas, mas o que o grupo político e bando armado liderado por Abelardo Camarinha protagonizaram nos últimos meses foge a qualquer aceitação e deveria estar provocando reação mais efetiva das instituições e autoridades de Marília.

    rnNo entanto, o que vai mesmo desmascarar e colocar fim de vez na truculência e intimidação são medidas superiores e de formato muito mais revelador para a sociedade, tamanho será o desenvolvimento e envolvimentos.

    rnDe qualquer forma já será um marco emblemático para Marília, como já vem ocorrendo em várias situações e os procedimentos e seus resultados se multiplicam para o bem do cidadão e das causas justas, ética e de paz.

    rnOs ataques de banditismo à luz do dia, na calada da noite e madrugadas por verdadeiros asseclas, bate paus e gente que está desqualificada há muito tempo pela legalidade não podem continuar em vigor como sempre ocorreu em Marília.

    rnNinguém pode continuar subjugando a legalidade ao seu bel prazer e as agressões psicológicas, morais, físicas e institucionais patrocinadas e comandadas pessoalmente por Abelardo Camarinha e Carlos Umberto Garrossino não vão ficar impunes.

    rnMas nunca haverá uma resposta que seja fora da lei, da justiça e das instituições, em que pese cada ato e comportamento hoje nos vitimar de forma cruel, porque mais que sofrer pessoalmente, sacrificamos nossas famílias, os funcionários do jornal e rádio e por conseqüência todos aqueles que de uma forma direta ou indireta lutam para uma cidade de amor, paz, respeito e sem corrupção e roubalheira.

    rnRepito todos os dias na rádio Dirceu AM, durante o Jornal da Cidade, às 11h30, escrevo nessa coluna todos os domingos e dou a linha editorial das rádios e jornal sempre pautado pelas liberdades e legalidade: não vamos nos vender, não vamos nos render, não vamos nos curvar e não vamos nos amedrontar.

    rnO bem sempre venceu o mal, mas nunca sem perdas e danos, é o custo que se tem de pagar, mas absolutamente sempre dentro da legalidade.

  • 15 out 2006 /  Fique Ligado

    Ao contrário de outros tempos passados mas nem tão remotos, quem pensava poder agir e passar ao largo da legalidade está se dando mal e ficando encurralado.

    rnComo o Diário mostrou e não adiantou ficar esperneando e ameaçando, o Ministério Público Eleitoral soltou uma catastrófica bomba contra o escândalo que significou o uso e abuso das coisas do povo em Marília.

    rnO processo 16582 (clicar www.tre.sp.gov.br, no ícone de acompanhamento de processos) que está em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral pega de jeito e com a boca na botija o esquemão de uso de condutas vedadas a agente público, utilização para fins de campanha eleitoral de bens móveis, materiais e serviços pertencentes à Municipalidade de Marília, além de recebimento de doação de fonte vedada, entre outros desmandos que pode e deve terminar com a cassação de diploma e cassação de direitos políticos.

    rnOs procuradores denunciaram o esquema envolvendo Abelardo Camarinha, o deputado estadual Vinícius Camarinha e o prefeito Mário Bulgareli.

    rnO abuso do poder econômico e farra com uso de servidores e equipamentos públicos fizeram com que o MPE fundamentasse uma denúncia com testemunhos e provas sem precedentes na história da legalidade eleitoral de Marília.

    rnOs procuradores querem a condenação de Abelardo e Vinícius, a declaração da inelegibilidade e a perda do mandato de Vinícius pelo uso da prefeitura na campanha eleitoral desse ano.

    rnO Diário mostrou a denúncia na edição de primeiro de outubro e provocou correria e interpretação distorcida e fraudulenta, mas de nada adiantou porque a notícia importante e de interesse público e coletivo ganhou espaço e reportagens em todos veículos de comunicação igualmente sérios como TV Tem (Globo) e Record.

    rnEm 35 páginas de diligências, depoimentos de testemunhas, fotografias, gravações de vídeo, entre outras provas documentais e materiais, a procuradora Izabel Cristina Groba Vieira revela com riqueza de fundamentação como Camarinha e Vinícius foram privilegiados e protegidos pelo prefeito Mário Bulgareli com pressão para obrigar servidores públicos a participar de encontros ? inclusive usando carros oficiais ? para promover a candidatura da dupla.

    rnA procuradora mostra e anexa diversos depoimentospara provar que o secretário de Administração, Carlos Umberto Garrossino (denunciado por enriquecimento ilícito e atualmente com boa parte de seus bens patrimoniais indisponíveis pela Justiça); participou na montagem da farra com estrutura pública.

    rnDe novo, fica caracterizada a atuação de Garrossino como o grande operador de todo esquemão que envolve desvio dos bens materiais e serviços da Prefeitura, sempre para beneficiar, proteger e fraudar o interesse público em benefício do patrão Abelardo.

    rnO escândalo é devidamente esmiuçado na denúncia do Ministério Público Eleitoral e define que a estrutura da Prefeitura foi envolvida pelo chefão Carlos Garrossino, que usou a administração para conseguir de graça salões onde Camarinha e Vinícius exigiram dos servidores o apoio e trabalho em suas campanhas, inclusive com ameaças de perda dos cargos e demissão para quem se recusasse a colaborar, além de fazer os trabalhadores assinar lista e indicar em que setor trabalham.

    rnA procuradora é implacável em sua análise: ?Evidente que tal mecanismo foi mais do que suficiente para intimidar os servidores públicos, temerosos de eventuais represálias em caso de não comparecimento?.

    rnA denúncia cita todos os carros públicos usados para levar servidores, puxa sacos e paus mandados de Camarinha. Aponta pelo menos dois encontros em que os servidores foram obrigados a comparecer: no dia 4 de julho, na sede do Sindicato dos Bancários, na rua Taquaritinga, e dia 19 de setembro, no Clube dos Bancários.

    rnSem contar que internamente os estatutos das duas instituições vedam o uso político e partidário das instalações e mesmo a legislação eleitoral é bem clara nas proibições de entidades como clubes e sindicatos de uso em politicalha.

    rnTudo com a multiplicação de desmandos e desvios, não só da estrutura da Prefeitura de Marília em termos materiais, bens e serviços. Aliás, estrutura usada para politicalha enquanto serviços de saúde, manutenção e infra-estrutura estão em frangalhos, abandonados, um desleixo vergonhoso e não é de agora.

    rnA mostra que os tempos são outros e que nunca as liberdades prevaleceram tanto em derrota e fracasso das truculências e intimidações, nas duas vezes onde estavam ocorrendo os desmandos, mazelas e desvios, fotos do Diário e reportagens da Dirceu AM denunciaram a presença dos carros públicos.

    rnNo segundo encontro, que é bem definido na denúncia da procuradora, destaque de novo para o jornalismo investigativo,ético e transparente, agora exercido pela TV Tem (Rede Globo); que registrou o uso eleitoral da reunião, filmou os carros públicos e parte do encontro. O Canal 9 da TV a cabo de Marília também gravou o escândalo.

    rnNada de adversários políticos, nada de politicalha, nada de interesses menores, mas sim o cumprimento de dever, obrigação, a consciência profissional e ética.

    rnSem dúvida, como bem mostrou o Ministério Público Estadual: ?Restou patenteado que os representados José Abelardo Camarinha, Vinícius Camarinha e Mário Bulgareli praticaram abuso do poder econômico, político e de autoridade?.

    rnAs investigações, diligências, juntada de provas e documentos definiu uma denúncia robusta e essa semana começa a tramitar de forma mais efetiva no TRE e os prazos para defesa dos acusados começam a correr.

    rnPara quem ficou o tempo todo nos últimos 20 anos se vangloriando e fazendo uso indevido de poderes e jactando-se como todo poderoso, o inferno astral, político e eleitoral de Camarinha ainda nem bem começou, afinal até duas semanas era só aquela bandalheira e festança da campanha.

    rnAgora tem o acerto de contas com a legalidade, o ordenamento jurídico, a necessidade de todos terem liberdade de ação e desempenho, mas depois tudo deve estar à mercê da Justiça.

    rnO Ministério Público não tem dúvida, tem feito, nesse caso e em todos os demais um trabalho brilhante de seriedade, lisura e independência. Tanto assim que a convicção é única e certeira: pede a aplicação de sanções que incluem inelegibilidade de todos por três anos ? até 2009, o que tira todos da campanha de 2008 também -, a cassação de candidaturas e no caso de Vinícius e Bulgareli possibilidade de cassação de registro e diploma.

  • 15 out 2006 /  Fique Ligado

    Voto não é carta de alforria. Cargo não é apagador de mazelas e desmandos.

    Político com ou sem mandato em hipótese alguma vai ter atos ilegais e indevidos escondidos como sujeira debaixo de tapete em casa esculhambada.

    rnA farra em parte da campanha eleitoral de Marília não ficou enrustida como no passado quando acontecia de tudo e muito pouco era desmascarado.

    rnA eleição desse ano serviu para destruir alguns mitos e falácias construídos ao longo dos últimos 20 anos de reinado quase intocável pelas mãos de Abelardo Camarinha.

    rnPrimeiro as urnas de Marília significaram derrota sem precedentes de Camarinha. Foi rejeitado pela população e não conseguiu mais do que poucos 28.000 votos dos 146.605 eleitores ou 120.731 votantes.

    rnJá Vínícius Camarinha foi um pouquinho melhor, tanto assim que teve três mil votos a mais que Abelardo e fechou a votação com 31.580 votos.

    rnMas isso tem significado ainda pequeno, decorrência da grande frustração desencadeada por conta da multiplicação de escândalos dos últimos anos, hoje desenhados, atestados e comprovados em mais de 200 procedimentos entre processos e denúncias nas áreas criminais e cíveis que tramitam em todas as instâncias e tribunais da Justiça brasileira.

    rnA eleição passou, uma montanha de dinheiro foi gasto e a prestação de contas com certeza vai ser investigada pelo Ministério Público Eleitoral e Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

    rnO Diário mostrou antes e durante a eleição a sucessão de escândalos e vai continuar com essa postura sob o sol das liberdades e os ventos da legalidade contra as tempestades de truculência e intimidação.

    rnO recado das urnas de Marília foi arrasador para a prepotência política e popular que Camarinha sempre conservou quando se colocava em pedestal longe do contraditório, estratégia e da verdade.

    rnO máximo que sobrou agora é vangloriar-se dos votos que obteve essencialmente fora de Marília onde obviamente ainda não tem sua ficha corrida conhecida e mesmo assim ao custo de campanha milionária.

    rnMas como o Diário mostrou, Camarinha foi varrido também pela legalidade no resultado até agora apresentado pelo Tribunal Regional Eleitoral.

    rnAinda está em recurso no Tribunal Superior Eleitoral o registro de sua candidatura, mas como o Diário e essa coluna sustentaram, Camarinha nunca foi candidato de fato, sempre esteve impugnado, o TRE não reconhece seus direitos, pois está condenado por improbidade administrativa.

    rnNo Brasil é possível criar-se casuísmos e os jurídicos foram sempre aos montes, mas as coisas estão um pouco diferentes e Abelardo continua com o rabo debaixo das pernas porque não está em jogo só o dinheiro indevido que sempre gastou, mas sim decisões sempre isentas quando as instâncias são superiores.

    rnAliás o que sobrou mesmo para Camarinha foi locupletar-se e apequenar-se à sua insignificância política e intelectual, como o fez dias dois e três de outubro, quando depois das eleições pegou bate paus e puxa sacos e veio à Praça Saturnino de Brito, em frente à atual sede do jornal e das rádios.

    rnCamarinha e o charlatão Carlos Umberto Garrossino como sempre comandando os serviços sujos e escusos de truculência com gente da espécie do cassado Hely Bíscaro ficaram na praça soltando rojões, gritando, xingando, ofendendo, tudo na base da barbárie.

    rnO deboche que eles queriam na realidade exibiu bem o quanto estão no fim e agora o que sobrou para Camarinha e seu bando de arruaceiros foi um megafone em praça pública. Pior que a rejeição popular, é a insignificância de ações e comportamentos.

    rnIsso ainda é muito para quem se achava dono do mundo, dono da cidade. O espaço que vai lhe sobrar será ainda menor que a praça no centro da cidade. É só mais uma questão de tempo e de ritmo do ordenamento jurídico.

  • 08 out 2006 /  Fique Ligado

    Era 1972 quando comecei a conviver com Jota Erre, o primeiro neto de seo Anselmo. Nós moleques, brincávamos, o mundo mesmo de simplicidade e poucas posses materiais era maravilhoso.

    rnPassei aos 11 anos a ter duas famílias: aquela em que nasci, com pai, mãe e irmãos e a outra, que me adotou, do patriarca Anselmo.

    rnPrecisava ajudar minha família, queria brincar, mas logo fui vender limão, ganhar algum dinheiro para ajudar em casa, comprar o conga ou o kichute da época, se virar, se bem que tinha logo no começo tudo que a família do Anselmo podia oferecer de cuidados pessoais.

    rnFui aprendendo, convivendo, respeitando, me guiando, logo vendia limão da chácara do seo Anselmo e em 1976, aos 14 anos fui entregar jornal, o Correio de Marília.

    rnAliava a convivência com a família, comia, bebia e dormia mais na casa do Jota Erre, na rua Santa Helena, que em casa de meus pais. E trabalhava todos os dias.

    rnO mesmo amor na família eu recebia, nas datas, os presentes, enfim, tudo sempre bem dividido. Tinha respeito, regras, imposições, mas sempre fomos todos muito felizes, todos tínhamos o seo Anselmo para nos vigiar, cuidar, amparar, chamar atenção, mas acima de tudo para proteção.

    rnO paternalista seo Anselmo poderia ser homem rico, mas além de sempre socorrer a sua família, socorria a dos amigos, agregados, acabou vendendo o jornal para não vê-lo em maiores dificuldades, mas isso nada importa, o fez porque era seu desejo e seu desejo nunca pôde e nunca poderá ser questionado.

    rnO que ele deixou é infinitamente mais rico que qualquer posse. Além de seguidores em várias áreas de trabalho que ele formou na escola do Correio de Marília, ele deixa o legado de história e memória que a cidade tanto vai sempre lhe dever.

    rnEle deixa também uma família bonita, todos do bem, simples, mas almas sinceras e de paz e amor.

    rnSeo Anselmo partiu desse mundo e finalmente já está ao lado da dona Lyger, sua companheira de todas as horas, e do João Português, o pai do Jota Erre.

    rnMas quem é essa família, que é minha também, pois com ela aprendi muito e dela tive muito amor e encaminhamento para chegar ao profissional que sou hoje?

    rnA filha Nilze é minha mãe adotiva, dona Odelina, que cuido até hoje sabe disso. A Nilze viúva do João Português tem três filhos lindos: O Jota Erre, agora casado com a Tatiana e pai da Luiza.

    rnTem o Carlos casado com a Daniela e pai de Rafael e Guilherme e a filha da Nilze, a Ligia, casada com o Alfredo, são pais da Lívia e do Fernando.rnTodos felizes, doces, orgulhos do seo Anselmo.

    rnMas tem também a Marisa, casada com Wilson Godoy, eles pais de Ivanzinho e Cássia, ela casada com Wendel e pais de Mariane.

    rnA Neuza filha de Anselmo casou com Francisco, pais do Andrezinho e da Fernanda, amores, amores, de pessoas.

    rnO filho do seo Anselmo, o Miguel, é casado com Dina, pais de Miguelzinho, Tânia Cláudia e Neto.

    rnO filho de Miguel, foi quem herdou o nome do avô e foi batizado como Anselmo Scarano Neto, uma pessoa simples, simples, sentimental, casado com Marli, pais de Jaqueline e Priscila.

    rnPessoas comuns, família comum, mas é a grande família do seo Anselmo de forma direta, até porque ele criou na realidade outros tantos agregados de sobrinhos, tios, cunhados, e assim por diante.

    rnAssim seo Anselmo viveu feliz, partiu feliz, nunca deixou que suas frustrações, medos, decepções ou arrependimentos pudessem tomar conta de seu coração, sua mente, sua paz e amor.

  • 08 out 2006 /  Fique Ligado

    Nunca o vi reclamar de nada. Sempre o senti solitário. Sempre o sentia invencível. O cavaleiro da paz e amor nos deixou.

    rnConfesso, estou esgotado.

    rnGrandes lutas, batalhas e guerras do dia a dia, a vida polêmica, agitada, nada disso me abala. Quase tudo só me fortalece, é minha personalidade.

    rnMas quanto mais forte você se acha, mais fraco você se sente e se mostra. Sou assim.

    rnConfesso, estou entristecido, fragilizado pela dor da perda do pai, amigo, conselheiro, patrão, mestre…

    rnNa realidade nós tínhamos um código de convivência, de proteção mútua, nós nos completávamos há anos, ele o cavaleiro da paz, eu o guerreiro.

    rnAnselmo Scarano era mais que um homem simples, passou pela vida das pessoas sempre de forma marcante.

    rnFoi do bem e para o bem em toda trajetória de vida.

    rnImpressionante como ele é venerado e assim o continuará pela memória privilegiada.

    rnTinha na cabeça com exatidão todos os fatos, versões, protagonistas e antagonistas da história da cidade.

    rnEra jornalista, historiador, mas acima de tudo poeta. O estilo inconfundível de escrever e que o marcou o fez estar como o mais importante e respeitado jornalista em todos os tempos.

    rnAs duas últimas vezes que o vi pessoalmente, ele sem enxergar, andar, ouvir, foi ele quem saiu de sua casa para me ver.

    rnEle era assim, estava me buscando a todo instante, estava buscando e aparando a todos a todo instante.

    rnSeo Anselmo era uma alma doce, por vezes amargurada, teve sempre muita angústia ao sentir o sofrimento de quem amava.

    rnSofria, ficava angustiado, quase nunca em relação a seus problemas, dificuldades, fraquezas, frustrações…

    rnSeo Anselmo era o homem que sofria a dor dos outros, da família, dos agregados, dos amigos, das causas e coisas coletivas quando elas não iam bem.

    rnEle estava sofrendo agora com minha postura, minhas causas, meus riscos, meus problemas. Como sempre o fez. Mas sofria em função da preocupação, dos riscos, da truculência na reação contra o jornal. Mas em nenhum momento deixou de ser parceiro, amigo e orientador.

    rnEra aliado de todas as horas, mas sua postura era do paz e amor, até quando instrumentalizava em suas colunas em defesa mais forte de causas polêmicas como as minhas, sua escrita era sempre no formato poético.

    rnCavaleiro imponente das letras, lorde das palavras, rei das crônicas, seo Anselmo nunca foi capaz de empunhar uma espada em qualquer batalha que travou, mas podia sempre fazer estrago com a rosa que carregasse nas mãos.

    rnSou feliz por ter sido o jornalista que mais conviveu com ele nos últimos 30 anos por conseqüência do envolvimento familiar e pessoal aliado ao desempenho profissional.

    rnO moleque vendedor de limão aos 12 anos, o jornaleiro aos 14, virou o Zeca, Zequinha Ursílio, editor do jornal que seo Anselmo tanto amava e me transformei em grande orgulho, mas óbvio sempre em grande preocupação.

    rnPara mim o maior orgulho é que sempre me senti encorajado como guerreiro por aquele cavaleiro da paz, da flor nas mãos ao invés da espada que sempre empunhei.

    rnNos completávamos e sentíamos, vivíamos essa sensação. Já me sinto vazio, desprotegido pela falta de referência tão importante na busca do equilíbrio, mesmo que ultimamente seguisse pouco de seus conselhos.

    rnO que vou fazer quando passar esse primeiro momento de muita tristeza é continuar meu caminho, minhas lutas, meus objetivos e sempre buscar honrar tudo que seo Anselmo me deixou e ensinou e tentar entender e assimilar aquilo que eu ainda não tenha conquistado de suas lições de vida.

    rnAdeus cavaleiro da paz, olhe por nós, cuide de nós, como sempre o fez em vida.

  • 01 out 2006 /  Fique Ligado

    Restringi a tratar das questões administrativas e processuais que envolvem os interesses coletivos e públicos de Marília durante todo tempo como faço há anos e assim vou continuar. Evitei emitir opiniões e debate sobre a suja, deteriorada e descarada campanha eleitoral.

    rnEscolhi separar minha atuação profissional e de cidadania para que pudesse exercer com credibilidade minha postura de investigação jornalística em torno das mazelas, roubalheira e corrupção contra o poder público de Marília nos últimos anos.

    rnFiz essa opção para que não incorresse em erro, em ilegalidade, para não desvirtuar e contaminar minha postura pessoal e profissional e especialmente a coerência editorial do jornal Diário e das rádios Dirceu AM e Diário FM.

    rnObtive êxito. Tanto eu quanto as empresas não receberam única penalidade, multa ou condenação durante toda campanha eleitoral que se encerra.

    rnA gangue liderada por Abelardo Camarinha impetrou todo tipo de representação para me calar e todas as queixas e reclamações foram julgadas improcedentes, arquivadas, não apenas por decisões de juízes e desembargadores mas com Procuradores Federais e Estaduais opinando pela rejeiçãorn dos pedidos.

    rnCamarinha quis como sempre e de todas as formas me calar, impedir que a sociedade tenha o direito de ser informada e orientada. Quis impedir a verdade dos fatos, assim como ele queria esconder tudo que era, foi e será divulgado sobre quaisquer fatos e versões do interesse público.

    rnO que Camarinha fez foi recorrer à instância correta ao tentar impedir meu trabalho, embora não tivesse nenhuma razão tanto assim que nada prosperou, por falta de sustentação, erros jurídicos incontáveis de sua assessoria, mas essencialmente porque no mérito não lhe assistia nenhum cabimento.

    rnEscolheu a instância correta porque nas demais ocasiões ele tem se metido a dois comportamentos: a fazer justiça com as próprias mãos ou usando as mãos sujas e armadas da bandidagem que o cerca ou usando o dinheiro sujo e a intimidação junto a parte de instituições da Comarca ainda contaminadas parcialmente por sua tresloucada carreira de impunidade.

    rnO cúmulo do absurdo, prepotência, arrogância veio no exacerbo das práticas intimidatórias durante a semana, ora em comportamentos públicos, por vezes no escondidinho da calada da noite, e métodos e costumes das ameaças anônimas e abusos truculentos de serviçais e asseclas.

    rnAliás, comandados por Carlos Umberto Garrossino, chefão de serviços escusos, falcatruas e caixa dois da escola abelardiana, como muito bem demonstram dezenas de processos que inclusive a bem dos cofres públicos indisponibilizaram bens e patrimônio que estavam em seu nome (se bem que a grande parte está escondida em nomes de terceiros, testas de ferros e empresas de fachada).

    rnEnquanto não chega a emblemática e bombástica hora de todos acertarem suas contas, na semana nos corredores do Fórum, onde estão instalados o Poder Judiciário e o Ministério Público e que formam a base da Justiça de Marília, estava Abelardo Camarinha que se vangloria de ter carreira política e pública mas que há muito perdeu a noção e respeito a tudo e todos.

    rnCamarinha está desesperado e atormentado pelos seus próprios fantasmas e esqueletos produzidos pelos horrores que foram sua folha corrida recheada de mais de 210 processos cíveis e criminais que tramitam em todas as instâncias e tribunais brasileiros.

    rnCamarinha já começou a pagar por parte dos crimes que responde e foi atropelado pelos novos tempos de isenção e transparência. Nada adianta desfilar impropriedades verbais seja onde for, que dirá em corredores do Fórum.

    rnPara piorar a situação, na sexta-feira ele queria que a Justiça de Marília decretasse a busca e apreensão da edição de ontem do jornal Diário. Isso mesmo, assim, como se ele fosse o mandatário mor de uma ditadura e nem precisasse nada documentado, prova ou mesmo explicitar o conteúdo das folhas do jornal que ele tão temia.

    rnEra para apreender tudo e assim deixar os leitores, a cidade, sem ler o jornal. Ele chegou barbaramente a oficializar o pedido, que obviamente foi negado pelo Poder Judiciário.

    rnO jornal em nenhum momento de sua história de 78 anos teve suas edição recolhidas porque nunca cometeu ilegalidades e nunca as cometerá. Além de tudo, não existe querer recolher edição de jornal sem que se saiba seu conteúdo.

    rnO jornal não deixou de circular nem mesmo em oito de setembro do ano passado quando três bandidos de sua gangue oficialesca invadiram prédio do jornal e rádio e ateou fogo, destruído quase 70% de equipamentos e instalações, roubando e espancando o funcionário da portaria. Tanto assim que seus ex-assessores públicos, Bruno Coércio Gaudêncio, Amarildo Barbosa e Amauri Delábio Campoy estão encarcerados condenados a 12 anos pelos crimes.

    rnO jornal jamais se ocupará de cometer ilegalidades e nunca se curvará ao exacerbado sentimento de impunidade e arrogância de Camarinha ou quem quer que seja.

    rnO que ele estava prevendo que o jornal iria publicar ontem era seguramente o que o jornal já tinha divulgado em diversas reportagens ao longo dos últimos 60 dias e cuja última informação foi apresentada na edição de quinta-feira, dia 28.

    rnA reportagem mostrou que Camarinha está impugnado porque não preencheu diversos pré-requisitos legais, mas cujo principal é estar condenado por improbidade administrativa. Todos recursos que impetrou o Tribunal Regional Eleitoral rejeitou e com a opinião e sustentação da Procuradoria Regional Eleitoral. contrários a suas manifestações.

    rnPor força de recurso no Tribunal Superior Eleitoral que ainda não definiu sua condição definitivamente ele poderá ser votado mas que ele está impugnado é fato irreparável, porque em nenhum momento aliás sua candidatura chegou a ser registrada no TRE de São Paulo.

    rnAliás Camarinha nem precisa ficar esperneando, com sua ficha corrida e condenações que virão, ele vai estar inelegível para sempre para o bem da sociedade e da coisa pública.

    rnMas insana e descabida atitude de covardia moral de Camarinha é a emblemática postura de sempre pois ele se acha e se comporta como Marília fosse sua ilha da fantasias para seus escândalos, espaço de quintal para suas repetidas maracutaias e como estivesse encastelado com poderes onipresentes para desprezar legalidade e liberdades.

    rnTivesse Camarinha mínimo de equilíbrio e segurança de ameaça à sua honra (sic) e que pudesse delinear ataque de alguma força extraterrena dentro do jornal como ele estava alegando, mesmo assim recorreu a instância errada, pois deveria ter recorrido ao TRE. Mas é esperar muito que ele adote alguma postura que não fuja à versão da coerência e ele já sabe que iria novamente ser rechaçado, rejeitado e derrotado.

    rnOra, mas nunca mais ele conseguirá fazer valer seus métodos escusos e desvirtuados e a tentativas frustradas e rejeitadas de me calar e às rádios e de me impedir que continue escrevendo não passam de arroubos de despreparo.

    rnTanto assimque mesmo tendo conhecimento do escândalo que Camarinha fez no Fórum, em nenhum momento me importei com o que ele estava alegando, assim como ignorei na edição de ontem a necessidade de falar sobre o assunto, mas obviamente essa coluna de opinião jamais se apequenará, acovardará ou omitirá qualquer informação ou debate.

    rnPor respeito às liberdades e direitos e por obrigações legais e pessoais me mantive eqüidistante da campanha eleitoral para não contaminar essa coluna e minha participação no jornalismo das rádios Dirceu AM e Diário FM, todos os dias às 11h30.

    rnAs últimas campanhas eleitorais mostram bem o caráter e perfil dos políticos que querem se manter no poder ou a ele voltar e Camarinha em Marília é o retrato bem acabado a demonstrar porque a frustração da sociedade civil chega a limites tão assustadores de desmotivação e frustração.

    rnComo Camarinha achou que iria não apenas censurar reportagens do jornal, mas quem sabe até impedir que ele circulasse e que suas edições fossem buscadas e apreendidas, estou publicando nessa coluna a verdade dos fatos, todos eles, com reprodução do material e ele que depois vá reclamar onde bem quiser e entender, mas dentro da legalidade e na instância correta.

    rnPode ter a certeza que vai ser derrotado como sempre o foi no campo legal, institucional do ordenamento jurídico, da democracia e essencialmente da isenção e exercício de Justiça.

    rnNo mais, nada muda. Camarinha como cidadão comum que é hoje vai continuar respondendo por todos os crimes que cometeu enquanto ocupou cargos públicos, especialmente de prefeito de Marília.

    rnEsteja onde e como estiver vai continuar respondendo sem proteção e no meu caso específico ele sempre terá a postura da coragem e determinação para adotar quais medidasde ética, liberdades, direitos e justiça, tudo que ele é capaz de fazer, entender e aceitar.

    rnNo mais, que cada eleitor hoje vote com consciência tranqüila, seja qual for a escolha de sua preferência, mas só não jogue seu voto fora.