Se as pesquisas estiverem corretas, e nelas confio em que pesem distorções pontuais em formato de perguntas quando se quer direcionar o resultado de alguma maneira, Luiz Inácio Lula da Silva é o retirante que virou metalúrgico,virou sindicalista, virou político, virou presidente da República e vai virar o ano outra vez homem da caneta, decisões e cofresmais poderosos e influentes do Brasil.
rnConsidero existir saturação natural para práticas e teorias partidárias, conseqüência do festival nacional de besteiras edição 2006 de eleições, mas vamos todos acordar patriotas e cidadãos a exercer um dos direitos maiores e menos valorizados no país: votar e escolher o governante de plantão para quatro anos.
rnSaturada está a questão por absoluta incompetência, vazio e dissimulação dos políticos profissionalizados e a produzir e reproduzir esse descrédito generalizado.
rnA lengalenga da disputa eleitoral foi transformada para desespero de otimistas em passado recente. A festa da democracia virou festival nacional de besteiras.
rnProgramas, projetos e planos de futuro e currículo de homens que querem virar públicos e assumir mandatos quase inexistiram e o festival de besteiras foi mais concurso para eleger aquele que possa mentir e dissimular mais de forma mais cativante e é assim que infelizmente significativa parte do eleitorado tem se manifestado e votado.
rnO segundo turno da disputa nem se fala. O suflê de abobrinha e o picolé de chuchu formaram prato e sobremesa servidos no almoço e jantar todos os dias de graça ao ouvinte e telespectador.
rnMas não foi só. Teve também aquele corre-corre das televisões em formato de debates que na realidade não passou da prova mais cabal do quanto há despreparo entre os candidatos.
rnA repetição à exaustão de perguntas sempre apresentadas e nunca respondidas, a ausência de autenticidade dos postulantes engessados pelos marqueteiros e aprisionados por regras que mais pareciam estar definindo uma luta livre ou de boxe que propriamente espaço para discussão, checagem e comparação de projetos e propostas.
rnO eleitor parece que não via a hora de acabar logo com o horário eleitoral gratuito e com essa enxurrada de debatédios como classificou o José Simão na Folha de S. Paulo.
rnMas por que o cidadão está tão descrente, incrédulo e decepcionado de uma forma geral? Simples. A maioria sabe e se conformou, o que é pior, com essa dissimulação do mundo político.
rnLula vai acordar hoje e no final da tarde vai ser informado que seu presente de aniversário de 61 anos como ele queria é nada mais nada menos que ser presidente de uma República rica, no caso a brasileira.
rnMas não se trata de presente e talvez seja essa disposição e busca infindável pelo poder um dos maiores problemas do homem e nesse quesito o apego afeta igualmente o cidadão em qualquer parte do mundo, seja país pobre médio ou riquíssimo como EUA e Japão.
rnAqui só é lamentável esse nível de gente que vegeta e se apropria da coisa pública seja municipal, estadual ou federal. Ninguém espera milagres, grandes feitos ou descobertas fenomenais, mas não dá para continuar sendo enganado nesse tanto e não é apenas por causa e conseqüência da roubalheira e corrupção.
rnO político brasileiro vive crise de identidade ao ponto de não se ter hoje nomes que se possa lembrar e referenciar como exemplos de ética e responsabilidade. E olha que isso não é virtude de ninguém mas obrigação e sentimento que deveria ser inerente a qualquer ser humano.
rnPior que roubar e corromper quando se trata de analisar a apropriação de recursos de forma direta e ou indireta do dinheiro público, a roubalheira e corrupção aniquilam a esperança, expectativas e perspectivas de vida do brasileiro.
rnA ladainha da campanha eleitoral de 2006 produziu que compromissos concretos com você cidadão que está lendo essa coluna nesse instante?
rnPensou e votou. Ótimo. O deputado estadual que você escolheu, tem que compromisso com você e suas necessidades e expectativas e até que ponto ele vai corresponder?
rnO mesmo em relação ao deputado federal de sua escolha (e faça de conta que se o escolhido não foi eleito, pense nos demais que vão tomar posse). Que compromissos eles têm e qual o nível de resultados vão apresentar nos próximos quatro anos?
rnAnalise o mesmo em relação ao senador de sua escolha e no conjunto do Senado.
O que eles vão corresponder à sociedade?
rnE os governadores, no caso de São Paulo, o José Serra, o que ele vai conseguir contribuir que possa ao final deixá-lo com a sensação que se ele não fez muito, pelo menos deixou avanços em algumas áreas, será que daqui a quatro anos você vai estar satisfeito?
rnTem hoje você, como eu e todo brasileiro a responsabilidade e direito de escolher o próximo presidente da República. Independente da minha, sua e a opinião de qualquer cidadão, Lula será presidente. O que ele vai conseguir produzir de diferente que possa melhorar sua vida?
rnNo caso de Lula, apesar dos pesares, segundo de novo as pesquisas, seu apoio popular é histórico, assim como avaliação de seu governo. E outro dado concreto é que a população o escolhendo hoje indica de uma maneira ou de outra que ele deve ser o melhor entre o que foi apresentado no segundo e obviamente no primeiro turno.
rnAgora, problema todo não é que ele seja tudo isso de ruim que a mídia explorou ou de bom que ele tenha tanta aprovação, mas isso não significa no caso dele ou qualquer outro eleito, amplo, geral e irrestrito poderes. Afinal, a população não está dando nenhuma carta de alforria ou passando cheque em branco para gastar à vontade, sem dar satisfação.
rnA análise é mais complexa, cabe fundamentação maiorde sociólogos, filósofos e outros pensadores, mas como jornalista ligado na realidade nua e crua, dá para avaliar que a sociedade precisa ser mais participativa, integrada, interessada em relação às coisas e causas públicas.
rnÉ muito fácil e muito cômodo toda essa propaganda para conscientizar o eleitor do seu direito e dever de votar.
rnO essencial agora será despertar cada cidadão: como ele poderá cobrar, exigir, fiscalizar, responsabilizar e acima de tudo denunciar aqueles que não cumprem com suas obrigações e compromissos inerentes às suas funções e cargos e muitas vezes para piorar ainda roubam um pouco de tudo e cometem outros tantos desmandos e mazelas como fisiologismo, empreguismo, truculência, perseguição e discriminações.
rnMas não apenas em relação à turma que saiu das urnas eleita nesse ano, o mesmo comportamento de fiscalização e exigência como no município, na sua cidade, no nosso caso nessa grande e bela Marília.
rnPrecisamos estar mais atentos e com devoção à cidade e isso se faz e se cria a partir da cobrança e participação sobre toda e qualquer decisão que os homens públicos possam tomar, seja ele o prefeito Mário Bulgareli e todos os demais gestores que formam o quadro de administração e são nomeados como de confiança e sem concurso público como é o caso dos secretários municipais.
rnIsso sem contar em relação aos 13 vereadores de Marília que dormem em berços esplêndidos na maioria dos casos e vivem num mar de rosas e passam o tempo todo eqüidistantes do mundo real do cidadão. A maioria acha que para dar certo é só aparecer em 2008, cheio de dinheiro no bolso, propaganda e aquela dissimulação manjada.
rnSem contar que no caso de Marília, quase dois anos já se passaram e a Câmara até agora o que você sabe que produziu mesmo que tenha sido e merecido aquela necessária citação como exemplo de legislar? Continua aquela de pedir bico de luz, reparo em asfalto ou coisas megalomaníacas só para gastar tempo e papel com dinheiro público e depois sair distribuindo cartinhas para todo mundo, com mensagens que nunca se concretizam.
rnJá pelo lado do Executivo, Mário Bulgareli tenta se debater em crises após crises deixadaspela escola abelardiana de maus costumes e o mar de mazelas e rombos financeiros.
rnSem contar que pegou a administração com vícios e teve que engolir 85 por cento da cambada de assessoria direta e indireta e que boa parte durante todo tempo parece que não está nem preocupada com nada.
rnComo não dá para esperar muito da iniciativa seja dos governantes de Marília, São Paulo ou Brasil, nosso dever não pode ficar restrito a mais um dia de levantar cedo no domingo para votar e escolher o presidente da República.
rnÉ preciso que durante todos os dias, líderes, entidades, rotary, maçonaria, igrejas, associações, sindicatos e cada cidadão dê um pouco mais de atenção às coisas e causas públicas, principalmente vigiando o destino de nosso dinheiro e a formulação das leis que vão reger nossas vidas.
rnEssa é uma fórmula de dar fim em tanta lengalenga e dissimulação nessa politicalha que sai do festival nacional de besteiras.