“Saímos perdendo… Saímos ganhando… Levaram o ouro e nos deixaram o ouro… Levaram tudo e nos deixaram tudo… Deixaram-nos as palavras.”
Assim escreve Pablo Neruda (1904-1973) no texto A Palavra na célebre autobiografia “Confesso que Vivi”, de uma riqueza cultural e profundidade de mensagem própria de poetas.
Por conta dessa inspiração poética e atraído mais pela lembrança do título de caráter significativo do livro escrevo a coluna de hoje na perspectiva dos acertos históricos que pretendo continuar fazendo em vida (ah, as póstumas…).
Trata-se de acerto de contas com minha postura e porque boa parte de tudo que vivi tem sempre ligação com desempenhos públicos, interesses públicos e a própria atividade de jornalista que já me obriga a esse comportamento em respeito e transparência com a sociedade.
A riqueza de palavras de poetas não tenho, infelizmente por falta de oportunidade e tempo para estudar, mas acredito ter conseguido superar a deficiência, tanto assim que o formato popular basta-me e não compromete minha desenvoltura.
Palavras, as tenho, em conjugações simples, sem o tempo necessário para rebuscar o texto, mas o conteúdo é de fácil entendimento.
Os políticos, pseudos donos do poder, falsários e dissimuladores de plantão arrepiam-se com os textos pura e simplesmente porque não conseguem enfrentar suas mazelas quando se deparam com a verdade, nada mais que a pura verdade.
Não há como rebuscar o dia a dia quando o estado deprimente da administração já retrata factual de bandalheira.
Não dá para encontrar adjetivos e predicados porque assim o procedendo estaria maquiando a realidade como bem quis e bem fez Abelardo Camarinha e o continuísmo bem acabado de Mário Bulgareli.
O que ocorre hoje não é diferente do que vinha ocorrendo desde os tempos do império da escola abelardiana de maus costumes com a direção do chefe maior.
Bulgareli tem única razão quando diz com o rabo debaixo das pernas e para quase ninguém ouvir que não é ele culpado por tudo que deixou de ser feito e por tudo quanto é mazela e desvio dos últimos dez anos.
Ora, quem quer isentar-se das culpas alheias, assumir suas responsabilidades, deve adotar respeito e transparência e não aliar-se como se fosse co-autor e como se melhor convém ficar de bico calado, mãos amarradas, espada na cabeça por conta se sabe lá que compromissos políticos e ou politiqueiros.
É da natureza e ordenamento partidários a existência de acordos, mas não do formato e adoção que se notabilizou, às escuras e escondidas, atrás de pouco recomendáveis bastidores e salas e gabinetes, além dos flats e hotéis de luxo longe dos olhos da maioria, mas sempre vigiados.
O que o presente está mostrando agora é o passado em administração pública municipal ineficiente e inoperante.
A atualidade modifica-se apenas porque o exercício do poder, a divisão de forças, o grito de liberdade de uma parte significativa da sociedade está fazendo desmoronar qualquer possibilidade de continuidade da exploração da boa vontade da sociedade.
Chega, basta de esperar que os governantes cumpram com suas obrigações e atendam minimamente as demandas de obras e serviços públicos.
O período das trevas, decorrência do uso de armações e armas ilegais foi barrado, conseqüência de nossa postura firme para enfrentar truculência, intimidações e ameaças.
Não que os métodos estejam fora de moda ou tenham sido abandonados por Mário Bulgareli e Luiz Eduardo Nardi.
Mas vamos retornar à decência. Porque tudo isso que parece repetitivo e iniciar o texto citando (que pretensão!) Pablo Neruda?
Primeiro porque vou iniciar uma série de artigos que vão mostrar o envolvimento dos negócios, da política e das comunicações.
Consequentemente vou provar que homens públicos despreparados e useiros e vezeiros em desvirtuar a legalidade podem por um determinado período enganar a opinião pública, mas menos dia, mais dia, quando eles estiverem com a sensação que têm tudo, que conquistaram tudo, que levaram tudo, na realidade nada têm, nada conquistam, nada levam, porque as palavras nós, o povo, as temos.
Nenhuma truculência material, financeira, psicológica pode calar a verdade, pode calar a mídia, pode calar o jornal, pode calar as rádios, pode calar o jornalista.
Tenho defendido a lisura, o resgate da cidadania, a moralidade, as liberdades ao longo de minha vida, não que esteja sem pecados, sem confissões, sem erros, sem acertos a serem feitos hoje e no futuro.
A transparência de atos e comportamentos, a terei. E assim vou continuar procedendo como exemplo à minha geração, como exemplo à próxima geração, que é a de meu filho Matheus.
Não tenho nada que possa perder que seja tão caro e essencial quanto à dignidade.
Pelo contrário. Portanto, posso falar e escrever, usar as palavras com tranquilidade para continuar denunciando, investigando, e defendendo as causas de interesse público ao mesmo tempo em que preservo minhas mãos limpas.
Tenho que fazer e mostrar também como se conduzem os negócios na área em que trabalho, que tenho responsabilidades, para que a sociedade tenha sempre conhecimento da verdade, da realidade, de como tudo funcionou, os envolvimentos e como é na atualidade.
Por conta de inúmeros artifícios, esquemas e uso indiscriminado dos recursos da Prefeitura, dinheiro do povo foi grotesca e grosseiramente desviado.
Ao longo dos anos o dinheiro de impostos e receitas diversas das administrações servem como moeda para calar a boca da mídia e muitas vezes para pintar o mundo abelardiano de cor de rosa, assim como a atual administração de Mário Bulgareli e Luiz Nardi.
Os mecanismos de divulgação institucional e legais acabaram maquiados em inúmeras situações e não foram poucas as vezes que por conta dessas maracutaias, empresas e profissionais acabaram ora aliados, ora cooptados.
Infeliz e lamentavelmente não posso me isentar e fiz sim parte dessa turma e hoje minha postura também requer necessidade de garantir mãos limpas e reputação intocável, como já o faço há quase quatro anos, quando olhei para o espelho e me descobri um sujeito que nunca gostaria de ter sido, envolvido nesse emaranhado.
Dei um basta, mostrei que todos deveriam repensar suas posturas, mas cada um segue seu caminho. No meu caso graças à formação ideológica e de seriedade e sinceridade, não me arrependo de nada que fiz, principalmente quando abandonei a escola abelardiana, ao rechaçar e denunciar publicamente seus métodos de ontem e que são mantidos hoje.
Os mesmos procedimentos truculentos e agressivos para perseguir adversários e mesmo quem apenas quer verdade, igualdade e legalidade.
Por ordem e determinação dele, a dupla de plantão no Palácio Municipal do Desmando continua fazendo tudo para calar as rádios, o jornal e esse jornalista.
Só não falta dinheiro na Prefeitura para encher os cofres dos veículos de comunicação de Camarinha e daqueles que por umas e outras razões permanecessem fazendo de conta que tudo está cor de rosa.
Nada contra veículos que prestam serviços de comunicação, como nós o fazemos, mas que o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado vão receber as denúncias formais, isso não há dúvidas.
Nas concorrências que rádios, jornal, agências de publicidade a nós ligados, os documentos, os valores, as medições foram checadas e rechecadas nas instâncias devidas e todo tipo de investigações. E ou foram arquivados e ou transformadas em processos cíveis. Que todos arquem com suas responsabilidades.
Não vai ser diferente agora e muito menos no futuro. As concorrências nas áreas de publicidade e editais de Prefeitura e Câmara consomem mais de quatro milhões de reais por ano, uma quantia enorme de 330 mil reais por mês.
A conta seria séria não fossem a manipulação, os esquemas, as medições, as incorreções nos procedimentos, além da propina paga a agentes públicos para a facilitação e a drenagem de dinheiro para engordar o caixa dois depois de beneficiar dinheiro por conta do superfaturamento.
Trocando a falcatrua em moeda corrente: de uma nota paga de R$ 60.000,00, R$ 12.000 voltam para bolsos alheios.
Prefeitura, Câmara e instituições municipais pagam hoje valores pelo menos três vezes acima do mercado, como é o caso descabido e descarado do centímetro de coluna em editais, que está em mais de R$ 8,00 (oito reais); quando as tabelas para o mercado imobiliário estão na base de R$ 2,85 e que com desconto pode ser conseguido por média de R$ 1,50 e R$ 1,80.
Esses são valores no Diário, que é o mais caro e de maiores e melhores resultados pela tradição, enquanto no Jornal da Manhã, os valores valem menos da metade do Diário no varejo, mas na Prefeitura quatro vezes mais.
O controlador do esquema foi e é o secretário municipal da Administração, Carlos Umberto Garrossino, que de próprio punho sempre chancelou e mandou distribuir o produto do desvio de recursos, um montante que em dez anos já supera mais de dois milhões beneficiados, boa parte deles transformados em bens imóveis que hoje estão em nomes de laranjas e ou parte devidamente indisponíveis por força e conseqüência de decisões judiciais.
O jornal Diário não participa de concorrência por falta de certidão negativa de débito. Mas como responsabilidade social o jornal e esse jornalista sempre fiscalizaram e acompanharam os procedimentos. E essa conta terá que ser feita, longe da caneta de Bulgareli e Nardi que repetem os métodos abelardianos.
Bulgareli mandou até cortar a entrega do jornal Diário em escolas municipais, repartições da Prefeitura, que há mais de 50 anos eram assinantes. O professor, o homem letrado, que está prefeito, talvez achando que assim funcionários públicos deixem de ler críticas. Que absurdo. Como classificar essa postura?
O que Bulgareli e Nardi fizeram supera o fato de eles estarem manipulando os recursos apenas da publicidade, perseguindo a mídia como se o dinheiro saísse um centavo de seus bolsos.
Estão boicotando os serviços das rádios e jornal líderes de preferência da opinião pública e que não se curvam aos seus caprichos e objetivos sob suspeição.
Nem o regime da ditadura impediu a circulação de jornais nas repartições públicas da mais longínqua cidade, do mais simples veículo de comunicação. O que está se combinando na calada da noite beira ao desequilíbrio e coloca de forma desproporcional o servilismo de agentes públicos a metodologias escusas.
Vou continuar denunciando os métodos não só em Marília, mas nas instituições que precisam fazer na cidade uma limpeza, com uma operação que supera as nossas fronteiras. As medidas já vieram, estão vindo e vão continuar….
Não são apenas as palavras que eles não vão levar, mas a dignidade e a memória dessa sociedade serão resgatadas, mesmo que temporariamente o jornal, o pluralismo, as idéias divergentes deixem de estar acessíveis aos prédios da Prefeitura e outras repartições.rn