O primeiro golpe no crime organizado de Marília está deflagrado. Bandidos comuns, bandidos com distintivos policiais e com carteiras de profissionais liberais foram desmascarados.
Estão em curso duas outras vertentes que vão revelar interligação dos bandidos políticos e bandidos laranjas com esquemas e infiltração nos meandrose entranhas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
Um milímetro da impunidade foi desarticulado parcialmente com a Operação Oeste e é de surpreender o que apareceu para você cidadão comum, mas que nós militantes e ativistas no combate ao banditismo e impunidade já acompanhávamos.
A rede clandestina complexa e bem estruturada que atua especificamente em Marília está sendo desmantelada a duras penas, decorrência do tamanho poderio financeiro, material, tecnológico e infiltração no poder público e institucional.
A reação em cadeia de homens intocáveis foi desencadeada desde 2005. No caso específico de Marília o atentado que destruiu 70% de jornal e rádios marcou o dado emblemático para desbaratar o esquema de crime organizado e atividades ilícitas paralelas.
Há em Marília pelo menos três ramificações de organizações criminosas que de alguma forma acabam se cruzando por conta de três atividades básicas: violência e terror, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito e corrupção e extorsão de agentes públicos.
O que apareceu essa semana comprova interligação parcial das atividades criminosas desenvolvidas em Marília ao longo de vários anos de desmandos, escândalos e o até então ilimitável sentimento de impunidade.
A ação eficaz e decente da maioria séria das instituições terá que desenvolver uma vasta e longa atividade para desbaratar, denunciar e desmontar o que ainda forma o mundo do crime organizado na cidade e sua rede de serviços escusos, corrupção e violência.
O braço armado e ilegal controlado há décadas por João Simão Neto e Abelardo Camarinha rompeu o limite do aceitável em impunidade e estava se achando poderoso a custas de sujeira e atuações criminais, cíveis e administrativas.
Eles dominaram instâncias e pessoas construindo não apenas uma rede de proteção infiltrada nos poderes, mas um estado paralelo de produzir truculência e intimidação.
As investigações desmantelaram o mitificado poderio clandestino para a dupla e o golpe emblemático na organização da dupla Camarinha-João Simão foi a condenação dos bandidos que atacaram rádio e jornal em setembro de 2005.
Bruno Gaudêncio Coércio, Amauri Delábio Campoy e Amarildo Barbosa estão na cadeia enquanto o outro bandido, Anderson Ricardo Lopes, está pronunciado. Todos integrantes de cargos públicos e do braço armado do esquema abelardiano.
Agora a mão suja de João Simão Neto fica comprovada de novo no esquema que tentou executar o assassinato desse jornalista em 18 de julho de 2006, flagrado por investigações da Polícia Federal e um grupo de promotores e procuradores de Justiça Estadual e Federal.
O nome novo que surge no esquema, embora já integrante da corja que protege João Simão Neto, é do perito aposentado Antônio Verceloni, apontado sempre como apagador e ou fraudador de provas e rastros de acordo com o interesse do grupo nos mais diferentes crimes.
No dia seguinte à tentativa de me matar denunciei publicamente o bandido com distintivo de policial rodoviário federal, Ademilson Domingos de Lima, que foi o organizador do crime encomendado por João Simão. Lima então é elo de ligação em outros tantos crimes como formação de quadrilha e roubo de pedras preciosas.
O que a bandidagem não sabia ficou público agora: estavam todos flagrados e investigados mesmo antes da tentativa de homicídio e logo depois do atentado contra jornal e rádios.
A cidade pode ficar tranqüila e confiante porque o crime organizado vai continuar sendo desmontado e a identificação do mandante João Simão Neto é denúncia de cinco promotores e participação direta do serviço especial de investigação estadual e federal do Ministério Público.
Os mesmos homens investigam e reúnem provas de incontáveis ações criminais, cíveis e administrativas que vão definindo com fidelidade a participação e papel de cada integrante do espectro político-criminoso.
O comando todo exercido pelas mãos de Camarinha e João Simão indica hierarquia de atuação envolvendo figuras notórias num esquema que usa proteção permanente, interligada e mútua.
O interesse em me executar faz parte da trama e interesses comuns de João Simão e Camarinha, porque simplesmente como os homens intocáveis da lei, hoje sou a grande ameaça aos negócios, projetos e poder escuso que eles dominam, por conta de minha coragem e determinação em testemunhar e mais eficaz ainda desmistificar a farsa que eles representam perante a opinião pública.
A ação de perseguição e destruição mais violenta na história de Marília está orquestrada há anos e ficou absurdamente desproporcional nos atentados de incêndio contra as empresas e tentativa de executar meu assassinato.
Os mecanismos utilizados, os mais vis possíveis, ainda não foram delineados em processos e trazidos a público, mas as evidências e indícios mostram que o dinheiro da Prefeitura de Marília financiou no passado e financia hoje não apenas o empreguismo e nepotismo, mas o próprio braço armado.
Mais ainda: o mesmo dinheiro desviado de diversas e múltiplas formas destina-se a manter bem engendrado sistema de financiamento e paga mensal de agentes públicos municipais e de instituições como policiais e Judiciário numa rede bem definida de privilégios, tráfico de influências, advocacia administrativa e medidas que induzem e criam fraudes em inquéritos e processos.
O estado de terror e temor é um dos instrumentos poderosos do espectro político-criminoso. Essa fortaleza de proteção está sendo demolida pela atuação das mais diferentes ações da parte limpa e decente das instituições.
No caminho contrário e inverso dessa verdadeira guerra para impor derrota ao crime organizado e restabelecer minimamente a lei e a ordem em Marília está a clandestinamobilização para silenciar jornal, rádios e esse jornalista.
Tão importante quanto à legalidade e eficácia da atuação das autoridades contra esse quadro dramático de cambalacho estão: a formação da opinião pública, a técnica de jornalismo investigativo como norte para desmascarar os foras-da-lei e a luta para proteger direitos do cidadão em conhecer a verdade de tudo que está por trás dos mundos paralelos e criminosos.
Há apurações e indícios que mostram a orquestração de vários crimes e que ainda permanecem sob sigilo e segredo como forma de evitar destruição e fraudes dos resultados obtidos.
A ação e co-relação de interesses desviaram a função e a importância do partidarismo na vida política e social e convergiu e transformou uma rede de proteção baseada em ilícitos.
Tanto assim o braço armado tem liderança direta de Camarinha e João Simão e o mesmo espectro tem figuras que acabam infiltradas e a serviço sob o comando de conhecidas e bem definidas que atuam na administração.
Não é surpreendente que nessa estrutura, apareça Carlos Umberto Garrossino, ex-chefe de gabinete, atual secretário da Administração e que a ilimitada atuação e métodos escusos lhe conferem mais poder que o próprio prefeito Mário Bulgareli e o vice Luiz Eduardo Nardi.
Parte dos políticos não pode ser acusada como integrantes e com rastros e digitais em crimes de violência, mas de alguma forma as investigações e apurações definem que a hierarquização e papel acabam dando personalidade própria para cada um dos integrantes no espectro político-criminoso.
A máquina pública produziu nos últimos dez anos um esquema de comissões, propinas, desvios, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro que financiou um pouco de tudo: festas com prostitutas, churrascos nababescos em fazendas e ranchos, jogatina em muquifos e clubes chiques, presentes, carros, compra de imóveis e dólares, mas pior, violência, agressões e a própria tentativa de me assassinar.
Documentos, escutas legais, vigilância de ambientes, testemunhos,de hoje e passado vão definindo o quanto Marília está perdendo em corrupção, roubalheira, impunidade e desperdiçando e contaminando instituições por causa e conseqüência da atuação voraz do espectro político-criminoso.
Ninguém vai responder por nada além daquilo que comete, nem mesmo João Simão e Camarinha ou mesmo os demais partícipes do esquema, direta ou indiretamente. Mas que ações cíveis, criminais e administrativas já produziram e vão desmantelar essa rede, tenha certeza.
Tenho convicção, coragem e determinação para continuar exercendo minhas atribuições de jornalista, de cidadão e há muito tempo testemunha e partícipe de diversas investigações e acredito na força da decência da maioria das instituições, seus agentes e o conjunto da sociedade.
Eles querem me destruir a qualquer custo, assim com os aliados, parceiros, amigos e companheiros de trabalho, com métodos os mais escusos e violentos, mas minha vida como de todo ser humano pertence a Deus e só Ele vai definir sobre ela.
Mesmo que eu vá embora antes de tudo terminar, tenho certeza que a causa que defendi vai derrotar a maldade, Matheus será um homem orgulhoso de seu pai e por isso estarei sempre em paz.rn