Da criminalidade do passado, aos tempos modernos, métodos aprimorados a escandalizarem a sociedade.
O dinheiro sujo antigamente era do ladrãozinho pé de chinelo das áreas periféricas ou dos bacanas encastelados e inatingíveis do narcotráfico. A sociedade surpreendia-se com noticiários dessa bandidagem ralé.
Os bandidos de ontem representam a mesma peste a contaminar do boteco da favela à boate chiquérrima. Mas eles perderam status pela já arraigada face diabólica do dinheiro sujo, em roubo descarado aos cofres de tudo quanto é instância e poderes dessa republiqueta.
Não é apenas a gente do gueto (preto, pobre, puta e analfabeto discriminados e perseguidos) do passado que dilapidam o patrimônio alheio e disseminam a violência e criminalidade.
Não é apenas o espertalhão de carro de luxo, correntão de ouro no pescoço, gostosinha a tiracolo que comanda o tráfico de drogas e esculhambadas jogatinas que igualmente disseminam a violência e a criminalidade.
Eles continuam na escala e escalada dos fora-da-lei.
Surgiram bandidos infiltrados e deixaram de ser ralé e hoje têm prerrogativas de doutor e até carteirinha da OAB, insígnias e ou fardas de polícias federal ou estadual, crachá funcional do Judiciário, e ao invés de teoricamente estarem representando legalidade e lisura, disseminam violência e criminalidade.
Os outrora benfeitores, beneméritos, agentes sociais e públicos, igualmente se vêem encurralados por outros sujeitos, hoje enrustidos, quadrilheiros, bandidos do colarinho branco, com status e poderes, que roubam, assaltam os cofres públicos. Disseminam violência e criminalidade.
Ainda nesse espectro de gente infiltrada estão aqueles vendedores de bens e prestadores de serviços aos poderes públicos (que na realidade deveria passar em várias situações a poderes de latrina); esses os corruptores, os que lavam dinheiro, ocultam fortunas, desviam e usam o superfaturamento para a produção do dinheiro sujo. Disseminam violência e criminalidade.
Mas nesse quadro negro, de trevas e cambalacho de norte a sul, de Marília ao mais escondido ponto da Amazônia, a maioria da sociedade está exaurida, inconformada, não suporta mais ser a maioria (possivelmente mais de 90% dos cidadãos).
Essa minoria desgraçada destrói muito mais que nosso patrimônio e riquezas materiais: afetam nossas resistências, crença em justiça e paz, destroem esperança e solapam valores da humildade e dignidade que deveriam prevalecer minimamente.
Este jornalista e outros aqui do jornal Diário e das rádios Dirceu AM e Diário FM defenderam e trabalharam nos últimos anos como acontece em grande parte das plagas brasileiras e têm trazido evolução para formar a opinião pública, vamos bemalém daquela prática simplória de dar notícias.
Marília será reconstruída e passada a limpo porque a sociedade está cansada do bandidinho pé de chinelo da periferia e do bandidão com status social infiltrado e como bacana nas rodas dos riquinhos de nariz empinado e retorcido, mas de pouca ou quase nenhuma ação para mudar essa desavergonhada convivência conveniente.
Não se trata apenas de escolher melhores companhias para cafezinho, que em Marília ao invés de roda de amigos parece momento da partilha da pilhagem – e inocente ninguém é – e aqui tem muita gente boa, assimcomo interesseiros e autoridades que se jubilam da companhia de verdadeiros criminosos.
O que se tem no noticiário da imprensa séria e honesta de Marília, está se repetindo no Brasil inteiro e é a partir desse martírio informativo que a sociedade vai conseguindo ver desmascarado não apenas o larápio batedor de carteira, também o gangster de carro importado.
A semana foi pródiga nos noticiários, instituições estão funcionando e o destaque está nas mãos, canetas e seriedade da área nacional que cuida de nossos interesses, formada especialmente e pela ordem: Justiça Federal, Procuradoria Federal e Polícia Federal.
E mais. Arrasam em credibilidade, limpam suas próprias sujeiras, expurgam e desmascaram quem deve ser desmascarado, tanto assim que foram para o beleléu desembargador, procurador e meia dúzia de gatos pingados de agentes infiltrados.
Essa histórica atuação eficiente incomoda, provoca reação, como já vem acontecendo, mas há muito tempo o Brasil carecia de uma agressividade para combater tanto banditismo, tanta corrupção, tanta bandalheira, tanto desmando, tanto roubo de nosso dinheiro e, repito, tanto assalto de nossas esperanças.
Jornalistas e formadores de opinião temos tido manchetes que expõem a vergonha nacional, mas ao mesmo tempo evidenciam que está existindo evolução na busca da mínima legalidade e da perseguição implacável dos usurpadores da coisa e da causa pública.
O que está desmantelado nesses brasis afora ocorre e vai ocorrer em Marília ao longo do tempo. Faço um parêntese, para reproduzir dois trechos idênticos em linha com o que já escrevi aqui, mas de notoriedade significativa:
1 – Do Editorial”À Espera do próximo escândalo”, do Estadão, página três, edição de 22-05-2007: …”O modus operandi dos mafiosos das obras públicas, no seu relacionamento com os políticos, se desdobra em dois planos. Um é o da compra pura e simples daqueles dos quais depende a definição e a realização de obras com licitações viciadas e preços superfaturados… O outro plano é o dos agrados e favores aos políticos”.
2 – Do artigo “Os dois tipos de políticos”, de Fernando Rodrigues, da Folha, na página dois, edição de 23-05-2007: …”O político ladrão existe em grande parte porque há o interessado em deixar roubar. Um alavanca o outro nesta república dos favores cujo nome é Brasil”.
Para resumir, ladrões e nababos, malfeitores e sua infiltração nas entranhas dos poderes Executivo e Legislativo desmantelaram o ordenamento jurídico e funcionamento do estado democrático e institucional, o que vem ficando evidenciado e felizmente desmascarado ao longo dos dias, semanas, meses.
Humor e crença oscilam dia-a-dia não apenas no conjunto da sociedade, mas especialmente na vida de jornalistas e formadores de opinião e me coloco ao lado daqueles que estão na resistência, na defesa da legalidade e da certeza que o resultado final será o restabelecimento constitucional dos valores de ética, justiça e paz.
Para acrescer e aliar essa postura à linha editorial seguida pela Folha e Estadão em seus espaços de opinião, volto a fazer parênteses agora para citar o próprio jornal Diário, de Marília:
1 – Da coluna “Quase Iguais”, em Colírios e Cotonetes, de Rogério Martinez, da página dois, de 18-05-2007: …”E não poderiam ser mais iguais. Em Brasília ou em Marília, é tudo do mesmo jeito. Depois de roubar, nenhum deles tem a mínima dignidade em sentir vergonha, em chorar pela sua família, pelos serviços não prestados. Pelo contrário, todos de forma igual aderem ao mais fuleiro e tradicional salve-se quem puder, cada um por si. Cidadão, fique feliz por ser tão diferente deles”.
2 – Do artigo “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”, do intrépido e estudioso dedicado doutor Telêmaco Fernandes Júnior, na página nove, edição de 20-05-2007: “Pela omissão das autoridades públicas, seu bando foi formado e estabeleceu-se livre e punjantemente. Não por outro motivo Cícero expressa sua revolta contra a omissão das autoridades e sobressai em tom ácido, mas verdadeiro, que alguns não vêem aquilo que os ameaça, ou fingem ignorar aquilo que vêem, estes pela moleza de suas decisões, alimentaram a esperança de Catilina e deram força à conjuração… Se não houver ação forte das autoridades ao invés da já conhecida complacência, não se iludam os desavisados, Catilina continuará presente,espalhando seu veneno como se em metástase e, abusando de nossa paciência”.
Enfim, o escracho da face oculta colocou sob holofotes da opinião pública e sob as investigações e procedimentos processuais criminais, cíveis e administrativos e nele jazem aqueles que outrora julgaram-se todo poderosos e inatingíveis, a dupla catilina Abelardo Camarinha-João Simão Neto.rn