O transporte coletivo urbano de qualquer cidade por essência do negócio já é mina de ouro. Quando desleixo conjugação com incompetência e suspeição, uns poucos se beneficiam contra a economia popular ou o bolso do contribuinte.
A gestão do dinheiro, serviços, obras e negócios públicos em Marília está mesma fada à manipulação ao sabor da ação entre amigos a ignorar qualquer representatividade da sociedade.
A administração plantonista e de continuidade encontra em Mário Bulgareli o terreno fértil para desprezo das prioridades e interesses sociais e coletivos e a nova proposta de lei que chegou ontem à Câmara para regulamentar a concessão do serviço de ônibus apenas repete atentado anti-democrático.
A profusão de interesses menores de uns poucos pode deixar Marília não apenas com os serviços da Empresa Circular, mas dar à empresa a possibilidade de riqueza a custas do povo, sem fiscalização, auditoria e deixando qualquer entidade à margem do processo de concessão.
O milionário negócio tem nuances que põe poeira e sombra naquele terreno deveria ser transparente.
Como os anteriores, o prefeito atual e os futuros podem continuar como monarcas para decretar o valor da tarifa e nas mãos e concepções débeis da maioria dos vereadores, quase sempre decidindo no escambo de vantagens pouco recomendáveis.
Foi isso que ocorreu no ano passado, quando a Prefeitura mandou para a Câmara projeto capenga que a toque de caixa e não se sabe porque vereadores aprovaram tantas quantas apareceram de emendas, da factíveis às malucas e burras.
Deu no que deu. Tudo caiu por terra e os serviços de transporte funcionam à base de medida judicial.
Bulgareli nem quis saber do grito das ruas, da sociedade e repete a nopta destoada. Não mudou quase nada no projeto que chega à Câmara.
O que será que os nobres vereadoresvão fazer? Mas o que esperar dessa Câmara, com minoria de oposição meio leniente e que perde tempo em mobilização e maioria interesseira, que faz do mandato um instrumento de fisiologismo e esculhambação como a malfadada aprovação do aumento do IPTU em 2008.
Resta então a mobilização de sindicatos, associações de bairro, ongs, entre outras entidades ligadas aos usuários para convencer os políticos politiqueiros que ninguém vai enfiar goela abaixo a concessão de serviço milionário sem a devida e necessária discussão.
Na outra ponta, se o serviço da Circular não é aquela desgraça em atendimento, verdade é que a empresa está em pedestal, como se estivesse ilesa e sem necessidade de abrir o negócio para fiscalização.
O negócio milionário, sem fiscalização, possibilita a ocultação de valores arrecadados com as caras tarifas, sem contar que a Prefeitura até hoje não fez uma única auditoria que desse confiança tanto para as informações da empresa, quanto para as decisões do Executivo e principalmente para proteção dos direitos dos usuários.
O que acontece é simples. Por trás de concessões de serviços milionários, os interesses vão sempre na direção de manter-se cartas na manga, no bolso do colete, ou para bom entendedor, ninguém quer compartilhar o poder de decisão, o que só gera suspeições.
Falta de controle, serviços deficientes, prejuízos a categorias que deveriam estar com descontos especiais e frota ultrapassada não impedem que a Empresa Circular de Marília mantenha serviço de transporte caro e sem fiscalização.
Mesmo que o contrato, em vigor desde setembro de 1990, depois de duas prorrogações, esteja vencido, a Circular deveria estar oferecendo serviço bem melhor, porque a tarifa de Marília penaliza o usuário.
Pior. É cara e a cidade tem extensão territorial privilegiada, que é o sonho de qualquer empresário.
A sociedade terá que se mobilizar para impedir que a administração pública dominada pelo grupo político que está há dez anos possacontinuar ignorando a necessidade de uma concessão de serviço transparente.
Ninguém quer penalizar ou tirar a Circular de Marília, mas todo negócio de interesse público destinado à exploração pela iniciativa privada precisa de fiscalização, se possível concorrência e de regras bem mais claras.
Caso a proposta de Mário Bulgareli e sua assessoria fique nos bastidores e escombros do poder legislativo corroído pela desconfiança popular, não haverá alternativa senão a mobilização pública.
Claro, como é da natureza desses politiqueiros de plantão na Câmara, não se espante se eles não fizerem outra armação para votar o projeto na noite de alguma véspera de feriado, sem nenhum respeito à opinião pública.
É hora de vigiar essa mina de ouro que é bancada todos os dias pelos usuários.
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