O serviço público em todos os setores vira e mexe exibe o quanto está atrasado e emperra negócios. Geração de rendas e o funcionamento do mercado ficam prejudicados enquanto a sociedade arca com o prejuízo.
O mercado de compra e venda de veículos vive boom, conseqüência da oferta avassaladora de dinheiro à base de financiamento e juros que colocam o consumidor mais acessível ao carro da família ou de trabalho.
De repente quando todos vivem a euforia em que pese questionar futuramente a que custo por conta desses loucos financiamentos de longo prazo, o certo é que para a economia de mercado não teria momento melhor.
As vendas batem recordes nos segmentos novos e usados. De repente quem vende precisa faturar, fazer a burocracia ser executada e quem compra quer rodar com seu carro novo, certo?
Certo mas errado.
Quem controla e disciplina a liberação de documentos é o serviço público, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, através do Departamento de Trânsito (Detran) de São Paulo e seu órgão subsidiário em Marília, a 15ª Circunscrição de Trânsito (Ciretran).
Tudo isso ligado ainda a dois Ministérios, da Justiça e das Cidades.
Ufa, com tanto órgão assim cuidando do mesmo serviço, é certo que deveria tudo funcionar com eficiência, certo?
Certo mas errado
Na hora de arrecadar com impostos e taxas, espoliar e esfolar o cidadão são campanhas e mais campanhas de enganação. Opss, de conscientização.
Há uma máquina de arrecadar, como ocorre com o famigerado IPVA, além de outros tantos e tantos sacanas esquemas de taxar e sobretaxar a sociedade porque cada requerimento e documento custam uma fortuna.
Como não poderia deixar de ser, essa dinheiramado contribuinte enche os cofres da União, do Estado e, claro, da Prefeitura. Tanto assim que tudo é integrado e estruturado para teoricamente funcionar com eficiência ao contribuinte, certo?
Certo mas errado.
Quando mais se precisa, é a lastimável ineficiência do serviço. Concessionários de fabricantes, estacionamentos, escritórios, despachantes e, sua excelência o consumidor e contribuinte de Marília estão a mercê do atraso na liberação dos documentos.
Como vem ocorrendo há anos, o jornalDiário saiu na frente em defesa da cidadania, dos direitos básicos do contribuinte. Esse quadro é sim culpa dos politiqueiros porque se falta estrutura, avanço tecnológico, servidores e eficiência não é por falta de impostos e taxas, mas sim porque o dinheiro dessa área também foi para o ralo do desperdício, da corrupção, da roubalheira, do enriquecimento ilícito da cambada.
Antes que os desavisados façam confusão, não se trata de insinuar que está havendo corrupção na Ciretran de Marília, lá é apenas o reflexo de desorganização da estrutura. Até porque se irregularidades existissem, aqui ninguém seria poupado.
A Ciretran de Marília está trabalhando com 70% do número de funcionários necessários e seria causa de período de transição nas mudanças e remanejamentos que envolvem as repartições de Marília da Polícia Civil.
Mas o contribuinte não tem nada a ver com isso. Ninguém que precisa dos serviços deixou de cumprir seus compromissos burocráticos e de taxas e impostos. Portanto, é problema da instituição, do Município e Estado, incompetentes para gerir os serviços justamente quando mais a sociedade carece.
É no mínimo falta de respeito um documento que levava três dias para ser expedido como manda a boa administração de qualquer serviço burocrático agora ficar emperrado por 15, 17 e até 20 dias em alguns casos.
Toda cadeia de negócios entre fabricantes, concessionários, financeiras e consumidores está emperrada na Ciretran e no caso de carros zero, a demora além de prejudicar motoristas e seus compromissos deixa empresas sem faturar os veículos.
Onde o consumidor vai reclamar, quem vai pagar pelos prejuízos, quem será responsabilizado pela inoperância?
O entrave ameaça viagens de motoristas, prejudica negócios e cria riscos de apreensões e multas.
Afinal, ninguém compra ou troca carro novo ou usado sem necessidade de utilização imediata.
Para fazer uma defesa e não deixar aqui crítica injusta, a Ciretran de Marília está com a direção do delegado Otacílio Martins de Oliveira, nomeado desde agosto, período, até aqui, que registrou a perda de servidores.
Para variar, aquele Palácio Municipal do Desmando da rua Bahia, popularmente conhecido como Prefeitura, está lotado de fantasmas, bate paus, peruas, empregadinhos, parentes, enfim, aquela cambada que não serve para nada, os aspones.
Quando há necessidade de disponibilizar gente técnica e eficiente, não é possível, porque inexistem vocação e vontade, retrato de mais de 15 anos de atraso administrativo.
Enquanto isso, o mercado de veículos aquecido e gerando bens, rendas e empregos padece dessa inoperância e, repito, em que pese o esforço do delegado Otacílio e o pessoal burocrático que lá está, que não pode fazer mais diante das limitações.
O que não é possível por outro lado é que ninguém seja responsabilizado e aqui vai o alerta que esse jornal e esse jornalista fazem dia após dia: é preciso descruzar os braços, abrir a boca, exigir o que é seu de direito.
Esse jornalista abre espaço, apresenta o problema, faz a denúncia, defende o contribuinte, os concessionários, os despachantes, enfim, todos segmentos envolvidos no setor, mas se ninguém defender seu interesse, esperando que a solução aconteça num passe de mágica ou por empenho dos governos, é melhor esquecer.
Vira e mexe parece que agora a saída para todos os males é ligar para o jornal, as emissoras de rádio, fazer a reclamação, apresentar o problema e esperar que o jornalista coloque a boca no trombone, fale e escreva e depois se vire com a reação e a repercussão, certo?
Certo mas errado.
É por esse quadro lastimável dos serviços que aproveito de novo para alertar. O cidadão não pode ficar a mercê da ineficiência dos serviços públicos, porque paga caro, é a sociedade que mais é taxada em impostos e na hora que precisa não tem mínimo de direito que seja.
Já fizemos nossa parte nesse momento de dificuldade do setor de compra, venda, uso e legalização dos carros novos e usados, que os interessados façam a sua, exija seu direito, certo?
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