Os serviços, coisas e causas e recursos públicos municipais de Marília nunca foram tão usurpados e desviados de suas funções sociais. As suspeitas de superfaturamento, desvios, corrupção superam os limites enquanto empreguismo em nomeações políticas aparelham a máquina administrativa.
Os números retratam estado de calamidade de uma cidade com os maiores impostos do Estado bancados pelo contribuinte, que aliados aos repasses de recursos federais e estaduais injetam mais de 340 milhões de reais (previsão para 2007).
Na contramão dessa riqueza, a pobreza e inexistência em serviços e obras, enquanto multiplicam-se às centenas as denúncias e processos cíveis, criminais e administrativos que tentam frear e identificar os desperdícios.
Paralelamente a máquina administrativa inchou em quase 12 anos de administrações de Abelardo Camarinha e Mário Bulgareli.
Os números são aterrorizantes. Em 1997 a Prefeitura tinha 174 cargos em comissões, por nomeações políticas e sem concurso público.
O empreguismo atingiu marca repugnante em 2007, quando alcança 454 cargos num empreguismo sem precedentes na Prefeitura, Daem e Emdurb.
No mesmo período a surpresa maior. A folha de pagamentos de R$ 54 milhões em 1997 esse ano vai ultrapassar os R$ 110 milhões. Pior ainda: o funcionalismo público está à mingua, com salários aviltados, não tiveram reajustes pela inflação como todo trabalhador, mas quatro abonos (dois de R$ 50 e dois de 60 reais).
A lástima e o desleixo exibem o comprometimento de recursos públicos para bancar protegidos e uma gama sem precedentes de gente sem preparo e cujo único objetivo parece ser contemplar aliados, parentes e gente comprometida com a politicalha.
A dinheirama gasta pelos cofres públicos para bancar essa farra sai dos impostos abusivos que espoliaram a população ao longo dessa década.
De outro lado, enquanto a iniciativa privada corta custas, recicla funções, cargos e os empregados, no poder público de Marília não há compromisso mínimo com eficiência.
Tanto assim que qualquer concurso da prefeitura exige no mínimo ensino fundamental (nove anos) completo para candidatos.
Mas amigos e apadrinhados políticos podem ser até coordenadores de setor, cargo com símbolo C2 e salário de R$ 2.218,90 com ensino fundamental incompleto, ou seja, mesmo que tenham cursado só seis meses da primeira série.
Coordenador? Vai chefiar? Não é por menos que o funcionalismo que toca a administração não conhece grande parte desses apadrinhados. Ninguém sabe nada.
Esse é um entre os vários absurdos estampados na legislação de cargos e salários que a patota da Câmara aprovou na semana que passou por obra e empenho de Mário Bulgareli.
Os cargos vão sendo criados não por necessidade de serviços e melhoria no atendimento de eficiência administrativa, mas para acomodação de parentes, bacanas, bate paus, fuxiqueiros e outros tantos tontos e boçais.
Sem contar bandidos como Amaury Delábio Campoy, condenado a mais de 12 anos de cadeia porque ateou fogo em jornal e rádios para calar esse jornalista que denuncia todas essas mazelas há mais de cinco anos.
Amaury Campoy além de viciado e mantenedor de muquifo de carteado tinha holerite da Prefeitura: era nomeado sem concurso como motorista de gabinete nas administrações de Camarinha e Bulgareli – este o demitiu dois dias após o bandido ir para a cadeia onde está até hoje.
A festança com dinheiro do povo não tem precedentes. No Daem há um assessor de gabinete, também com cargo C-2, e 24 (isso mesmo, vinte e quatro) chefes de seção, com salários C3, ou R$ 1.135, cujo currículo precisa ser de apenas ensino fundamental incompleto.
Sem contar essa maravilha: 24 chefes de divisão. Quais divisões? Quantos funcionários são liderados? Qual tipo de eficiência que tem o Daem? A eficiência da mediocridade.
Para o diretor adjunto da Emdurb, a segunda função mais importante, exige profissional com ensino médio. Muitas das funções hierarquicamente mais baixas exigem curso superior.
O cargo tem Luiz Delli Albertoni, nomeado diretor adjunto quando ainda era estudante universitário e “herdou” o emprego do pai, Luiz Albertoni, o Tonhão, que entrou no trem da alegria de cargos do ex-prefeito Abelardo Camarinha em Brasília com salário de R$ 7.000.
Ah, o outro filho tem bolsa de marajá, de R$ 3.480 mensais, no curso de Medicina, bancado pelo dinheiro dos impostos municipais, sem nenhuma contrapartida.
Saiba ou não ler escrever e fazer todas as operações matemáticas, você pode ser um coordenador de serviços diversos.
Só na Emdurb a prefeitura vai ter 32 ocupantes de empregos com salários de R$ 600 a R$ 4.000 e nomeações políticas. No Daem estão abertos 68 apadrinhados.
A esperança agora é que finalmente há possibilidade concreta dessa farra ter um freio e para acabar com cargos ilegais o Ministério Público Estadual deve analisar nos próximos dias lei municipal de reformulação de nomenclatura, classificação e concessão de gratificações a servidores públicos na cidade.
A legislação mal e porcamente aprovada pela Câmara foi uma tentativa de fugir de ação judicial contra contratação ilegal de assessores de confiança.
Mário Bulgareli criou funções gratificadas, cargos de coordenadoria e mudou funções para acomodar servidores. 21 nomeados ilegalmente foram afastados por determinação da Justiça.
A liminar atende pedido do Ministério Público, que deve pedir ao Tribunal de Contas uma auditoria sobre todos os cargos e pagamentos efetuados pela prefeitura. A análise da nova lei deve ser integrada à auditoria dos cargos.
Não é à toa que vereadores que apóiam a politicalha aprovaram rapidinho a mudança na legislação. Eles são beneficiários da farra, com nomeações de parentes e apadrinhados sem concurso.
Apenas os vereadores Sydney Gobetti de Souza, Mário Coraíni, Carlos Bassan e Júnior da Farmácia votaram contra. Como sempre, no combate à corrupção e ao desperdício, embora como sempre desarticulados e integrantes da oposição que precisa acordar e deixar de ser atropelada pela máquina de banditismo e prepotência da situação.
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