• 27 abr 2008 /  Fique Ligado

    Qualquer lugar do mundo civilizado é histórico sistema político e econômico essencial que dê ao povo igualdade de oportunidades para todos. E seja calcado em princípios de liberdades.
    rnO povo deve ter trabalho, segurança, habitação, conjunto de infra-estruturas básicas e todo sistema que seja capaz de promover qualidade de vida e bem-estar aos cidadãos.
    rnToda essa base obviamente vai e deve trazer equilíbrio nas relações, justiça e a irretocável necessidade de preservar as liberdades civis para todos, de se promover o desfrute dos avanços do progresso científico e uma ascensão permanente do padrão de vida de todos.
    rnA força de um sistema político e econômico depende do atendimento dessas expectativas e fundados em quatro liberdades (four freedoms); um mundo que nos dias de hoje deveria ser seguro, fundamento lançado pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt.
    rnConfesso, não sou admirador da história norte-americana enquanto potência que acaba interferindo e manipulando boa parte do mundo, mas os valores de liberdades e a democracia lá funcionam, bem ao contrário desse meu Brasil, imagine então dessa minha Marília.
    rnDe qualquer forma a defesa de Roosevelt sobre liberdades é um primor e bem aplicado aos dias atuais nesse quadro de ativismo assumido aqui para defender uma cidade muito melhor para nós e nossos filhos, como meu Matheus, e futuras gerações.
    rnRoosevelt recebeu das urnas um terceiro e inédito mandato de presidente e decidiu-se a fazer um duro, franco e esperançoso comunicado à nação no dia seis de janeiro de 1941.
    rnO mundo estava em guerra há dezesseis meses, os Estados Unidos, entretanto, ainda não tinham sido atingidos pelos cavaleiros do apocalipse, porém, era previsível que a qualquer momento se vissem arrastados para o meio do conflito que se generalizava.
    rnFoi neste cenário de expectativa e de temor quanto ao futuro que Roosevelt decidiu lançar-se como o paladino da democracia e da garantia das quatro liberdades através de seu manifesto.
    rnFaço a defesa dessa postura de Roosevelt, que por si só vale na minha opinião ser defendida como um homem de valor inestimável para a cidadania de qualquer lugar do mundo.
    rnRoosevelt via um mundo seguro, um mundo fundado nas quatro liberdades, quais sejam:
    rnA primeira delas é o direito de palavra e de livre expressão para qualquer pessoa do mundo.
    rnA segunda é a liberdade de cada um celebrar Deus a sua maneira – para qualquer pessoa no mundo. Liberdade de expressão e de crençarn A terceira, é estar livre das necessidades, entendida como a liberdade das coisas econômicas, para assegurar a qualquer nação uma saudável vida pacífica, garantida a todos os seus habitantes.
    rnA quarta é estar livre do medo, o que traduz-se na redução dos armamentos, a tal ponto que nenhuma nação estará em posição de poder ameaçar ou cometer atos de agressão ao seu vizinho – em qualquer parte do mundo.
    rnO mundo ideal seria esse, mas é difícil, o ser humano é problemático, não evolui quase nada em comportamento, liberdades e direitos humanos, basta ver as próprias políticas externas norte-americanas.
    rnMas assegurar o direito de palavra e de livre expressão, de celebrar Deus a sua maneira, ter provida necessidades básicas e livre de medo seria o ideal e é nisso que eu acredito, que defendo, que inclusive está escrito na nossa Constituição brasileira e incontáveis leis que infelizmente às vezes parecem letras mortas tamanhas dificuldades que temos em aplicá-las no nosso dia-a-dia.
    rnMinha vida pessoal, profissional e de ativista será sempre pautada pelas liberdades e por destino, missão e orgulho tenho ainda maior influência como formador de opinião pluralista, através da linha editorial desse jornal Diário-Correio que dia primeiro completa 80 anos de funcionamento e das rádios Dirceu AM (50 anos no ar) e Diário FM (55 anos).
    rnA serviço do bem e das liberdades, é perigoso, tem custo, é arriscado, mas nada é tão compensador quanto sentir o dever cumprido e ter a compreensão e confiança da sociedade.rnParece pouco, mas é muito.

  • 20 abr 2008 /  Fique Ligado

    Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio … negros … brancos.

    Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

    O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

    A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

    A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.

    Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis!” A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.

    Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos.

    Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas.

    O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

    É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

    Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

    Charles Chaplin

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  • 20 abr 2008 /  Fique Ligado

    A maior lição de cidadania está longe de vir das representações de líderes dos mais diversos segmentos sociais, pelo contrário, quem está pedindo passagem e o seu devido lugar e respeito é Vossa Excelência, o Povo.

    A voz rouca das ruas, dos bairros periféricos aos mais chiques, as transformações populares estão ocorrendo de forma acelerada em Marília.

    Longe dos jantares, encontros fechados, festinhas ufanistas ou líderes sem liderados, o cidadão comum que descobriu a necessidade de brigar pelos seus direitos e gritar por uma cidade melhor.

    A movimentação de alguns segmentos da sociedade é causa e conseqüência da inserção do cidadão em busca de tudo que é serviços, melhorias e direitos inalienáveis para o bem-estar e qualidade de vida.

    Faço essa defesa por conhecimento de causa, porque passei os últimos anos num processo para transformar o jornalismo investigativo em ativismo social e os veículos de comunicação viraram instrumentos e verdadeiros agentes de transformação e promoção de debates e resgate da cidadania.

    Quem lê diariamente as páginas do Diário e escuta as rádios Dirceu AM e Diário FM sabe muito bem que hoje cada cidadão pobre ou rico, pouco letrado ou intelectual, pode aqui se manifestar, divergir ou convergir em debates e defesas de suas necessidades.

    Há sim espaço para os moradores de bairros como o Santa Paula, no extremo da Zona Sul, onde a infra-estrutura básica inexiste.

    Quando me reúno com aqueles moradores, em sua maioria gente extremamente humilde e de pouquíssimas posses materiais, sinto a tolerância para o dia-a-dia em meio a tantas e tantas dificuldades.

    São catadores de papel, serventes de pedreiro, domésticas, pintores, desempregados, geralmente em famílias numerosas, que têm sub-moradias e que não deixam de reclamar seus direitos.

    Até porque pagam tarifas de água, de energia, carnê de IPTU, enquanto padecem até mesmo de ruas onde os ônibus possam transportá-los: crianças, gestantes, idosos, faça sol ou caia chuva, para saírem de casa precisam andar entre 10 e 20 quadras até o ponto de ônibus mais próximo.

    Esse quadro não é diferente no outro extremo, o Jardim Renata, na zona norte, onde um pai ou mãe, quando o filho adoece, não importa a hora, caminham quarteirões a pé até um ponto de ônibus.

    Essa gente humilde, esquecida pelas políticas públicas, quase riscadas do mapa das mínimas condições coletivas de infra-estrutura, sobrevive de forma digna, solidária, cooperativa, uma lição de vida.

    Tanto assim que a grande parte desse contingente de excluídos sabe de tudo que acontece, têm informações, sabem de seus direitos na limitação de seus conhecimentos.

    Esses moradores de bairros das periferias sabem gritar, pedir socorro, não querem esmola, falam da necessidade de praças, postos de saúde com medicamentos, melhores escolas, ruas com asfalto.

    Esses cidadãos são muito mais solidários e mobilizados que classes mais abastadas material e intelectualmente e esse jornalista, assim como o jornal e rádios recebem dezenas de ligações telefônicas ao dia, vários abaixo-assinados por semana, de gente querendo ser escutada.

    Onde o poder público não chega por omissão, incompetência ou falta de mínima vontade política, as emissoras de rádio acabam sendo a tábua de salvação, o instrumento do pedido de socorro.

    Essa militância do jornalista incomoda os homens públicos como está ocorrendo em Marília porque geralmente essas massas foram sempre apenas tratadas com fins eleitoreiros, como massa de manobra, só lembrados em campanha eleitoral.

    Há anos essa gente vem sendo despertada. Este ano os politiqueiros vão ter problemas para promessinhas, conversinhas falsas e mentiras, aquelas mesmas que durante décadas foram adequadas em estilo populista como se pudessem enganar a todos durante todo tempo.

    O mesmo quadro de despertar também está nos bairros mais centralizados, tanto assim que somente essa semana pelo menos seis reclamações de moradores do Maria Izabel foram atendidas pelas rádios Dirceu AM e Diário FM.

    Gente do centro como da avenida Santo Antonio protestou contra a existência de vários postes com lâmpadas queimadas, o mesmo acontecendo com um comerciante que reclamou de igual problema na avenida Sampaio Vidal.

    Sem contar a lição que moradores dos bairros Tropical e Esmeraldas, considerados talvez os mais chiques de Marília, deram ao se mobilizarem no mês passado quando conseguiram impedir a descabida e desastrada venda de uma quadra livre, que deve ser destinada ao equipamento público e coletivo.

    Antes o mandatário de plantão fazia e desfazia sem mínimo respeito à coletividade e ninguém se mobilizava.

    Até alguns anos esses mesmos mandatários usavam as periferias e tudo não passava de promessas e mais promessas sem que houvesse reação, pelo contrário, eram tratados ainda com endeusamento.

    Agora há sim sentido crítico e postura de quem sabe o que quer e quem são os responsáveis pelas mazelas de ontem e de hoje.

    O papel do jornalista e ativista acaba, por vezes, mais duro e ácido nas críticas, é essa descabida ignorância dos mandatários para tudo que é manifestação legítima de Vossa Excelência, o Povo.

    Esse mesmo povo que elegeu, elege e vai eleger gestores públicos que se mostram de um jeito quando pretendem chegar ao poder e que lá governam como se nada tivessem de compromisso e comprometimento.

    Pior, Marília está com suas políticas públicas aniquiladas e contaminadas pela falta de propostas adequadas, de projeto que contemple a sociedade em seu conjunto e o único instrumento que funciona é exatamente aquele que perpetua os mandatários no poder, um misto e intimidação e truculência.

    O fato está em saber se transformações das ruas e o grito esparso e desordenado possa sensibilizar líderes e gente de bem e do bem para que tenham capacidade de dar respostas àquelas que o povo quer ouvir e não aquela que muitas vezes representa apenas vaidades, hipocrisias e estupidez quase idênticas aquelas próprias de quem já está no poder.

    Que tenhamos essa sensibilidade e capacidade de ouvir as ruas.

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  • 13 abr 2008 /  Fique Ligado

    Há duas semanas o Diário e outros tantos jornais publicaram o artigo de Alexandre Garcia, jornalista que escreve na página dois, na coluna Primeira Imagem, semanalmente, mostrando um foco que não é novidade alguma ao leitor, mas que faço questão de repeti-lo e acrescer alguns pontos de reflexão.

    A corrupção na política brasileira é uma praga: pior que enriquecer a picaretas e malfeitores, rouba esperanças e crenças da sociedade e reproduz uma sensação de impunidade, de contornos cada vez mais imprevisíveis.

    O texto de Alexandre Garcia, em fundamento já foi repetido aqui à exaustão para ajudar a sociedade na formação de opinião sobre tudo no que se trata da gestão pública de Marília.

    Não há muita diferença entre fatos e versões, mas destaco neste espaço hoje por conta da necessidade de defender a importância da comunicação como instrumento eficaz, para dar visibilidade e despertar a consciência popular sobre a gravidade da situação.

    Não sem motivo então, as linhas editoriais do Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM têm sido efetivamente de pluralismo na defesa das boas causas públicas.

    Marília deve reconhecer e comemorar suas conquistas na busca da ética na política partidária e na gestão pública, pois quando se tem a sensação que só há notícias ruins sobre a cidade é sinal que a cidade vai bem porque está desenterrando seus esqueletos e identificando responsabilidades.

    O que precisamos ficar de olho é na essência dos mais diversos segmentos da política partidária que arvoram de éticos e em busca de conquistas de causas coletivas, quando o verdadeiro sentido íntimo, na realidade, é ter o poder como instrumento de seus instrumentos mesquinhos, idênticos a esses palermas que hoje já estão arraigados não apenas nos poderes Executivo e Legislativo, mas que se enraizaram em múltiplos segmentos da sociedade.

    A mediocridade e hipocrisia de há muito compõem a marca da grande parte dos homens que se auto-intitulam políticos e são eles que uma vez no poder acabam mostrando a verdadeira cara e reproduzem o vício de sempre, a corrupção.

    Portanto, é preciso rever não apenas as práticas na gestão pública, mas essencialmente o exercício das relações de cidadania e comportamento no dia a dia, medindo quem e como está na luta e a real postura.

    A exposição do lixo do lixo na politicalha nada mais é que a busca da sociedade para reciclagem e adoção de aterro sanitário como gestão que possa garantir equilíbrio, transparência e moralidade com direito e dever de todos, principalmente daqueles que lidam e manipulam com interesses, coisas, serviços e obras custeados com o dinheiro dos impostos do povo.

    A convicção que tenho está em parte no texto de Alexandre Garcia e como sua referência molda o quadro dramático, porque hoje ocorreu a inversão entre roubalheira e aplicação de recursos em serviços e obras.

    Ou seja: hoje se aplica 20% do dinheiro público, 80% é desviado. Leiareprodução na íntegra do artigo de Alexandre Garcia:

    “A corrupção federal é bem mais visível, quando exposta na vitrine de Brasília, onde estão todas as televisões, os jornais e as emissoras de rádio mais importantes do país. Volta e meia estoura algum tipo de escândalo. A corrupção estadual é menos exposta. Fica, em geral, limitada às divisas do estado. A menos que seja tão escabrosa que atraia as câmeras do “Jornal Nacional”, como foi o caso do presidente da Assembléia do Espírito Santo, deputado José Carlos Gratz, ou de tribunais estaduais de justiça ou de contas, onde impera o nepotismo. Mas para ganhar foro nacional, os corruptos municipais têm que fazer um estrago muito grande. Ou realizar ações inusitadas.

    Foi o que aconteceu no pequeno Professor Jamil, perto de Goiânia, com 3.300 habitantes. No fim do ano passado, um vereador assumiu a prefeitura porque o pai dele, o prefeito, com 84 anos, não se julgou com saúde suficiente para cumprir o último ano do mandato. Aí, passou a prefeitura para o filho. Nem o vereador fora eleito para ser prefeito, nem o prefeito fora ungido rei, para legar o poder ao príncipe-herdeiro. Em três meses, o vereador-prefeito aproveitou para desviar recursos do município e foi preso há pouco, por falsidade ideológica e usurpação de função pública.

    Durante a Semana Santa, andei passeando pelo aprazível interior do Ceará. E ouvi histórias escabrosas, inclusive de gente que está na política. Como se sabe, é costume dos prefeitos chorarem por verbas, queixarem-se da cota de participação dos municípios nos impostos federais e estaduais. Pois muita gente me contou que o desvio do dinheiro que os municípios recebem não é de apenas 20%. Esse percentual é o aplicado na administração municipal. O principal, 80%, é desviado pelos que querem enriquecer logo no primeiro ano. Não têm sequer a cautela de dividir o botim em quatro anos. E ao secretário municipal que não quiser formar quadrilha com alguns prefeitos, resta o caminho da renúncia. Comerciantes locais sabem que ao serem fornecedores da prefeitura tem que haver sempre superfaturamento, para que a diferença ajude a enriquecer o pobre coitado que tem apenas quatros anos paralocupletar-se com o dinheiro do povo.

    No ano passado, o Tribunal de Contas da União pegou 1.889 gestores públicos – a maioria prefeitos e ex-prefeitos, mas o TCU reconhece que isso está longe de representar a quantidade de corruptos. O ministro Ubiratan Aguiar me disse que se não houver uma interligação entre os diversos órgãos de controle e fiscalização do estado, a impunidade vai continuar. Não há ligação entre o TCU, a Polícia Federal, a Receita Federal, os órgãos de controle dos ministérios e estatais, dos governos estaduais e municipais. Pegar corruptos é quase obra do acaso. Além disso, tem as caixas-pretas invioláveis: assim como o PT não deixa abrir as contas de cartões da Presidência da República e a Assembléia de Brasília não deixa investigar as negociatas da Gautama com o Governo do Distrito Federal, as câmaras de vereadores onde o prefeito tem maioria garantem a inviolabilidade das negociatas e a impunidade dos que querem enriquecer em quatro anos.Porque depois, o povo pode não lhes dar um segundo mandato.”

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  • 06 abr 2008 /  Fique Ligado

    A administração pública municipal de Marília está longe de ser apenas gestão do desastre, incompetência e desperdício financeiro aliado ao descompasso entre fixação e atendimento de prioridades coletivas.

    Irresponsabilidade deixa rastro de desmando em ações danosas de longo tempo à sociedade.

    Para você leitor entender a seqüência de fatos que aniquilam patrimônio e recursos de Marília em prejuízos múltiplos e descabidos que desperdiçam seu dinheiro dos impostos, vou repetir aqui apenas três aberrações.

    Saiu publicado na página 32 do caderno judicial (primeira instância – Interior) do Diário Oficial do Poder Judiciário, de primeiro de abril, o extrato de um processo que está comemorando exatos 20 anos, o de número 1139, de 1988.

    Do quê se trata? Da desapropriação e indenização para apossamento administrativo do que à época era a massa falida do antigo Hospital Marília S/A, hoje transformado em Hospital da Mulher, no prédio da rua Monteiro Lobato.

    Afora a necessidade de abrir o hospital à época, afora questionar a deficiência do atendimento, afora tudo de bom e ruim, a realidade é que coisas e causas de Marília são tratadas de formas abusivas e absurdas.

    O contribuinte de Marília, às burras da Prefeitura, deve exatos R$ 24.674.

    016,05 aos antigos donos daquele prédio da avenida Sampaio Vidal.

    Na outra face da moeda, que se leve em consideração o prejuízo do atraso na tramitação da ação cível, da perda de dividendos eventuais do patrimônio, a realidade é que a instituição estava falida e endividada.

    Por isso a instituição fechou, sobrou só o prédio, uma poupança milionária.

    O que não se admite é que nesse tempo todo os governantes de plantão, do autor da desapropriação, o ex-prefeito Abelardo Camarinha (12 anos); Domingos Alcalde (4 anos); José Salomão Aukar (4 anos); a Mário Bulgareli (3,5 anos); eles não mexeram uma palha para resolver esse imbróglio milionário.

    Pelo contrário ninguém quis saber de outro ato senão empurrar com a barriga essa que é a bomba milionária que mais cedo ou tarde vai explodir contra os cofres públicos municipais.

    Este é sempre o comportamento da maioria dos políticos, quando estão governantes, de posse da caneta em mãos, preocupam-se apenas com o próprio umbigo, seu grupo, passam pela gestão sem compromisso e comprometimento.

    Estivesse Marília em situação administrativa confortável com o povo e o conjunto pluralista da sociedade atendidos em suas necessidades e prioridades de serviços e obras, poderíamos aqui defender que a bomba não foi desarmada porque os recursos foram gastos com equilíbrio e transparência.

    Nada disso. O que é pior. Gestão pública é base de transparência e eficiência, o que só se alcança com a convergência de interesses coletivos como conseqüência dos debates entre os mais diversos segmentos sociais.

    Irresponsabilidade e inconseqüência no trato das coisas e causas tem sido a marca desse espectro de políticos que tomam conta da gestão pública especialmente desse grupo que só se revezou no saquear do Executivo e Legislativo de Marília na maior parte dos últimos 20 anos.

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