Vender à iniciativa privada por concessão de exploração de serviços ou outro mecanismo ou estatizar passando os serviços operados pela Sabesp é apenas a comprovação do desastre administrativo que tomou conta do Daem nos últimos 20 anos.
Tudo um misto de incompetência e inoperância dos gestores e mandatários políticos e evidências de desvios administrativos.
O Daem tem patrimônio em equipamentos, estrutura e orçamento. No entanto, virou oásis de mamatas, desperdícios e ineficiência na prestação dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto.
Todos os responsáveis pelos governos diretos e indiretos estão ligados à administração. Pela ordem decrescente: Mário Bulgareli (esse vai ter ainda mais quatro anos); Abelardo Camarinha, Salomão Aukar, Domingos Alcalde e Theobaldo de Oliveira Lyrio.
Na administração do Daem,outra maravilha, estão lá todos os que lá já estiveram: Domingos Alcalde, João Garcia, Jefferson Domingues, João Carlos Polegato e até há pouco mandando e desmando Luiz Eduardo Nardi, o grande mentor da área em pelo menos 16 anos dos últimos 30 anos desse povo todo que se alternou no poder público Executivo de Marília.
Bem, se exceto Salomão Aukar que não tem nenhum cargo público hoje, todos estão pendurados em algum cargo e são eles os responsáveis por esse caos no desabastecimento de água e na inexistência de tratamento dos efluentes de esgoto.
Naufragaram todas as gestões, o Daem está hoje endividado, incapaz de fazer investimentos, com máquina onerosa e ineficiente, mas não deixou de ser cabide de emprego.
A realidade é que por trás dessa pretensa venda ou concessão do Daem a terceiros existem alguns fatores estranhos, lamentáveis e, pior, escusos.
O alívio pelo menos foi o recuo do prefeito Mário Bulgareli ao retirar da Câmara seu projeto de lei que deveria alterar parágrafo da Lei Orgânica do Município para possibilitar concessão do Daem para empresas privadas assumirem o sistema.
Foram os funcionários da autarquia que gritaram contra – claro com alguns líderes infiltrados pela guerra de interesses entre facções políticas dentro da administração e politicalha.
O mérito da conquista vem das bases, é sempre assim quando os interesses coletivos estão em jogo, os mais fracos são os que lutam.
Vender o Daem é negócio milionário, não se pode afirmar bem o valor, mas especula-se em pelo menos R$ 300 milhões, ou cinco vezes o orçamento anual que em 2009 deve ultrapassar os R$ 60 milhões.
Negócio milionário em concorrência ou pregão aguça investidores, que vão fazer o edital, as regras, quem vai vender os projetos e obviamente quem vai levar as vantagens dessa engenharia de interesses.
Não pode negócio desse tamanho ser decidido a toque de caixa, como foi por decisão final de Mário Bulgareli e cuja maior influência tem sido de Domingos Alcalde e sua turma.
Só foi esquecido combinar com a sociedade, os interesses coletivos e obviamente nós que vamos à luta em defesa primeiro da transparência e depois de evitar que se jogue fora o patrimônio público de qualquer jeito e com vantagem de meia dúzia.
Marília tem diversas caixas pretas a serem abertas e o Daem é uma delas. Obras superfaturadas, dívidas sem cobranças, cabide de empregos, recursos desperdiçados são alguns dos problemas de anos.
Na briguinha eleitoral Mário Bulgareli rompeu com o grupo político de Abelardo Camarinha e colocou no Daem o arqui-rival Domingos Alcalde.
Este mandou todo mundo embora que lia na cartilha de Abelardo e do até agora vice-prefeito Luiz Eduardo Nardi que lá tudo decidia.
O problema todo agora é que o grupo do PT quer o Daem de qualquer jeito, assim como Alcalde e toda sua patota. Vivem a hora de cobrar a fatura de acordos políticos, leia-se administrar orçamentos.
De repente esse negócio da China chamado Daem seria resolvido numa única tacada, milionária, mas que pode deixar à cidade uma herança maldita sem precedentes históricos.
Não que a iniciativa privada não pudesse melhor gerir o Daem, pelo contrário embora se saiba que o custo sempre é maior.
Melhor em última análise talvez que a Sabesp passe a operar o sistema, empresa que se modernizou, é modelo de gestão estatal e já administra 70% do setor no Estado.
Tudo isso é alternativa, possível, desde que os procedimentos e as discussões envolvam o essencial interesse público e coletivo de forma transparente, o que infeliz e propositalmente não ocorreu até agora.
E antes desse processo ou talvez durante, é preciso auditar tudo que foi administrado e executado no Daem em todo tempo.
Ninguém vai propor caçar bruxas, demonizar esse ou aquele, apontar bodes expiatórios.
Agora ninguém pode enterrar o passado, esquecer tudo de errado, colocar a sujeira debaixo do tapete, proteger má gestão ou malfeitores.
É preciso mostrar documentos como os que desperdiçaram milhões em obras inacabadas ou superfaturadas como o Córrego do Norte, por exemplo.
É preciso identificar devedores como a Prefeitura que deve R$ 15 milhões porque não paga a tarifa há décadas.
A própria Prefeitura comprou há três meses o Parque Aquático Tangará por dois milhões e duzentos mil reais e os donos dessa estrutura falida não só ganharam na loteria no negócio mas deixaram para trás dívida de R$ 1,8 milhão.
Ah, bom. Então estão recebendo mensalmente pela compra e a dívida ficou para nós contribuintes? É isso.
O próprio Mário Bulgareli disse na semana que gente rica não estaria pagando a conta da água. Ora, deveria ligar para Alcalde e mandar executar esses contribuintes, além de cortar o fornecimento, depois é claro de serem chamados para eventual acordo.
Infelizmente os gestores públicos agem sem responsabilidade e contam com a legislação capenga, a falta de infra-estrutura dos órgãos de fiscalização, a debilidade da Justiça lenta e a sociedade desmobilizada.
Conjugação de fatores contribui para adoção de medidas intempestivas como a possibilidade de venda do Daem para a iniciativa privada sem nenhuma discussão ou na hipótese menos terrível entrega do sistema para a estatal Sabesp.
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