• 21 fev 2009 /  Fique Ligado

    Apenas respeito

    É mérito também da linha editorial ativista e pluralista do jornal Diário e das rádios Diário FM e Dirceu AM o impedimento de reajustar o valor da tarifa do transporte coletivo. Simples: nada contra a empresa Circular, apenas defesa incondicional de relação de respeito ao usuário que não pode só pagar pelos serviços deficientes e cujos valores já são abusivos há quase dois anos.

    Voz das ruas

    Jornal e rádios mostram há anos o quanto a Prefeitura ignora fiscalização para assegurar serviços mais eficientes da Circular enquanto o valor da passagem é muito caro. Aqui só fizemos mostrar e dar eco à voz das ruas, que felizmente sensibilizou os ouvidos do prefeito Mário Bulgareli. Decidiu negar o pedido e atender o usuário. Infelizmente na pressão.

    Erro grave

    O episódio deixa lições. O primeiro erro grave começou com os integrantes do Sistema Auxiliar de Fiscalização do Transporte Coletivo (SAF), cuja maioria atrelada à Prefeitura, votou pelo aumento da Circular, 30 dias após negá-lo. O que mudou? A pressão de bastidores, o jogo de compensação. O Sistema começa desgastado, quase sem utilidade e vai ter que provar que não há indícios de suspeições.

    Forças sociais

    Pesou a carta aberta de 17 entidades da sociedade civil organizada para dar ainda maior sustentação aos interesses dos usuários. Sinal que as forças sociais devem ficar ainda mais atentas ao funcionamento do SAF que ridiculamente aprovou aumento da passagem de R$ 2,10 a R$ 2,30. O SAF não pode ser homologatório de interesses da Circular ou Prefeitura, deve ser consultivo e convergir interesses transparentes.

    Assim não

    Pode até existir dados técnicos e financeiros fundamentados da Circular para necessidade de rever o valor da tarifa. Só que a discussão está invertida, é muita pressão da empresa, como se tudo fosse ser decidido nos bastidores e depois só enfiar goela abaixo de todos. Assim não dá. Todos iriam para o buraco, ficaria caracterizado conluio de interesses. E o povo como sempre pagaria a conta.

    Só desgaste

    O modelo de debate da semana mostrou que desde já é preciso reformular o tal Sistema de Fiscalização; o prefeito precisa ser melhor assessorado para que o governo não seja contaminado por influências indevidas e circunstanciais. O desgaste só não foi maior porque o prefeito decidiu de forma coerente e optou pelo interesse público e do usuário. Ficou incólume de execração pública.

    Foram avisados

    Tive oportunidade de conversar com o prefeito sobre o assunto, ele foi receptivo à necessidade de negar o aumento. Não tinha muita alternativa. Conversei com a diretoria da Circular, manifestei a posição da linha editorial de jornal e rádios. Repito: ninguém quer inviabilizar a empresa, mas é preciso rever relações e interesses, sem que se faça propostas à toque de caixa e sem transparência.

    Nova lei

    Marília não pode mais adiar o debate aberto e franco de legislação que promova a concessão do transporte coletivo. É essencial adoção de parâmetros mais modernos e equilíbrio entre serviços eficientes e de preço justo aos usuários. É preciso que o negócio das empresas tenha regras e funcione sob concessão fiscalizada e auditada, sem caixa preta de números.

    Sem interesse

    O poder público se omite convenientemente e deixa o transporte coletivo com concessão a título precário, em pendência de disputas judiciais como sempre intermináveis. É assim que a Circular trabalha. Há quase uma década. Ora, onde há debilidade de relações e interesses, está instalado o caos, suspeições e prejuízos a quaisquer envolvidos. Esse é o caso.

    Sua defesa

    A Circular está há décadas em Marília, sempre foi a primeira e única exploradora de serviços, dá lucro, cresceu, foi eficiente em períodos e fases. Deve continuar investindo e adotando medidas para viabilizar seu negócio, mas nunca perder de foco que é uma concessionária e deve estar sujeita a regras e regulamentações que assegurem o interesse público e coletivo do usuário.

    Bomba

    O vereador Júnior da Farmácia apresentou requerimento pedindo que a Prefeitura informe e remeta documentos sobre a farra de aluguéis de prédios para repartições públicas municipais, assim como valores e nomes dos proprietários. Vai se abrir uma caixa preta de interesses de 12 anos.

    Tiro certo

    Os tempos de aproveitador de Abelardo Camarinha acabaram. Estava desfilando na semana em Marília e fazendo barulho contra Mário Bulgareli. Discursinho barato esperando fazer politicagem se o prefeito assinasse o aumento da Circular. Pela culatra…

    Daem mantém balcão de negócios

    O Daem não é apenas a galinha dos ovos de ouro dos interesses políticos da família Tóffoli, alguns petistas e do ex-bancário José Carlos Bastos, o Beca. A repartição autônoma de R$ 36 milhões no entanto sempre é administrada como se os mandatários de plantão fossem os donos de um negócio privado.

    O Daem agora é feudo dos interesses desse grupo petista-conservador e o que era suspeição infelizmente está comprovado: o Daem é o mesmo balcão de negócios para favorecer os novos mandatários, formato idêntico ao idealizado e implantado pelos desmandos de 20 anos da escola abelardiana.

    O prefeito Mário Bulgareli foi reeleito com base em coalizão de interesses diversos e antagônicos. Foi criado um grupo monstrengo tipo Frankenstein e o novo mandato teve que dividir poder e governo sob essa concepção.

    Libertado em tese das amarras abelardianas pelo menos até agora, Bulgareli deu ao PT a vaga de vice-prefeito que coube a Ticiano Tóffoli e eleito o PT e os Tóffoli pediram mais um pouquinho (sic), a indicação de diretor do Daem.

    Na política é assim, governo se faz com espaço para as tendências e grupos. No entanto, o Daem passou a ser tratado como repartição fora da administração onde estão instalados alguns iluminados.

    O discurso em janeiro encantou, havia até confiança, expectativa de modificações mas pelo jeito o novo diretor deve estar achando que aquilo é um negócio privado onde não deve satisfação a ninguém e que seria só fazer o que ele e os petistas querem.

    Errado. Absurdo. De prático do discurso até agora o que se tem é um descabido abuso contra as contas de água dos pobres.

    Primeiro veio a propaganda abusiva e medíocre destratando os usuários como se a cidade tivesse um monte de ladrão de água, com ligações irregulares e ilegais. E muitos que permitiram esse abuso estão continuam com as bundas sentadas nas cadeiras da repartição, bem ao lado do diretor.

    Ora, o que a cidade tem muito é falta de água conseqüência do desastre de 20 anos de mentiras e desmandos e infelizmente repete-se: muita gente que está pendurada no Daem nas barbas dos atuais gestores tem participação nesse quadro dramático.

    O Daem, além de gente rica, tem como devedor de grande consumo a própria Prefeitura e dezenas de prédios públicos e nem por isso usou o mesmo discurso intenso para culpar esse malefício para as finanças da repartição.

    Outro fato descabido a contrapor a perseguição aos usuários menos favorecidos é a malfada proteção da empresa Águas Marília, um contrato que na melhor das hipóteses está roubando os contribuintes.

    Na realidade tem gente grande levando vantagem financeira nesse contrato que já gastou mais de 18 milhões dos cofres do Daem em cinco anos e que ainda podem consumir mais R$ 45 milhões.

    Quem assinou esse contrato deveria estar preso, os valores são injustificáveis. Mesmo assim o que se tem notícia é que o Daem continua pagando os valores mensais que passam de R$ 350 mil.

    Sem contar que é outra falcatrua a medição da água de um poço privado, que não tem fiscalização e controle do Daem. Esse jornalista repete essa denúncia há quatro anos e já fui até processado por essa postura firme.

    Dá para deixar os pobres com contas sociais e cortar essa barbaridade de contrato. Dá para abandonar a postura de lorde, porque o Daem não precisa de paletó e gravata, mas de gestão eficiente a partir de transparência que atenda os interesses da cidade e não exclusivamente do grupo político que lá está instalado.

    Sem contar que o período das chuvas está chegando ao fim e nada saiu do papel até agora para garantir que esse ano a cidade poderá ter amenizado nas épocas de estiagem e mais críticas de desabastecimento.

    É preciso arregaçar as mangas, adotar austeridade até na língua que deve estar alinhada com atos e conteúdos de medidas concretas, pois até agora o que mudou mesmo foram os mandatários.

    Os métodos são os mesmos da escola abelardiana, cujo chefão está morrendo de rir ao ver que seus fundamentos não foram abandonados.

    José Carlos Beca repete até mesmo a postura abelardiana de mandar recados para esse jornalista, jornal e rádios usando o financiamento de publicidade com dinheiro do Daem para responder críticas como o fez na semana passada.

    Não deixou de contratar publicidade em jornais, rádios e tevês ligadas ao esquema do ex-prefeito Abelardo Camarinha. Para ganhar facilidades, chamou esses mesmos veículos para repetir discursos, sem explicar os aumentos abusivos em contas de pessoas pobres e a falta de medidas efetivas e projetos de recuperação do abastecimento de água.

    Diretoria partidariza Matra

    Criada há um ano e meio, entidade mais elogiada dos últimos anos pela sua proposta, a Matra nos bastidores tinha sua diretoria envolvida e atuando para influenciar a política partidária e administrativa da cidade e agora assume publicamente sua partidarização.

    A Matra anunciou essa semana que está aliada e apóia o diretor do Daem José Carlos Bastos, o Beca. Abre mão do dever e necessidade de isenção para fiscalizar um órgão público cheio de defeitos, incorreções e ineficiente.

    A Matra ganhou defesa intransigente de vários segmentos sociais, especialmente do jornal Diário, rádios Diário FM e Dirceu AM e de forma mais contundente desse jornalista.

    Para 2009 cheguei a me reunir com a diretoria e até traçar novos projetos conjuntos, como anunciei na semana passada. A tendência nesse momento é dar à Matra o mesmo espaço dedicado às demais ONGs e outros representantes da sociedade sem maior comprometimento com suas tendências.

    A ONG se engajou na luta pela necessidade de acabar com a corrupção e desmandos dentro do poder público municipal e teve papel importante a partir do fim de 2007.

    O texto da Matra essa semana infelizmente da à entidade carimbo de tendência e exatamente no momento em que há uma guerra de interesses cercando a máquina financeira do Daem, sua diretoria e as aspirações petistas e dos Tóffoli.

    Do direito da diretoria da Matra, mas na realidade é uma perda para a cidade e para futuras discussões, especialmente agora em relação ao funcionamento do Daem.

    Para piorar ainda mais o texto da Matra fez a previsão absurda e descabida: o Daem poderá ser privatizado caso o plano de recuperação e saneamento das finanças apresentado pela atual diretoria não seja colocado em prática e não tenha apoio da sociedade.

    Ora, em primeiro lugar a privatização do Daem não cabe em nenhuma circunstância, assim como qualquer outro mecanismo de terceirização. Esse é um patrimônio da cidade e assim vai continuar.

    Ninguém deve apoiar ou desaprovar um projeto para o Daem antes de existir debate com a sociedade. Se for para modificar alguma lei ou regulamentação, a cidade vai decidir e isso está fora de propósito.

    O que o Daem precisa é cumprir um programa de governo de Mário Bulgareli e a missão por concessão única e exclusiva do prefeito é do José Carlos Beca e dos petistas que lá estão de plantão e que tem salários, benefícios e privilégios próprios dos cargos e que portanto são obrigados a cumprir com deveres e obrigações e serão exaustivamente cobrados.

    O prefeito confiou a direção da autarquia para esse grupo e a autonomia deles termina onde começa a autoridade do prefeito. Se for só discurso, o prefeito tem que botar gente mais competente e de confiança.

    No caso da Matra, a entidade congrega empresários e profissionais bem sucedidos. Deixa de ser isenta e passa a ter caráter de representante de classe. Como tal pode e tem direito de emitir opinião favorável ou não. Será medida não mais pelo que está escrito nos seus estatutos, mas pela atuação individual de cada um dos diretores e seus interesses de grupo.

    O que não pode e nem vai ocorrer: a cidade não tem dono, sejam aqueles integrantes da escola abelardiana de maus costumes, seja a Matra, esses veículos de comunicação e jornalista ou mesmo o atual grupo que está no poder.

    O que é necessário é continuar passando a cidade a limpo, melhorar gestão pública, ampliar parcerias, sem nunca abandonar isenção para críticas, assim como defender sempre a existência de fiscalização forte e intransigente de tudo e todos.

    No mais, assim como a Matra foi e é importante para a cidade e há prova de necessidade de surgimento de outras ONGs, mais radicais no combate à corrupção.

    Também carece a reorganização de outras tantas forças sociais, mais abertas e com influência e participação nos debates para que possamos realmente democratizar as instâncias e interesses públicos a partir de pluralismo.