Independe do padrão cultural e até financeiro o consumo de produtos piratas ou de fundo de quintal oscila entre alternativa de economia ao bolso e na ponta maléfica risco à vida e a saúde.
Atuação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Delegacia de Marília da Polícia Federal semana que passou pode servir muito mais que simples noticiário policialesco e alertar a sociedade.
Não se trata de repente de recriminar o que se proliferou por todo canto do mundo. Produtos pirateados (chineses e coreanos essencialmente) como CDs, DVDs, e milhares de aparelhos e produtos são achados em qualquer esquina ou mesmo nas gôndolas luxuosas de redes de lojas famosos e chiques.
O maior problema é aquilo que reflete em risco à saúde pública como produtos que possam ser ingeridos, desde um chocolate até um medicamento, principalmente esses da moda que sugerem as maravilhas da potência sexual.
Ou mesmo aqueles produtos de fundo de quintal, que manipulam matéria prima química como produtos de limpeza ou até de higiene pessoal, como foi o caso da denúncia em Marília.
A venda indiscriminada de produtos piratas e ou de fundo de quintal está disseminada e sem qualquer controle e garantia.
Esse país de dimensão continental está sem fiscalização e quando atuação consegue apontar e localizar produtos e respectiva produção sem os parâmetros mínimos é essencial ficar o alerta público.
Todos devem tomar cuidados na hora de digerir ou usar produtos que possam fugir ao controle do estado e regulamentação.
Ou seja, até mesmo para lavar uma louça pode haver perigo na utilização de detergentes comprados de produção de fundo de quintal ou mesmo até tingir ou lavar o cabelo num salão pode ser outro risco se o shampo não tiver mínimo de dosagem correta em seu fabrico.
Sem entrar no mérito (até porque investigações, inquérito, pareceres e depois ações penais é que vão determinar a real dimensão do problema), o certo é que a ANVISA e a PF agiram em Marília contra empresa de cosméticos, a Gemin Cosméticos, suspeita de integrar esquema de adulteração de produtos para uso capilar. Material foi recolhido para análise.
A prova do perigo é que a ação teve início após denúncia de pessoas que compraram produtos para alisamento de cabelo pela internet e teriam sofrido queimaduras de até segundo grau após o uso.
A acusação então é de uso indevido de componentes químicos como formol aldeído e glutaral, além da ausência de registro dos produtos.
A empresa teria contrato de terceirização com a distribuidora Zap Cosméticos, de Echaporã, que também foi fiscalizada pela ANVISA.
Há suspeita do uso inadequado de produtos químicos e ANVISA constatou possível fraude na documentação.
Não é o tema policialesco que interessa tratar aqui pois o jornal Diário já trouxe versão detalhada nos últimos dias.
Objetivo de cidadania é alertar para a pirataria, assunto sempre de momento. De cds a remédios, passando por tênis, brinquedos, roupas, bebidas e programas de computador, se falsifica de tudo.
Com tanta crise e tudo caro e uma economia que parece maquiar inflação e cuja renda do cidadão vive achatada, é natural que na hora de comprar a maioria prefira economizar e comprar produtos piratas e muitas vezes sem procedência e sem a devida nota fiscal.
Afinal seja pobre ou rico ninguém vai comprar um cd ou DVD a R$ 20 ou 25 reais na loja se logo ali no camelô custa dois reais e cinqüenta centavos e até cinco por 10 reais. Hoje é mais fácil e barato comprar ao invés de alugar.
Pior de tudo é que onde se encontra o DVD para comprar, também se compra o Viagra e o Cialis, os comprimidos da moda para quem quer viajar na relação sexual à base de barbitúricos. O medo vem depois ao constatar o efeito colateral ou mesmo ao descobrir que o comprido não passou de uma bolinha de açúcar (ufa, menos mal).
O povo quer saber na realidade é de comprar e não dá para aceitar tanta disparidade de preços quando o uso da maioria dos produtos acaba satisfazendo o consumidor.
Então, o de sempre: o problema brasileiro da carga tributária que deixa tudo pela hora da morte como diriam os antigo.
Os riscos à saúde pública é que perturbam quando se tem mínimo de preocupação e você deve pensar nisso, olhar para sua família, principalmente quando o produto for ser manipulado e, principalmente, de digestão.
Compre DVD, computador ou brinquedo pirateado e quando derem defeito jogo fora, mas ao adquirir uma guloseima, um produto químico, fique de olho bem aberto, de orelha em pé. Afinal, você pode ser a próxima vítima.

Atuação da ANVISA e PF deve servir de alerta à população: cuidado com qualidade dos produtos que consome e riscos à saúde