Apesar da expectativa negativa e temerária em relação à paulada que será o aumento dos impostos municipais, o contribuinte anda mesmo irritado é com a falta de manutenção da cidade em áreas essenciais.
Marília está castigada pelo descaso administrativo.
Não há falta de dinheiro nos cofres da Prefeitura, Daem, Codemar e Emdurb, que formam orçamento e estrutura que deveria estar cuidando da cidade.
Veja só o tamanho da caneta dos agentes públicos e políticos que deveriam estar pelo menos fazendo o trivial:
1 – o orçamento de Marília para 2.010 é de mínimos R$ 480 milhões.
2 – o ano terá 245 dias úteis e a Prefeitura abre sete horas diárias.
3 – entra nos cofres da Prefeitura pelo menos R$ 1,5 milhão ao dia.
4 – a cada hora as contas municipais recebem R$ 285 mil.
5 – são ao menos R$ 45 milhões ao mês para custear a cidade.
Quer mais. Até sexta-feira, dia 29 de janeiro, somente em repasses estaduais do ICMS haviam sido creditados R$ 4,6 milhões além de outros R$ 8 milhões de IPVA. Somam-se ainda aproximados R$ 6,3 milhões entre FPM e Fundeb (federais).
Os volumes financeiros se acumulam por conta da arrecadação de impostos municipais e repasses estaduais e federais.
Não tem crise, não tem inadimplência, é dinheiro vivo.
Nada dessa riqueza de Marília tem produzido bens, obras e serviços que satisfaçam a população e façam a cidade ter manutenção básica.
Ninguém ouviu um secretário, um coordenador, um dos mais de 450 ocupantes de cargos públicos em comissão, nomeados sem concurso, fazendo explicações lógicas, técnicas ou mesmo políticas sobre os problemas da cidade.
Ninguém viu o prefeito Mário Bulgareli falando sobre planos para recuperar a cidade, resgatar a manutenção.
Não fez única reunião que pudesse dar pelo menos esperanças à população.
Mário Bulgareli não precisa responder aos ataques de Abelardo Camarinha, às críticas construtivas da imprensa e de setores descontentes com seu jeito leniente de governar e fazer as coisas.
Mário Bulgareli foi reeleito prefeito e governa a cidade de mais de 230.000 habitantes, 148 mil eleitores e gerencia uma conta milionária de R$ 480 milhões somente em 2010 ou de R$ 2 bilhões em quatro anos.
Mário Bulgareli é obrigado a dar respostas à sociedade, explicar como não consegue fazer governo e encontrar uma solução para remendar ou colocar cabeça no seu Frankenstein político-administrativo.
Ninguém crê numa palavra, frase, arroubo ou politicagem de Abelardo Camarinha e essa realmente não deve ser preocupação de Mário Bulgareli.
No entanto, a situação é tão caótica que é cada dia maior uma incrível suspeita: será que Bulgareli não tem acordo de bastidores com Camarinha e tudo não é de caso pensado?
Quais planos de Bulgareli? Como vai deixar o governo e que blindagem terá no futuro? Financeira? Política? De grupo?
O que é problema meu, seu, de cada cidadão é o que Bulgareli precisa fazer para trabalhar, arregaçar as mangas, dar exemplos e cobrar daqueles que ele pendurou na Prefeitura, Daem, Codemar e Emdurb e que não moveram uma palha neste primeiro mês de 2010.
2009? Retrato triste. A falta de manutenção da cidade é que levou a piora em 2010.
Muito pior, muito pior mesmo: Bulgareli está sentado na cadeira de prefeito com a caneta milionária há cinco longos anos.
Mário Bulgareli nesse tempo todo pode manipular, decidir e gerir mais de dois bilhões de reais.
Quais as marcas desse tempo?
Quais investimentos?
O que melhorou na cidade?
Quais costumes e práticas avançaram?
Tudo está melhor ou pior?
Teve muito dinheiro, o resultado foi e é pífio.
A gritaria é generalizada. A infraestrutura básica está em calamidade e a sorte é que Marília está no alto do espigão e não tem tantas enchentes que poderiam arriscar desabamentos como em outras cidades.
Não tem mais asfalto ou pavimentação na maioria das ruas e avenidas de norte a sul, leste a oeste.
Bairros humildes da periferia onde não há pavimento, o caos é dramático.
Não tem mais praças em canto algum, assim como a cidade está uma escuridão, na penumbra por causa da inexistência de poda de árvores.
A saúde pública está em desastre tamanho e não há uma única medida, a não ser politicagem com pronto atendimento e o desperdício do dinheiro público.
Neste quesito o próximo passo é investigar o desvio do dinheiro da saúde pública para convênios privados sem concorrência pública. Até quando tentam fazer, fazem à base de corrupção.
Não tem médicos, exames, remédios, nem mesmo pronto atendimento e o prefeito e secretários tiram fotos sorrindo em solenidades, eventos e festinhas.
Não são vistos numa única atitude de governo.
Estão felizes, sem problemas?
Onde vou, numa visita a bairro, conversa com populares, compras em supermercados, sou parado e questionado sobre o que está acontecendo administrativamente com Marília.
Até dentro de casa. Minha sobrinha que mora no Fernando Mauro está esperando um ultrassom há 13 meses e essa semana minha irmã veio reclamar.
Disse: você é uma das centenas de mães com as filhas abandonadas pelo governo Mário Bulgareli.

Ruas e avenidas sem manutenção enquanto mais de R$ 12 milhões sumiram em serviços de recape e asfalto
Na rua Maria da Glória Campos, no mesmo Fernando Mauro, onde mora minha mãe, passei na terça-feira, dia de seu aniversário, e só naquele quarteirão contei oito buracos e um vazamento de água.
Expliquei para mãe dona Odelina e a irmã Eliana:
- Vocês não se aflijam. Não estão discriminadas. A cidade inteirinha está assim sem administração.
Quando saí da casa de minha mãe e fui passando os vizinhos gritavam:
- Isso aqui é uma vergonha. Fala na rádio…
Tenho andado por Marília, por todo canto e é isso que ouço.
No Santa Antonieta a calamidade está instalada. Domingo quando caminhava pela feira livre fui parado por duas moradoras do Jardim Renata (zona norte) que estavam desesperadas e queriam a reportagem das rádios para que pudessem denunciar a situação.
É só parar em local público com populares e as reclamações se multiplicam, a gritaria é geral.
O prefeito e sua turma andam pela cidade?
Eles sabem o que está acontecendo?
Ou eles não estão preocupados com o povo?
Ou eles não sabem o que fazer?
Mário Bulgareli está prefeito há cinco anos e vai ficar mais três se nenhuma catástrofe jurídico-judicial tirá-lo do cargo, o que talvez seja difícil.
Mário Bulgareli está no governo há muito mais tempo. Foi vice-prefeito de Abelardo Camarinha, duas vezes vereador.
Veio de Bauru há 30 anos e presume-se conhece Marília tão bem e até mais que todos os políticos e politiqueiros.
Antes reclamava que não conseguia governar pois ficou subjugado às garras de seu criador Abelardo Camarinha até pelo menos maio de 2008.
Bulgareli deu banana, meteu o pé na bunda de Abelardo, para ser reeleito e desbancou a arrogância dos Camarinha, pegando carona no bonde da história e conseguiu enterrar e derrotar a candidatura de Vinícius.
Se livrou teoricamente de tudo que era indesejável e no entanto seu governo é politicamente um Frankenstein e administrativamente ora um monstro sem cabeças, ora um monstro de várias cabeças se trombando.
Quando o contribuinte receber o carnê de impostos predial e territorial e das taxas de combate a incêndio, assim como quando for usar serviços e descobrir que as taxas e tarifas foram todas aumentadas assustadoramente, a situação vai piorar ainda mais.
O povo vai pagar impostos abusivos no governo Mário Bulgareli do mesmo jeito que passou aquela roubalheira na era de Abelardo Camarinha.
Tanto antes como agora a cidade está sem manutenção, abandonada, submetida apenas às práticas de sempre.
O interior de São Paulo é o segundo mercado consumidor, de produção de riquezas do Estado e Marília está inserida nesse contexto, com a iniciativa privada fazendo virar riquezas, divisas e oportunidades.
Mais riquezas, mais impostos, mais dinheiro nos cofres públicos, que infelizmente acaba sumindo. Caos repetitivo há mais de 30 anos.
Ao contribuinte resta pagar a conta, a sociedade fica na expectativa a ensaiar críticas e denúncias e o eleitor pode esperar as próximas eleições.
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