Um longo caminho

José Ursílio de Souza e Silva, 47 anos, nasceu em Marília, é casado com Cássia e pai de Matheus, 11.
Filho mais velho em cinco irmãos, começou a vida profissional em 1974, como vendedor de limão da chácara do jornalista Anselmo Scarano, na época, editor e diretor-geral do jornal Correio de Marília.
Passou para a oficina do jornal: foi ser entregador e auxiliar de serviços gerais a partir de 1975 até que em primeiro de setembro de 1977 ganhou seu primeiro registro profissional em carteira, aos 16 anos.
Durante quase dois anos ele acumulou funções até ser promovido a revisor do jornal, que ainda funcionava em sistema de tipografia manual.
Em 1978 foi convidado a produzir notas para duas colunas do jornal: de esportes amadores e outra de eventos culturais na cidade.
Nos anos seguintes iria passar por diversos setores na redação: escreveu sobre cultura, esportes, cidades, economia e política. Sempre com visão crítica.
Passou a morar em repúblicas com jornalistas, educadores e artistas de teatro.
Só deixou o Correio em 1983 para assumir o comando de redação no recém-criado Diário de Marília, o primeiro jornal a circular em sistema off-set na cidade. A linha do jornal era de crítica ao então prefeito Abelardo Camarinha, que cumpria seu primeiro mandato.
Rompido com a diretoria da empresa, Ursílio deixou o jornal pouco antes de o Diário fechar, ainda em 1983. Foi assessor de imprensa, repórter free lance até ser convidado a retornar ao Correio.
Como repórter policial, notabilizou a cobertura polêmica e independente, que provocou críticas e conflitos com delegados em repetidas ocasiões, estabelecendo um novo formato de cobertura policial na cidade, abandonando a versão oficialesca de boletins de ocorrências e fazendo reportagens investigativas.
Foi também época de intensa atividade sindical e cultural na cidade. Ursílio esteve envolvido em todo o processo, como repórter, ativista e integrante em diversos grupos.
Participou da criação e apresentação do Bloco Popular, projeto que levou discurso político contra a ditadura para o carnaval de rua da cidade com participação de líderes comunitários, representantes de movimentos populares e dos novos partidos de esquerda criados a partir de 1980 no país.
Esteve nas caravanas da cidade para o comício Diretas Já, na praça da Sé em 1984 estava no ônibus de Marília que tentou ir ao Congresso Nacional na votação da emenda das Diretas. Ficou parado com os outros viajantes em um bloqueio montado pelo Exército.
Desligado do jornal por causa da viagem – que o fez abandonar a redação – retornaria em 1985 para notabilizar cobertura crítica da vida política na cidade.

Além das críticas à administração, denunciou esquema de privilégios salariais e jetons na Câmara, o que lhe rendeu perseguição pessoal, agressões, ameaças e pressão de todo bloco de vereadores da situação.
Em 1986 liderou um movimento sem precedentes na cidade de combate à desnutrição em crianças das periferias, com debates entre autoridades e formulação de projetos de saúde pública.
Em 1986, ainda sob a pressão política, passou a atuar como correspondente da Folha de S. Paulo na produção de reportagens sobre agronegócios, desenvolvimento industrial e cobertura policial.
Foi nessa condição e como editor do Correio que ele entrou na cobertura do caso do seqüestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez, então vice-presidente do Bradesco.
O GAS (Grupo Anti-Sequestro), delegacia especializada da Polícia Civil do Estado de São Paulo, acusou envolvimento de uma rede de contrabandistas.
O caso teve repercussão internacional e acabou sem provas contra os acusados na região, mas com o GAS desmantelado por denúncias de extorsão e corrupção.

Nessa época, José Ursílio também atuava com o jornalista e radialista José Carlos Guerra na assessoria de imprensa ao Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Empregados no Comércio, Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, Sindicatos dos Motoristas e Cobradores e Sindicato dos Metalúrgicos, no segmento mais ideológico e em empresas como Universidade de Marília (Unimar), entre outros. Atuou na organização de protestos e manifestações trabalhistas, viagens e congressos de diversas categorias.

Em 1988 a cobertura da eleição municipal colocou Ursílio em destaque ao denunciar um esquema empresarial montado para suporte à candidatura de Pedro Pavão, que acabou derrotado por Domingos Alcalde, à época apoiado por Abelardo Camarinha.
O Correio de Marília enfrentava a concorrência do grupo Iguatemy, que mantinha na época duas rádios e um jornal, o Diário Marília Notícias
Em 1989, um ano depois da eleição e de muita pressão em meio à crise econômica, o Correio foi vendido ao grupo Iguatemy. Ursílio passa a ser repórter no Correio e depois no Diário.
Como repórter denunciou com exclusividade em 1991 a investigação do Ministério Público contra a Indústria das Desapropriações em Marília, num escândalo sem precedentes históricos até à época e que provocou ação judicial com posterior condenação do ex-prefeito Domingos Alcalde e do vice Herval Rosa Seabra.
Em 1992 foi feita a fusão do Correio com o Marília Notícias, formando o Diário-Correio. José Ursílio assumiu como editor, cargo que manteve até maio de 1993, quando deixa o Diário para estruturar uma empresa de assessoria de comunicação.
Atuou também em trabalhos free-lance como pauteiro e chefe de reportagem na Sucursal de Marília da Rede Globo. Mas essa nova fase iria durar pouco.
Em 1994 o Diário troca de dono. Foi comprado pelo empresário Antonio Marangão, de Garça. José Ursílio assume como editor.
Em 1998 o administrador de empresas Carlos Francisco Cardoso assume o jornal Diário e as rádios Diário FM e Dirceu AM.
À época o adesismo da cidade ao grupo político de Abelardo Camarinha faz com que a linha editorial do jornal fique comprometida e atrelada a verbas institucionais e oficiais, o que durante os próximos quatro anos provocaria desgaste da credibilidade dos veículos de comunicação.
Pesquisas de opinião pública indicam necessidade de revitalizar linha editorial do jornal e a partir de 2003 José Ursílio assume como diretor de jornalismo e marketing do grupo, além de integrar conselho de administração das empresas, com projeto de recuperação baseado na credibilidade, penetração popular e independência, que permitiriam não só o resgate do faturamento como da credibilidade.
Em 2004, já com em melhor desempenho e em estágio avançado de equilíbrio, as empresas iniciam fase de envolvimento mais contundente com a comunidade.
Em maio é lançada a coluna “José Ursílio”, de análise política e social da cidade, além de linha cada vez mais investigativa dos três veículos de comunicação.
Durante a campanha eleitoral, a coluna, jornal e rádios pipocam denúncias de contratos suspeitos, gastos desnecessários, uso da máquina em promoção pessoal e política do então prefeito Abelardo Camarinha, que respondia a pacote de ações judiciais.
Em setembro de 2004 Camarinha promove ação para censurar o Diário e durante 13 dias consegue impedir qualquer publicação citando seu nome ou a administração municipal, até que o Tribunal Regional Eleitoral cassa a medida punitiva e de descabida censura.
A linha editorial segue mais crítica. Em maio de 2005 passa a denunciar a herança de dívidas, pressão política e grupos de intrigas deixados por Camarinha na administração municipal enquanto Mário Bulgareli geria a cidade com continuísmo.
Em agosto de 2005 aponta rejeição das contas de Camarinha pelo TCE e no início de setembro revela três condenações judiciais contra o ex-prefeito e um cerco do Ministério Público e Justiça contra as mazelas de Camarinha na vida pública.
Na madrugada de 8 de setembro o jornal e rádios sofrem atentado com incêndio criminoso. No dia 9 é preso Amauri Campoy, ex-assessor de Camarinha na prefeitura. Ele ocupava ainda cargo de confiança no gabinete do prefeito Mário Bulgareli, que até 2004 foi vice-prefeito de Camarinha.
Com a prisão de Campoy, dois novos suspeitos são descobertos: dois amigos pessoais e ex-assessores de Camarinha e de seu filho, o deputado Vinícius Camarinha
No dia 11 de setembro o jornalista José Ursílio adota uma postura que iria modificar definitivamente os rumos das relações e influências político-institucionais de Marília. Ele revela que Camarinha é o principal suspeito de mandar queimar o prédio e que seu grupo político está enterrado no caso.

A revelação provocou reação do grupo, promovida em onda de falsas acusações, ameaças nas ruas, agressões e intimidação. A defesa, em vez de tentar provar que o grupo não estava envolvido, passou a acusar Ursílio e a direção do jornal pelo incêndio.
A defesa de Camarinha uniu o grupo político ao escritório do advogado João Simão Neto, tradicional defensor de acusados em grandes crimes na região e tido como advogado truculento e intimidador com forte influência sobre serviços policiais e judiciários.
Até um ano antes do atentado, nas eleições de 2004, João Simão chamava Camarinha de quadrilheiro. Após o crime, tornou-se defensor de Camarinha e não por coincidência de todos os bandidos envolvidos no incêndio e outros tantos crimes.
João Simão forjou tese de defesa que envolveu até documento sob suspeita de falsificação e uma testemunha de aluguel, Arnaldo Mendes de Oliveira Neto, que deixaria o processo investigado por falso testemunho.
Nem as acusações e nem a intimidação resolveram muito. Em janeiro de 2006 os três acusados foram condenados a 12 anos de prisão por roubo qualificado e incêndio qualificado. Um ano e dois meses depois o Tribunal de Justiça aumentou a pena em quatro meses.
No meio deste processo, a polícia identificou e prendeu Anderson Ricardo Lopes, o Ricardinho, assaltante condenado em abril de 2008 a 13 anos e quatro meses de cadeia pela participação do atentado.
Ele confessou o crime e indicou envolvimento de Camarinha. Rafael Almeida Camarinha, filho mais novo do ex-prefeito, foi citado nominalmente e passou a ser investigado. Ricardinho disse ainda que o escritório político do ex-prefeito, na avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, foi o QG do atentado.
Em 14 de março de 2006, ainda investigado pela Polícia, Rafael Camarinha foi assassinado em sua casa. O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) identificou cinco envolvidos no crime, prendeu todos e elucidou o caso como latrocínio – roubo seguido de morte.
Camarinha acusou Ursílio, mas não entregou qualquer prova. Pior. Tentou forjar testemunhas em pelo menos dois casos flagrados pela Polícia e pelos veículos de comunicação.
As tentativas de comprar depoimentos renderam investigação que até hoje tramitam contra o grupo do ex-prefeito e os advogados envolvidos no caso.
O Diário e o José Ursílio passaram a sofrer novas formas de pressão. Por três vezes o grupo político levou dezenas de pessoas para ameaças, ofensas e tentativas de agressão na porta do jornal.
Camarinha moveu uma enxurrada de ações judiciais para tentar censurar o jornal e a rádio. Chegou a conseguir censura da edição especial da eleição em outubro, mas apenas por algumas horas.
Mas o caso mais grave aconteceu antes, em 18 de julho de 2006. O motorista Almir Adauto, de Duartina, deixava o prédio do jornal e das rádios com alguns locutores quando passou a ser seguido.
Na rua Maranhão, a duas quadras do jornal, foi atacado pelo desempregado Evandro Quini, que estavam armado com uma pistola importada que não sabia usar. A arma estava travada.
Ameaçado, o motorista correu e foi seguido, entrou em um prédio comercial, onde lutou com Evandro e tomou a arma. Antes, Quini fez mais dois disparos. Errou os dois e, desarmado, fugiu. Foi preso perto dali e disse aos policiais “matei o José Ursílio”.
Errou duas vezes. Não matou ninguém e não era José Ursílio. Depois de ficar horas e horas de vigília no prédio, confundiu o jornalista com o motorista por causa de semelhanças físicas.
Preso, Quini envolveu sua ex-mulher, Luverci Luque, no crime. Ela era pessoa próxima e testemunha já usada por João Simão Neto.
Quase um ano depois do crime, a Polícia Federal revelou que investigação de outros crimes na época permitiu gravações telefônicas de João Simão e outros envolvidos no caso.
O advogado foi acusado de participação no crime, junto com o policial rodoviário federal Ademilson Domingos de Lima.
Evandro Quini e Luversi Luque cumprem penas em cadeias da região, enquanto João Simão Neto continua solto à espera de julgamento do Tribunal do Júri de Marília. Ele tentou diversos recursos no TJ contra o júri, mas perdeu todos.
A situação do comparsa Ademilson é pior: está na cadeia por diversos crimes e espera também o júri acusado de ser o contratante do pistoleiro que deveria ter executado o jornalista.
A mesma investigação revelou outros crimes na região, envolvendo acusações de golpe contra o policial e de corrupção contra João Simão.
O resultado é que a Justiça Federal e a Justiça estadual emitiram ordens de prisão contra os dois. Lima foi preso em 26 de abril de 2007 e está na cadeia até hoje. João Simão passou 143 dias na penitenciaria, já tem duas condenações de ações federais e apela em liberdade provisória.
Por causa dessas ameaças e das tentativas de intimidação, A procuradora federal Janice Agostinho Ascari, de São Paulo, pediu e a desembargadora federal Suzana Camargo determinou que a Polícia Federal garantisse segurança do jornalista e sua família 24h por dia. A ordem completou um ano e meio sem ser cumprida.
José Ursílio e a família dependem de seguranças particulares ou amigos para transporte, acesso a locais públicos e até em sua casa.
Neste tempo de tramitação, o caso rendeu enxurrada de ofícios, telegramas e burocracia, e agora o caso está nop STF (Supremo Tribunal Federal), em inquérito sob a responsabilidade da Ministra Carmen Lúcia.
Nos cinco anos desde que passou a revelar desmandos envolvendo o grupo do ex-prefeito Abelardo Camarinha e a organização criminosa em torno de João Simão Neto, José Ursíilio sofreu ameaças, agressões físicas, falsas acusações, publicações com ofensas à família.
Paralelamente deu causa a diversas investigações policiais e revelou suspeitas e escândalos que levaram a investigações federais, novos processos nas esferas civil e criminal tanto contra Camarinha e seu grupo como contra João Simão e pessoas ligadas a ele.
Além disso, investigações e decisões judiciais comprovaram diversas das revelações e informações divulgadas pelo jornal, que tornou-se exemplo em cobertura investigativa com repercussão nacional e até internacional dos casos de intimidação.

agosto 6th, 2009 as 20:18
ACABEI DE LER MINUSCIOSAMENTE O TEXTO ACIMA,CONFESSO QUE NÃO SABIA DE TUDO DETALHADAMENTE;ME SURPREENDI AO SABER QUE AINDA NOS DIAS DE HOJE PESSOAS COMO VOCÊ SÃO ATACADAS DE MANERA SUJA,CRUEL,PESSOAS COLOCANDO VIDAS DE INOCENTES EM RISCO.SINTO ORGULHO DE VOCÊ SR JOSÈ URSILIO,SEI QUE ESSA SUA JORNADA AINDA È LONGA,MAS QUE NÃO ESTÁ SENDO EM VÃO,ACREDITO QUE COM SUA POSTURA DE HOMEM INTEGRO,SEU TRABALHO SENDO REALIZADO DE FORMA TRASNPARENTE E SUA HONESTIDADE,NÒS QUE VIVEMOS AQUI EM MARÌLIA E QUE AMAMOS ESSA CIDADE COM CERTEZA ESTAREMOS A SEU LADO NESSA SUA LUTA DIÁRIA DE DAVI CONTRA TANTOS GOLIAS.UM ABRAÇO E QUE DEUS O ABENÇOE E O PROTEJA!!!!
setembro 1st, 2009 as 9:47
Caro Sr. José Ursílio.
Peço desculpas antecipadamente por estar usando este canal de comentários para relatar minha indignação com um fato que considero no mínimo desrespeitoso.
Como muitos usuários sa rodovia SP 294 (Com. João Ribeiro de Barros), tenho sofrido os transtornos de uma obra que se arrasta há meses, senão anos, mas ainda assim, sinto um alento, já que a duplicação da pista se faz necessário. O que revoltou-me na verdade foi quando na última viagem à Marília, observei que entre os KM 403 e 404, próximo à entrada de Gália existe um enorme outdoor onde simula-se um agradecimento ao Governador José serra e ao deputado Camarinha pela realização da obra na rodovia. Ora, então eles nos deram um presente? Pago com seus próprios recursos? O dinheiro para a duplicação da pista saiu do bolso deles? Ou é dinheiro dos cofres públicos?
Certamente que o dinheiro provém dos nossos impostos e salvo engano da minha parte, ninguém pode usar de uma obra pública para ser promover ou promover outrem, até porque estamos às vésperas de uma eleição e isto me cheira a propaganda eleitoral, o que se confirmado, constitui crime eleitoral, ou não?
Mesmo que não seja crime, sem dúvida é imoral.
Fotografei o outdoor e gostaria de enviar mas não sei como.
Se houver condição de envio e o senhor estiver interessado é só me contatar pelo e-mail que informei.
Atenciosamente,
Cléo Oliveira.
setembro 1st, 2009 as 22:25
José sou o Samuel naum sei se lembra de mim Sou filho do José Carlos Guerra bom queria noticias dele desde aquela epoca nunca mais tive noticias entre em contato comigo pelo e-mail abraço querido fique com DEUS
samuelchique@hotmail.com
dezembro 10th, 2009 as 23:07
caro jose ursilio venho atraves deste email.pedir que como grande jornalista de marilia venha a pedir ao pessoal do cqc programa apresentado na band de televisao um materia na cidade de marilia contra a abusivo valor de passagem de onibus de marilia
agradeco ate +++ espero uma resposta